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3 Capítulo 3
O dia estava amanhecendo quando começou a chover, os pingos, ainda fracos, começaram a molhar a camisa de Thomas e Newt que permaneciam no mesmo local distante da praia, um ao lado do outro, ambos em silêncio já havia alguns minutos. Dentro daquela mesma bolha silenciosa, os dois se levantaram e correram a procura de um abrigo antes que a chuva aumentasse, mas quanto mais corriam, mais era difícil encontrar um lugar onde ficar. Thomas tentou lembrar o quanto havia andado na noite anterior para fugir da festa, mas já não lembrava, além de estar escuro, a pouca bebida que ele havia consumido, o tinha deixado grogue.
A camisa de Thomas e Newt agora estava sendo encharcada por grossos pingos de chuva, o mar se rebelava com mais força a medida que a chuva aumentava, mas por sorte os dois encontraram uma pequena barraca abandonada, onde puderam abrigar-se até o fim da chuva.
– Ufa! Pensei que não íamos conseguir. — Finalmente alguém quebrou o silêncio. Era Newt, o cabelo loiro desgrenhado, estava caindo levemente molhado sobre os olhos. O garoto chacoalhou feito um cachorro, respingando água em Thomas, que riu o empurrando de lado.
Apesar do pouco tempo, Thomas sentia uma grande amizade se tornando ali e se sentia bem ao lado do loiro.
– Não é lindo? – Thomas disse.
– O que?
– O mar.
Newt riu de lado.
– Nunca viu o mar? – Indagou.
– Não... – Thomas respondeu tímido. Talvez fosse loucura e totalmente fora do normal nunca ter pisado em uma praia ou nunca ter visto o mar, mas Thomas nasceu e cresceu em uma cidade tão pequena do interior e passou tantos anos com a cara entre os livros com o objetivo de ingressar na Universidade, que algumas coisas passaram despercebidas. Não era só isso, Thomas não havia vivido muitas coisas das quais os jovens já viveram bem antes dele, bebida alcoólica era uma delas.
– É lindo sim. – Newt concordou fitando o mar. – O que mais você nunca viu?
Thomas pensou por um instante.
– Nada que não estivessem em livros. E estou falando sério.
Newt riu pensativo. Os dois voltaram a entrar na bolha silenciosa e ficaram por alguns minutos observando a chuva grossa que caia sobre o mar. Com poucos minutos, a chuva se acabou e o mar se acalmou, restando um silêncio a parte.
– Melhor irmos. – Thomas disse tomando a iniciativa da partida.
– ...Claro. – Newt disse hesitante.
– O que foi?
– Nada.
– A festa foi legal Newt, apesar de eu não ter aproveitado tanto, mas foi uma experiência diferente. E obrigado por me fazer companh... – Thomas não conseguiu prosseguir a frase, havia uma boca na sua boca naquele momento. Uma boca macia e suave, que forçava a abertura da sua e a invadia com uma língua grossa. Era Newt.
Thomas sentiu seu coração disparar, não por gostar, mas pelo espanto. Por um milésimo de segundos os dois estavam grudados pelos lábios, trocando o que parecia ser um beijo, no outro segundo Thomas já não sentia mais a mesma afeição da noite anterior ou o alívio de ter se encontrado na nova cidade.
– Olhem! Duas maricas se beijando. – Era Gally que gritava. Seu dedo grosso apontava para Thomas e Newt, agora ambos um ao lado do outro, enrubescidos, tendo que sofrer com risadas não só de Gally, mas de muitos da festa, inclusive Teresa. Ao que tudo indicava eles estavam procurando pelos dois sumidos e encontraram algo muito melhor do que esperavam.
As risadas não paravam.
– Desculpa... – Newt sussurrou. Thomas não entendia, tudo parecia tão bem, mas agora voltara a estaca zero. Talvez tivesse se precipitado e acolhido um desconhecido como amigo na hora errada. Isso não poderia se repetir.
Thomas preferiu não dizer nenhuma palavra a Newt. Seus olhos fitaram os do quase amigo e sua cabeça balançou negativamente, antes de virar as costas para as risadas, para Gally, para Teresa e para Newt e seguir seu caminho de volta para casa.
Depois da vergonha que aquele garoto o fez passar, era melhor ignorar tudo e procurar começar novamente. Thomas não queria ficar com raiva de alguém que fora tão legal, mas se sentiu aproveitado, principalmente por ser tão inocente. Quis chorar, mas segurou as lágrimas.
Em casa, Thomas desabou. Não conseguia confiar em ninguém.
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