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Victória foi deixada no orfanato Happines no ano de 1994, era uma criança conturbada, não tinha amigos, não dividia suas coisas, costumava não lanchar com as outras crianças, vivia trancada no pequeno quarto em que vivia. Foi adotada quando completou um ano de idade, em 1995 por Dianna e Frederic Thuston, ele haviam tido apenas um filho, Dimitri na época com 5 anos de idade, mais o desejo de Dianna era ter uma menina, porém houveram complicações em sua gestação que levou a morte da criança, por isso optaram por adotar uma menina. Com o passar dos anos coisas estranhas passaram a acontecer no enorme quarto cor-de-rosa, no terceiro andar da casa número 226 da Rua Angeliqué Brunett. Victória ficava cada vez mais agressiva, cada dia comia menos, sentia dores ao palpitar do coração, deduziram coisas estranhíssimas, enfarte, câncer no coração, até drogas. Os pais adotivos da menina procuraram por tudo, Médicos, espíritas, macumbeiras, até benzedeiras, mais ninguém conseguia solucionar o problema.


Com 6 anos Victória conseguia levitar objetos, e machucava seus coleguinhas de classe sem ao menos tocá-los, Frederic começara a pesquisar sobre isso, Victória não era uma criança normal, sentia fortes dores de cabeça, e desmaiava com freqüência. A cada desmaio uma surpresa, com um mês Victória ateava fogo nos móveis e congelava o fogo da lareira. No dia 01 de Julho de 2005 um casal se mudou para a casa ao lado da dos Thuston, Louise e Deric Stewlin eram um casal deslumbrante, a mulher possuía cabelos negros lisos, a pele era pálida, típica de Britânicos, seus olhos eram de um castanho avermelhado realmente tentador, atraía o olhar de todos na rua, e o homem nem se fala, moreno dos olhos cinza, a pele do mesmo tom da pele da mulher, tinha um corpo realmente maravilhoso que era super bem definido de suas camisetas apertadas, ele possuía uma tatuagem nas costas com dizeres em latim, sua voz era o delírio das mulheres daquela rua. Eles passaram a ter uma grande amizade com Frederic e Dianna assim podendo observar a menina Victória de perto.


— E essa linda menina? – perguntou Louise sorrindo graciosa para Dianna –

— Essa é a nossa filha – sussurrou – Vic? – chamou a menina que vestia uma enorme blusa preta de moletom de Dimitri, e lia Harry Potter e a Câmara Secreta sentada no enorme sofá de couro vermelho berrante da sala –

— Sim – abaixou o livro e fixou os olhos profundos na mãe, que estremeceu –


Ultimamente, Victória passara a causar arrepios ao olhar para a família, as crianças de sua idade brincavam o mais longe possível da menina esquisita, Victória apesar de esquisita era uma linda garota, seu rosto era pequeno, delicado e pálido, estava sempre em uma temperatura abaixo de 17 graus, os olhos mudavam de tom de acordo com o dia e de acordo com o seu humor, hoje estavam verde-claros, a boca tinha um tom rosado pálido, os cabelos escuros caiam ondulados pelos ombros e costas, havia um laço vermelho amarrado em sua cabeça, além da blusa do irmão, vestia um jeans escuro e um par de All Star da mesma cor do laço em sua cabeça.


— Esses são Louise e Deric, novos amigos – sorriu desviando o olhar da filha para a janela atrás da menina, costumava fazer isso sempre, não conseguia olhar a menina nos olhos –

— Olá – disse Deric se aproximando da menina –

— Deric, acho melhor não – disse Dianna em tom de aviso –

— Por quê?

— Victória é uma criança diferente, das outras – murmurou ao ver que a filha não prestava a atenção neles -

— Como assim? – perguntou Louise com curiosidade –

— Vamos para a cozinha – pediu –


Os dois a seguiram e se sentaram nos banquinhos da bancada.


— Eu não costumo dizer isso para todo mundo mais, Victória tem sérios problemas, consegue levitar objetos, atear fogo e congelar, causa dor nas pessoas sem precisar tocá-las, seus olhos, parecem congelar o sangue quente que corre nas nossas veias, sua pele é gélida, e seus olhos mudam de tom de acordo com o seu humor – suspirou –

— Hmn – Louise olhou sugestivamente para Deric –

— Ninguém da sua família tem isso? Pode ser alguma coisa genética, tipo, avós ou tataravós, antepassados...

— Não – murmurou Dianna – Victória não tem o mesmo sangue que nós, nós a adotamos com um ano de idade, não sabemos quem são seus familiares ou se ainda estão vivos – explicou – A única coisa que sabemos dela é que se chama Victória Hoppe Romanov, nasceu no dia 12 de Maio de 1994 e foi trazida do Arizona – os olhos –


“Romanov?” Pensou Louise se comunicando com Deric, eles eram irmãos e tinham o poder de se comunicar mentalmente.

“Neta de Jared e Ginerva Romanov, filha de Philip e Sayllor Romanov” Explicou.

“Uma herdeira do Clã Romanov? Não é possível, estão todos mortos”

“Nem todos” Sorriu.


— E desde então ela vive trancafiada em casa, só saí para ir para o colégio, não tem amigos, apenas o irmão que é quatro anos mais velho que ela e que passa a maioria da tarde com os amigos treinado para o campeonato de Hockey – Dianna os interrompeu – Já tentamos fazer de tudo, psicólogos, médicos, benzedeiras, mães de santo...


“Mães de Santo? Essa mulher é louca”

“São humanos Louise”

— Talvez pudéssemos conversar com ela – disse Deric –

— Acho melhor não, a última pessoa que tentou se comunica com Victória urrou de dor por dois meses – murmurou alerta – Creio que não vão querer correr esse risco.

— Não se preocupe – Deric sorriu – Trabalhamos com pessoas assim... Digo, especiais – explicou –

— Hmn, certo – disse Dianna incerta – Podem ir lá, prefiro ficar aqui – sorriu de lado –

— Ok

— Boa sorte – murmurou –


Os dois fitaram a mulher e passaram a seguir para a sala, onde Victória estava deitada de ponta cabeça no sofá, e o livro que antes segurava agora flutuava aberto na frente do seu rosto de ponta cabeça, a menina o lia despreocupadamente.


— Maneiro – disse Louise se aproximando da menina –


Victória se assustou e com o impulso que caiu no chão, fez o livro voar para o outro lado da sala.


— Desculpe – disse Deric –

— Oque querem? – perguntou a menina, direta –


“Devem ser do manicômio, já não era sem tempo minha mãe ligar” Deric ouviu um pensamento resmungado vindo da menina.


— Não somos do manicômio – respondeu o homem fazendo a menina arregalar os olhos claros –

— Não se assuste, podemos ler pensamentos – sorriu Louise –


Victória arqueou a sobrancelha e os fitou.


— É sério, você não é a única pessoa diferente aqui – disse Louise mudando a cor do cabelo preto para laranja – Viu?

— De mais – disse a menina se sentado ao lado da mulher e mexendo no cabelo alaranjado – Oque vocês são? – os olhou desconfiada –

— Somos Aurores – disse Deric –

— Caçam seres das trevas? – perguntou debochada – Vem cá, se vieram me fazer de idiota estão perdendo seu tempo – rui — Eu leio Harry Potter tá legal? Não vai ser inventando as coisas que tem no livro que vocês vão me levar – se levantou irritada do sofá, seu corpo começara a pegar fogo, um fogo azul arroxeado –

— Não estamos inventando nada querida – disse Louise calmamente – Nós somos Aurores, caçamos vampiros que estão fazendo o mal ao invés de usar as suas habilidades para o bem – explicou –

— Oque está querendo dizer com isso?

— Olha – disse Deric se aproximando da menina – Nós trabalhamos para o Saint Fleur Dominiqué.

— Está vendo, Fleur, até o nome dos personagens vocês resolveram colocar – bufou – E outra, esse colégio está em Ruínas a milhares de anos – murmurou se jogando no sofá novamente –

— Para os humanos, você já foi até lá para ver?

— Não

— Pois é, se você for lá você verá um enorme castelo, rodeado por um enorme muro de pedra. O castelo é guardado a sete chaves por enormes lobos – disse Deric – Humanos não o vêem, apenas vampiros – explicou –

— E oque eu tenho a ver com isso?

— Victória Hoppe Romanov, Romanov é o nome de um antigo Clã Real do Arizona – disse Louise –

— Clã Real?

— Sim, um Clã muito poderoso, diga-se de passagem, eram compostos por Jared e Ginerva Romanov, seus avôs, Philip e Sayllor Romanov, seus pais, Mattew, Renné e Jazmin Romanov, seus tios.

— E onde estão agora?

— Mortos – murmurou Louise –


“Mortos”,”vampiros” martelava em sua cabeça.


— Espera – se levantou – Você estão querendo dizer que eu faço parte de um Clã, e que minha família está morta? Falam disso na maior naturalidade? Qual é o problema de vocês? Como me encontraram aqui? Andaram me perseguindo?

— Claro que não, estamos aqui por causa de Bonnie Clark uma vampira dissimulada que está matando toda a cidade por prazer, viemos matá-la, te encontramos por acaso – explicou Deric -

— Olha – seus cabelos agora pegavam fogo – Eu não sou uma vampira tá legal? Eu não tenho vontade de atacar ninguém, nem vontade de beber sangue, eu como comida humana normal, não tenho super força e nem super velocidade, não tenho super audição nem super faro.

— Mais seu cabelo esta pegando fogo – disse Louise provocativa –

— Ah isso, devem ter jogado alguma magia negra em mim – rolou os olhos –

— Preste atenção Victória, você ainda está em processo de transformação, está apenas com onze anos, haverá muitas mudanças, você não será assim pra sempre, seus olhos não serão mais azuis, seu cabelo vai escurecer e você vai crescer demasiado rápido – disse Deric – É tudo uma questão de tempo.

— Partiremos essa noite para Lourdes, recebemos informações de Bonnie estar lá. Quando for à hora nós estaremos aqui, no dia da sua transformação – e falando isso eles simplesmente foram embora –

— Gente estranha – Victória suspirou –


Mais foi o que aconteceu. Eles voltaram.