Vazio

12 Amigos servem para isso


Notas iniciais
Boa leitura!

— Finalmente é sexta-feira! — exclamou Sasha, espreguiçando-se na cadeira.

Como tradição de todas as sextas, ambos os grupos dos meninos e das meninas se reuniam no intervalo do almoço para resenharem juntos. E, como sempre, era uma bagunça; a maioria se conhecia desde o fundamental, então juntar todos era quase uma festa.

— Ei, gente, onde está Connie? — perguntou Marco, assim que notou a ausência do amigo.

— Nem ele nem Bertolt, Reiner e Annie apareceram — constatou Ymir, nem um pouco triste. — Assim é até melhor, não preciso me preocupar com o que o Mr. Músculo está fazendo... — Ymir passou o braço por cima do ombro de Crista da forma que sempre fazia. Ymir sabia que Reiner tinha uma queda por sua garota, então era sempre bom mantê-lo à distância. — E aí nos podemos nos casar sem problemas!

Ymir! — Crista a censurou. — Comporte-se!

— Sasha, nem você tem notícias do Connie? — perguntou Eren.

— Não... Nós sequer nos falamos hoje — Sasha deu de ombros.

Aquilo era estranho. Certamente Connie andava mais com Jean e Marco, mas a amizade entre ele e Sasha também era algo a ser considerado. Ambos sempre foram impulsivos e imprudentes, então já se meteram em muitos problemas juntos, o que apenas fortaleceu o laço entre os dois.

Reiner, Bertolt e Annie já nem era mais novidade, mas Connie? Ele era o que mais gosta dos encontros de sexta, aquilo não fazia sentido nenhum para Eren. Com certeza ele viu o amigo careca na escola hoje, só não lembrava se o tinha visto na sala de aula também. Mais estranho ainda... Quase que num pulo, Eren levantou da cadeira na qual estava sentado e partiu em direção à porta.

— Para onde está indo? — quis saber Mikasa.

— Para onde mais? Procurar Connie, é claro!

— Não perca seu tempo, ele deve estar causando alguma baderna por aí... — disse Jean, seguro de que estava tudo bem.

— Bem, eu também estou achando estranho... — disse Armin.

— Então vamos. — Eren não queria gastar mais tempo, então marchou para fora da sala sem dizer mais nada.

Mikasa e Armin o acompanharam — como sempre. O trio procurou por quase todas as partes do colégio, mas não o acharam em lugar algum. Foi então que Armin teve a ideia de olhar no pátio frontal, o qual dava para o portão principal. Eren assumiu que aquele lugar era muito improvável, já que os alunos não tinham permissão para sair durante o intervalo, mas Mikasa e Armin insistiram o suficiente para convencê-lo.

Assim que chegaram ao pátio, as primeiras pessoas as quais fizeram contato visual foram a dupla inseparável: Reiner e Bertolt. Ambos pareciam distraídos olhando algo pelo portão principal, mas trataram de sair assim que avistaram o trio.

— Vamos perguntar se... — Eren deu alguns passos em direção à dupla, mas foi impedido por um aperto de Mikasa em seu braço.

Quando Eren se virou para reclamar com a amiga, percebeu que ela estava realmente séria, e que seus olhos eram quase ameaçadores. Armin ficou apenas observando os dois garotos se aproximarem — pareciam dois felinos prestes a atacar. Passando por eles, Reiner deixou seu ombro esbarrar propositalmente no de Eren, e foi seguido por Bertolt.

Você tinha que aparecer, não é, Jäeger? — sussurrou Bertolt.

Eren não sabia se ficava parado apenas olhando, se ia comprar briga pelo desaforo, se tentava conter o instinto assassino de Mikasa ou se perguntava a Armin o que diabos ele estava olhando no portão.

— Connie! — Armin gritou.

Isso chamou a atenção de Eren o suficiente para que ele deixasse de lado aquela cena um tanto estranha. Connie estava do outro lado do portão, e fazia gestos exagerados para Armin não gritar seu nome — afinal de contas, ninguém podia saber que ele tinha escapado. Habilidosamente, Connie usou suas técnicas de fuga para escalar a grade do portão e pulá-lo, entrando no colégio. Do lado de fora, Eren notou um bando de garotos se afastando, todos encapuzados mesmo com aquele sol.

— Connie, o que pensa que está fazendo?! — perguntou Armin, assim que Connie se aproximou.

— O que você pensa que está fazendo? — retrucou Connie. — Quer chamar a atenção dos funcionários gritando o meu nome?

— E que droga é que você estava fazendo lá fora? — quis saber Eren.

— Ah, eu... — Connie desviou o olhar e colocou as mãos nos bolsos. — Estava resolvendo uns negócios.

— Algo a ver com Reiner e Bertolt? — perguntou Mikasa, fria como gelo.

Connie arregalou os olhos e começou a suar frio. Até mesmo Eren, que não era muito bom em capitar sinais corporais, percebeu que Connie estava metido em algo errado.

— Do que você está falando...? — a voz de Connie mal saía, tamanho o seu nervosismo.

Bingo, pensou Mikasa. Eren não estava gostando nada daquilo; aquele grupo de garotos do lado de fora não parecia ser do tipo “tranquilo”, e só por saber que Reiner e Bertolt estavam metidos no meio...

— Connie, nós... —Armin começou, mas foi interrompido.

— O encontro de sexta ainda está rolando?! — perguntou Connie, desesperado para mudar de assunto. — Aposto que está, vou lá ver a galera. — E então, Connie desapareceu nos corredores do colégio.

Eren ficou apenas encarando o nada, tentando entender o que foi que tinha acabado de acontecer. Mikasa e Armin se entreolharam; eles já suspeitavam que alguma coisa estava acontecendo com Reiner e Bertolt, só não esperavam ver Connie metido nisso.

— Talvez Bertolt tenha algo a ver com aquele grupo de garotos — comentou Armin, mais especificamente para Mikasa.

— Você também os viu?! — exclamou Eren.

— Por que Bertolt e não Reiner? — questionou Mikasa.

— Ei, do que vocês estão falando? — Só estão Eren percebeu que rolava uma conversa paralela entre os dois.

— Por que Bertolt foi o primeiro a se afastar do grupo e a agir estranho, lembra-se? — Armin respondeu a Mikasa, que pôs a mão no queixo para pensar. Eren, a essa altura, já tinha desistido de entender e apenas escutava a conversa.

— Faz sentido — concordou Mikasa. — O que não entra na minha cabeça é Bertolt se relacionando com aqueles meninos estranhos... Ele não é disso.

— Esse é só um palpite. — Armin suspirou. — Afinal de contas, nós não vimos eles conversando diretamente com os garotos, apenas vimos eles encostados no portão...

—... Como se estivessem vigiando o que Connie estava aprontando — completou Mikasa. — Sim, isso também faz sentido.

— Mas então por que Reiner se esbarrou em mim e Bertolt sussurrou “Você tinha que aparecer, não é, Jäeger”? — perguntou Eren, finalmente entendendo o rumo da conversa.

Armin e Mikasa olharam surpresos para Eren. Muito provavelmente nenhum dos dois esperava que ele fosse entender tão rápido e fazer um comentário relevante.

— Eren está certo — constatou Mikasa. — Bertolt deixou claro que não queria que Eren aparecesse.

— Mas se era só Eren, então é apenas ódio focalizado, e não medo de serem descobertos por fazer algo de errado — comentou Armin.

— Verdade, se o medo fosse esse, Eren seria o último dos problemas... — confirmou Mikasa.

Ei! — exclamou Eren. — Não me tratem como um idiota. E a teoria de vocês não faz sentido, eu não fiz nada para eles terem tanta raiva de mim.

— Bem, você deu um pé na bunda bem grotesco na amiga de infância deles. — Armin deu de ombros. Aquilo foi como uma facada para Eren

Não foi grotesco... — murmurou Eren.

— Depois de finalmente dormir com ela, você simplesmente termina e diz que “não é um bom momento para te namorar”, e que você “espera que ela entenda”. — Armin fez as aspas com os dedos, o que deixou a cena até engraçada.

Eren corou e passou a mão na nuca, envergonhado. Sim, ele sabia que tinha sido meio bosta, mas agora não podia fazer mais nada.

— Na verdade, Annie não está tão chateada a ponto de fazer seus melhores amigos sentirem ódio gratuito por Eren — comentou Mikasa, lembrando-se da conversa que teve com ela no Milk N’ Melt. Aquela informação foi importantíssima para Eren; agora, ele se sentia menos culpado.

— Bem, então eu não sei mais o que pensar — disse Armin, desistindo de bolar suposições até que mais provas fossem lançadas. Ele simplesmente odiava ter que ficar suspeitando coisas de seus amigos, mesmo sabendo que eles estão agindo de maneira meio merda.

O trio deixou aquela conversa em aberto; até porque o intervalo já estava quase no fim. Assim que voltaram para a sala, o clima já tinha voltado ao normal com Connie. No final das contas, nenhum dos três achou que seria relevante forçar a barra naquela situação — e também porque Connie era mestre em se meter em confusão, de qualquer forma.

O resto da tarde passou num piscar de olhos. Sempre que podia, Eren mexia no celular para ver mais uma vez as mensagens de Levi — a ansiedade estava o corroendo. Jean chegou a irritá-lo algumas vezes com isso, mas nada que uma boa briga não mudasse de assunto.

Eren mal tinha pisado em casa e já foi subindo direto para o quarto. Ele estava morrendo de vontade de conversar com Levi, e sentia que só era “seguro” fazer isso em seu quarto.

“Por que marcou para o final de semana? Esperar está me enlouquecendo...”.

5 minutos se passaram e Levi sequer deu sinal de vida. Eren se lembrou de que ele, de fato, trabalha, e que não podia ficar gastando tempo no celular. Ainda assim, uma pequena parte tinha esperança de que ele fosse mais importante do que o trabalho, então esperou mais tempo ao lado do telefone. 15 minutos depois, Eren desistiu e apenas desceu para ajudar a mãe na limpeza da casa — atividade muito interessante para Eren, principalmente agora que descobriu a sua “utilidade”.

O celular do garoto só foi sinalizar uma nova mensagem por volta das 21h — de novo. Eren criou uma nota mental de só contatá-lo à noite.

“Pirralhos são tão impacientes...”. Eren não pode deixar de sorrir para a mensagem.

“E velhos são tão mesquinhos...”, devolveu.

“Quem você está chamando de velho?”

“Um homem aí que me beijou e me chamou para dormir na casa dele”. Eren enterrou o rosto no travesseiro para conter o sorriso travesso.

Levi só foi responder depois de uma pequena pausa.

“Quem é o bastardo?”. Aquela mensagem fez o coração de Eren palpitar.

“E isso importa? Eu durmo com quem eu quiser”. O garoto estava se mordendo de orgulho por estar provocando Levi daquela forma. Era um grande avanço.

“Não enquanto estiver comigo”.

O mundo parou de girar para Eren. Ele ficou lendo e relendo aquela mensagem várias vezes, somente para ter certeza de que não tinha entendido errado. A adrenalina se espalhou em seu sangue como um veneno, ardendo em suas veias. Eren o queria, ali e agora.

“Eu estava falando de você”, foi a única coisa que conseguiu pensar. Depois daquilo, Eren não tinha mais forças para continuar o provocando.

Levi teve outra pausa para responder.

“Eu vou te foder tão forte que você vai se arrepender do que fez”.

Eren não sabia se aquilo era um flerte ou uma ameaça mesmo, só sabia que era muito sexy. Aquilo fez a sua ansiedade — e excitação — crescer o triplo em menos de dois segundos.

“Vou estar esperando”. Sim, Eren ainda tinha um pouquinho de coragem sobrando para provocá-lo.

“Considere-se fodido, Jäeger”. Eren já tinha escutado aquela frase mais de mil vezes em sua vida, mas aquela foi a primeira vez em que ela soou tão excitante. Eren mal teve tempo de responder quando Levi complementou:

“Apareça depois das cinco. Prepare bem a sua bunda, você vai precisar”.

Eren ficou rolando na cama por mais um tempo, com um sorriso bobo estampado na cama. Por fim, acabou virando-se de barriga para cima e, com os olhos fechados, lembrou-se do beijo de Levi, de seu toque quase agressivo, do seu cheiro... Depois, pensou em como seria Levi dizendo-lhe pessoalmente todas as mensagens, da forma como ele iria “fodê-lo com força”...

Eren não pode evitar deixar a sua mão correr para dentro de sua calça, onde uma ereção lutava por espaço. Sim, seu corpo desejava ser tocado por aquele homem mais uma vez. Eren desabotoou a calça e tirou em apenas um movimento. Depois, começou a massagear com calma todo o seu membro, desde a cabeça até as bolas, por cima da cueca. Não aguentando mais conter a ereção, ele se livrou da roupa íntima sem pensar duas vezes, ficando apenas de camisa.

Enquanto a mão direita massageava com força, mas ainda devagar, o seu pênis, a esquerda foi passeando pela virilha, abdômen e peitoral, assim como Levi o fez. Ah... Levi-san... Só pensar nele já o fazia ter espasmos de prazer. Com rudeza, da forma como Levi o fez, Eren passou os dedos no mamilo esquerdo, duro devido à excitação, e depois começou a puxá-lo com força, sincronizando os puxões com o movimento da mão direita sobre seu pênis.

Eren queria mais, muito mais. Queria ter aquele homem o dominando como nenhuma mulher foi capaz de fazer. Queria ter aquela boca macia o beijando por todo o corpo. Queria ter o seu corpo...

E foi assim, pensando em Levi, que Eren teve o seu gozo de puro prazer — e expectativa.

— Bom dia, mãe — disse Eren, energético só de pensar que já era finalmente sábado.

— Bom dia, Eren — respondeu Carla, surpresa com a animação do filho. — Planejando algo bom para hoje?

Eren ficou tão nervoso que quase engasga com o pão.

— C-como assim...? — perguntou antes de declarar alguma coisa.

— Você parece animado, geralmente fica assim quando planeja alguma coisa.

— Ah, tá... — Meu Deus, eu me esqueci de pensar em uma desculpa para falar para minha mãe! — É, eu marquei de dormir... na... — Vamos, Eren, pense! —... casa de Armin...?

— E quando planejava me contar isso? — resmungou Carla.

— É porque foi de última hora!

— Hm, sei... — Carla começou a desconfiar daquela história. Eren estava nervoso demais, e ela sabia que seu filho era um péssimo mentiroso. — E porque essa festinha do pijama do nada?

Festinha do pijama? Eu tenho o quê, 9 anos? — murmurou Eren. Carla apenas cerrou os olhos para o filho, que tratou de “explicar” a situação: — É que Armin comprou esse jogo novo, muuuuito bom, e a gente estava pensando em passar a madrugada toda jogando até zerar.

— Ora, vocês meninos... — disse Carla, sorrindo. Mas então notou que tinha algo estranho na orelha de Eren. Ela não sabia dizer se era a vermelhidão de quando ele mente ou se era só impressão dela, o cabelo de Eren tinha crescido um pouco. Ah, precisamos cortar esse cabelo... — Eren, meu filho, vem cá...

— O que foi?

— Acho que tem alguma coisa no seu rosto... — Carla se aproximou e ele entendeu o que a mãe estava planejando.

— Aaaah, olha a hora! — disse Eren, se levantando da mesa. — Eu marquei com Armin 9h, e já são 9h30!

Num pulo, Eren foi até o quarto e começou a catar desesperadamente todas as peças de roupa que precisava, além de escova de dente e outras coisas necessárias. Assim que terminou de jogar tudo dentro de uma mochila, Eren trocou de roupa e saiu correndo para a porta da casa.

— Beijo, mãe! Até amanhã! — E então se foi.

Carla não pode evitar rir da cena; Eren não conseguiria enganar ninguém agindo daquela forma.

— Provavelmente está indo ver alguma namoradinha, esse meu menino...

— Porra, Armin, atende o telefone! — resmungava Eren no celular enquanto corria para a casa do amigo.

Alô...? — Armin estava com uma voz sonolenta. Provavelmente, acabou de acordar.

— Armin! Graças a Deus! — Eren suspirou.

Eren...? O que aconteceu?

— O problema é o que vai acontecer.

Cara, eu não estou entendendo nada...

— Posso ir pra sua casa? Explico tudo aí. — Eren cruzou os dedos para que Armin não tivesse outros planos para aquela manhã.

E-então tá, né...

Eren suspirou aliviado, e então voltou a correr.

— Valeu, cara. Chego aí em 5 minutos.

— Espera, espera, espera! — disse Armin, levantando as duas mãos.

Ambos estavam sentados na cama de Armin — que ainda estava de pijamas — enquanto Eren tentava explicar toda a história... ou quase toda.

— Deixe-me ver se entendi... — Armin quis confirmar se estava entendendo a história muito mal contada de Eren, que apenas assentiu com a cabeça. — Você precisa de minha ajuda para enganar a sua mãe...

— Isso.

—... Dizendo que vai dormir aqui...

— Isso.

—... Enquanto, na verdade, vai dormir na casa de outra pessoa...

— I-isso...

—... E por que precisa mentir? — Essa era a parte que Armin não entendia.

— B-bem, eu não tenho como dizer... — Eren passava a mão na nuca freneticamente. Armin apenas suspirou.

— Quem é essa outra pessoa?

Eren sentiu seu estômago revirar. Como eu explico isso pro Armin?

— É um cara que eu conheci há pouco tempo...

— E qual o problema de contar para a sua mãe que você vai para a casa dele?

— P-poque eu o conheci só faz alguns dias, e minha mãe provavelmente não deixaria... — Eren estava tão sem graça que nem conseguia olhar diretamente para Armin.

E Armin começou a entender tudo. Eren não gostava de mentir, e só o fazia quando julgava ser importante. Não, não pode ser isso...

— Eren?

— O que foi?

— Porque quer tanto dormir na casa de um cara que você conheceu há alguns dias, a ponto de mentir para sua mãe?

Eren ficou estático. Não estava esperando aquele tipo de pergunta, e isso o pegou de jeito. No final, o garoto apenas suspirou fundo. Não iria conseguir manter aquela mentira para tantas pessoas, então decidiu ser franco ao menos com Armin.

— Porque eu quero dormir com ele — disse enfim, ainda sem encarar Armin.

— Eu já sei que você quer dormir na casa dele — Armin ainda não acreditava em seus ouvidos —, quero saber porq...

— Não, Armin — Eren o interrompeu. Juntou toda a coragem de tinha para olhar o amigo nos olhos e assumir: — Eu quero muito fazer sexo com esse cara.

Armin ficou paralisado. Se fosse um computador, teria dado tela azul. Eren ficou ainda mais constrangido com o silêncio do amigo.

Eu sei, você deve achar isso repulsivo, mas...

— Não, não é isso... — A voz de Armin agora era baixa e serena, como se ainda estivesse tentando processar aquilo. — É só que... eu não esperava que...

— Que eu fosse querer dormir com um homem?

—... É.

— Pois é, eu também não. —Eren passava a mão na nuca vigorosamente.

Um longo período de silêncio se estabeleceu no quarto. Armin tentava aceitar todas aquelas informações de uma vez só, mesmo que fosse difícil pensar justo em Eren com outro cara. Armin respirou fundo.

— Para falar a verdade, eu também já tive vontade de ficar com um garoto... — As palavras saíam da boca de Armin sem que ele percebesse.

É sério?! Com quem?

— Isso foi há muito tempo, não importa mais... — Armin ficou corado assim que percebeu o que tinha dito. Mas depois considerou que aquilo não era nada quando comparado à história de Eren. — Tudo bem, eu vou te ajudar nesse seu plano maluco.

— Armin, eu fico te devendo uma pelo resto da minha vida. —Eren ficou sinceramente feliz pelo apoio do amigo. Sabia que podia contar com ele, pensava satisfeito.

— Então... — Armin olhou em volta, procurando outro assunto. — Quem é esse cara?

— Levi. Levi Rivaille, se não me engano.

— Os pais dele são de boa com isso...?

— Ah, ele mora sozinho, então não tem problema. — Eren deu de ombros.

Sozinho? — Aquilo surpreendeu Armin. — Quantos anos ele tem?

Eren abriu a boca para responder, mas logo em seguida a fechou. Ele nunca tinha perguntado para Levi a sua idade.

— Sabe que eu não sei? — disse Eren, pensativo. — Ele trabalha, então já deve ter mais de 24 ou 25...

Porra... — Armin deixou o palavrão escapar. — Você realmente se superou dessa vez.

Eren deu um sorriso travesso, e isso comoveu Armin. Era visível que Eren finalmente tinha voltado à sua forma energética de sempre, saindo daquele estado meio aéreo no qual se encontrava nos últimos dias. Seja lá quem for você, Levi-san, obrigada...

— Topa jogar videogame? — perguntou Eren, completamente aliviado por poder contar a história para alguém.

— Só se, enquanto isso, você me conte como isso aconteceu.

— Eu posso estar ficando com um cara, mas ainda não me sinto feminino o suficiente para fofocar sobre o nosso “primeiro encontro” — brincou Eren, e dos dois riram.

— Mas a história de como um cara de mais de 25 anos conseguiu conquistar Eren Jäeger vale a pena ser contada.

E, com uma conversa animada, os dois meninos passaram a manhã inteira falando besteiras e jogando Army of Two... até às 17h.