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1 Capítulo 1
Era fim de tarde, o sol ia embora do outro lado da avenida, deixando a cidade com uma cor alaranjada, mas também avermelhada, deixando espaço para a noite chegar. Dentro de um ônibus chacoalhante ia Thomas, um garoto robusto e de cabelo escuro, suas mãos suavam de ansiedade, seu peito subia e descia de apreensão. Era seu primeiro dia de aula, mas não qualquer aula. Era seu primeiro dia de aula na faculdade. O caminho era longo, então Thomas aproveitava para visualizar a cidade através da janela embaçada do ônibus. Lá fora haviam muitos carros, muita buzina, pessoas caminhando com pressa, lanchonetes, era uma grande cidade. Thomas não fazia parte daquele mundo, se sentia deslocado. Há pouco havia se mudado para a cidade, morava sozinho, deixando tudo para trás no interior onde morava para poder ir à cidade grande para estudar. Agora era somente ele.
Por fim, o ônibus parou, era sua vez de descer. A faculdade, com sua fachada pomposa, estava fixa à sua frente, mas Thomas temia entrar, queria girar nos calcanhares e voltar para o interior, para os animais, para os riachos e para os braços de seus pais, mas aquilo tudo já havia ficado para trás. Respirou ofegante e por um breve segundo se sentiu meio maricas, mas depois de muito oxigênio respirado ele deu um passo à frente e se dirigiu à entrada da instituição. Tirou um papel do bolso contendo seus horários de aula, seus olhos fixaram na folha que mantinha em mãos enquanto caminhava pelo hall de entrada da faculdade. Por um milésimo de segundo Thomas viu o papel voar, depois já estava com o rosto no chão. Havia sido empurrado.
– Sai da frente, novato. – Gritou um garoto de cabelo cor de mel, entre risos e chacotas. Thomas sentiu as lágrimas brotarem nos olhos, queria esmurrá-lo, mas se conteve, e antes que pudesse levantar uma mão lhe ofereceu ajuda. Era um garoto loiro, alto, talvez tivesse uns 23 anos, seus olhos transpiravam ajuda, o que fez Thomas imediatamente aceitar a ajuda deste, era impossível que ele pudesse lhe fazer algum mal. Pelo menos Thomas esperava isso.
– Ignore o Gally, sabe como é né? Tem gente que nunca deixa a mentalidade de ensino fundamental. – Riu em seguida.
– Valeu! – Thomas disse, enquanto levantava.
– Prazer, meu nome é Newt. – O loiro se apresentou, estendendo novamente a mão, desta vez para um aperto.
– Thomas. Sou eu. Meu nome é Thomas. – Thomas estendeu sua mão de volta, apertando a de Newt com firmeza, que riu de leve. Ao que tudo parecia, havia acabado de fazer um amigo. – Qual é a desse tal de Gally?
– Esqueceu de crescer.
Thomas acenou com a cabeça, concordando. Não sabia o que dizer.
– Sabe onde é a sala 208?
– Está indo pra lá?
– É.
– Que coincidência. Eu também, te levo lá.
Thomas seguiu o novo amigo pelos corredores da faculdade, enquanto seguiam para a sala de aula, passaram por Gally que o encarou tão profundamente, que Thomas pensou ter sido atingido por aquele olhar, como um laser. Subconscientemente sentiu medo daquele cara, mas não entendia qual era a dele, a razão de tanto ódio.
– É aqui. Aula de Ciências Humanas e Sociais. Bem-vindo. – Newt sorriu, tão hospitaleiro que fazia Thomas duvidar de tamanha bondade.
– Valeu. – Respondeu. Em seguida entrou na classe, sentou-se no fundo desta e afundou em uma das cadeiras, esperando não ser notado, mas pelo visto alguém lá em cima não atendeu suas preces.
– Oi. – Sussurrou uma garota ao seu lado. – Novato?
– É. – Thomas sussurrou de volta, mas não queria dar muita atenção. Na verdade, não estava afim de fazer amigos depois da sua grande recepção no hall de entrada.
– Eu sou Teresa.
– Oi?
– Meu nome. Teresa. Qual o seu?
– Thomas.
– Prazer. – Ela estendeu a mão pequena, esperando que Thomas retribuísse, mas ele se recusou. – Vai me deixar no vácuo? – Ela disse quando Thomas virou lentamente o olhar de sua mão, tentando disfarçar. Ele, envergonhado, estendeu a mão e apertou a dela, bem a tempo da professora ouvir os buchichos e pedir silêncio na classe.
Ele tirou o olhar de Teresa e resolveu fixar no projetor à frente, era seu primeiro dia de aula, o semestre só estava começando.
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