Notas iniciais
Olá!
Tudo bem?
Gente papo sério agora: O número de leitores da fic, tem crescido bastante, o que está contrastando com a participação das leitores em comentários e recomendações.
Vou pedir mais uma vez: NÃO SEJA LEITORA FANTASMA! NÃO LEVARÁ MAIS DO QUE 1 MINUTO PARA VOCÊ COMENTAR!
Dessa forma, fiquei bastante aborrecida e chateada, quando vejo principalmente a falta de participação das leitoras na iniciativa de euzinha pobre escritora, em continuar com a fic.
Se vocês não participarem mais eu vou parar de escrever e estou falando beeeem sério! As as leitoras que também são escritoras, entendem muito bem como é chato você escrever para os fantasmas. Sentir que o público está desanimado.
Dessa forma, cientes de suas compreensões segue mais um capítulo e aguardo comentários e se possível alguma recomendação nova para eu me animar!
Sem mais
Beijos e boa leitura

Meus braços protestando pelo cansaço, era sinal que eu precisava parar. Respirei fundo, enquanto depositava meu arco próximo aos meus pés, no chão. Ajeitei minha postura cansada e forcei o ar a entrar pelos meus pulmões. Senti uma leve fisgada no meu estômago, denunciando a falta de comida a horas.

–Cansou? – Alice estava sentada na grama, próximo de mim e ergueu sua cabeça do livro que estava lendo, para me encarar. Sua expressão era bastante tranquila. –Já era hora.

–Na verdade, eu acho que se tentar mais um pouco, meus braços irão descolar do meu corpo – Forcei um sorriso.

–Você está se saindo bem – Ela comentou otimista. — Bem diferente de mim, que mal consigo disparar a flecha – Ela virou os olhos e eu sorri.

–Eu estou aqui há horas e o máximo que consegui, foram algumas manchas roxas pelo corpo e quase acertar duas vezes, o mesmo guarda que estava passando. – Comentei de mau humor.

–Eu não vejo assim – Alice se levantou de onde estava. – Você está acertando no alvo e com um pouco mais de prática irá detonar qualquer um.

–Eles ainda não voltaram – Comentei vagamente, sem precisar continuar. Alice havia entendido, de que eu falava do grupo de Dimitri.

–A coisa deve ter sido bem feia. – Ela disse – Já são mais de quatro horas da tarde. – Ela continuou pensativamente. — De qualquer forma, vou tomar um banho quente e trocar essa roupa suja – Alice torceu o nariz, quando resolveu olhar sua camisa.

–Eu já vou também – Lancei a ela um olhar rápido – Vou organizar isso aqui primeiro. –Comentei enquanto olhava ao redor.

–Precisa de ajuda? – Ela se ofereceu, mas prontamente dispensei.

–Pode deixar que eu faço sozinha – Falei, enquanto tomava coragem, para começar a organizar as flechas espalhadas pela grama. Eu queria mesmo, era um tempo sozinha.

Uma a uma, as recolhi e juntei em uma mala. Logo em seguida, juntei os dois arcos e os depositei no meu ombro, para começar a andar. Sem que eu completasse dois passos, ouvi uma voz conhecida me chamar. Uma voz que eu inutilmente, acreditava estar a milhares de distância. Janine Hathaway.

–Rose? – Ela me chamou e eu me forcei a erguer a cabeça.

–Sim? -Respondi sem vontade. Pelo visto, ela não tinha sumido dali, como eu queria acreditar.

–Está treinando com arcos? – Ela parecia entretida e até um pouco entusiasmada com a ideia.

–Estou passando o tempo – Respondi, opinando por uma resposta política.

–São fechas de madeira? – Ela apontou para a minha bolsa e eu assenti com a cabeça

–Agora se me da licença, eu preciso ir guardar essas coisas e tomar um banho – Dei mais três passos, mas novamente Janine voltou a falar.

–Rose! – Ela voltou a me chamar. Fechei os olhos com força. A última coisa que precisava agora era minha mãe atrás de mim.

–Sim? – Forcei um sorriso, em sua direção.

–Estou indo embora hoje anoite, mas antes queria te dizer algumas coisas. – Eu quase sorri com essa notícia, mas tentei não transparecer absolutamente nada, em minhas feições. — As pessoas estão começando a fazer os preparativos e escala para o natal. Gostaria de saber, se você tem interesse em ir comigo para a Corte Real nessa data. – Seus olhos eram cautelosos.

Meu impulso inicial foi dizer não, mas a palavra Corte Real, nublou minhas tentativas de negar. Lissa estava lá e com toda a certeza, iria passar as férias de final de ano, ao lado da Rainha. Minha chance de vê-la antes do plano de um ano, estava mais perto do que eu esperava.

–Sim. Eu vou – Tentei não soar tão desesperada, em aceitar o convite.

–Só mais uma coisa – Ela acrescentou. –Abe Mazur pediu para nos acompanhar, nessa data.

O olhar que eu devo ter dado a ela, não passava nem perto do que eu realmente queria dizer. Como se não bastasse aguentar Janine por alguns dias, eu teria que aguentar seu amante agora declarado? Abri e fechei meus olhos, enquanto tentava soar calma. Se eu tivesse um chilique ali, minha chance de ver Lissa antes de um ano, era zero. Querendo ou não, Janine estava me oferecendo uma oportunidade única. O motivo daquilo, embora ainda fosse desconhecido, me dava escolhas que até agora, eram quase impossíveis.

–Okay – Respondi por fim. Ela pareceu um tanto surpresa, mas apenas sinalizou com a cabeça antes de eu virar de costas.

Assim que cheguei ao meu quarto, após guardar todas as minhas bugigangas, resolvi tomar um banho e descansar. As palavras absurdas de Janine, ainda me atormentavam. Lancei um olhar ao relógio de cabeceira da cama e vi que já se passava das cinco horas da tarde. Peguei meu aparelho telefônico prateado, mas antes que discasse os números de Lissa, ouvi uma batida na minha porta. Levantei da cama e ajeitei meu moletom e cabelo, antes de ver quem era. Possivelmente, Janine se esqueceu de falar algo ou até mesmo Alice, precisasse tagarelar mais um pouco. Minhas opções morreram, quando o cheiro do pós-barba me invadiu. Dimitri estava parado na minha porta e já tinha inclusive tomado banho. Seu cabelo úmido, estava solto e ele vestia uma calça jeans escura e uma camiseta de mangas compridas branca. Sem ao menos falar alguma coisa, ele me beijou. O beijo foi rápido mas profundo, transmitindo toda a cumplicidade que tínhamos um com o outro.

–Você está bem? – Segurei seu rosto com uma mão, enquanto ele me olhava. Dimitri beijou o topo da minha cabeça sem dizer nada. –Vem, vamos entrar – O puxei para dentro do quarto e ele sentou na minha cama. Coloquei-me no meio de suas duas pernas, ainda de pé. Dimitri deitou sua cabeça no meu peito e eu ouvi sua respiração descompassada.

–Eu cheguei não faz nem uma hora – Ele respondeu, enquanto eu mexia em seus cabelos, passando conforto. –Assim que consegui, já vim te ver.

–Eu estava preocupada – Fui sincera. – Como foi tudo lá?

–Tivemos que limpar a carnificina daqueles malditos – Dimitri aumentou um pouco seu tom de voz e eu notei sua raiva.

–O guardião dos Badika? – Sugeri e ele mexeu sua cabeça, em concordância.

–Rose... – Dimitri se distanciou do meu peito, para olhar meus olhos. –Eles transformaram uma casa noturna em um verdadeiro caos. – Seus olhos eram suplicantes e denunciavam toda a sua angústia e raiva. –Mataram pelo menos cinco ou seis humanos. Por que nem isso, ainda temos certeza. – Ele bufou. — Só se restaram pedaços de carne e um banho de sangue por toda a parte.

As palavras eram duras. Meu sangue gelou conforme elas eram pronunciadas. Mas mesmo assim, tentei soar mais firme do que eu realmente estava. Dimitri estava suficientemente abalado e se me visse assim, poderia ser ainda pior.

–O que dizia o maldito bilhete que encontraram junto com o guardião morto? – Fechei minhas duas mãos em seu rosto e ele colocou as suas na minha cintura, me aproximando mais dele.

–Lá estavam escritas coordenadas para acharmos a casa noturna. O corpo estava em um depósito velho, a poucas quadras do local. – Ele pausou por um momento– Por isso, Daniella estava tão brava quando saiu. Eles estão jogando com nós. Estão exibindo seus troféus. – Seus olhos queimaram em mim.

Antes que eu pudesse formular uma pergunta, Dimitri tirou um pequeno papel amassado do bolso e entregou para mim. O abri com cuidado e notei algumas manchas de sangue. A letra era um verdadeiro garrancho, mas consegui entender muito bem. Era um endereço abreviado e em baixo, uma assinatura. Um dedo sangrento.

–Que nojo – O empurrei de volta o papel, enquanto enrugada o nariz.

–Mesmo com a ideia petulante de Tatiana, em achar que eles estão trabalhando separados, isso foi bastante chocante, até para ela. – Ele comentou buscando meu olhar. – Lembra-se daquela mulher Moroi, que estávamos vendo na televisão, quando encontrei você no café? – Puxei pela minha memória e me recordei dos cabelos castanhos e olhos verdes. Era praticamente impossível esquecer aquele dia.

–Lembro sim – Comentei prontamente. – O que tem ela?

–O nome dela é Sônia Karp e eu tenho informantes, que juram de pés juntos que ela é um Strigoi. – A forma como ele havia dito aquilo, não restava dúvidas, que o problema estava bastante longe de se resolver.

–Oh que merda – Virei os olhos.

–Alguém deve ter oferecido a ela, o benefício da escolha – Dimitri escolheu amargamente suas palavras.

–Ainda não encontraram o corpo do Sr. Badika? – O instiguei, temendo que seu futuro fosse o mesmo da pobre mulher.

–Temos um palpite bastante intrigante – Dimitri passou suas mãos pesadamente pelo seu rosto – Vou averiguar pessoalmente isso hoje.

–Do que está falando? – Um pânico crescente, se formou dentro de mim.

–A polícia recebeu a ligação de um humano, informando sobre um grupo de homens pálidos e de olhos vermelhos. Como eles acharam que o homem estava praticamente bêbado, resolveram não dar importância. – Ele pausou para entrelaçar suas mãos nas minhas. – Os humanos buscam por um ou até mesmo um grupo de algum tipo vingador adolescente. – A forma como ele havia dito aquilo, me fez virar os olhos diante da burrice de algumas pessoas. — Estamos conseguindo manter as coisas um pouco por debaixo dos panos, graças à equipe que temos com os policiais, mas está ficando complicado demais.

Eu já ouvira algumas vezes, que existiam equipes Dhampirs de guardiões misturados em todo e qualquer seguimento do mundo humano. Com isso, muitos problemas como cadáveres de vampiros e massacres ocasionais, eram facilmente interrompidos, antes que chamassem a atenção demais dos humanos. Para isso, também contávamos com alguns grupos de alquimistas. Mas nada era melhor, do que se ter um pessoa dentro de uma organização.

–O que esse humano disse? – Sentei ao seu lado na cama, enquanto ouvia atentamente.

–Ele disse que é a terceira vez que vê esse grupo no mesmo bar.– Dimitri suspirou. –E que quando soube do ataque no outro bar, um amigo dele estava lá, basicamente descrevendo o mesmo grupo. É uma rede de festas russas, pelo que entendi e eles agem discretamente, o que é estranho para um Strigoi. E que algumas vezes, estão com algumas mulheres.

–Conseguiu algum nome? Alguma outra coisa?

–Coincidentemente, é o mesmo bar que o Sr Badika foi sequestrado com seus guardiões, há dias atrás. – Antes que Dimitri continuasse, o interrompi.

–Acha que é o mesmo cara que está informando desde a primeira vez? – Franzi o cenho, me recordando de quando houve o anúncio do sequestro. Logo em seguida, somente a notícia dos corpos dos guardiões.

–Talvez. – Ele respondeu vagamente. – A ideia é que eles são audaciosos o suficiente, para continuar no mesmo lugar. A troco de que exatamente?

–No final das contas, eles talvez tenham informantes lá dentro, para estarem vigiando, quando aparecermos por lá. – Pensei por um momento. –Isso explica a ligação anônima no dia do ataque e o recado sobre a nossa falta de competência. – Virei os olhos – E é claro, manter a comida como refém todo esse tempo. Eles querem mostrar alguma coisa para nós.

–Eu não faço ideia do que eles querem ,enviando bilhetes suicidas. Mas eu vou ter que descobrir... – Conforme ele continuava, engrenagens do meu cérebro, começavam a trabalhar severamente. Eu entendia o que Dimitri queria dizer. E se por acaso esse homem estivesse trabalhando para os sanguessugas? Talvez, ele só quisesse popularidade ou simplesmente ajudar. Como talvez, ele quisesse chamar a atenção dos humanos para nós, quando nosso objetivo era manter tudo em sigilo.

–Tudo parece tão confuso – Comentei.

–É por isso que vou a esse bar hoje – Dimitri tocou meu queixo. – Eu já estou de saída. Tenho várias coisas para ver antes de partir, mas quis te ver primeiro.

–E se for uma armadilha? Quem te segura isso? – Diminui um pouco minha voz.

–Se eu não trouxer nada de plausível para Daniella, irei ter que aguentar seu mau humor infinito – Ele comentou torcendo o nariz.

–Faz tempo que os ataques estão acontecendo? – Perguntei.

–Na verdade, dessa forma é a primeira vez. –Dimitri encarou minhas mãos que agora, estavam em meu colo. – Mas faz algum tempo que outros Moroi estavam desaparecendo na Rússia.

–E ninguém nunca foi atrás? Nunca envolvendo humanos?

–No começo, achamos serem ataques isolados e em essa proporção com humanos é a primeira vez. – Dimitri puxou minhas mãos do meu colo e as levou até seu rosto. –Essa confusão toda, foi um dos maiores motivos de eu não ir embora ainda.

–Você ia embora? – Minha voz saiu quase que um sussurro, pela surpresa. Eu não podia imaginar aquele lugar sem Dimitri. Eu não podia nem se quer me imaginar sem Dimitri.

–Eu ia embora – Ele corrigiu sorrindo fracamente. –Um pouco antes de eu te conhecer, ainda estava confuso o suficiente entre decidir ir para os Estados Unidos e trabalhar com Tasha, ou ficar aqui.

O nome de sua ex-namorada, me fez desviar os olhos pelo ciúme. Dimitri me forcou a encara-lo.

–Mas depois eu fui convocado para outra função e eu também conheci você. Desisti de sair daqui. – Seus olhos marrons se tornaram ainda mais escuros.

–Você sempre soube que eu viria pra cá, não é? – Comentei no mesmo tom, me sentindo impossibilitada de desviar o olhar.

–Não, mas na verdade não tinha muita importância na época. O que já era válido para mim, era que uma linda mulher americana que odiava o frio, estava perdida na Rússia e acabou me atraindo para ela, com seu jeito forte e determinado do ser. – Não consegui evitar um sorriso de escapar em meus lábios.

–Ela apenas se encantou por um lindo homem russo, que ela conheceu no aeroporto, quando achava que sua vida tinha acabado pra sempre. – Continuei com aquilo, me sentindo completa de repente. – Ele a ajudou quando ninguém mas podia e permaneceu do lado dela, quando ela mais precisava.

Nossos rostos foram se aproximando aos poucos, fazendo algo completamente desconhecido e novo crescer, dentro de mim. Era como mágica, a eletricidade que se apossava do meu corpo cada vez que Dimitri me tocava ou me olhava daquela forma. Eu me sentia a mulher mais linda e sortuda do mundo. Era inexplicável nossa conexão.

E foi ai que nossos olhos foram se fechando e acabamos nos perdendo em um daqueles beijos que te fazem flutuar. Que tem fazem questionar se você realmente está viva ou se realmente é tudo um sonho.


Notas finais
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