Notas iniciais
Outro capítulo, espero que gostem e deixem reviews.

"Bem, se você queria honestidade, era só me dizer. Eu nunca quis te decepcionar ou te fazer partir, é melhor desse jeito.”

I’m not okay – My Chemical Romance


– Uau, o treino de educação física de hoje foi realmente difícil. – reclamou Bonnie, enquanto massageava o ombro, o rosto contorcido por uma fisionomia dolorida. – Eu sinto que posso deitar na minha cama e dormir até o Natal.

Eu sorri, concordando em silêncio com as palavras dela. Sorte de Caroline que não havia vindo pra a escola hoje.

– O professor Gibbins é um cretino sem alma. Se eu fosse uma bruxa mais talentosa ele nem ia saber o que o acertou.

Estávamos descendo as escadas na direção da porta de saída, a escola parecendo deserta àquela hora.

– Você continua com essa idéia de que é uma bruxa? – Bonnie não falava de outra coisa nas últimas semanas, principalmente depois que ela descobriu que ela e a avó eram descendentes de algumas mulheres que foram mortas na fogueira em Salém acusadas de bruxaria. – Bonnie, nem tudo nessa vida dá pra se resolver com magia.

– Não comece, Elena. Me deixe viver no meu sonho, mesmo que ele dure apenas alguns dias.

– Oh, droga! – xinguei, percebendo que minha bolsa de ginástica não estava comigo. – Eu devo ter esquecido na quadra, eu lembro que nos sentamos nas arquibancadas quando terminamos a aula.

– Quer que eu volte com você?

– Não precisa, vai pra casa. Eu te ligo mais tarde pra combinarmos de estudarmos juntas. Fale com Caroline.

Me despedi de Bonnie, subindo novamente as escadas na direção do segundo andar e virando a esquerda no corredor que levava a quadra de esportes. Tateei minha mochila procurando meu celular e disquei o número de Jensen, eu não o tinha vista desde ontem. Mas o celular tocou, tocou e ninguém atendeu.

Entrei no ginásio andando depressa, e correndo com os olhos toda a arquibancada em busca da minha bolsa. Se eu a perdesse não queria nem imaginar o que iria acontecer, meu dinheiro estava nele, minhas roupas de ginástica... Meu diário.

– Oh, Deus! Me ajude, eu não posso perder essa bolsa.

Meus olhos pararam num ponto distante, nas arquibancadas do outro lado da quadra, onde uma bolsa de lona parecia estar caída entre as cadeiras. Atravessei o lugar com certa dose de alegria, interiormente eu senti que poderia flutuar de alívio.

Eu agarrei a bolsa, me certificando de que nada estava faltando, quando de repente ouvi um barulho vindo da parte mais escura do ginásio, logo atrás da arquibancada. De repente o estranho barulho de lábios se tocando, e um gemido baixinho de prazer.

Me senti envergonhada, e por isso mesmo saí devagar da arquibancada, tentando fazer o menor som possível, porque tudo que eu menos queria era atrapalhar o momento de intimidade de algum casal qualquer. Estava caminhando na direção da porta de saída quando a voz da menina chamou um nome conhecido.... Jensen.

Virei-me na direção da voz, sem pensar duas vezes e pouco me importando se estava sendo barulhenta ou não. Apenas queria me certificar de que eu estava ficando neurótica, e que estava escutando o nome do meu namorado em qualquer lugar e qualquer ocasião.

Mas nesse momento eu estaquei horrorizada, surpresa, deprimida, triste... Senti minha cabeça girando vertiginosamente e eu tive certeza de que a dor lancinante, quase física, em meu coração fosse um indício claro e incontestável de que o mundo estava se abrindo sob meus pés e me engolindo sem piedade alguma.

Jensen, que beijava uma garota que eu nunca vira antes com uma doçura que ele sempre parecera reservar para mim, notou minha presença. Desgrudou seus lábios dela, que não pareceu ter gostado da minha intromissão, e me olhou com uma cara extremamente confusa, fitou a garota desconhecida mais uma vez e em seguida pareceu tomar consciência do que acabara de fazer.

– Elena? — aquilo fora uma indagação bastante vã, como se ele próprio não soubesse o que estaria fazendo ali. – Eu, Elena... Eu não sei como explicar. – percebi que o desespero tomava o lugar da confusão dentro dele. Sua fisionomia se transformou numa máscara de dor e eu pude sentir sua aflição presente. Todo o ginásio girou mais e senti uma vontade forte de chorar. Mas as lágrimas não saíam.

– Eu estou atrapalhando vocês. – fiquei surpresa por conseguir encontrar minha voz. – Estou saindo. – virei-me e tentei encontrar o caminho até a saída.

Jensen me seguiu, lançando frases que eu mal prestava atenção. Eu queria sair dali. Apressei os passos.

– Elena, por favor!

Não quis ouvir, sacudi minha cabeça, como que para espantar uma mosca impertinente, e esbarrei na porta de saída. Demorei a abri-la, mas minutos depois eu saía para o corredor parcialmente vazio e vaguei sem rumo.

Jensen segurou meu braço, e ao seu toque as lágrimas vieram.

– Elena, espere, por favor. – sua voz tremia, eu nunca havia visto ele assim. Aquilo me desesperou mais. – Me ouça!

– Me larga, eu estou ordenando. Me solta! – eu estava ficando mole, não conseguia acreditar bem se teria forças para andar. O mais provável era que eu caísse no chão, sem forças e sem vida.

Ele soltou meu braço sem relutar, mas continuou falando.

– Eu te amo, Elena. – por algum motivo aquilo não soava mais bonito como antes, agora era sujo e podre aos meus ouvidos. Larguei-o e continuei andando, tentando desesperadamente sair dali... Aquela escola estava ficando sufocante.

Jensen gritou meu nome novamente, mas eu continuei caminhando sem olhar para trás uma única vez. As lágrimas rolaram com mais força, turvando a minha visão. Sequei-as com as palmas da minha mão, porém uma nova enxurrada de lágrimas desceu.

Esquece, eu nunca mais vou conseguir parar de chorar.

Notas finais
Se gostarem deixem reviews. :)