Por muitos dias, fiquei no meu quarto, olhando pela janela, pensado em Tanya, que uma hora ela iria entrar por aquela porta, e vim me abraçar, e dizer que tinha matado Bruno. Cada vez que pensava neste nome, eu trincava os dentes, mas ainda conseguia sentir algum sentimento no ar, tentava ignorar, mas não conseguia. Agora, o sentimento estava de culpa, de dó, mas queria substituir por felicidade.
Eu sabia quem era o assassino, por que não ia caçá-lo.
Minha mente dizia que não. Mas eu iria. E fui.
Naquela mesma noite, eu segui este sentimento, que estava em uma parte da floresta. E ele estava sentando em uma rocha, conversando com uma menina, Natalia. Ela olhou para mim, assustada, corri até ela, e empurrei-a com apenas uma mão, no peito dela, e ela voou para a floresta.
Peguei Bruno pelo pescoço, sem nem mesmo olhá-lo, prendi ele em um tronco, levantando ele na altura de um metro, ele começou a ficar vermelho e tentar tirar minhas mãos do seu pescoço, eu sentia sua pulsação por baixo da minha pele, e minha mão queimava, eu estava o machucando, e minhas veias começaram a queimar, como a minha mão. Minha garganta queimou, de sede e de algo, e então respirei o doce ar, como se fosse veneno, entrou pelas minhas narinas e passou pela minha garganta, e ela pulsou, mas não sabia se era o coração ou a garganta, mas não sabia como, eu o soltei.
— Eu fiz o que era justo! – ele gritou comigo – E você não sabe ainda? Eu vi isso dez que te vi, na segunda vez.
Eu olhei para ele, e vi que o reconhecia. O menino, que eu tinha matado os pais. Ele continuava com os cabelos castanhos, ondulados, e os olhos castanhos. Eu não sabia o porquê, mas seus olhos eram como uma porta, que se eu entrasse nela, não tinha mais volta, e os olhos dele me chamavam, era um veneno! Aquela bruxa! Não, eu não podia matá-lo. Eu queria morde-lo, estava fraca. E via que ele sentia a mesma coisa, mas o ódio estava impregnado nele. E eu também, estava com ódio. Mas meu coração, pensei que não batia!
Trinquei os dentes, e soltei um palavrão. Então alguma coisa me jogou para o tronco. E vi Natalia, com a boca sangrando.
— Não pode matá-lo, pode? – ela perguntou sorrindo.
— Não importa, posso beber o sangue dele. E, o seu é bom, já que você esta experimentando, eu posso experimentar, ou drená-lo.
— Não pode me matar também, sou uma bruxa.
— Rá! E eu também. Inútil. – eu disse, irônica.
— Vamos ver se você ri com isto! – ela fez um pedaço de madeira levitar, e este pedaço veio diretamente para mim, para meu coração. Então era isto, minha morte.
— NÃO! – eu ouvi alguém gritando, Bruno. Mas era tarde de mais.
Fechei os olhos, mas não senti impacto nenhum, nenhuma dor. Então vi Thain, e tinha pegado a estaca o ar e jogado na cabeça de Natalia, que este tinha desmaiado.
— Só eu posso te matar. – disse Thain. E eu olhei assustada para ela. Então, percebi que estava no chão.
— Thain? – eu perguntei. Então ela se virou para mim.
— Um “obrigado” seriam bom. – ela disse, sorrindo, e então ela olhou para Bruno – Então, você? – ela começou a andar em volta de Bruno – Que matou Tanya. Vou tirar um pedaçinho de você. – ela disse, e minha garganta se apertou, junto com o meu coração. Ela pegou um faca, e dando impulso ela tentou acertá-lo, mas ele desviou. Ela correu até ele e prendeu ele por trás, apoiando a faca na garganta dele, quase cortando.
— Não! Não! Por favor, Por favor! – eu gritei, e ela olhou para mim, eu estava com a minha garganta apertada, de desespero – Não o mate.
— O quê? – ela perguntou, soltando ele – Não quer matá-lo? – eu não respondi e então ela viu – Você... Ele? – ela levantou a mão, para a boca, então fugiu.
Eu olhei para ele, com ódio, mas não tanto. Ele olhou para mim, sem expressão então pegou um pedaço de madeira e veio em minha direção.
— Eu ainda ódio você, não acabou. – ele falou – Eu posso te matar, mas você não...
— Não fique se gabando. – mas eu estremeci.
Ele estava muito perto, e vi que ele era mais alto que eu. Eu queria agarrá-lo e morde-lo, mas não matá-lo. Meu coração, eu acho, ou talvez minha garganta, mas, enfim, ele pulsou. Cada passo que ele dava, e meu coração estranho pulsava, com sede e com algo a mais. Minha garganta deu um nó. E ele levantou o braço para atravessar a estaca no meu peito. Ele veio rápido, mas eu peguei a mão dele e prendi nas costas dele, e virando ele, soltando madeira, eu disse no ouvido dele, sedutoramente:
— Sim, não posso te matar, mas posso.. te beijar. – eu disse, e senti ele tremer, então mordi o pescoço macio dele, ele estremeceu novamente, e eu experimentei o sangue dele, bebendo tão lentamente, mas prazerosamente, senti que nossos sentimentos, os meus principalmente, transferiam para ele, como uma corrente elétrica. Eu o soltei, e ele continuou de pé, sorrindo. Eu deixei ele lá, e fui correndo para a Casa.
Quando cheguei, todos estavam lá, e Jane andava de uma lado para o outro. Quando ela me viu, ela me puxou para a sala e me abraçou, depois se afastou.
— Onde você esteve? Saiu como louca. E parace que você se alimentou, esta com uma cara melhor!
Eu sorri, sem entusiasmo.
— Claro! Foi do Amor dela. – disse uma voz reconhecivél, e vi Thain atrás de mim, sentada em uma cadeira, com as pernas em um braço da cadeira.
— O que diabos você está fazendo aqui? – eu peguntei.
— Vim trazer a novidade. Que você tem seu Amo de Sangue, que lindo. E ainda com o assassino de Tanya.
— Bruno? Ele matou Tanya? – perguntou Alicia.
— Nossa, querida, você é atrasada. Percebeu que ele e Natalia não foram no velorio de Tanya e que eles não aparecem dez que ela morreu?
Alicia fez uma cara que caiu a ficha e deu um:
— Ah...
E Thain a imitou, e depois olhou para mim novamente.
— Que sorte a sua, hein? Ter um Amor com o assassino de sua mãe. E afinal de contas, por que ele a matou?
— Primeiro ela era minha irmã, de consideração. E... – eu disse, sentando no sofá – eu matei os pais de Bruno, acho que ele só acharia justo se matasse Tanya, que teria o mesmo impacto que ele teve. – eu bufei – Foi pior. Mas agora, eu entendo, que Tanya esta morta. – eu falei no meio de um suspiro – E eu não posso fazer absolutamente nada. E não posso matá-lo por revanche, pois ele é... aquilo.
— Seu Amor! É tão difícil de falar isto? – reclamou Thain.
— E você se entregou para ele? – perguntou Jane.
— Bem, acho que não. Ele tentou me matar, então eu mordi ele. E... Não eu não me entreguei, é como se fosse uma porta? Que você senti que se você disser “sim” você não tem volta?
— Isso mesmo. Se você se entregar para ele, nenhum dos dois pode matar. Mas se você o mordeu, vai deixar ele ficar pensado em você até que ele venha e te beije. E então você se entrega, e todo ódio vai se desaparecer.
— Foi a mesma coisa com você? – eu perguntei.
— Bem, foi. Eu e Robert nos detestávamos, mas eu sabia que eu tinha algo por ele, como ele sabia. No final das contas, ficamos juntos.
— Que super! – disse Thain – Acho que vou indo. – ela se levantou, e foi indo em direção da porta.
— Thain. – disse Jane, e a garota virou-se – Fique, temos quartos, e você já é da família.
— O quê? – eu gritei, enquanto via o sorriso de satisfação de Thain.
— Laura, — disse Jane – ela já teve bastante tempo na floresta, já pode ficar conosco. E ela é sua irmã...
— Não é não! – eu exclamei.
— Somos sim. – disse Thain, com uma alegria na voz.
— Fique. – disse Jane – E Laura, venha.
Ela saiu andando, em direção ao seu escritório, e eu a segui, enquanto Thain ria baixinho de mim.
Sentei em uma cadeira, enquanto Jane se sentava na minha frente.
— Olha, acho que você já está recuperada da perda de Tanya. – eu assenti com a cabeça – Então, vou falar uma coisa de cada vez. Primeiro sobre Bruno, não adianta você fugir agora, você já deu seu beijo e não vai dá para você agüentar a dor de ficar longe dele. E você consegue sentir os sentimentos dele, o que vai se pior.
— Ele pode estar em França, eu vou continuar senti-lo?
— Sim, vai. E enquanto você luta, mais doloroso fica.
— Vou tentar. – eu disse, com firmeza.
— Ok. Tente. E sobre Jake... Ele... Você ouviu sobre a história dele e da amiga dele. Agora vou contar um pouco mais detalhada. Jake, era como Bruno que perdera os pais por vampiros, e Daniely ajudou-o e ensinou um pouco sobre bruxaria, e então o menino começou a aprender, e só virou mesmo bruxo, na fase adulta, com 30 anos, ele ficou imortal, enquanto Daniely tinha apenas 20 anos. Mas, enfim, eles viveram aqui, por muito tempo, e os dois se gostavam mesmo. Mas a família de Daniely queria que as filhas não tivessem muito o sangue de bruxa, ela não deixava as filhas e filhos praticarem magia por causo dos pais, e eles fizeram ela casar com um humano, que a deixou fora daqui. Jake, que a amava foi atrás dela, e falava com ela escondido, até que ela ficou grávida da segunda menina, e Daniely pediu, implorou para Jake ir embora, e ele foi, sem saber da filha. E esta menina tem pai e mãe bruxa, e Daniely era sua mãe, Laura.
Eu fiquei um minuto tentando remoer tudo que Jane falou, mas do mesmo jeito, não conseguia acredita nisto. Que eu tinha gostado tanto de Jake, e ele era meu... pai?
— Meu pai? Jake? Isso é... – eu disse, com a voz falhando.
— Impossível? Mas é real.
— Ual. Nossa, é muita informação, o Bruno e agora o Jake... Eu... Eu acho que vou me deitar. – eu disse, e sai do escritório.
Subi as escadas, ainda com as ultimas palavras de Jane, e com o pensamento de que Jake era meu pai. Eu não conseguia remoer isto, iria demorar bastante tempo, acreditava que mais do que a morte de Tanya. Passe por um quarto e vi Thain. Voltei para o quarto e vi que ela estava com uma roupa um pouco sensual. Com um corpete negro, e uma blusa por cima, preta, e uma calça de couro, uma bota. Seus olhos estavam brancos, e seus cabelos estavam lisos e negros, quase azuis.
— Sabe mudar o estilo do cabelo? É bem legal. – eu disse.
— Sim. – ela falou, e depois se virou para mim – Já esta conformada que Bruno é seu.. Amor?
— Não. – eu disse fria.
— Então fique atenta. – ela disse, dando uma piscadela.
— Você está o ameaçando? E à mim? – eu perguntei, olhando para ela com raiva.
— Claro que não!
— Ok. Não vou enfrentar isto como uma ameaça. – eu disse, me virando para ir para meu quarto.
— Ele vai vim. – ela disse, olhando para o próprio reflexo.
— Quando? – eu perguntei, sem me virar.
— Você que pode senti-lo.
Eu ainda sentia Bruno, ele ainda estava perto. Ignorei Thain, e fui para meu quarto. Eu me joguei na cama, e fiquei olhando para o teto, fechei os olhos e tentei tirar todas as informações da minha cabeça, mesmo sendo muito difícil, pois era muita informação. Para mim era, mas quando fui tirá-las, vi que não era tão difícil. Até que alguma coisa bateu em minha janela, me atrapalhando.
Imediatamente meus olhos se abriram, e vi que alguém jogava pedras na minha janela. Meu coração deu um pulo, como eu digo alguma coisa que havia dentro de mim, e parecia um coração.
Eu me levantei, e abri a janela, e lá estava ele, olhando para mim. Vi que ele estava diferente, não tinha ódio nos olhos dele mais, e estava um menino normal de 16 anos, e ele estava sozinho, eu conseguia sentir o cheiro.
— O que diabos você está fazendo aqui? Você me assustou.
— Assustar você? Está brincando comigo, certo? – ele disse, rindo – Pode dar uma ajudinha aqui? – eu revirei meus olhos, e me teletransportei para o lado dele, depois pegando seu braço voltei para meu quarto em menos de um segundo.
Eu cruzei os braços e olhei para ele. Ele estava com o mesmo cabelo, e com os olhos castanhos diferentes, e por algum motivo eu me sentia... viva.
Eu engoli em seco, e ele que estava um pouco longe de mim, tentou se aproximar, mas eu o parei, colocando a mão fechada na barriga dele, e ele parou. Levantei os olhos para seu rosto e falei:
— Primeiro, vamos ter que tentar nos entender. Como começa uma coisa... Você sabe...?- ele não respondeu – Conversando... Temos que ser amigos.
— Como? Huh? Nos odiamos, lembra?
— Se realmente nos odiamos, você teria trazido uma estaca de madeira, e eu não sinto cheiro de madeira. – eu disse séria, e ele corou, o que me fez sorrir.
— Por que está rindo? – ele perguntou confuso.
— Nada... – eu falei, ainda sorrindo.
— Bem, o que fazemos agora? – ele perguntou, e eu olhei para o céu clareando.
— Esta quase amanhecendo... Você já dormiu? – eu perguntei.
— Como poderia? – ele respondeu. E meu “coração” pulou novamente, e se eu fosse humana, coraria.
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