Vampire Academy - (Terra das Sombras)
49 Capítulo 49 - Meias Verdades
Notas iniciais
Me perdoem pela demora, mas eu estive enrolada :(
Ahhhh OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS E RECOMENDAÇÕES! Vocês são 10!!!
Gente mudei de opinião referente ao último capítulo! Está muito grande por isso, estou dividindo em dois!
Acho que hoje posto o último e me perdoem, mas tenho que fazer as coisas bem certinhas :)
Beijinhossss
*COMENTEM E RECOMENDEM*
O tempo na Pensilvânia estava fechado e a neve cobria quase que completamente os acessos rodoviários, para que conseguíssemos chegar a Corte Real. Felizmente, nada se comparava ao inverno rígido e frio, da Sibéria. Mas mesmo assim, Dimitri teve que rebolar um bocado, para que desviássemos nosso carro das geleiras, por diversas vezes. O som dos pneus derrapando, me davam uma estranha sensação de deja vu.
-As pessoas deveriam se reunir e colocar sal por aqui – Comentei enquanto, observava os pinheiros cobertos de gelo da estrada, pelo vidro embaçado do carro. Eu estava sentada ao lado de Dimitri. Ian e Alice estavam no banco de trás, tentando inutilmente ler alguns relatórios que haviam ficado, de St. Chekhov. Segundo Dimitri, por mais que estivéssemos na Corte, estaríamos a trabalho e isso implicaria, em minha permanência por muito tempo, com Lissa ou qualquer amigo meu, que eu trombasse por lá. Antes que saíssemos da Rússia, eu prometi a ele que seguiria suas ordens à risca, mas ele teria que me dar espaço. Isso estava funcionando bem demais, até agora.
-Isso se resolveria com toneladas de sal, para que uma tempestade de neve, no dia seguinte fizesse com que todo o processo recomeçasse do zero. – Ian comentou e eu me virei no meu assento, para olhar para ele. Sua expressão era uma mistura irônica e divertida. Marca registrada de Ian.
-Pior que você tem razão – Bufei. Alice também me fitou, levantando um pouco sua cabeça de seu colo. Ela estava embrulhando alguma coisa, em um papel pardo.
-Pra que é isso? – Me senti curiosa.
-Eu acho que meu pai vai estar na Corte – Ela mordeu o lábio e eu prendi a respiração.
-Seu pai? – Perguntei ao meu tempo que Ian.
-Eu...er...Não costumo falar muito dele, mas eu sempre falo com ele e recentemente me enviou uma nota, falando que talvez apareceria pela Corte. – Alice corou um pouco, conforme deixava explícito, seus assuntos pessoais.
Não pude controlar minha curiosidade por aquilo. Sim, Dhampirs eram gerados a partir de relações entre Moroi e Dhampirs, mas na maioria das vezes, éramos tratados como gado humano, sendo que mal importava quem na verdade havia nos concebido e sim, o resultado de tudo aquilo. Nada se passava do que um investimento para salvar a bunda dos poderosos. A parte mais revoltante de tudo aquilo, era que ainda éramos discriminados, como se os Moroi estivessem fazendo um grande favor em fazer sexo com as Dhampirs, para que gerassem outros Dhampirs e assim, sucessivamente. Quando Alice citou ter um tipo de relacionamento com seu pai, tive que concordar que isso era algo bastante diferente de entender em nosso mundo. Eu por exemplo, nunca havia conhecido ou sabia nada a respeito de meu pai. Janine apenas dizia que eu ter nascido, era algo que ela definitivamente não planejava. Ótimo, eu com toda a certeza me sentia melhor assim.
-E esse presente é para ele? – Ian perguntou, fitando os olhos de Alice. Senti uma urgência de virar, quando percebi que ela havia ficado ainda mais vermelha. Alice estava tendo problemas bem sérios, para deixar as pessoas e principalmente os homens, se aproximarem dela.
-Chegamos – Dimitri interrompeu nossa pequena confraternização e eu me virei para frente novamente. Os portões da Corte Real, ainda eram os mesmos, como quando eu havia os visto pela última vez, há anos atrás. Dois guardiões se aproximaram do carro, lutando contra a força da neve.
-Guardião Belikov – Um deles saudou Dimitri e logo passou a vista para o banco de trás. Dimitri abaixou mais o vidro e eu gemi, quando um pouco de neve entrou no carro.
-Pode abrir o portão para mim? – Ele pediu ao guardião, que rapidamente sinalizou para o outro, parado próximo dos pesados portões.
Quando finalmente entramos, Dimitri parou em uma área coberta, que me lembrava do estacionamento de Carro, de St. Chekhov. Descemos do carro e eu tive que lutar contra a gravidade, para que não começasse a derrapar em um pouco de neve no chão.
-Merda de neve – Bufei, enquanto arrastava minha mala, para fora do carro. Dimitri apenas sorriu e agitou sua cabeça pra mim. – Não ria camarada – Resmunguei e dessa vez não evitei cair no chão, quando minha distração tornou impossível, meus pés de caminharem em sincronia. –Merda mil vezes – Repeti, quando percebi os risos abafados de Ian, Alice e Dimitri. Tive sorte pelos outros guardiões, estarem de volta a seus postos.
-Vem cá – Dimitri se aproximou e me ajudou a levantar do chão. Segurei firme sua mão, para que não caísse novamente, enquanto pegava minha mala.
-Acho que quebrei algum osso – Resmunguei, pela dor latejante em meu traseiro.
-Está tudo okay – Dimitri demorou seu olhar em mim e eu logo, dei um tapa em seu braço. –Acho melhor irmos antes que... – Comecei a falar, mas fui interrompida quando uma cabeleira loira platinada, invadiu quase que totalmente minha visão periférica.
-Lissa! – Respondi depois de controlar minha voz engasgada pela surpresa. Ela olhava para mim sorrindo de uma forma, que a tornava com um aspecto mais infantil. Ao seu lado, Christian tinha a mesma expressão irônica de sempre e Adrian, sorria de uma forma misteriosa e eu diria, apreciativa demais.
Ignorei tudo aquilo e comecei a correr em sua direção, rezando para que minhas botas não me atrapalhassem dessa vez. Quando finalmente a alcancei, pulei em seus braços, derrubando nós duas no chão.
-Rose estou morrendo sufocada – Ela protestou rindo, enquanto eu a abraçava.
-Oh me desculpe – Me distanciei e a puxei do chão.
-Rosemarie – Adrian me saudou sorrindo. – Fico feliz em vê-la.
-Obrigada – Me forcei parecer gentil, mesmo que eu estivesse querendo socar a cara dele, por influenciar Lissa a trabalhar com magia.
-Você continua a mesma, mesmo apanhando dos Strigoi – Christian me encarou com seus profundos olhos azuis irônicos. Cerrei um pouco meus olhos.
-E você continua irritante e imbecil – Comentei sorrindo maliciosamente. Ele quase que automaticamente, engasgou um pouco pelo desconforto.
-Não briguem! – Lissa entrou no meio da discussão, ainda sorrindo, mas notei um pouco de autoridade em sua voz. – Sua mãe já chegou e estava com um cara estranho. – Ela franziu um pouco seu cenho para mim.
-Abe Mazur – Virei os olhos, me sentindo absurdamente irritada, quando me lembrei da figura irritante e bizarra de Abe.
-Rose... – A voz suave e com um sotaque carregado de Dimitri, soou perto dos meus ouvidos sensíveis. Automaticamente meus olhos foram para os de Lissa, que encarava Dimitri de uma forma admirada. Notavelmente isso era esperado, uma vez que Dimitri se assimilava perfeitamente a um Deus Grego Russo. Ao menos, para mim. –Esse é Dimitri. – Me senti na obrigação de apresenta-lo a Lissa, embora minha voz não saísse regular. Christian segurou um riso abafado, enquanto Adrian avaliava Dimitri.
-Dimitri Belikov – Ela ergueu sua mão para ele, que prontamente a pegou.
-Princesa Dragomir – Ele a cumprimentou e eu senti, uma pontada de ciúmes.
-Ouvi falar muito de você – Lissa disse automaticamente e eu me senti ruborizar, de uma forma violenta. Christian agora ria e Adrian, parecia um pouco confuso.
-Vasília? – Uma criada chamou timidamente Lissa. Ela estava parada próximo da entrada do estacionamento e não parecia muito disposta a caminhar mais. –Sua tia está precisando de você agora. – Pela postura autoritária da mulher Moroi, ela era uma governanta. Lissa virou os olhos.
-Vou ter que ir Rose, mas nos vemos mais tarde. – Ela pegou minhas mãos nas suas. Senti uma tremenda ansiedade passando por nosso laço, que se fazia mais forte, quando estávamos tão próximas assim. – Tia Tatiana quer que eu a ajude a escolher as coisas que faltam para a ceia natalina. – Lissa voltou a virar os olhos e entendi que isso já estava começado a aborrecê-la. Tatiana era conhecida por todos, como uma pessoa extremamente perfeccionista e que mesmo que tivesse pessoas para decidir coisas como estas, ela mesma queria se intrometer em tudo. Eu imaginava como era discutir com ela assuntos, como a cor da mesa de jantar, quando o mundo ao redor, estava literalmente pegando fogo.
-Tudo bem – Toquei seu rosto – Eu tenho mesmo que ir com Dimitri e os outros, mas depois passo para te ver – Forcei um sorriso.
-Pedi para que seu quarto fosse próximo do meu – Ela franziu o cenho e logo, não conteve seus braços ao redor de mim. –Senti tanto sua falta – Ela me abraçava com força.
-Eu também Liz — Mexi em seu cabelo. – Mas agora estamos fazendo papel de palermas, na frente dos outros – Sussurrei em seu ouvido e ela se distanciou sorrindo.
-Tem razão. – Ela pegou na mão de Christian e logo começou a partir, ao lado de governanta, com Christian ao seu lado. – Te vejo mais tarde.
Enquanto a via partir, Ian e Alice, se aproximaram.
-Essa então é sua protegida – Ian comentou.
-Na verdade é mais do que isso – Comentei distraída. – Sou sua guardiã de perto, junto com outra pessoa que ainda não conheci. – Dei de ombros, enquanto me virava e puxava minha mala.
-Eu acho que vai ser uma barra para você dividir ela com alguém – Alice riu um pouco e eu a fitei concordando.
-Eu não preciso de mais ninguém, para cuidar dela – Comentei vagamente.
Seguimos para o dormitório dos guardiões, que ficava bem ao lado do prédio principal. Por mais que eu insistisse em ficar perto de Lissa, Dimitri havia se posto relutante. Ele alegava que estávamos lá a trabalho e que a rainha nunca iria permitir, que Dhampirs se misturassem com Moroi, em sua própria casa. Dessa forma, acabei dividindo um quarto com Alice e Dimitri, com Ian.
-Você não acha que Dimitri parece um pouco pálido? – Alice comentou, enquanto me via separar os presentes em cima da cama. Nosso quarto provisório, agora estava ganhando um pouco de cor e personalidade, conforme jogávamos roupas e acessórios, por todos os lados.
-Por que diz isso? – Perguntei, me sentando na cama.
-Eu não sei... Ele parece como se estivesse indo para a forca – Alice franziu o cenho e eu ri.
-Eu não acho isso. Talvez ele apenas esteja com frio.
-Rose você é meio devagar mesmo – Ela comentou virando os olhos. Tentei fazer uma rápida nota mental, de seu temperamento, desde que havíamos chegado à Corte. Dimitri sim estava um pouco mais reservado, mas eu acreditava ser, por que estávamos de certa forma a trabalho ali. Fazia um pouco mais de duas horas que havíamos chegado e ele estava me evitando um pouco.
-É verdade – Comentei. – Mas mesmo assim, acho que é por causa do trabalho. – Dei de ombros.
-Se você diz – Alice disse em um tom tão suspeito, que eu não consegui, evitar olhar para ela.
-Desembucha- Fui direta – O que você acha?
Uma batida suave na porta, fez nossa pequena conversa, dissipar.
-Entre — Gritei e logo a figura de Janine, apareceu em minha visão.
-Olá Rose – Ela entrou no quarto, ao mesmo tempo em que Alice levantou da cama.
-Eu acho que vou ver se Dimitri, precisa de algo – Ela disse não me dando nem tempo, de pedir para que ela ficasse.
-Ótimo – Desviei meu olhar de Janine e me voltei, para os presentes na cama. – O que você quer?
-Só vim saber como você estava e dizer, que Abe também já está na Corte.
-Que maravilha – Cerrei os olhos. – Mais alguma informação? – Amarrei meu cabelo, em um coque malfeito, enquanto aguardava.
-Por que você é tão respondona? – Janine aumentou um pouco sua voz. – Estou tentando conversar com você, mas é quase impossível. – Ela se defendeu.
-Então não converse! Olha estou ocupada agora e por favor, me dê licença – Fiz sinal com a mão, para que ela saísse. Tive a nítida impressão que se não fosse pelo termo por favor, ela teria ficado mais irritada ainda.
-Está bem, mas volto depois para nós conversamos – Ela logo saiu pela porta e eu lancei sem pensar, um travesseiro em direção à porta já fechada.
-Merda – Resmunguei, enquanto sentava cansada, no tapete do chão.
Alice voltou um tempo depois para o quarto e eu senti uma urgência terrível em buscar Lissa. Uma consulta prévia em sua mente, me deixava claro, que ela ainda estava nos aposentos reais e isso, era um problema para mim. Resolvi ignorar e ir atrás de Dimitri no quarto, tentando descobrir o porquê exatamente, de ele estar mais reservado, do que o habitual.
-Rose? – O rosto surpreso de Ian na porta, demonstrou talvez que não fosse uma boa hora. A notar seu cabelo loiro ainda mais despenteado, ele provavelmente estava dormindo.
-Te acordei? – Franzi o cenho em culpa.
-De forma alguma, pode entrar – Ele abriu espaço, para que eu entrasse no quarto. Para confirmar minha desconfiança, a cama dele estava remexida com cobertores, enquanto a que deveria ser de Dimitri, estava intacta.
-Vim procurar Dimitri, mas acho que ele não está aqui – Olhei ao redor, sentando em sua cama.
-Dimitri esta com Vasília – Ele coçou sua cabeça, notavelmente cansado.
-Vasília? – Perguntei confusa. – O que diabos ele faz com ela e sem me avisar?
-Eu não sei, mas tem algo a ver com Tatiana – Ele comentou também confuso. Ian parecia tão desinformado quanto eu o pior, com sono. – Tatiana o chamou para conversar e acho que Vasília estava junto. Foi há poucos minutos, creio eu.
-Será que aconteceu alguma coisa? – Me senti ainda mais confusa. Tecnicamente eu era guardiã dela, mas quando a realidade me alcançou, me lembrei de que eu ainda não era uma guardiã formada. Meu diploma e certificados, estavam em poder de Alberta e Kirova. Provavelmente, ele foi convocado para falar com Tatiana, mas o que Lissa tinha haver com isso?
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