II

Olhei para os miolos daquele cara espalhados pelo chão, tinha sangue para todos os lados, Maia estava agonizando e pedindo por socorro, implorou para alguém ter piedade dela, todos deram atenção a ela, olhei para algumas pessoas ligando para policia, hospitais ate mesmo os bombeiros.

Minha cabeça doía e eu sentia que aquilo era culpa minha, que a morte daquele cara era apenas minha. Olhei para o Robert e seu olhar era perplexo, talvez ele soubesse que tinha sido eu que tinha feito aquele maluco se matar, mas como?

Minha cabeça estava girando tudo parecia que não estava no lugar, oque importava naquele momento era que precisava tinha que sair dali.

Olhei mais uma vez para o bar e a garota havia desaparecido talvez ela tenha fugido quando Tyler se matou ou talvez nem ali tenha aparecido, Robert voltou a dar atenção para Maia, senti que aquele momento era a hora certa pra sair dali.

Quando sair do bar, olhei para os carros, os imaginei explodindo, mais tirei a ideia da cabeça antes que acontecesse oque não poderia. Comecei a correr pela estrada em direção de minha casa.

Após chegar a casa, fui direto para o meu quarto, deitei-me em minha cama e fiquei refletindo tudo que tinha acontecido naquela festa, todas aquelas pessoas mortas, todos os feridos, e os traumatizados, agradeci a Deus por ter saído antes de a imprensa ter chegado, ou ate mesmo a policia, não saberia como explicaria aquilo.

Fiquei ali deitado em minha cama olhando para teto, pensando naquela garota estranha, que em minha opinião era muito linda, mais ao mesmo tempo muito estranha.

Olhei pela janela do meu quarto e vi as estrelas radiarem pelo céu escuro de uma noite típica no verão, fiquei ali quieto sem reação, meu corpo ficou relaxado e meus olhos ficaram mais pesados é aos poucos fui fechando e em questão de minutos adormeci.

"Pega esse moleque não o deixe fugir” – Disse um garoto que corria na direção de um bosque que tinha naquele local, por um momento senti que já tinha visto aquele local, era um lugar amplo, uma campina esverdeada com muitas arvore e com vários tipos de flores, como girassol, tulipas, rosas de varias cores e muitas outras, no pé da colina havia uma casa muito grande com cerca pra todo o lado, senti como se já conhecesse aquele lugar, como se em algum momento da minha vida eu já tivesse estado dentro daquela casa, meus olhos correram pelo lugar e percebi que havia vários estábulos, chiqueiros e galinheiros, aquela era uma fazendo muito bonita em minha opinião, mais no fundo senti que já tinha estado naquele lugar. – “Volte aqui moleque, eu juro que vou te pegar” – Mais uma vez escutei ah voz do garoto que havia corrido para o bosque que ficava no topo da colina, decidi ir atrás dele para ver oque estava acontecendo.

Corri por volta de alguns minutos ate encontrar o rapaz que estava correndo, tinha mais dois meninos com ele, um garoto gordinho que parecia esta mais com medo do que valente, o outro era magricela, usava óculos, mas parecia ser bem valente para um garoto que parecia um Nerd. O que gritava era o oposto dos dois, era alto e encorpado, seu olhar feroz e assustador fazia com que minha alma temesse a morte de uma forma que nem eu mesmo entendia, seus olhos totalmente escuros me deu medo, era penetrante e assustador, seu rosto era pálido e não tinha nenhuma cicatriz, realmente aquele cara era totalmente estranho e assustador.

“Você vai pela direita, vai à direção do parque lá deve ter muitas pessoas aquele garoto deve ter fugido pra lá” – Disse o cara de olhos pretos para o gordinho, o menino sem questionar começou a correr na direção ordenada – “E você vai voltar, talvez ele tenha voltado para a fazenda e nós não o vimos, então não demore e vá atrás dele logo” – ordenou novamente, mas dessa vez o magricela que também não o questionou, por mais que aquele nerd parecesse um robô, que não minha opinião seria uma obra perfeita, seu olhar frio e impiedoso parecia ter medo ao olhar no fundo dos olhos daquele maluco, também sem questiona-lo ele voltou por incrível que parecesse, o menino nerd passou do meu lado e nem me percebeu ali.

O garoto de olhos negros ficou ali parado por alguns minutos sem falar nada, oque era estranho, pois parecia que ele sabia que eu estava ali o observando, mas não falava nada, ambos ficavam se observando analisando como se fossemos espelhos um do outro.

O jovem deu um passo ah frente, que foi o primeiro movimento dele em questão de minutos, ele me olhou como se eu fosse uma presa, então deu um sorriso e começou a falar.

“Olhe me surpreende ver você aqui, agora pouco estava morrendo de medo de mim, e agora esta me analisando, ai parado como uma estatua com essa sua cara de cachorro abandonado, eu deveria sentir pena ou dó de você?” – Disse aquele cara pra mim com um sorriso macabro a mim, não sabia oque fazer então me lembrei do acontecimento no bar e aos poucos o cenário foi mudando, mas o estranho era que apenas atrás de mim havia o bar na minha frente estava o bosque – “além de burro acha que pode manipular alguma coisa” – Ele começou a rir de uma forma assustadora então se voltou a falar – “Isso não e real garoto, isso e uma lembrança, e nesse exato momento estamos na sua pior lembrança ou uma das suas piores, pois foi muito triste isso que aconteceu não foi, e triste quando matamos uma pessoa e sabemos disso, ainda bem que não fiz isso, e sim você” – Sua forma mudou seu rosto não era o mesmo mais seu corpo continuava forte, sua roupa inteira agora era negra e aos poucos aquele bosque foi se tornando escuro e as sombras foram desaparecendo com o corpo daquele cara, apenas deixando seu rosto que já não era o mesmo, e sim o rosto de Taylor – “O que foi? Ficou com medo é? Sabe de uma coisa? Eu sinto pena de você, uma criança com dons tão grandiosos, e um fardo muito alto a se pagar para um garoto não? Já se perguntou por quer sua mãe e seu pai se foram e nunca mais voltaram? Por que sua família o abandonou sem ao menos ter pensado em você? Eu o entendo. Como a sua vida foi dura com você, mas nunca abaixou a cabeça, me pergunto se suas escolhas, se sua vontade de quiser continuar seguindo em frente lhe trouxe algo de bom em sua vida ou apenas lhe jogou mais fundo do que antes” – Senti aquilo tudo de uma forma assustadora, era como se as palavras dele penetrasse minha alma, era como se por um segundo todas as minhas perguntas e duvidas caíssem em cima de mim, me sentia mais pesado, sentia tudo aquilo como se estivesse acordado, fechei meus olhos e pedi pra acordar mais aquilo tudo. Continuou e ele voltou a falar – “Não vai adiantar, acho que pra você sair desse sonho você terá que me matar, e pra você me matar convenhamos, você terá que fazer mais do que fez no bar, na verdade muito mais”.

Seu rosto se transformou em uma coisa que nem mesmo eu sabia oque era sua pele ficou enverrugada como a de um velho, dois chifres apareceram em sua testa, seus olhos negros ficaram mais penetrantes era como olhar dentro da alma de varias pessoas principalmente a minha própria alma, uma grande energia escura surgiu envolta de seu corpo, todo o bosque voltou ao normal e o bar que estava atrás de mim desapareceu, a luz fraca do sol que batia das folhas das arvores davam luz no ambiente, exceto envolta de seu corpo que era negra, ele me observou por um momento e esticou sua mão direita e disse novamente.

“Você morrera como seus pais morreram” – uma espada sombria apareceu em sua mão que estava esticada a mim, era gigante a lamina, a bainha tinha muitos detalhes, era feita de puro aço ou pelo menos era parecido com aço, tinha uma serpente que deslizava perante a bainha, ah lamina era como a sombra de uma noite densa que não ah como enxerga nada além da escuridão total – “Sofra como seus pais sofreram”.

Aquela criatura demoníaca veio ate mim e tudo começou a ficar mais lento menos eu, não entendi como aquilo havia acontecido, mas esperei que salvasse a minha vida.

Tentei correr para algum lugar mais meu corpo não se movia, eu estava imóvel sem poder ter reação nenhuma de fugir e salvar a minha vida, por mais que eu soubesse que aquilo era um sonho – pelo menos rezava para aquilo ser um sonho – não consegui acordar e nem ao menos ter reação pra fugir dali.

“Lute e vença essa batalha”

Disse uma voz dentro de mim, eu sentia que já havia escutado aquela voz outras vezes, apenas não me lembrava de quem era, por mais que tentasse me lembrar, decidir esquecer aquela voz e da onde vinha e me concentrar no monstro que vinha em minha direção. Respirei fundo e conseguir me mover, deu-me um pulo para a direita para desviar do golpe do meu inimigo quando o tempo voltou ao normal.

Seu golpe passou direto, por um segundo senti toda aquela maldade passar ao meu lado, fiquei imóvel e respirando fundo, a criatura me olhou perplexo como se eu fosse a primeira pessoa a desviar de seu primeiro golpe. Ele se preparou para fazer o seu golpe novamente e dessa vez senti que não iria conseguir desviar.

Lembrei de uma vez que li em um livro antigo que meu pai me dera antes de morrer lembrei-me de uma historia que contava sobre duas espadas, não me lembrava sobre ah historia delas, mas me lembrava de seus nomes.

Deixei minhas mãos leves e relaxadas, meu corpo por outro lado estava tenso, respirei fundo pela terceira vez e meu inimigo me atacou, por um milésimo de segundo levantei-me minhas mãos para me defender e falei o nome das duas espadas “Dark Kyu e Set” pra mim nada aconteceu mais um segundo depois sentir o impacto da força do meu inimigo chocando-se em mim e nas duas espadas em minhas mãos, era duas espadas simples, parecia muito com catanas leves e ágeis.

Ah espada em minha mão esquerda era ah Set, uma espada com a lamina fina mais bem grande, sua lamina prata reluzente era linda e perfeita, sua bainha era simples, mas fiel a uma catana, mais havia um detalhe nela algo gravado, mas não fiz questão de ler aquilo naquele momento, na direita estava a Dark Kyu, era idêntica a Set exceto pelo fato que uma era prata e a outra era completamente negra, por um segundo achei que era banhada em algo material escuro mais logo percebi que o matéria feita pela espada era realmente negra.

Fixei meus olhos nos da criatura e percebi sua preocupação em relação a mim, antes ele tinha uma vantagem enorme, agora eu tinha algo para me defender, é quem sabe ate vence-lo.

_ “Tá na hora de morrer!” – Dei-me um pequeno grito e fui em direção ao meu inimigo, ele não teve reação, defendeu dois ou três golpes que eu havia dado, mesmo assim não foi o suficiente para salva-lo, do fim inevitável. Continuei atacando e dando espaços para ele atacar, muitos ataques errava de proposito, que na verdade eram praticamente todos os ataques, o deixei fazer o seu movimento, e isso lhe custou muita coisa, ele girou o corpo em minha direção e com sua espada começou a rodar, fazendo um pequeno redemoinho com sua espada ele começou a se aproximar de mim, e no momento exato do impacto de sua espada em meu corpo, coloquei Dark Kyu entre mim e ele fazendo com que sua espada e seu corpo parassem na mesma hora, era obvio que havia ficado zonzo, e essa era a hora perfeita de fazer o meu movimento, com a Set, fiquei a espada em sua costas, segurando a espada apoie-me em nele e dei impulso com minhas pernas tirando a espada de suas costa e o mandando em direção a uma arvore fazendo bater com os chifres, ele se virou meio tonto em minha direção e tentou mais um ataque, desvie-me facilmente de seu golpe, e mais uma vez ataquei, rasgando minhas espadas em seu abdômen, dei mais dois cortes em suas costas e depois dei um chute no demônio em minha frente fazendo bater em outra arvore, seu sangue negro jorrava nos cortes que tinha feito com minhas espadas, ele se virou novamente pra mim e em questão de um segundo, havia mandado Set no peito direito perfurando um dos pulmões daquela coisa, fazendo com que ficasse preso na arvore, pensei em um muro atrás da criatura e como havia imaginado uma parede apareceu atrás dele – “Como você mesmo disse... Sofra como mesmo pais sofreram” – Atirei Dark Kyu no peito esquerdo da besta perfurando o segundo pulmão dele, mas cortando um pouco do coração dele, ele ficou agonizando de dor por alguns minutos antes de morrer, fiquei ali parado tentando respirar, pensando no que havia acontecido e pedindo para que tudo aquilo não fosse real.

Aos poucos fui ficando mais leve e todo o cenário foi ficando branco, em questão de segundo eu já havia acordado.

Quando acordei olhei pela janela é vi que já era de manha, tudo aquilo apenas havido sido um sonho, na verdade pra mim aquilo havia sido um pesadelo.

Tentei me levantar mais em minhas pernas havia uma travessa com, um prato com torradas, ovos, bacon, pães frescos – que naquela casa não via pães frescos ah séculos – e um pote de manteiga, e um copo grande de suco que parecia ser de laranja, não fazia a mínima ideia de quem teria colocado aquela travessa ali, mas aquela bandeja tinha aparecido não há muito tempo, pois ainda estava quentinho tudo aquilo ali.

Eu estava faminto e comer aquilo tudo não foi difícil, aos poucos a bandeja estava vazia, quando terminei coloquei a bandeja na mezinha do lado da minha cama, quando comecei estava saindo da cama me deparei com a mesma garota que estava no bar na porta do meu quarto, lá estava Katharine parada na porta do meu quarto sorrindo para mim.

_ Parece que minha comida estava ótima, você comeu a bandeja inteira.