Variable Geo: Exile

22 Conclusões - Parte 1


Maxwell e Venus estavam frente a frente no ringue. Yuka, Satomi, Akira e Takamura observavam do lado de fora.

– Então, Maxwell... O que pretende para hoje? — Perguntou Venus.

– Eu ainda quero te enfrentar, Venus... Vou acabar com tudo isso agora.

Venus riu.

– Não me diga que você sabe lutar...? Eu estou surpresa.

– Não... Eu não vou lutar com você... Eu só quero te fazer algumas perguntas.

Todos se surpreenderam.

– Oh...? Perguntas? Agora fiquei curiosa. — Disse Venus.

– O acordo é o seguinte... Se com essas perguntas, eu conseguir resolver esse caso, você vai libertar a mim e meus amigos. Caso contrário, te entrego minha vida.

Naquele momento, Yuka se aproximou do ringue.

– Maxwell, o que está fazendo?!

Maxwell se virou para Yuka, mas não disse nada. Venus riu.

– Eu não consigo te entender, Maxwell... Mas tudo bem. Concordo em responder a essas perguntas.

– Perfeito... Antes você tem que prometer que só vai dizer a verdade.

Venus ergueu sua mão direita e a abriu.

– Eu prometo dizer apenas a verdade, e responder a todas as perguntas. Tudo bem assim?

– Sim, tudo bem... — Disse Maxwell — Posso começar?

– Sem problemas... Estou pronta.

Maxwell colocou as mãos em seus bolsos.

– A primeira pergunta é... Como, e quando você entrou para a VG Corp.?

Venus se interessou com a pergunta.

– É como se fosse uma entrevista? Que legal. Me sinto importante.

Venus fechou os olhos.

– Eu entrei para a VG Corp. dois anos atrás. Eu era iniciante no Variable Geo. Minhas habilidades impressionaram aos membros da VG CORP. Em seguida, acabei sendo convidada a fazer parte do projeto da arma biológica.

– E assim você se ofereceu para ser a arma biológica?

– Exato. — Disse Venus — Você sabe o que é se sentir como se fosse uma divindade? Eu estou prestes a sentir.

Maxwell cruzou os braços.

– O que você fez nos últimos dois anos?

– Eu passei por uma incubadora. Conforme os torneios ocorriam, eu recebia o DNA capturado das lutadoras.

Maxwell encarou Venus.

– Agora me responda uma coisa... Algum tempo atrás, Yuka e Satomi destruíram essa incubadora. Me diga como você fugiu.

Venus cruzou os braços.

– Eu não me lembro. Eu estava em alguma outra incubadora. Não tenho memórias desse tempo.

Maxwell deu um sorriso malicioso.

– Tudo bem... Em outra ocasião, o torneio ocorreu em um Cruzeiro, que por sinal tem seu nome. Houve um acidente, e o mesmo acabou naufragando. Como te tiraram de lá?

Venus encarou Maxwell de forma furiosa.

– Eu já lhe disse! Eu estava numa incubadora. Não posso me lembrar!

Maxwell sorriu.

– Então... Você não tem um álibi para essas duas ocasiões, não é?

– Álibi?! — Disse Venus irritada — Eu não estou sendo julgada aqui! O que aconteceu comigo na época em que estava na incubadora não tem importância.

Maxwell deixou de rir.

– Então, me responda outra pergunta, Venus... Quem é você?

Venus se surpreendeu.

– Q... Que pergunta é essa?

– Eu quero saber quem é você. Afinal de contas, você nem sempre foi parte da VG Corp. não é? Você deve ter uma vida antes disso.

Venus começou a respirar de forma ofegante.

– Não estou entendendo, mas... Tudo bem... Eu era uma garota normal, que sempre se interessou por artes marciais... Até que conheci o torneio Variable Geo e resolvi me inscrever.

– Minha nossa... É só o que você sabe? — Perguntou Maxwell.

Venus já estava perdendo a razão.

– Maxwell... Chega! Me diga logo onde quer chegar!!

Maxwell suspirou.

– Quer saber porque você não consegue se lembrar direito de sua vida?

Venus o encarou nos olhos.

– Por quê?!

Maxwell fez uma pausa e a encarou de volta.

– Porque a verdadeira Venus morreu quando Yuka e Satomi destruíram a primeira incubadora.

Todos naquele momento ficaram em choque. Venus continuava ofegante. Havia uma expressão em seu rosto que misturava raiva e confusão.

– O... O que você está dizendo?!

Maxwell baixou sua cabeça.

– A verdade é que eu estava investigando alguns arquivos da VG Corp. no laboratório. Só houve uma Venus... E ela foi completamente destruída por Yuka e Satomi.

Todos ouviam Maxwell atentamente.

– Isso não tem lógica... Você está dizendo coisas sem sentido!! — Disse Venus em voz alta.

– Na verdade, há uma explicação para tudo... — Continuou Maxwell — O primeiro torneio Variable Geo organizado pela VG Corp. serviu para que eles observassem o poder das lutadoras. Uma das participantes desapareceu durante o torneio e foi dada como "desistente". A verdade é que ela foi capturada e levada para uma incubadora para que o projeto da arma biológica tivesse um começo.

– Onde você quer chegar? — Perguntou Venus.

– Yuka e Satomi lutaram contra a VG Corp. e destruíram a incubadora. Foi quando a verdadeira Venus morreu.

Yuka e Satomi estavam paralisadas ouvindo o que Maxwell dizia.

– Só que eles estavam prontos para isso...

Maxwell retirou uma seringa com um estranho líquido de seu bolso e o mostrou para Venus.

– Você sabe o que é isso?

Venus observou a seringa.

– Esse líquido... Com isso a pessoa pode enxergar através de outras vidas... Outros fragmentos de sua existência.

Maxwell riu levemente.

– Tem que ser ingênuo para acreditar num conto de fadas desse... Isso aqui se chama mX. Foi criado pelos laboratórios da VG Corp. Esse líquido é uma droga que faz com que a pessoa acredite em qualquer coisa. Basta você programar alguns microchips com qualquer história, injetar em uma pessoa, e ela passará a acreditar nessa realidade.

– Isso é assustador... — Comentou Akira.

– Ainda assim... O que tem a ver comigo? — Perguntou Venus.

Maxwell baixou seu braço.

– Você ainda não percebeu...? A verdadeira Venus já está morta a muito tempo. Mas suas memórias foram implantadas em um corpo artificial. Em outras palavras... Venus... Você é um clone.

Naquele momento, todos naquela arena ficaram surpresos. Especialmente Venus, que não conseguia acreditar em Maxwell.

– Eu... Sou... Um clone... Isso... Isso não tem nada a ver... E quanto a repórter?! Por que ela morreu?! — Perguntou Venus, com as mãos na cabeça.

– Hum... Vejamos... — Começou Maxwell — Ayumi era uma repórter que fazia matérias investigativas... Akira, Takamura, vocês vão ter que me ajudar nessa.

Akira e Takamura se entreolharam.

– Nós?! — Disseram os dois ao mesmo tempo.

– Exato, vocês! Subam no ringue.

Como se fossem dois auxiliares de um lutador, Akira e Takamura subiram no ringue e pararam ao lado de Maxwell.

– Akira, você investigou sobre Ayumi Mayo, não é?

– Sim, eu mesmo pesquisei seu histórico.

– Havia alguma menção sobre Variable Geo?

Akira pensou um pouco, mas Takamura foi mais rápido.

– Na verdade, agora que você falou sobre o desaparecimento de uma lutadora... Ela esteve investigando um possível caso de sequestro.

Maxwell acenou positivamente.

– Se levarmos em consideração que ela estava investigando o caso do desaparecimento de uma lutadora, isso já a faz um alvo da VG Corp.

Akira começou a falar.

– Você tem razão... Espere... E quanto ao cartão que encontramos em seu apartamento?

Maxwell tirou o cartão de seu bolso e o mostrou para Venus.

– Isso aqui não pode pertencer a uma repórter. É um cartão apenas para lutadoras do torneio Variable Geo. Ela conseguiu isso com alguém... Ou talvez encontrou em algum lugar. E é a prova definitiva de que ela estava investigando a VG Corp.

Venus se esforçou para olhar o cartão nas mãos de Maxwell. Era quase como se sua imagem a machucasse.

– Em outras palavras, podemos dizer que algum membro da VG Corp. assassinou Ayumi Mayo porque ela se aproximava cada vez mais da verdade. E certamente, isso viria a público.

Venus começou a falar com dificuldade.

– Então, me responda uma coisa... Por que a VG Corp. inseriu falsas memórias em mim...?

– O que aconteceu foi o seguinte... — Disse Maxwell, calmamente — A verdadeira Venus, antes de ir para a incubadora era exatamente como você. Ela queria se tornar uma divindade com a ajuda da VG Corp. em troca de trabalhar para eles. Era perfeito. Era exatamente o que eles queriam. Eles não podiam perdê-la, por isso enquanto ela estava na incubadora, a organização tratou de armazenar sua memória pro caso de algo dar errado. Eles podiam conseguir outro corpo, mas outra voluntária poderia não ser tão fácil.

Venus caiu ajoelhada, com as mãos na cabeça, olhando para o chão. O que ele dizia fazia sentido, mas ela não queria acreditar.

– Maxwell... Você... — Disse Venus, com dificuldade — Você não pode estar falando a verdade!!

– Você é apenas um equipamento da VG Corp. — Disse Maxwell — Acredite, não está sendo fácil pra mim te dizer isso. Mas eu preciso por dois motivos... Primeiro, pra salvar a mim e meus amigos. E segundo, porque acho terrível que você não saiba de sua própria origem.

Venus começou a chorar.

– Não... Não... Eu não posso ser um clone!! Você está mentindo!!

Maxwell lentamente se retirou do ringue, deixando Venus aos prantos. Akira e Takamura o seguiram.

– Maxwell, isso tudo é verdade?! — Perguntou Takamura.

– Infelizmente sim. Essa organização é mais assustadora do que eu pensava. — Respondeu Maxwell.

O grupo se reunia ao lado do ringue. Venus continuava no mesmo estado.

– Maxwell... Como você descobriu tudo isso tão rápido? — Perguntou Akira.

– Quando eu li nos computadores do laboratório sobre a droga e os testes feitos em Venus, eu só precisei deduzir todo o resto. — Disse Maxwell.

– Então... Qual o próximo passo? — Perguntou Yuka.

Sua pergunta não precisou de resposta. O portão do ginásio se abriu, e Manami e Takigawa entraram correndo.

– Vocês estão bem?! — Perguntou Takigawa.

– Takigawa e Manami? O que fazem aqui? — Perguntou Maxwell.

Os dois pararam logo em frente a eles.

– Nós fomos atacados por Chiho. Ela nos aprisionou, mas conseguimos sair. Graças a mim, por sinal! — Disse Manami.

– Chiho?! — Perguntou Satomi — Por que ela faria isso? Espere, não me diga que...

– Sim, acredito que ela esteja sob controle mental. — Disse Manami.

– Após nos amarrar, ela disse que viria pra cá. — Disse Takigawa.

Akira começou a falar.

– Espera, espera... Se esse é o caso, vocês não poderiam ter chegado antes dela!

– Essa não... — Comentou Yuka.

– O que houve, Yuka? — Perguntou Maxwell.

– Chiho foi treinada para ser uma ninja. Ela possui habilidades incríveis. Pode até mesmo ter entrado aqui sem percebermos.

– Hum... Então já sei como ela entrou no meu apartamento daquela vez... — Comentou Maxwell, lembrando-se do assassinato de Yuu.

– Do que está falando? — Perguntou Yuka.

– Ah... Nada, esqueça.

Akira colocou as mãos na cabeça.

– Você só pode estar de brincadeira! Quer dizer que pode ter uma assassina bem aqui, agora, e nós nem sabemos disso?! Já chega! Depois dessa missão eu vou pedir férias!

– Calma, Akira! — Disse Takamura — Olha, se ela ainda está sob controle mental, alguém tem que estar controlando-a, certo?

Satomi e Yuka concordaram.

– Nesse caso, vamos ter que continuar investigando esse prédio! A pessoa tem que estar em alguma daquelas salas do segundo andar! — Concluiu Takamura.

Naquele momento, Takigawa notou Venus no ringue, ajoelhada e olhando para o chão com uma expressão triste em seu rosto.

– Quem é ela? — Perguntou Takigawa.

– Eu nunca a vi antes... — Comentou Manami.

Maxwell olhou para Venus.

– Deixe-a em paz por enquanto. Vamos dar um tempo a ela. Depois conversamos.

O grupo concordou.

– A propósito... Não tinha um segurança vigiando a entrada? — Perguntou Satomi.

Manami ergueu sua luva.

– Eu dei um jeito nele.

O grupo se encontrava no corredor do segundo andar.

– É apenas uma suposição... — Disse Maxwell — Mas a última porta estava trancada quando Satomi, Akira e Takamura me encontraram.

– Então, algo deve estar acontecendo lá. — Concluiu Akira.

O grupo se aproximou da porta.

– Será que encontraremos a mente por trás disso tudo atrás dessa porta?

– Perguntou Manami.

– Vale a pena arriscar... — Disse Maxwell, se preparando para checar a maçaneta.

Naquele momento, todos ouviram um estranho som atrás deles. Era como se alguém houvesse caído do teto.

– Mas... Quem está aí?! — Perguntou Akira, virando-se.

A resposta veio quando todos se viraram. Chiho estava parada próxima a entrada do corredor. Seus olhos estavam completamente brancos, como se estivesse possuída.

– Chiho!! — Gritou Yuka

– Não, não é a Chiho... — Disse Satomi — Alguém a está controlando!

Akira sacou sua arma e apontou para ela.

– Não se mova! Se tentar qualquer coisa, eu vou atirar!

Assim que Akira terminou suas palavras, Chiho retirou uma adaga de sua cintura e arremessou contra ele. A cena toda durou menos de dois segundos. Foi quando Akira percebeu que havia sido atingido.

– Não!! Akira!! — Gritou Maxwell.

Akira se ajoelhou e largou sua arma. A adaga estava cravada em seu ombro esquerdo.

– Akira!! — Gritou Takigawa, segurando seu braço direito.

– Essa não!! Ele precisa de ajuda imediatamente! — Disse Satomi.

Maxwell se aproximou da porta.

– Takigawa, Takamura! Eu quero que vocês levem Akira pra fora daqui! Yuka, Satomi, Manami, vocês distraem Chiho. Eu vou entrar e acabar com isso!

Takamura protestou.

– Mas, Maxwell...

– Vão logo!! — Gritou Maxwell, determinado.

Rapidamente, Takigawa e Takamura seguraram Akira pelos braços e o levaram rapidamente para fora do corredor. Chiho permaneceu imóvel, até que começou a falar.

– É você que eu quero, Yuka...

Yuka se virou para Chiho.

– Eu sei... O que eu não entendo é como Chiho chegou a essa situação.

– Satomi, eu vou entrar! Me ajuda aqui! — Disse Maxwell, segurando a porta.

Rapidamente, Satomi correu até Maxwell. Os dois se prepararam e chutaram a porta, que se abriu imediatamente. Maxwell correu para dentro, e a fechou, deixando Yuka, Satomi e Manami sozinhas com Chiho.

– Maxwell... — Disse Yuka, virando-se para a porta.

Chiho pegou uma kunai em cada mão e se preparou.

– Venham... Eu vou acabar com vocês três juntas!

Yuka, Satomi e Manami se prepararam. Enquanto isso, Maxwell observava o local em que havia entrado. Era uma sala bem grande. Haviam vários telões ao fundo, que mostravam o ginásio. Foi quando ele percebeu alguém sentado logo abaixo dos telões. Haviam um segurança em cada lado da cadeira.

– Quem... É... Você...? — Disse Maxwell, calmamente.

O homem misterioso virou sua cadeira. Aparentemente, ele estava mexendo em algum tipo de painel de controle. Maxwell pôde ver seu rosto. Um homem de longos cabelos brancos, usando um óculos de grau. Havia um olhar sério em seu rosto.

– Ora, ora, ora... Maxwell... Você chegou até aqui...

– Pelo jeito já conhece meu nome... Deixe eu adivinhar... Chiho me observou durante todo esse tempo, certo?

– Você é inteligente... Desculpe, onde estão minhas maneiras... Sente-se!

Um dos seguranças pegou uma cadeira que estava encostada na parede e colocou em frente a do homem misterioso. Maxwell hesitou, mas aos poucos se aproximou, e sentou-se, ficando cara-a-cara com ele.

– Ainda não me respondeu... Quem é você?

– Você é bem rápido, não é...? Meu nome é Hideo Kazai. Sou o atual líder da VG Corp. Ou melhor, desse grupo. A verdadeira VG Corp. está tão destruída, que somos o que sobrou dela.

– Hideo... E você pode me explicar as coisas que ainda não consegui decifrar?

Hideo riu.

– Digamos que você já desvendou três quartos desse caso sozinho, Maxwell.

– Eu estou interessado no último quarto.

Nesse momento, um dos seguranças se aproximou com uma bandeja, trazendo duas taças com um líquido dentro. Hideo pegou uma taça, mas Maxwell hesitou.

– Não se preocupe, é apenas vinho. Talvez não reconheça sem o álcool. Não gosto de bebidas alcoólicas.

Maxwell encarou Hideo por alguns segundos, até pegar a taça.

– Você lutou muito pra chegar onde está. Acho que merece saber tudo que está acontecendo por aqui.

– Estou esperando... — Disse Maxwell.