Vampire Diaries: Secrets.
13 Matança.
Notas iniciais
“Todos nós tivemos uma época em que perdemos o controle. Todos tivemos tempo para crescer. Eu espero que eu esteja errado, mas eu sei que estou certo. Eu vou caçar novamente alguma noite.”
Scream – Avenged Sevenfold —
NO PONTO DE VISTA DO STEFAN.
Eu me lembrava pouco do que acontecera depois que Eve havia me deixado completamente ferido e jogado no chão da floresta. A dor era excruciante, e eu tinha a impressão de que cada célula do meu corpo queimava e se contorcia de agonia. Fiquei horas parados na mesma posição, olhando o céu azul anil e as nuvens repolhudas que flutuavam, numa calmaria quase sobrenatural. Conseguia escutar o som de bichos que se aproximavam de mim, pequenos mamíferos com o coração pulsando e o corpo cheio de sangue e insetos. Mas eu não conseguia me mover, e imaginei se ficaria assim para sempre.
Mas nenhuma dor era comparada com a sede, que parecia fazer doer todas as minhas veias. Meu corpo ansiava por sangue, meu cérebro parecendo estar sendo espremido de tanto desejo de por a boca em um pescoço e beber, beber e beber. De repente nada mais importava no mundo para mim, e foi nisso que eu pensei quando puxei o galho enfiado com força na minha coxa.
– AHHH! – gritei, sentindo o osso esmigalhando enquanto o pedaço de madeira saía, fazendo jorrar mais um pouco de sangue. Era só uma questão de tempo, algumas horas no máximo, e todos aqueles ferimentos estariam cicatrizados.
E então eu iria atrás de Eve, e dessa vez ela não teria uma segunda chance.
Novamente eu senti a passagem de tempo, me guiando apenas pelo movimento do sol lá no alto, pude sentir a pele do meu corpo se esticando e se repuxando para fechar os diversos machucados e respirei aliviado quando percebi que não sangrava mais.
Gritei mais quando forcei meus braços e me apoiarem, me impulsionando para levantar. Meu corpo inteiro estava grudento de sangue, e havia folhas, terras e formigas correndo por mim. Fixei o olhar no céu, inesperadamente lembrando de Elena, e levantei-me de vez. Demorei a me equilibrar, mas em seguida parei, escutando um barulho de carro se aproximando.
Parecia que vinha do leste, alguns quilômetros atrás da minha casa, quase na fronteira de Mystic Falls com a cidade vizinha. Relaxei, procurando por todos os mínimos detalhes.
Quem dirigia era um homem, pude escutá-lo conversando ao celular, e voltava do trabalho para a hora do almoço. Quase pude sentir o cheiro do seu sangue e escutar o coração forte bombardeando sangue pelo seu corpo. Estiquei os dentes, a sede trazendo de volta meus instintos primitivos. Agora era tarde demais, quem deve ser caçado era algo pra se decidir antes de farejar a presa. Porque depois já se tornou tarde demais para fazer qualquer escolha.
Virei-me na direção da minha próxima vítima, e corri o mais rápido que conseguia. Parei nas sombras de um grande carvalho retorcido pelo tempo, avaliando como e quando atacar.
O homem estacionou seu carro na frente da casa e desceu falando ao celular. Pelo que pude escutar era uma conversa que se tratava de negócios, e não prestei mais tanta atenção. Virei minha concentração na direção da casa, os sons inconfundíveis vindos lá de dentro me dizendo que havia alguém lá. A esposa do homem conversando ao celular, talvez.
Saí das sombras da floresta, correndo na direção do homem, que até então não percebera que sua vida estava prestes a chegar ao fim, rugi baixinho e, sem conseguir pensar duas vezes, pulei em suas costas e estraçalhei sua jugular. Sorvendo o sangue com grandes goles. Ele mal havia percebido o que o atacara, e em segundos estava morto.
Mas o problema com os humanos é que eles secavam rápido demais, e alguns minutos depois não havia mais nenhuma gota de sangue em seu corpo. E a sede dentro de mim ainda continuava, é claro que bem mais amena, mas eu ainda precisava beber mais.
Parecendo que havia lido minha mente, a esposa do homem que eu acabara de matar abriu a porta da frente, talvez vindo ver o motivo do marido estar demorando tanto, e estacou na varanda assim que me viu debruçado sobre o corpo morto. Ela ia gritar, mas conteve o grito.
– O que você fez com ele? – perguntou, saindo correndo da proteção que sua casa lhe fornecia, já que eu nunca poderia atacar ela lá dentro porque eu nunca fora convidado a entrar. – ELE ESTÁ MORTO?
Ela estava desesperada, e sacudia os braços sem saber o que fazer. Mostrei meus dentes para ela e pulei sobre seu corpo, matando-a rapidamente assim como eu fizera com seu marido.
Alguns minutos depois, joguei os corpos para dentro da casa e usei alguns pedaços de madeira e as cortinas das janelas para iniciar um incêndio. Aquilo deveria dificultar o trabalho da polícia, que talvez nunca ligasse aqueles assassinatos a minha pessoa.
Tomei um banho na minha casa e saí uma hora depois para vigiar Elena, eu tinha que ter certeza de que ela estava bem.
Porque eu era o único que devia matá-la.
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