Vampiros e Anjos

1 Quando tudo começou...


Notas iniciais
E olhei pro céu, e o vi saltar sobre mim, como que pra me devorar. E então, ele me deu o beijo... O beijo da morte.

Não conseguia parar de pensar no que havia me acontecido, se é que conseguia pensar, estava caindo de uma enorme altura, e algo, acho que um anjo, me salvou.

Eu tinha sonhos, tinha desejos, amores, pensamentos únicos, e não tenho mais nada. Só queria saber o que me aconteceu, ou me lembrar, mas como? Estou morto. E tenho sede, sede de sangue.

Em um belo dia, um dia normal como todos os outros, eu estava andando nas ruas da minha cidade, em Mew York pra ser exato, andava pelo Central Park, a noite, quando algo me pegou, não sei bem o que era, mas voava comigo em seus braços, e por horas não senti o chão.

Acordei no que parecia ser as Cataratas, Sozinho e com um ferimento que sangrava muito, senti-me envenenado, como se fosse morrer, sentia muitas dores, e sozinho pra mim não havia mais porque viver. Então pulei das Cataratas pra acabar logo com minha dor. Mas enquanto caia, alguma coisa passou voando e me salvou, achei que podia ser a mesma coisa que me pegou ontem no Central Park, pelo fato de voar, mas o que eu vi ontem foi um tipo de capa preta naquilo que me pegou, agora eram asas pretas. Seja o que for, isso me queria vivo, mas não vivi.

Estou morto, mas estou vivo, e sinto fome, sinto sede. Nunca soube o que me aconteceu realmente, porque nunca consegui lembrar ou pensar naquela noite. Um mundo novo e solitário surgiu pra mim, e eu me via vivo nesse mundo mas me sentia morto, sentia fome, mas não tinha o que comer que me saciasse.

Numa floresta, agora chamada de ''casa'', eu vivia sem saber o que fazer, só observando. Então vi um caçador na floresta, e despertou em mim um extinto animal e eu senti que tinha que matá-lo para viver, se é que eu sabia o que era vida. Eu o observava, o farejava, e em um piscar de olhos ele se deu conta de que eu já estava na sua frente com a mão em seu pescoço o segurando muito forte.

_ Não me mate! _ Ele pedia implorando.

Não quis falar, e não quis ouvir, mas queria matar.

_ Eu tenho família. Esposa e filhos, caço pra os alimentar. _ Falava ele quase sem fôlego.

_ E eu caço pra manter minha existência. _ Sem pensar, cravei os dentes em seu pescoço e bebi o que pra mim parecia me dar forças.

Vi o que fiz e nem me senti arrependido, porque não tenho mais sentimentos. Mas o que ele disse ficou na minha cabeça. Se eu fosse vivo nunca teria feito isso, o maximo que já fiz quando vivo foi uma ameaça, e foi quando falei a uma amiga minha que falaria ao namorado dela que ela estava o traindo.

Meu nome é Lance, só o que posso dizer. Minha amiga se chama Kler e o namorado dela, que agora é eis, se chama Joseph. Eles devem estar sentindo minha falta. Quero voltar a New York e vê-los de novo, mas não estou com saudades, pois não sei mais o que é isso, sei que como estou agora poderia matá-los se os visse, então tenho que saber me controlar antes de voltar.

Nesta floresta onde estou agora acontecem coisas, coisas assustadoras. Eu ouço gritos e acho que não estou só, mas não me atrevo a ver o que é, não estou com medo só não estou com vontade e o meu cérebro ainda me obedece no que eu quero e não quero fazer. E não quero saber que gritos e ruídos são esses. Acho que tem alguém aqui, talvez um assassino, mas como mataria pessoas se elas não vêem aqui. Ele teria que trazê-las aqui e somente a força, por isso sei que ele é forte.

Eu gostava da minha vida, eu podia sentir o cheiro das flores que sempre quis dar pra pessoa que eu mais amava, e essa pessoa nem sabia disso. Vivo eu podia criar fantasias com ela, eu sempre vivi uma fantasia onde a via sempre em meus braços. Essa garota sempre foi a Kler Mendeleev, a eis do meu amigo. Acho que ela não sabe disso, e não há mais como saber.

Sentado encostado em uma arvore sozinho e calado, eu olhava pro tempo, porque algo me diz que eu fazia muito isso. E foi ai que eu ouvi o barulho mas estranho da minha vida e não vida. Soou como um uivo assassino, acompanhado de um grito mortal. Rapidamente olhei pra trás mas não vi e nem percebi nada, estava tudo igual como sempre.

Eu quis sentir medo mas não sabia mais o que era isso. Senti cheiro de sangue. E na mesma hora um homem muito ferido caiu de cima das arvores em meus pés. Me afastei com um passo pro lado. Observei aquele homem que parecia morto. Cheguei mais perto.

_ Me ajude! _ Falou o homem abrindo rapidamente os olhos.

Nessa mesma hora veio na minha mente como se fosse um vídeo gravado, uma imagem de um homem que não tinha mais forças pra viver, pulava de grandes cachoeiras, e ele estava ferido como aquele homem no chão, não consegui ver o rosto do homem que pulava. Imediatamente percebi que aquele homem morreria.

_ Você pediu ajuda. Vou te ajudar. _ Falei eu. _ Um homem sem sangue não vive. _ Conclui. Então acabei com o sofrimento dele.

Quando acabei vi um colar em sua mão com um nome, e também um bilhete. Ele era um homem de mais ou menos cinqüenta anos de idade. Caio Carllayw, esse era o nome no colar, talvez fosse o nome dele. O bilhete parecia uma carta respondendo a uma pergunta, o que me fez ver que ele ainda ia mandá-la. Dizia assim:

''Kler, ainda não sei quando voltar, mas não vou te deixar sozinha. Quando encontrar meu filho, então voltarei, e será otimo te chamar de filha, você poderá ter o nome de Kler Mendeleev Carllayw. E sim ainda tenho fé e esperança de encontrar o Lance vivo, não vou desistir do meu filho.''

Me dei conta de que tinha matado meu pai, e a Kler, a garota que sempre amei, já me amava também. TARDE DEMAIS.