Vampire Diaries: Secrets.
15 Escrito com sangue.
Notas iniciais
“E se eu desmoronar, se não pudesse mais aguentar? O que você faria?”
The Kill – Pitty e 30 Seconds to Mars.
– Alguma notícia dele? – perguntei, assim que Caroline atendeu o celular. Bonnie e ela haviam aceitado em nos ajudar na procura de Jeremy, e eu não sabia o quanto era grata as duas.
– Não, Elena. Desculpa, mas vamos continuar procurando.
Assim que desliguei o celular, dei marcha ré no carro e virei na direção contrária, para percorrer o lado mais industrial de Mystic Falls, sempre muito pouco movimentado aquela hora da tarde. Mas eu estava disposta a qualquer coisa para encontrar meu irmão mais novo, e enquanto dirigia, a voz de tia Jenna tentando contar o que acontecera ecoava na minha mente.
– Ele sumiu! – disse tia Jenna, enquanto tomava um copo de água na cozinha para tentar se acalmar. – Eu o deixei por alguns minutos para ir comer alguma coisa, e quando voltei ele havia sumido. E ninguém no hospital pareceu vê-lo. Querida, estou tão preocupada com o Jeremy!
Em seguida todas havíamos saído para procurá-lo, cada uma comprometida a vasculhar uma parte diferente da cidade. É claro que havia a possibilidade de chamar a polícia, mas eu e tia Jenna combinamos que deixaríamos isso como último recurso: nossas vidas já estavam cheias demais com inquéritos e delegacias para avisar a polícia sobre o sumiço de Jeremy.
Minha cabeça estava uma bagunça, e minha vontade era cavar um buraco no chão e sumir dentro dele. Há uma hora atrás eu, Caroline e Bonnie estávamos conversando com espíritos sobre Stefan ser um vampiro, e agora meu irmão mais novo drogado havia desaparecido. De repente tudo que eu mais queria era pegar uma moto e sumir de Mystic Falls para sempre.
Meu celular tocou nesse momento, e enquanto eu atendia, mandando pro inferno as leis que proibiam o uso de telefone enquanto se dirigi, vi o nome no identificador de chamadas e reclamei baixinho.
– Oi, Jensen. – falei, tentando desesperadamente me concentrar na rua mal iluminada à minha frente. – Mil desculpas, mas eu realmente não posso falar agora. Estou atrás do meu irmão... Ele meio que sumiu do hospital.
Ele parecia extremamente sério, e sua voz soou como um pai. O que me deixou estranhamente alarmada.
– É por isso que eu estou ligando, Elena. Eu encontrei o Jeremy.
– SÉRIO? – gritei, sentindo uma confortável sensação de paz. O alivio pareceu ficar bastante evidente em minha voz, porque Jensen sorriu pela primeira vez. – Onde vocês estão? Estou indo imediatamente para ai.
Ele explicou tudo detalhadamente, dizendo que havia encontrado Jeremy sentado num antigo ponto de ônibus na frente de uma fábrica desativada. Eu lembrei do local, e de acordo com o GPS do meu carro eu estava há menos de 10 minutos de lá.
A noite começava a cair sobre Mystic Falls quando eu estacionei meu carro numa calçada completamente destruída à beira da fábrica que Jensen dissera. Desci sem ao menos desligar o motor e corri na direção de Jensen e Jeremy, que não parecia realmente feliz em me ver ali.
– Jeremy, eu estava tão preocupada. Todos ficamos, tia Jenna está à beira de um ataque de nervos. – ele não me olhava nos olhos, o rosto extremamente contorcido de raiva. Segurei seu queixo e levantei seu rosto na minha direção. – Está ouvindo? Você não deveria ter fugido desse jeito. É perigoso.
– Dane-se, — ele respondeu, soando extremamente irônico. – ninguém se importa mesmo.
– Ninguém se importa? – eu estava começando a ficar com raiva de toda aquela situação, e de repente minha vontade era avançar em cima de Jeremy e bater nele até que eu cansasse. – Eu estou aqui fazendo o que se não me importasse? Tia Jenna estaria cuidando da gente se ela não se importasse? Jer, cresça um pouco. Nós não temos mais nossos pais para passar a mão nas nossas cabeças.
Ele levantou-se do banco com raiva, avançando na minha direção como um touro numa arena. Sua fúria era tão grande que Jensen ficou entre nós dois.
– Olha o que você vai fazer, Jeremy. Ela é sua irmã e se preocupa com você.
– Ela é minha irmã, você disse muito bem! – gritou Jer, parecendo perder mais ainda o controle a cada minuto que passava. – VOCÊ NÃO É MINHA MÃE ELENA! – ele se jogou para cima de Jensen, na tentativa de avançar em cima de mim. – E se eu pudesse escolher eu desejaria que você tivesse morrido no lugar dela! MORRA ELENA!
– Você está sendo injusto, Jer. Isso não é coisa que se diga.
Jeremy de repente parou, percebendo que não poderia enfrentar Jensen, que não saia da minha frente. Percebi que não tinha mais palavras, estava esgotada, destruída.
– Quer que eu o leve pra casa, Elena? – perguntou Jensen, me olhando de forma carinhosa. – Seria mais seguro para você. Meu carro está logo ali.
Eu aceitei imediatamente, sabendo que haveria mais discussões caso Jeremy fosse comigo no meu carro.
– Obrigada, Jensen. Leve-o para bem longe de mim. – virei-me e apressei os passos na direção do meu carro. Só quando estava lá dentro é que deixei as lágrimas rolarem sem preocupação, e dirigi para casa o mais rápido que conseguia. Eu estava contando com a possibilidade de que Jensen ligasse para tia Jenna, dizendo que Jeremy estava bem, porque não estava com cabeça para falar com mais ninguém, tudo que eu esperava era cair na minha cama e dormir até quando eu conseguisse.
Mas assim que eu abri a porta do meu quarto, finalmente conseguindo segurar o choro, eu estaquei de susto. Alguma coisa havia acontecido ali, e não era nada bom.
Tudo estava destruído, a cama revirada, meu pertences jogados de qualquer jeito pelo chão, as cortinas rasgadas e os vidros das janelas completamente aos pedaços. Mas o que mais chamou minha atenção foi o que escreveram na parede do quarto, com um tipo de tinta que lembrava terrivelmente sangue.
MORRA ELENA! MORRA! MORRA!
Nesse momento meu celular tocou, e eu demorei a atender. Era apenas uma outra mensagem de texto, e eu não acreditei naquilo que estava lendo.
Gostou da minha surpresa no seu quarto? Deve ter doído ter escutado aquilo do próprio irmão, não é?
Assinado: Eu sei de tudo.
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