Vampire Heart

26 Capítulo 25


Notas iniciais

Vou postar até o cap. 26 por hoje, que é o último. Me deixem pensar melhor sobre o epílogo...

Vazio. Agora que eu já me acostumara com seu toque suave em minha mente revoltosa e violenta. Era tudo o que faltava em mim, aquele amor. E o meu coração cantava e clamava por esse sentimento. Agora era só o vazio, causado única e somente por mim. Uma frágil tensão percorria o meu corpo ao entrar no quarto do hotel e não encontrá-la por ali, como eu havia deixado.

Idiota. Vlad esteve ali, eu sentia. Era tudo culpa minha.

Eu devia tê-lo matado há muito tempo quando tive minha chance. No entanto fugi. Ele quer vingança e eu só quero a paz. O meu plano era vir aqui destruí-lo. Só que a Jessy... Ela... Ela veio junto. Atrapalhou-me e eu deixei! Agora, provavelmente ela estaria com poucas memórias e nas mãos do inimigo. Que ódio dessa morte! Monstros como eu não encontram a paz nem mesmo após a morte.

Irei encontrá-la. Por mim, por nós dois. Porque nada mais vale a pena sem ela.

****

Vlad estava certo. Eu sentia a minha memória se aproximando, mas ela ainda escorregava entre minhas mãos. Ainda fora de alcance. Perguntei-lhe:

-Por que me sinto assim? Por que estou assim? O que aconteceu comigo?

-A sua memória voltará logo. E quando ela retornar, vou destruí-la.

-Para ficar mais forte?

-Não. – respondeu-me com severidade. – Para me vingar. Você... É muito importante para a sua memória. Importante de uma maneira tão especial... O que ela sente por você é o sentimento mais puro e verdadeiro.

Ele parou o que disse e bebericou o conteúdo de uma taça de vinho.

-Mesmo para uma criatura como ele.

-Não entendi.

-Está próximo.

****

Preparei uma daquelas loucas poções da Tia. Ela mesma as inventou durante a Idade Média. A maioria continha itens essenciais de vampiros: alho, água benta, madeira, vinho... Era muito fácil atrair um (como Jessy fizera comigo), ou simplesmente localizar vampiros com aquelas misturas. Prometi que usaria qualquer daquelas feitiçarias apenas em casos de vida ou morte. Aquele era um caso.

O meu amor estava perdido. E junto com ele, eu também.

Demorei algumas horas, nunca fui bom com poções e afins. Quando a direção mostrou-se concreta, corri pelas frias ruas cheias de neve, em busca do que era mais importante para mim.

****

Flash!

Agora não era minha memória. Apenas a dor e uma presença se aproximando. Gritei; começou a doer demais!

-É a sua memória, não é? Eu também posso sentir.

-Vlad... – e então as palavras saíram instantaneamente – O amor dói tanto... Ele não deveria doer assim! Não deveria!

-Eu sei.

Continuei a gritar, até cair no chão de tanta dor. Comecei a contorcer-me; a sentir uma explosão de mil fagulhas dentro da cabeça.

-Ele está mais próximo do que eu imaginava. – Vlad disse.

-Quem é ele? A minha memória?

-De fato.

BANG!

A porta principal quebrou-se e uma pessoa saiu de trás da poeira alta. A cada passo, mais uma dor mental. Eu gritava sozinha, como se o mundo fosse acabar apenas para mim.

-O que fez com ela, Vlad?

Aquele homem disse isso e eu senti o Big Bang dentro do corpo. Oh, Deus! Como eu queria que a dor fosse embora! Eu morreria para acabar com aquela agonia!

FLASH!

Eu morreria por...

-Nada, Ville. Você está fazendo. – ele levantou-se de onde estava sentado. – Ela vai terminar pior que minha Victoria. Aquela que você matou. E vou destruí-lo por isso.

Quem era aquele homem? O que ele queria? Por que me trazia essa dor? Por que não me deixava em paz?

-Ela não tem nada a ver com isso, Vlad. Deixe-a ir.

-Mate-me primeiro.

Eu ouvia rugidos, objetos sendo quebrados e meus gritos... Mas nada vi. Ambos lutavam e eu morria lentamente. O que estava acontecendo? O quê?

FLASH!

Aquela feiticeira me enfeitiçou. Para que eu não pudesse me lembrar antes de morrer. Desgraçada!

Com um esforço descomunalmente grande, levantei-me e tentei gritar por ajuda.

Por favor! Será que não... Será que eu vou morrer aqui, agora?

Não sei por que, mas era isso mesmo que eu queria.

E fui dando lentos passos, sem nada ver ou dizer, apenas escutando os gritos e rugidos; a dor alheia e a minha dor... Algo me atingiu e houve um grito ainda maior e mais feroz. Não senti, pois a dor de minha cabeça conseguia ser pior. Mesmo assim, caí.

Gritei outra vez. E outra vez. Mais alguma coisa me atingiu, quase não senti. E foi isso que fez efeito: perder sangue. Minha dor amenizou-se. Minha respiração começou a regularizar-se. Por favor... Matem-me aqui...

-Você, Jessica... Até que foi uma boa companhia durante essas poucas horas. Só que agora você morrerá. – essa parecia a voz do Vlad.

Queria agradecê-lo, porém minha voz não voltara ainda.

-Sabe o por quê? Porque o seu amado matou a única mulher que já amei! E seu único motivo foi inveja pela minha felicidade! Ela deixou para morrer na mão de nazistas idiotas! E se amar já dói tanto, imagine amar imensamente e sozinho!

Ele quebrou minha perna com alguma coisa pontiaguda. E quanto mais sangue saía, menor tornava-se a dor. Consegui perguntar-lhe:

-Você me enfeitiçou, não foi? Para que eu não pudesse mais me lembrar.

-De fato. Com o sangue da feiticeira, eu tinha todo o poder dela.

-Eu sinto muito. – disse-lhe. – Ela deve ter sido importante mesmo pra você.

Silêncio total.