Variable Geo: Exile
3 Confiança - Parte 2
Maxwell estava em seu quarto, mexendo na internet. Obviamente, estava pesquisando sobre o torneio.
– Variable Geo... Acho que encontrei.
Em um site, encontrou várias fotos com as participantes. Óbviamente, Yuka estava entre elas.
– Ela está aqui... E essa é...
Logo ao lado de Yuka, era possível ver Satomi.
– Essa garota... Droga! Eu não tive a chance de falar com ela!
Maxwell saiu do site e entrou numa área de notícias. Procurou por informações do passado. Seus olhos corriam pelas páginas buscando algo que pudesse ajudá-lo.
– Mas... O que é isso?!
Uma notícia chamou a atenção de Maxwell. Aparentemente, no passado houve um torneio Variable Geo em um cruzeiro marítimo. Porém, houve um terrível acidente, que resultou na morte de várias pessoas.
– Acidente no Cruzeiro Venus... Diversas pessoas morreram...
Infelizmente, Maxwell não teve a chance de ler o resto da notícia. Alguém bateu na porta de seu apartamento, dando-lhe um grande susto.
Maxwell levantou-se lentamente e foi até a porta.
Ao abrí-la encontrou Yuka e Satomi, que não estavam mais em seu uniforme de trabalho.
– V... Vocês...?
– Olá, Maxwell! — Disse Yuka rindo. — Eu me senti meio mal por não poder te ajudar ontem, então...
– Viemos oferecer ajuda! — Disse Satomi.
Maxwell não entendeu.
– ...Ajuda? Espera, como acharam minha casa?
– Você é da polícia, tudo que tivemos que fazer foi falar com algum dos seus colegas de trabalho. — Respondeu Satomi.
Maxwell sentiu-se de certa forma incomodado, sabendo que seus amigos revelavam seu lugar particular de forma tão fácil.
Yuka estendeu seu braço, entregando uma sacola de papel marrom para Maxwell.
– Aqui, pegue!
Após uma breve hesitação, Maxwell pegou a sacola e olhou dentro. Haviam vários bolinhos feitos com arroz, tradicionais do Japão.
– Eu mesma quem fiz. Espero que goste.
– O... Obrigado!
Maxwell levou o pacote a mesa.
– Tá fazendo o quê? — Perguntou Satomi.
– Ah, nada... Eu estava pesquisando um pouco mais sobre o torneio Variable Geo. Pra ver se encontro alguma informação útil.
Satomi e Yuka entraram.
– Achou alguma coisa? — Perguntou Yuka.
"Achou alguma coisa..." Essas palavras, por algum motivo incomodaram Maxwell. Ele resolveu não citar sobre o acidente do cruzeiro.
– Na verdade não.
– Ei, Yuka... Não haviam alguns registros sobre o passado do torneio na biblioteca? — Perguntou Satomi.
– Eu acredito que sim! Ei, Maxwell, talvez você encontre algo por lá.
Maxwell refletiu sobre a sugestão.
– É... Bibliotecas costumam ajudar em investigações.
– Então vamos! Nós podemos te ajudar! — Disse Yuka, sorrindo.
Maxwell pensou um pouco. Até o momento ele estava desconfiando que aquelas duas garotas estivessem escondendo algo dele... E por algum motivo, chegou a temê-las.
Mas ele havia acabado de conhecê-las. Talvez elas realmente estivessem interessadas em ajudar.
– Então... Eu vou colocar um casaco, e já vamos.
– Tudo bem! — Respondeu Satomi — Nós te esperamos.
Os três entraram na biblioteca.
Dezenas de estantes. Centenas... Não, milhares de livros se encontravam a disposição.
– Isso aqui é grande... Nem se compara com o local de onde eu venho... — Comentou Maxwell.
– Felizmente as seções estão separadas. — Disse Yuka caminhando para uma estante com a placa "História do Japão".
Após checar algumas fileiras, retirou um dos livros.
– Deve ser esse.
Satomi e Maxwell se sentaram numa das mesas. Yuka colocou o livro na mesa, e o abriu.
– Não sei quanto pode ajudar, mas... Veja.
Maxwell pegou o livro e checou uma das páginas. Havia informações que iam desde o início do torneio até os dias atuais.
– Hum... Se o crime teve relação com o torneio, é melhor que eu o entenda. Pode ajudar sim!
Yuka deu um leve sorriso por ter ajudado. Maxwell olhou para ela.
– Yuka... Desculpe a curiosidade, mas... Hoje cedo você mencionou algo sobre... Acontecimentos...?
Yuka baixou a cabeça, mas quem começou a falar foi Satomi.
– O torneio Variable Geo é chamado de "O mais profano, e o mais cruel" dos torneios de artes marciais.
– "O mais profano e o mais cruel"...? — Perguntou Maxwell.
– Muitas se inscrevem no torneio por algum motivo. Se você vence, ganha uma enorme quantia em dinheiro, e pode realizar seu sonho... Mas se você perde, não há limites para a crueldade que você sofre...
Maxwell interrompeu.
– Tudo bem, Satomi. Não precisa contar o resto.
– Ok...
Yuka levantou a cabeça e começou a falar.
– Às vezes, até mesmo vencer lhe traz dor. Você vê seu adversário sofrer a derrota e ter seus sonhos destruídos.
– Eu entendo.
Maxwell pensou um pouco, e resolveu fazer uma pergunta que estava lhe incomodando, porém de forma sutil.
– Yuka... Você por acaso... Sabe algo sobre algum acidente envolvendo esse torneio? De repente, pode ajudar.
Yuka pensou um pouco.
– Hum... Infelizmente não...
– Entendo, obrigado!
Os três se levantaram. Yuka e Satomi foram na frente, enquanto Maxwell ia até o balcão da biblioteca para confirmar que levaria o livro. No caminho, trombou com alguém.
– Ah... Me desculpe! — Disse Maxwell, desculpando-se ao homem com quem havia trombado.
– Não, não, sem problemas!
Naquele momento, Yuka parou e olhou para o homem em questão.
– Ah... Takigawa! — Disse Yuka surpresa.
– Ei, Yuka! A quanto tempo! Como vai? — Perguntou Takigawa ao se virar.
– Eu estou muito bem! Obrigada por perguntar!
Satomi, que não havia notado Takigawa, chamou por Yuka.
– Ah, desculpe, eu tenho que ir até um outro dia!
– Até mais!
Quando Yuka saiu, Maxwell começou a falar.
– Você conhece ela?
– Ah, sim! Eu sou Takigawa, comentarista do torneio Variable Geo. Já vi Yuka diversas vezes, óbviamente.
Maxwell se surpreendeu com a coincidência.
– Eu sou Maxwell... Estou aqui no Japão a pouco tempo, então... Não sei muito a respeito do torneio.
– Eu entendo... O torneio não é muito popular fora daqui, então é normal...
Maxwell pensou um pouco.
– Então... É verdade que houve uma das edições de Variable Geo ocorreu em um cruzeiro, e... Houve um acidente?
Takigawa respirou fundo.
– Sim, é verdade... Pobre Yuka... Deve ser difícil pra ela se lembrar disso...
Maxwell levou um susto. Então Yuka estava no acidente? O mesmo acidente que causou uma grande quantia de mortes?
– Yuka... Estava lá? — Perguntou Maxwell.
– Sim... Felizmente saiu ilesa daquele cruzeiro. Parece que ela teve muita sorte!
"O acidente no cruzeiro? Mas ela não disse nada sobre isso quando eu perguntei!" — Pensava Maxwell.
– Bem, eu preciso ir, até mais!
Takigawa curvou-se para Maxwell e saiu da biblioteca.
Maxwell continuou refletindo.
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