Vampire Diaries: Secrets.
4 Me desculpa, eu fui um idiota.
Notas iniciais
“Estou desmoronando tentando ser outra pessoa. Queria que você estivesse lá para me levar para casa. Para que eu não tivesse que me sentir sozinha.”
The Pretty Reckless – Heart –´
Eu perdi as duas primeiras aulas do dia, me tranquei dentro do meu carro, liguei meu MP4 e enfiei os fones no meu ouvido, aumentei o volume até machucar meus ouvidos. Era mais difícil eu pensar em alguma coisa com a música muito alta na minha cabeça.
O choro não parava, e eu me odiei mais ainda por estar sendo fraca. Minha cabeça estava um turbilhão de pensamentos, e eu não conseguia acreditar de fato no que havia acontecido alguns minutos atrás. Aquele Stefan, ele me ameaçara, destruíra meu celular e havia me atacado ontem a noite, me mordido. E embora eu não quisesse lembrar disso: Ele possivelmente havia bebido meu sangue. O que ele era?
Eu só conseguia pensar em uma hipótese.
Demorou para eu perceber o som de batidas leves no vidro do carro. Ergui meus olhos e vi Jensen, a segunda pessoa nesse planeta que eu não queria ver naquele momento. Tirei os fones e perguntei, ainda chorando, o que ele queria.
– Abre a porta, Elena. – ele soava anormalmente sério.
Eu obedeci. Abri a porta e ele sentou-se no banco ao meu lado.
O cheiro do seu perfume foi devastador. No instante seguinte eu estava chorando mais uma vez: dessa vez tudo estava vindo à tona, porque Jensen fora capaz de fazer aquilo comigo? Porque ele não havia sido sincero desde o começo? Porque ele não podia ter chegado para mim e dito: Não quero mais namorar com você, Elena?
– O que aconteceu? – ele perguntou, jogando os cabelos loiros que insistiam em cair sobre seus olhos para trás. Jensen parecia mais abatido, seus olhos verdes perderam o brilho e sua pele estava sem cor. Ele estava usando seu costumeiro visual de roqueiro, botas pretas e pesadas e camisa com estampa do Metalicca, de repente eu havia me esquecido que ele tocava numa banda também. Mas apesar de todas essas lembranças somente a sua mera presença ali fazia todo o meu corpo ansiar por um beijo, por um abraço. E eu sabia que tinha que resistir a esse desejo.
– Por favor, Jensen. Eu só preciso ficar sozinha. – respirei fundo, relaxando um pouco e secando minhas lágrimas com a manga da blusa. – Não aconteceu nada.
– Não precisa me contar nada. Eu só queria que soubesse que o que aconteceu ontem...
Eu o interrompi, elevando o tom de voz e buscando os últimos resquícios de força de vontade e autoridade dentro de mim para falar:
– Não quero ouvir seu discurso. Já escutei demais ontem, e eu entendi. Não existe mais nada entre agente, e eu vou aprender a conviver com a dor que isso me causa.
– Elena, — ele segurou minhas mãos e tentou desesperadamente encontrar as palavras certas. – Eu te amo muito. E o que aconteceu ontem foi um erro, não sei por que fiz aquilo.
– Me desculpa Jensen, mas o que aconteceu foi passado. E ficou no passado. Não há nada mais pra conversar. Por favor, saía do carro!
– Você não pode me culpar....
– SAÍA DO CARRO! – gritei, externando a raiva que eu estava acumulando nas últimas horas.
Assim que Jensen desceu do carro eu girei a chave na ignição e dei ré no veículo, saindo depressa do estacionamento. Perder o dia todo de aulas agora me parecia de pouca ou nenhuma importância.
Eu ainda estava pensando na desculpa que ia dar para Tia Jenna sobre o que aconteceu com meu celular, e imaginei por alguns segundos o que aconteceria se eu chamasse a polícia e dissesse que Stefan, o novo misterioso aluno da escola de Mystic Falls, estava me ameaçando de morte.
Engoli em seco, respirando fundo e pisando mais no acelerador. A paisagem do lado de fora do carro corria e mudava constantemente, e só parei quando um cerco da polícia indicou que eu estacionasse na calçada.
Olhei para a fita amarela isolante que delimitava o trabalho dos peritos numa casa e um lampejo de raciocínio brotou dentro de mim. Aquela não era a casa de Daniel Lockwood? Jeremy havia ido para uma festa ali ontem a noite. E agora tudo se encaixava, meu irmão mais novo não estava em casa quando saí para a escola: ele não havia voltado da festa.
– O que aconteceu? – perguntei para um policial alto e careca que me mandara estacionar.
Ele me fitou por alguns segundos, com certeza descobrindo que meu irmão estava ali dentro e que eu realmente merecia saber.
— Alguém morreu. Mas estamos esperando os legistas, então delimitamos o local.
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