Vampire Time
1 A aventura... Vai começar...
Notas iniciais
Era uma tarde qualquer no mundo de OOO.
Finn se encontrava sentado no sofá enquanto jogava um jogo aleatório no BMO. Já fazia mais de duas horas que seu amigo e fiel companheiro Jake tinha entrado na cozinha para preparar um “simples” lanche para os dois.
– Aqui está! – o cão apareceu com duas bandejas de prata, uma em cada pata, cobertos por uma tampa do mesmo material das bandejas. Em seguida colocou-as sobre a mesa.
– Já não era sem tempo. – Finn resmungou enquanto desligava o jogo. BMO começou a rir, dizendo que fazia cócegas quando o garoto apertou um de seus botões – O que você estava fazendo para demorar tanto?!
– Meu prato especial! – o cão tirou as tampas que estavam sobre as travessas, mostrando dois pratos com espaguete, molho e almôndegas.
– Espaguete de novo, cara?! – o garoto encarou surpreso o cão – Você não sabe fazer outra coisa não?!
– Vai comer no castelo da Jujuba, então. – Jake reclamou irritado. Era sempre assim – Sobra mais pra...
Foi quando uma criatura negra e enorme atravessou a janela, espalhando cacos de vidro para todos os lados e pousou no meio da sala. Finn deu um salto do sofá e sacou sua espada de cor escarlate. BMO, por sua vez, se escondeu.
Recuperado do susto, o garoto pôde ver que a criatura era um morcego enorme. Uma guitarra na cor vermelha como sangue em forma de machado de dois gumes, sendo um maior que o outro, estava pendurado em seu pescoço como um colar. A criatura soltou uma risada alta ao ver a reação assustada tanto do humano como do cão.
Finn reconheceu o ser que ali se encontrava e sua surpresa virou fúria.
– Marceline!
O morcego tomou sua forma humanoide: Marcelinne. A guitarra pendia nas costas, usava um vestido negro sem alças que batia na metade das coxas da morena, meia-calça listrada de cinza e roxo e sapatilhas vermelhas. Os cabelos estavam soltos como de costume, mas dava pra se notar uma maquiagem no rosto da rainha dos vampiros.
– Por que quebrou minha janela? Não sabe bater na porta? – perguntou o garoto irritado.
– Calma, Finn, eu conserto depois. – falou a vampira dando um sorriso de orelha a orelha mostrando os caninos afiados.
Jake, que tinha se escondido na cozinha, voltou à sala e encarou a morena.
– O que a sugadora de sangue faz aqui? – o buldogue amarelo a encarou com os olhos semicerrados – E por que quebrou a janela?!
– Uma estrela do rock tem que aparecer do modo mais extravagante, não? – falou a vampira voando até o sofá. Deixou sua guitarra em um canto e se jogou no móvel.
– Estrela do rock? – perguntou Finn arqueando uma de suas sobrancelhas enquanto se aproximava da morena.
– É. Olha só. – ela entregou um panfleto ao loiro. O papel tinha uma foto da Marceline e do irmão, Marshall Lee, tocando guitarra juntos em um palco. Zumbis doces atrás deles como dançarinos. No topo da folha, dizia: Grande concerto de Rock do reino doce. Ao lado dos vampiros fotos de alguns doces e criaturas que também iriam se apresentar.
– Nossa, que legal. – Finn disse animado encarando a vampira – Quer dizer que você vai finalmente ter sua estreia?
– Sim, graças a Jujuba. O que eu odeio admitir. – ela deu de ombros – Agora me venere, mero mortal, pois sou uma estrela!
– Cara eu não vou te idolatrar nem em um bilhão de anos! – Finn riu enquanto jogava o papel pra vampira – Mas vou adorar ver seu show com o Marshall, apesar de não ir muito com a cara dele. – o garoto fez careta ao se lembrar do vampiro.
– Você se acostuma. – falou Marceline rindo.
– Já que você falou na Jujuba, o Jake disse que viu umas fotos suas meio estranhas com ela. – falou o humano se sentando ao lado da vampira.
– Fotos estranhas? – Marcelinne arqueou uma das sobrancelhas e encarou o garoto – Devem ser montagens.
– Sei não. O Jake disse que estava muito real. – comentou o loiro — Mas do que ele está falando afinal? Você e a Jujuba sempre brigam, não é? Deve ser sobre isso.
– Cara não era isso não. – falou o buldogue enquanto tirava os pratos da mesa, se intrometendo na conversa.
– O que era então?
– Err... – Jake, que estava voltando para a cozinha com os pratos não mão, ficou indeciso — É melhor deixar para lá. – ele sorriu nervoso, seguindo para a cozinha.
– O.K., se você diz. – Finn encarou o cão até ele sumir de vista — Mas depois vou querer saber.
– E eu também. – falou a Marceline, séria – Se for o que eu estou pensando, são montagens mesmo. Feita por criaturas que não batem muito bem da cabeça. Eu já vi uma do Finn que... É melhor deixar pra lá. – ela começou a rir.
– Ei! Fotos minhas? Como? Devem ser de mim fazendo um ato heroico segurando a minha espada! – o loiro se levantou do sofá e fez pose de herói.
– Bem... Com certeza nessas fotos você estava segurando uma espada. – Jake disse pensativo, mas um pouco sem graça, quando voltou da cozinha.
Finn esboçou um grande sorriso.
– Viu? Eu sou um grande herói!
Marceline riu ainda mais.
– É claro.
– Isso é mesmo matemático! – falou Finn orgulhoso de si mesmo. Depois encarou a vampira que não parava de rir — Não sei o motivo da risada. Eu sempre seguro a espada. Ela é grande e boa de usar, sabe. Tem pessoas que até pedem para segurar a minha espada e eu fico “Ei cara! Você acha que é assim?! Essa espada é só minha e de mais ninguém”.
O buldogue levou a pata dianteira à testa.
– Cara é melhor a gente mudar de assunto.
– Aham... A espada é só sua... Meu irmão diz o contrário. – a vampira caiu na gargalhada novamente.
– O QUÊ?! CADÊ AQUELE DESGRAÇADO?! – Finn se colocou em posição de ataque, as mãos levantadas e em punho — QUANDO EU ACHAR ELE VOU CORTÁ-LO EM PEDAÇOS! ELE VAI VER COMO A MINHA ESPADA É BOA E GRANDE E... Por que você tá rindo tanto, Marcy?
– Finn, você só esté se complicando mais. – Jake falou incomodado.
A rainha dos vampiros parou de rir aos poucos.
– Você é hilário, Finn, o humano. Deve ser por isso que o Marshall gosta tanto de implicar com você... E pegar na sua espada quando está... Em transe, eu acho. – a morena comentou limpando uma lágrima do rosto e prendendo o riso.
– O Marshall é um idiota. – Finn cruzou os braços e ficou emburrado.
– Eu até acho ele legal.
– Só porque ele adora o molho do seu espaguete. – o garoto reclamou encarando irritado o amigo.
– Ao menos ele aprecia minha comida! – falou Jake um pouco ofendido – Você poderia fazer o mesmo, não é Finn? Mas não! Vai pra o reino doce e se empanturra lá!
– Vai começar com isso de novo? Eu já disse que só foi uma vez.
– Uma vez que partiu o meu coração. – Jake fez cara de choro e saiu da sala, ofendido.
Marceline assistiu a cena. Ela não sabia se tinha pena do cão ou se ria.
– Não liga, Marcy. Ele é muito dramático. Daqui a pouco ele volta. – Finn se sentou novamente no sofá.
– E eu não sei? – a vampira deu uma risada. Pegou um morango da tigela que estava sobre um móvel perto do sofá e o mordeu, sugando toda sua cor e deixando-o cinzento.
– Cara... Eu ainda não entendo como alguém pode viver comendo só cores. Isso é muito estranho – Finn fez uma careta enquanto encarava a morena – Tem gosto de quê, afinal?
– Hmm... É bem doce... – ponderou Marceline pensativa – Como chiclete, eu acho. Depende da cor.
– Como chiclete? – Jake tinha esticado seu pescoço até a sala, se intrometendo na conversa – Você não quer dizer como... Jujuba? – um sorriso safado surgiu na cara do cão.
– Eu não entendi. – Finn ficou confuso. E então encarou a morena que estava com o semblante muito calmo. Até demais – Err... Marcy?
– Jake... – falou ela com um sorriso cínico no rosto, jogando o morango cinzento em um canto – EU NÃO TENHO, NUNCA TIVE E NUNCA TEREI NADA COM A JUJUBA!
A vampira começou a cresceu e, ao contrário de antes, ela se transformava em um monstro negro horrendo e com presas enormes. E se ela continuasse crescendo desse jeito, iria destruir a casa da árvore.
– Ok, eu já saquei... – falou o cão nervoso que tinha se escondido atrás do Finn, que tinha ficado paralisado com a transformação da vampira, em busca de proteção – Agora pelo amor de glob! V-volta ao normal.
– É Marcy. – Finn sorriu um pouco nervoso – E eu não sei por que você ficou tão nervosa. Tipo, eu nem sei o que está rolando. A gente não estava falando de comida? –o garoto ficou confuso.
O mostro suspirou. Em seguida voltou a ser a Marceline.
– Seu cão é um idiota. –a morena bufou irritada. Ela se sentou no sofá e pegou a guitarra para afiná-la.
Finn riu sem graça.
– Ele é mesmo meio bobo às vezes.
– Qual é cara! Vai ficar do lado dela agora?
– É melhor isso do que ter que lutar contra uma vampira maluca. –Finn sussurrou para o cão.
– Eu ouvi. – Marceline encarou o loiro, irritada.
– Eu quero dizer contra uma vampira boa... Isso! Uma vampira boa e super legal. Não é, Jake?
– Não foi isso cara. Você disse uma vampira do...
– ALVIN QUER SUCO QUENTE! – gritou o garoto em desespero antes que seu amigo pusesse tudo a perder novamente.
Marceline encarou Finn. Então começou a rir.
– Tudo bem... Vocês são apenas garotos tontos... – ela se pôs de pé e guardou a guitarra nas costas – Agora eu tenho que ir. Último ensaio sabe... – sorriu — E Jake... – ela encarou o cão – Vou dizer pra Lady Íris que você anda vendo fotos indevidas. Adeusinho rapazes. A gente se vê no show. – ela tomou impulso e saiu voando pela janela.
– Ah claro, as fotos. Espera. NÃÃÃÃOOOOOOOOOO! VOLTA! – berrou o cão se esticando pra fora da janela e agarrando uma das pernas da vampira.
– Como assim fotos indevidas? – perguntou o humano curioso observando seu amigo que trazia a vampira de novo para dentro de casa. A morena ria.
– Quer que eu explique mesmo, Finn? – perguntou a rainha dos vampiros que começava a se divertir com a situação.
– É claro! Aposto que fotos indevidas devem ser um tipo de magia antiga ou uma arma! – falou Finn animado.
– Err... Bem... Pode até ser mágico às vezes, mas não é do jeito que você está pensando... – falou o cão sem jeito.
– Cala a boca Jake, eu quero saber! Vamos, Marcy! Diz o que são essas fotos indevidas.
(N/A Kasumi: Como a fic é pra +16, não iremos descrever as fotos aqui)
(N/A Nell: Ah, por que não? *carinha triste* Aumentemos a fic para +18 *le sorriso pervo. Leva pedrada da colega* itai!)
(N/A Kasumi: Não escrevo hentai! Shonen-ai até vai, mas lemon e hentai não. *rubra*)
(N/A Nell: Pedimos ajuda pra Yas então)
(N/A Kasumi: NÃO! SEM HENTAI!)
Marceline explica ao garoto como são as fotos indevidas que o Jake viu, fazendo as maçãs do rosto do loiro corar aos poucos até adquirirem um tom de vermelho intenso no final da descrição.
– Eu poderia viver sem saber disso. –Finn falou quando a vampira terminou de falar, completamente vermelho.
– Você fala isso agora, mas quando for mais velho vai mudar de opinião. – disse o cão tentando não parecer afetado com a denúncia que a vampira fez dele para o amigo.
– Eu não, cara. Nunca faria algo desse tipo. Meu lance é erguer a espada e enfiá-la nos meus inimigos e...
– E lá vamos nós de novo com o lance da espada. – o cão resmungou entediado rolando os olhos.
– Você gosta muito da sua espada, não? – perguntou Marcelinne com tom divertido na voz.
– Claro! É a melhor espada que alguém poderia ter! Por isso que o Marshall gosta tanto dela. – o garoto deu de ombros, indiferente.
Jake suspirou.
– Acho que depois dessa eu vou tomar um café. Já volto.
– Não sei por que o Jake sempre fica assim quando eu falo da minha espada. – Finn observou o cão ir embora – Ei, Marcy – ele encarou a vampira que já se preparava pra ir embora novamente – Tive uma ideia. Por que você não dá uma olhada na minha espada? Talvez você possa convencer o Jake de que ela é mesmo legal demais!
– Deixa pra outra hora... – Marceline falou ajeitando a guitarra em suas costas – Se eu não ir agora vou me atrasar. Mas o Marshall vai querer ver sua espada se você mostrar ela por vontade própria. – ela prendeu a risada.
– Hmm... O Marshall? Eu não gosto muito dele. Mas talvez ele possa me ajudar.
– Cuidado Finn! – gritou o cão da cozinha — É uma cilada!
– Hmm... Talvez o Jake tenha razão. – loiro ficou pensativo – O Marshall é estranho. E ele sempre me olha com um olhar meio, sei lá, de fome.
– Ele é um vampiro, o que queria?
– Espera... O Marshall bebe sangue?! – falou Finn perplexo – Mas... Eu pensei que...
– Eu também bebo sangue. Mas igualmente a mim, ele prefere as cores. – Marcelinne comentou naturalmente – Ele não te faria mal algum. Se fizer, eu quebro o pescoço dele.
– Eu não preciso que você me defenda. Eu sou um grande guerreiro! – Finn disse apontando para si mesmo orgulhoso – O Jake e eu damos conta do Marshall, não é mesmo Jake?
– Cara, se você diz...
– Tudo bem. – a vampira riu e voou em direção à janela – Agora se me dão licença...
– De vez em quando eu não sei o que se passa na sua cabeça, Marcy. – Finn cruzou os braços enquanto via a morena abrir a janela para ir embora — Principalmente nesses momentos... Você ficou com a mesma cara do Jake quando viu as suas fotos com a Jujuba.
– E que fotos, hehehe...
Marcelinne se virou e encarou o cão com um olhar sombrio, fazendo este se esconder atrás do humano.
– Ora, por favor! Eu já disse que são imagens editadas. – a vampira revirou os olhos, entediada.
– Mesmo assim não deixa de ser bem legal. – o cão sussurrou com um sorriso suspeito.
Marcelinne olhou o relógio e suspirou.
– É... Pelo visto não vai ter ensaio antes do show... – ela voltou ao chão e se sentou no sofá – Vocês conseguiram me atrasar.
– Desculpe. – Finn ficou sem graça. – Mas então... Marcy... Já que estávamos falando disso... Você a Jujuba se conhecem há muito tempo, não é? Vocês eram amigas? – ele encarou a morena.
– Sim, éramos. – falou Marcelinne com o rosto pensativo.
– Aham – aposto que mais que amigas, pensou o cão com uma cara suspeita.
– Então você pode me contar alguma aventura de vocês no início de OOO? Tipo... No passado deve ter tido muitas coisas legais, mas a princesa nunca fala disso. – o garoto suspirou.
– Bem... – a morena começou a falar, mas foi interrompida por um cascudo de leve na cabeça – Quem... – Ela olhou para cima – Marshall!
– Essa cabeça de vento nem lembra. – Marshall Lee flutuava de cabeça pra baixo ao lado da irmã e tinha um sorriso zombeteiro no rosto. Ele desvia do golpe da guitarra em forma de machado da vampira – Wou! Calma, maninha. – ele riu.
Jake cuspiu o café. Não esperava que o vampiro aparecesse assim, do nada, na casa da árvore.
– Como... Quando... Tipo... Cara! Quando ele entrou aqui?! – Finn, que antes tinha pulado de susto por causa da surpresa, agora se colocava em posição de ataque.
– Não faz muito tempo. – Marshall ficou de pé. Usava a tradicional camisa de botões xadrez e vermelha, jeans escuros e tênis vermelhos – E eu entrei pela porta.
– O BMO devia estar de vigia hoje. – Jake estranhou olhando ao redor a procura do robô.
– Não coloque a culpa em mim. – BMO cruzou os bracinhos – Era você, Jake, e não eu. Lembra que trocamos semana passada?
– Droga! – Jake resmungou.
Finn encarou o cão que agora tinha a expressão de “eu fiz besteira” estampada no rosto.
Marshall riu.
– Relaxem. Eu só passei pra dar um oi, e pra buscar minha irmãzinha.
– Tsc... – Marcelinne fez careta.
– Agora que já deu oi, pega a Marcy e vai embora. Você não foi convidado. – resmungou o garoto irritado – Se você não for eu vou...
– O que? Usar sua espada? – o vampiro lhe lançou um olhar malicioso.
– Sim! Isso mesmo! E vou dar um chute nessa sua bunda pálida! – falou o loiro sério, mas sem compreender o olhar do outro.
Jake fez careta.
– Essa não foi a melhor escolha de palavras, cara...
– Calado, Jake e me ajude aqui!
– Se for assim, eu ajudo. – Marshall sorriu. Em seguida pegou Finn pela gola da camisa e saiu pela janela carregando o garoto para longe – Vou adorar ver sua espada.
Finn sentiu o rosto esquentar involuntariamente. Por que com o Marshall falando sobre sua espada soou menos heroico e mais... Pervertido?
– D-Droga! Me larga, seu vampiro maldito!
– Err... Opa?! – falou Marcelinne ao ver o humano sendo levado para longe pelo irmão.
– Calma, Finn, eu vou te ajudar! – o buldogue gritou desesperado e pulou pela janela. Chegando do lado de fora ele cresceu até ficar do tamanho da árvore onde morava e se pôs a correr atrás do amigo.
Marcelinne suspirou. Resolveu seguir o cão. Afinal, o irmão podia não se controlar dessa vez.
~*~
– Me solte! – Finn se debatia nos braços do vampiro.
– Por quê? Foi você quem disse que iria me mostrar sua espada. – Marshall sorriu – E eu quero muito ver ela de bom grado seu.
– Se você me soltar eu vou te mostrar, seu miserável! – falou o loiro ainda se debatendo tentando se soltar.
– Acho que não estamos falando do mesmo tipo de espada. – o moreno suspirou um pouco desapontado – Mas vamos tentar. – ele sorriu e soltou Finn durante o voo. Este acabou caindo em um arbusto que amorteceu sua queda.
O garoto se levantou. O capuz branco tinha caído da cabeça e seus cabelos e roupas estavam cheios de folhas e galhos.
– Droga! Olha o que você fez seu animal! – berrou o garoto irritado tirando as folhas dos cabelos – Agora eu vou ter que tomar banho! E eu não vou te perdoar por isso. Está na hora de você conhecer de perto a minha espada!
O loiro tirou da mochila a espada da cor do sangue e correu irritado na direção do vampiro. Marshall suspirou um pouco decepcionado.
– Por que eu não estou surpreso? – e desviou do golpe do outro.
– Fique parado, verme!
Finn atacou de novo, mas o vampiro desviou, fazendo o loiro cair no chão. Aproveitando a deixa, ele encheu a mão de terra e, quando se levantou, jogou a areia nos olhos do mais velho.
O moreno soltou uma exclamação de surpresa e dor. Ele voou mais alto, na tentativa de se afastar do humano para limpar os olhos com segurança.
– Você não vai fugir! – Finn segurou no pé do outro, e escalou pelo seu corpo fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão junto com ele.
Como tinham chegado ao topo de uma colina, eles rolaram até chegar à base dela. Quando pararam o loiro se viu cheio de arranhões e hematomas, igualmente ao mais velho.
Marshall começou a rir.
– Nossa, que queda feia! — o moreno apoiou seu corpo sobre os cotovelos e encarou o garoto que tinha caído sobre si – Você está bem?
Finn só percebeu o quão próximo estava perto do vampiro quando viu os olhos vermelhos a centímetros do seu.
O menino deu um salto devido o susto e andou dois passos para longe do Marshall.
– Não chegue tão perto assim! – falou o garoto irritado, sentindo as bochechas esquentarem.
– Quem estava em cima de quem? – o vampiro começou a rir. Ele se levantou e bateu na camisa e na calça, no intento de tirar o excesso de poeira da roupa – Está ficando tarde – ele encarou o céu que se encontrava no início do crepúsculo — Continuamos a luta depois.
Marshall ajeitou a roupa amassada e tomou impulso para voar. Mas Finn segurou seu pulso.
– Depois nada! – falou o garoto irritado encarando o vampiro – Eu vou arrancar seus olhos, seu...
Não pode terminar a frase devido ao choque que teve ao sentir os lábios frios do vampiro em sua testa.
– Finalmente você se calou. – o vampiro sorriu – Agora seja um humano bonzinho e tenha calma, está bem? Continuamos a luta depois, afinal, tenho um show a apresentar.
Ele piscou para o loiro e foi embora. Finn continuou lá, parado como uma estátua, em estado de choque. Então levou uma das mãos, trêmula, a testa beijada. O rosto do garoto esquentou de vez.
– O que foi... O que ele... Arg! – Finn balançou a cabeça. Tinha ficado bem confuso com a atitude do mais velho – O melhor a fazer é voltar para casa. – suspirou. Pegou a espada que tinha caído no chão e a guardou. Depois, seguiu rumo à casa da árvore.
Jake, o cão, estava na porta da casa à espera do garoto. E pelos confetes e chapéu de festa na cabeça do cão, o buldogue preferiu se divertir a resgatar o melhor amigo.
– Cara! Eu te procurei por toda parte! – falou o cão preocupado.
– Mentiroso. – suspirou o garoto. Já esperava aquela atitude do cão.
– Desculpe, Finn. – falou o cão sem jeito – Mas o que aconteceu?! Você não mostrou sua espada ao Marshall, mostrou? – ele deu um sorriso nervoso.
Finn contou a história ao seu amigo, pulando a cena do beijo. Seria constrangedor demais se o Jake soubesse que ele, Finn, tinha sido afetado por um simples beijo. E do Marshall Lee ainda por cima!
– O Marshall sempre teve um parafuso a menos. – concluiu o cão depois do relato do garoto.
– Pois é. – Finn olhou para o céu – O show vai ser de noite, não é?
– Da Marcelinne e do Marshall? – Jake pegou o panfleto que a vampira tinha deixado para trás – É sim, cara. Você quer mesmo ir?!
O humano encarou o cão. Então deu um sorriso.
– Nós temos que prestigiar nossa amiga, não?
~*~
Jake assobiou.
– Cara... Na próxima me chamem para apresentar também.
O lugar estava incrivelmente bem-arrumado e cheio de gente. O palco estava montado ao lado do castelo do reino doce, vários holofotes e luzes de variadas cores estavam presos no grid. No fundo do palco, um telão aceso com os dizeres Grande concerto de Rock mudando de cor. Onde a Jujuba tinha arrumado algo daquele tipo? Ninguém sabia.
– Caramba! – Finn falou olhando ao redor, surpreso com o local – A Jujuba se superou dessa vez.
– Verdade. – concordou o cão – É a primeira vez que eu vejo esse lugar com tanta gente.
Na frente do palco milhares de doces e criaturas se encontravam. Todas agitadas e eufóricas devido ao show que teria essa noite.
As luzes se apagaram. A plateia silenciou. Depois de alguns segundos um holofote focou em uma figura que estava no centro do palco: tinha longos cabelos rosa trançado, camisa negra de mangas rasgadas, jeans surrados com alguns rasgões e coturnos de militar.
Finn e Jack só faltaram cair para trás.
– JUJUBA?! – berraram eles ao mesmo tempo.
– Estão prontos para o Rock?! – falou a princesa com um sorriso no rosto.
– SIM! – respondeu a plateia animada.
– Eu ainda não escutei! ESTÃO PRONTOS PARA O ROCK?! – repetiu a princesa colocando uma das mãos na orelha, de modo que ela pudesse escutar melhor.
– SIM! – respondeu a plateia com mais energia.
Jujuba riu.
– É assim que se fala meus súditos do Reino Doce! – falou ela animada – E agora com vocês a nossa primeira atração: a banda Shadows of the Night!!!
A plateia gritou eufórica. As luzes se apagaram novamente para que, instantes depois, voltassem gradualmente com a banda já no palco.
O grupo se constituía em três integrantes. A baterista...
Jake quase que desequilibrava o humano que estava no seu lombo para assistir a apresentação.
– Cara, aquela é a caroço?!
– É sim, Jake! – falou Finn igualmente surpreso vendo a princesa em forma de nuvem com um vestido preto batendo nos pratos, começando com a percussão da música.
A guitarrista...
– Olha a Marcelinne! – falou Finn apontando para a vampira que acompanhava a percussão da princesa caroço com sua guitarra em forma de machado.
E finalmente o vocalista e baixista.
Um holofote de luz branca iluminou a figura do vocalista que estava de cabeça baixa. Os cabelos dele eram tão negros que com a luz sobre eles parecia ter um tom azulado. Vestia uma jaqueta de couro, jeans cheios de correntes e coturnos militares. O baixo estava nas costas do rapaz, enquanto ele segurava o microfone em sua haste.
– Não me diga que aquele é o... – falou o garoto surpreso.
A plateia foi a loucura quando ele finalmente levantou a cabeça, esboçando um sorriso malandro.
– Are you ready?
Marshall acompanhou as parceiras tocando seu baixo que tinha a forma de um machado de dois gumes de lados iguais da mesma cor da guitarra da Marcelinne.
Marcelinne diminuiu o ritmo, ficando só a percussão da caroço e o baixo do Marshall na melodia. O moreno então se dirigiu ao microfone defronte dele e começou a cantar.
Your cruel device
Your blood like ice
One look could kill
My pain, your thrill
Marcelinne voltou ao seu ritmo normal e então acompanhou seu irmão, se dirigindo ao microfone e cantando também.
I wanna love you, but I better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop
I wanna kiss you, but I want it too much (too much)
I wanna taste you but your lips are venomous poison.
You're poison running through my veins,
You're poison...
I don't wanna break these chains.
Poison…
A plateia vibrava e dançava no ritmo da música.
Finn ficou impressionado.
– Cara, eu não sabia que o Marshall mandava tão bem assim na música.
– Ele é irmão de quem? – falou Jake rindo e dançando no ritmo da música – Vamos lá Finn, dança comigo. E 1, e 2...
– Não cara, valeu... – o loiro começou a rir.
Marcelinne então diminuiu o ritmo da melodia da guitarra e começou a cantar.
Your mouth so hot
your web, I'm caught
your skin, so wet
black lace, on sweat
Marshall, que tinha saído do seu lugar para tocar ao lado da irmã, voltou ao microfone e a acompanhou na continuação da música.
I hear you calling and it's needles and pins (and pins)
Marshall dirigiu o olhar à plateia e deu um sorriso malandro. Finn não sabia explicar como, mas parecia que o moreno estava olhando exatamente para ele. Mas era impossível, ele estava longe do palco.
I wanna hurt you just to hear you screaming my name
O vampiro cantou aquele verso todo com os olhos fixos no loiro. O que fez o garoto sentir as maçãs do rosto esquentarem.
Don't wanna touch you, but you're under my skin (deep in)
I wanna kiss you but your lips are venomous poison.
You're poison running through my veins,
You're Poison...
I don't wanna break these chains.
Poison...
Marcelinne foi em direção ao centro do palco e então começou seu solo de guitarra. A plateia vibrou ao ouvir a vampira tocar. Depois, Marshall a acompanhou com seu baixo, fazendo o público ir a loucura.
Os irmãos voltaram aos seus lugares e começaram a cantar novamente.
I wanna love you, but I better not touch (don't touch)
I wanna hold you, but my senses tell me to stop
I wanna kiss you, but I want it too much (too much)
I wanna taste you but your lips are venomous poison.
I don't wanna break these chains
Poison... (poison)
Runnin' deep inside my veins...
Burnin' deep inside my veins...
Poison... (poison)
I don't wanna break these chains
Poison...
A princesa Caroço bateu nos pratos várias vezes e então o trio parou de tocar.
Finn teve que tapar os ouvidos para não ficar surdo com os gritos de aprovação e bis da plateia.
~*~
Outra banda já tocava no concerto. Marshall, Marcelinne e a princesa Caroço estavam no camarim deles – uma tenda improvisada que ficava a uns 100 metros do palco.
– Vocês foram incríveis! – falou Fionna que vinha acompanhada da sua gata, Cake. Elas tinham ajudado na produção do concerto e tinham pendurados em seus pescoços um crachá de autorização aos bastidores – Eu sabia que tocavam já há algum tempo, mas não tão bem como foi hoje.
– Seria melhor se você estivesse com a gente. – falou Marshall piscando o olho para a loira.
Fionna riu.
– Até parece. Eu ainda estou aprendendo.
– Podemos interromper? – falou a princesa Jujuba que tinha chegado há pouco tempo, acompanhada do Finn e do Jake – Trouxe mais alguns fãs. – ela riu.
Marshall encarou o garoto e sorriu.
– Ora, ora, ora... Vejam quem veio me ver...
– Eu vim pela Marcelinne, bobão. – o garoto reclamou, sentindo o rosto esquentar.
Marcelinne riu.
– Gostaram da apresentação?
– Se gostamos? Cara, foi uma das melhores que já assisti! – falou Jake – Mas ficaria melhor se eu estivesse tocando meu violino com vocês.
– Pff... Até parece. – Cake prendeu o riso – Você arruinaria o rock deles.
– Ah, você é quem ia com esse instrumentozinho de segunda.
– É o quê?
Jake e Cake trocaram olhares furiosos. Em seguida começaram a brigar.
– Ah, de novo não. –Fionna suspirou sacando sua espada para apartar a briga.
Finn ia ajudar a garota, mas foi puxado para longe do pessoal.
– Ei!
Quando se deu conta já estava sendo carregado pelo Marshall para o meio da floresta.
– Me solta, cara! – retrucou o garoto irritado.
Marshall riu.
– Temos uma luta a terminar não?
Finn tinha ficado tão maravilhado com a música da banda do moreno que tinha se esquecido da luta que eles tiveram pela tarde.
Marshall, depois de ter voado alguns minutos, finalmente voltou ao chão. Deixou o loiro sobre solo firme e então sorriu.
– Vamos lá. Quero ver o verdadeiro poder da sua espada.
Finn suspirou.
– Esquece, cara. Não temos motivos para brigar novamente.
Marshall arqueou uma das sobrancelhas.
– É mesmo?
Finn encarou o vampiro.
– Já rolamos morro abaixo e ganhamos vários arranhões. Acho que está bom por hoje. Não acha?
– Verdade. – Marshall riu. Então encarou o céu. A lua estava cheia e as estrelas salpicavam o céu agora negro – A propósito, obrigado.
– Pelo quê?
– Por ter vindo assistir nossa apresentação. – ele se virou para o garoto e sorriu – Ela poderia ser melhor, eu sei, mas...
– Melhor? Aquilo foi incrível, cara. – falou o garoto maravilhado, lembrando-se da música que a banda tinha tocado – Eu não sabia que você cantava e tocava tão bem assim.
Marshall acariciou a nuca, sem graça.
– Ei, também não é pra tanto.
– Eu gostei. – Finn deu um sorriso sincero – E acho que deveriam continuar. Vocês vão longe com a música.
O mais velho encarou Finn por um tempo. O rosto levemente corado.
– Obrigado, Finn. – ele sorriu.
O loirinho ficou vermelho de vez. Seu coração bateu mais forte ao ver o moreno assim: mais amável e feliz.
Eles ficaram se encarando por um tempo. Então uma sombra negra apareceu atrás do Marshall.
– Estou atrapalhando?
O moreno deu um salto por causa do susto e foi parar atrás do Finn.
– Marcelinne!
A vampira, que tinha aparecido de ponta a cabeça atrás do irmão, começou a rir.
– Devia ter visto a sua cara. – a morena ficou de pé, ainda rindo – Vamos logo, Romeu, ainda temos mais uma apresentação. – e saiu voando logo em seguida.
Marshall suspirou. A irmã tinha que cortar o clima.
O moreno encarou o loiro meio sem jeito
– Andando vai demorar mais pra chegarmos lá. Então eu posso...
– Claro. – falou Finn, o rosto meio corado – Você já me arrastou duas vezes hoje.
Marshall riu sem graça. Pegou o loiro com cuidado, tomou impulso e saiu voando em direção ao concerto. Chegaram em menos de cinco minutos no local.
– Chegamos. — Marshall colocou o garoto no chão.
– Obrigado. – Finn sorriu sem jeito.
Princesa Caroço passou flutuando às pressas ao lado dos dois.
– Vamos Marshall! É a nossa vez! – ela se distanciou, indo em direção ao palco.
– Certo, já estou indo. – Marshall gritou para a baterista, depois olhou o loiro – Vai me assistir?
Finn suspirou.
– Eu estou aqui, não estou? – ele encarou o vampiro, um pequeno sorriso brotando dos lábios.
– Acho bom mesmo. — o moreno sorriu. Depois afagou os cabelos do garoto por um tempo, o que fez o coração do Finn acelerar os batimentos e seu rosto esquentar.
Marshall se distanciou do loiro, indo em direção ao palco.
Finn?! Ficou parado que nem uma estátua no mesmo lugar onde o moreno o deixou.
Jake, que já tinha se acalmando da briga com a Cake, viu seu amigo parado que nem uma árvore e foi em sua direção.
– Ei, cara? O que houve? – perguntou Jake preocupado – Você está bem vermelho sabia?
A banda já estava no palco de novo. E Marshall já tinha começado a cantar outra vez.
– Finn?! – perguntou Jake novamente – Você tá legal, cara?
O loiro levou a mão bem devagar a cabeça. Seu coração ainda estava acelerado.
– Cara... – falou o garoto que não tirava os olhos do baixista da banda Shadows of the Night – Eu acho que estou apaixonado.
Fale com o autor