Vampiros

1 Capítulo 1. Depois da meia noite.


Bem-vindo a Forks, uma pequena cidade de quatro mil habitantes onde nada de interessante acontece. Quer dizer, exceto por todos estarem no baile da escola naquela noite. A festa seguia as rígidas regras de decência do comitê das mães defensoras dos bons costumes. Todos estavam vestidos com elegância e dançando sob as luzes suaves do ginásio. Todos, menos eu.

Ser a irmã gêmea de Mike, o valentão da escola com sua autointitulada "gangue", era um passaporte garantido para uma vida social solitária e vigilância constante. Enquanto todas as meninas da escola se preparavam para a noite dos seus sonhos, eu estava me preparando para uma experiência bem diferente, ainda que igualmente caótica.

Mal sabia meu pai que Mike adorava testar sua moto nova no píer da cidade, onde os jovens se reuniam para corridas clandestinas. Ele jamais permitiria que eu estivesse por perto, muito menos participando das loucuras do meu irmão. Mas ali estávamos, à beira de mais uma de suas travessuras.

— Bella, segura firme. Esses intercambistas não sabem o que é poeira até competirem comigo! — Mike rugiu, acelerando a moto, o som do motor ecoando pela estrada.

Ele nunca recusava um desafio. Precisava mostrar para todos que era o melhor, uma qualidade irritante que parecia acompanhar cada decisão que tomava.

— Será que a gente chega ao baile inteira? — murmurei, tentando arrumar meu vestido azul-celeste, que já começava a amassar com o vento forte. — Ir com o próprio irmão já é desesperador, mas chegar descabelada? Ninguém merece.

— Não se preocupe — Mike riu. — Eu bato em qualquer um que rir de você.

Acomodada de maneira desajeitada na moto, senti o vento bagunçar meus cabelos, recém-arrumados no salão. Claro, Mike se recusou a ir devagar. Em pouco tempo, o som das sirenes do xerife Sanders começou a ressoar ao longe. Meu irmão riu ainda mais alto, acelerando cada vez mais, até que entramos no sítio dos nossos vizinhos, os Cullen. Era um caminho familiar que indicava que estávamos perto de casa. Próximos do nosso pai. E se ele descobrisse o que estávamos fazendo, estaríamos de castigo para o resto da vida.

— Você ficou maluco?! — gritei, desesperada ao ver as folhas e sujeira agarradas ao meu vestido. Lá se iam minhas chances de ser rainha do baile. — Meu cabelo, meu vestido! Eu vou te matar, Mike!

— Calma! — Ele deu de ombros, sem se importar com minha frustração. — Podemos tirar essas folhas do seu cabelo e você vai estar perfeita a tempo do baile.

— Eu quero ir para casa. — Minhas mãos coçavam de vontade de esganá-lo.

— Se é o que você quer... — Ele bufou, irritado. — Atravessa a cerca e tenta não acordar o papai. Eu vou despistar o xerife Sanders.

Com isso, Mike me deixou sozinha no meio da escuridão, em território inimigo — quer dizer, tecnicamente, os Cullen não eram nossos inimigos, mas o jeito estranho deles não ajudava pensar de outra forma. Caminhei lentamente até a cerca, amaldiçoando meu salto agulha, que se prendia em cada buraco do caminho. Tentei passar por baixo da cerca, mas meu vestido de festa, que tinha me custado um ano inteiro de mesada, se recusava a cooperar.

Tirei meus sapatos e peguei o celular da pequena bolsa dourada, herança de minha mãe, que faleceu vítima de câncer. A pouca luz do celular pouco ajudava. O sítio dos Cullen parecia mais uma floresta densa e escura. Suspirei e dei mais alguns passos. Talvez fosse hora de pedir socorro ao meu pai e aceitar o castigo de uma vida inteira.

— O que está fazendo aqui? — A voz grave de Edward Cullen me fez congelar.

Virei-me devagar, iluminando seu rosto com a luz fraca do celular. Edward estava sem camisa, e seu corpo estava sujo com algo que parecia... sangue? Estranho. Muito estranho. Aliás, Edward e seus irmãos sempre foram muito estranhos. Jasper, o mais velho, raramente saía de casa. O segundo irmão mal falava com alguém além de Edward. E Edward... bem, ele e eu estávamos na mesma sala de química e matemática, e eu nunca me dei muito bem nessas matérias.

Ele, por outro lado, parecia ser bom em tudo. As meninas da escola suspiravam por ele, e mesmo no escuro, ele parecia ainda mais bonito. Seus cabelos dourados combinavam com seus olhos incrivelmente verdes, e sua pele era assustadoramente pálida, mas perfeita.

— Então, vai me responder ou não? — Ele insistiu, trazendo-me de volta à realidade.

— Vocês estão fazendo uma festa de Halloween fora de época? — perguntei, tentando disfarçar o nervosismo ao ver o sangue. — Isso no seu corpo é para parecer sangue?

— Estas são as minhas terras — ele disse com frieza, agarrando meu braço. — Não tenho que te dar explicações. Quero que volte para o seu sítio.

— Acha que quero invadir suas terras só para te ver? — revidei, soltando meu braço com um puxão. — Não se preocupe, você não é meu tipo, caipira.

Antes que ele respondesse, tirei uma foto dele com meu celular. Um gesto que, aparentemente, foi um grande erro, pois Edward esmagou meu celular com as próprias mãos.

— O que você fez?! — Eu estava em choque.

— Me desculpe, eu não queria fazer isso.

— Vou procurar a saída sozinha, obrigada. — Me virei, tentando me afastar antes que ele pudesse destruir mais alguma coisa.

— Está indo na direção errada — ele disse calmamente, aparecendo na minha frente em um piscar de olhos.

Foi então que notei: seus olhos estavam completamente vermelhos.

— Seus olhos... — gaguejei.

Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, um barulho na floresta nos cercou. Várias figuras emergiram das sombras, se aproximando. Um homem de aparência sinistra se destacou do grupo.

— Edward — o homem disse. — Vejo que está acompanhado. Pode compartilhá-la?

Compartilhar? O que estava acontecendo?

— Não — Edward respondeu de forma cortante.

— Mas as regras...

— Já disse não.

Foi quando Edward se virou para mim, com os olhos cheios de um arrependimento que eu não conseguia entender.

— Me perdoe — ele sussurrou antes de cravar seus dentes no meu pescoço.

A dor foi insuportável. Senti meu corpo enfraquecer enquanto lutava para afastá-lo. O mundo ao meu redor começou a desaparecer até que tudo ficou escuro.

Quando acordei, os primeiros raios de sol tocavam meu rosto. Passei a mão pelos lençóis, percebendo que não estava em casa. Então, senti uma mão afagar meus cabelos.

— Edward... — sussurrei, ainda sem entender o que tinha acontecido.

Notas finais
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