Variable Geo: Exile
6 Suspeito - Parte 2
Naquela mesma tarde, Maxwell analisava o livro que Yuka havia lhe sugerido.
– Estou impressionado... Variable Geo é muito mais do que apenas um torneio de artes marciais... Se esse livro for verdade...
O telefone começou a tocar. Rapidamente, Maxwell atendeu.
– Alô?
–Alô, Maxwell! Sou eu, Akira!
– Ah, Akira... E então, alguma novidade sobre nosso caso?
– Pois é, tenho sim!
Maxwell se interessou.
– Então diga!
– Infelizmente, a autópsia que vai determinar a verdadeira causa da morte ainda vai levar alguns dias.
– Hum... Que grande novidade...
– Mas... Descobrimos a identidade da moça!
– Ah, é? — Perguntou Maxwell, surpreso.
– Sim... Mas tem algo que não bate...
Maxwell estranhou.
– O que é...?
– De acordo com as informações... Ela era Ayumi Mayo, e trabalhava como repórter... Sabe o que isso significa?
Maxwell conseguiu entender onde Akira ia chegar.
– Entendo... Ela não era uma lutadora Variable Geo... Mas então... O que aquele cartão fazia lá?
– Bem, quanto a isso, tenho duas idéias... A primeira é a de que ela o conseguiu com alguém.
– E a segunda...?
– A segunda é que foi deixado lá como um aviso, por alguém... Talvez até mesmo o assassino.
Havia lógica na dedução de Akira.
– Sei... Em todo caso, que bom que já sabemos de quem se trata... Eu conheci algumas das lutadoras. Estou aos poucos me informando mais sobre elas.
– Ok... Continue com seu trablho!
– Você também. Até mais!
Ayumi Mayo... Esse era o nome da vítima que havia sido provavelmente assassinada... Uma repórter... O que isso quer dizer? E quanto ao cartão? Mais e mais perguntas surgiam...
Na frente do cinema, Manami, Yuka, Satomi e Chiho esperavam.
– Por que será que homens demoram tanto? — Comentou Chiho, de braços cruzados.
– Ele já vem... Ainda está se acostumando com a cidade... Provavelmente... — Disse Yuka.
Após alguns segundos, Maxwell finalmente se aproximou.
– Desculpem... Eu me... Perdi no caminho.
– Já era tempo! Tava fazendo o que? Matando alguém? — Perguntou Manami, que estava tomando sorvete em um copo.
– Ei, eu sou um policial! Não posso fazer esse tipo de coisa.
Chiho se aproximou.
– Então você é o policial de que elas falam? Eu sou Chiho, muito prazer!
Chiho estendeu seu braço para cumprimentar Maxwell.
– Ah... Eu sou Maxwell... O prazer é todo meu! Então... Podemos entrar?
– Espera! — Gritou Manami — Ainda falta o Takigawa!
– ...Quem? — Perguntou Maxwell.
– Ah, Takigawa... Ele é amigo da Yuka. Foi comentarista de uma das edições do torneio. — Respondeu Manami.
– Mas... Ele tá bem atrasado... Será que vem mesmo? — Perguntou Satomi.
– Hum... Eu fiz o convite ontem de manhã... Talvez ele tenha se esquecido. — Disse Yuka.
– Quer saber? Vamos entrar. Se ele chegar, vai ver a gente. — Disse Chiho, perdendo a paciência.
Enquanto iam entrando, Manami parou antes da porta de entrada e se virou para Maxwell.
– Me faz um favor... Joga isso no lixo pra mim? — Perguntou entregando-lhe o copo de sorvete vazio.
– Mas...
– Obrigada! — Disse Manami entrando, sem aguardar a resposta.
– Hunf... Criança insolente... — Comentou Maxwell.
Maxwell foi até o lixo que havia próximo a entrada do cinema, quando algo lhe chamou a atenção. No beco logo ao lado do cinema havia uma caçamba de lixo, e por algum motivo estava semi-aberta.
– O que é aquilo... Parece que eu estou vendo um...
Maxwell foi até a caçamba, no beco escuro. Quanto mais se aproximava, mais ficava assustado, pois quanto mais perto chegava, mais aquela coisa na parecia um... Pé?
Maxwell engoliu seco e aos poucos abriu a caçamba.
A cena era horrível. O corpo de um homem se encontrava jogado como um objeto dentro do lixo. Aparentemente, a causa da morte foi uma faca, que estava cravada em seu peito.
– ...Mas... O que... Está acontecendo aqui?
Dentro do cinema, Yuka notou que Maxwell estava demorando.
– Pessoal... Onde está o Maxwell?
– Ah, ele já volta... Eu pedi um favorzinho pra ele. — Comentou Manami, já sentando-se na poltrona.
– Hum... Eu vou checar onde ele está. — Disse Satomi, saindo da sala.
Maxwell continuava congelado com a cena.
Satomi apareceu na entrada do beco.
– Maxwell...? O que está fazendo aí...?
Quando se aproximou, deixou escapar um grito que ecoou pelo beco.
– S... Satomi... Eu... Eu...
– T... Ta... Takigawa... O que... O que aconteceu?
Maxwell tentou acalmar Satomi.
– Satomi, calma... Eu não sei o que...
– Se... Se afaste de mim!!
Satomi estendeu seu braço direito na direção de Maxwell e abriu sua mão, disparando uma rajada de energia em sua direção. Com o impacto, Maxwell caiu.
Satomi saiu correndo do beco, apavorada.
– S... Satomi... Eu... Não sei o que... Aconteceu aqui...
Imediatamente, vários passos foram ouvidos. Óbvio, com a confusão que acabou de ocorrer, certamente várias pessoas ouviram. Mas para azar de Maxwell, o que vinha era um grupo de três guardas noturnos.
– O que está havendo aqui? — Perguntou um dos guardas.
Maxwell não tinha explicação alguma. Havia um corpo estirando para fora da caçamba, e só ele estava presente.
– N... Não... Eu sou policial!
– Isso não vai ajudar em nada, meu amigo. Você tem muito o que explicar!
Maxwell começou a pensar.
"Só estou eu aqui... Não tenho um álibi... Só me resta uma saída..."
Desesperado, Maxwell removeu o revólver que estava em sua cintura, e mirou nos três.
– Afastem-se! Eu não quero que ninguém aqui se machuque!
Tarde demais... Maxwell não sabia, mas os guardas estavam armados com pistolas. Aquele que estava mais na frente apontou para Maxwell.
– Devagar, amigo! Também não queremos que ninguém se machuque.
Aquilo era o fim. Maxwell não sabia mais o que fazer. Então, resolveu fugir.
– Rápido, atrás dele! — Ordenou um dos guardas.
Maxwell correu o máximo que pôde. Até que se escondeu debaixo de um viaduto.
– Como... Como chegou a esse ponto...?
Em seguida se lembrou do que Satomi fez.
– Satomi... Ela pensa que eu fiz isso...? Bem, não posso culpá-la...
Maxwell sentou-se no chão, apoiado na parede. Não conseguia mais raciocinar direito.
– Takigawa... Será possível que esses crimes possuam alguma ligação...?
– Rápido, aqui está ele!
Era a voz de um dos guardas. Rapidamente os três apareceram.
– Rápido, ele não pode mais fugir.
Maxwell estava cercado. Havia dois guardas de um lado, e um do outro.
"Então é aqui que tudo acaba... É aqui que eu vou me render... Não... Eu não posso passar o resto da minha vida preso, sem saber o que aconteceu hoje... O que aconteceu naquela fatídica noite..."
Sem pensar, Maxwell ameaçou pegar seu revólver novamente.
Não deu tempo de fazer nada. Um disparo foi ouvido. Maxwell foi atingido no peito.
– Não pode ser... — Disse para si mesmo enquanto ajoelhava — É assim que isso vai acabar...?
Maxwell se ajoelhou, com a mão em seu peito. Após alguns segundos, caiu de frente para o chão.
Vários dias se passaram. O restaurante já estava pronto para fechar, enqaunto Yuka arrumava as mesas, até que ouviu o sino da porta.
– Ah... Satomi! Como está...?
– Bem, eu acho... — Disse Satomi, sentando-se numa das mesas.
No momento em que ela se sentou, Yuka viu que ela não estava bem.
– Você... Está chorando? O que houve...?
Satomi olhou para Yuka, lacrimejando.
– Eu... Eu não aguento... Esse sentimento de culpa...
– Culpa? Do que está falando? — Perguntou Yuka.
– No dia em que Maxwell morreu no confronto com a polícia... Eu havia duvidado dele.
– Mas... Porque você diz isso...? Você estava assustada! E além do mais, não sabemos nada sobre aquela noite!
Satomi negou com a cabeça.
– O resultado da autópsia saiu! O Takigawa havia morrido mais de vinte e quatro horas antes do Maxwell encontrá-lo!
Yuka levou um choque com a notícia.
– Você... Você quer dizer que na noite em que fomos ao cinema... Ele estava morto a mais de um dia?!
– S...Sim... — Disse Satomi, enxugando o rosto.
– O... O que está acontecendo...? — Perguntou Yuka assustada.
Fale com o autor