Notas iniciais
Olá gente
Tudo bem?
Mals pela demora mas eu estive um pouco ocupada.
Cap novo espero que gostem :)
Aguardo os coments e obrigada pelos anteriores. Assim que eu puder vou responde-los.
Continuem comentandooooo e recomendandoooooo
Beijos

Não sei por quanto tempo eu dormi, mas algo extraordinário aconteceu quando acordei. Uma fenda ainda que tímida de sol, tocava parte do meu braço esquerdo. A sensação era reconfortante e boa, mas nada se comparava ao que eu vi a seguir. Dimitri estava de costas para mim, enquanto encarava o vidro do quarto. Sua postura era relaxada. Ele vestia as mesmas roupas de ontem, quando veio me socorrer. Dimitri tinha uma graça inexplicável, tanto pelo modo de agir ou falar, quanto pelo modo de andar. Eu tinha certeza absoluta, que eu poderia apenas ficar o encarando ali por horas, sem cansar.


–Já acordou – Ele constatou e eu quase pulei da cama. Mesmo sem se virar, Dimitri notou que eu havia despertado.


–Já – Foi à única coisa meio inteligente que consegui dizer. Meus sentidos estavam ainda confusos, tanto pela dor, quanto por ele. Dimitri havia ficado comigo na noite passada, depois de uma longa discussão sobre como eu sabia me virar sozinha e como ele podia me provar, que eu não estava em condições nem de matar um mosquito. Por fim, resolvi aceitar sua oferta esperando que ele passasse a noite ou grande parte dela, ao meu lado. Grande desilusão. Dimitri foi absurdamente profissional, me deixando sozinha no quarto escuro, enquanto andava de um lado para outro na casa. Sempre alerta. Depois de rolar e rolar incansavelmente na cama, eu adormeci.


–Quer café? – Dimitri virou para mim, com um sorriso misterioso demais e eu respondi com um virar de olhos.


–Não bebo café. Isso só traz problemas de saúde – Constatei e ele gargalhou. Me encolhi um pouco na cama.


–Posso te fornecer uma lista completa de alimentos que realmente fazem mal a saúde.- Dimitri disse sem dar muita importância para o meu comentário anterior, enquanto se aproximada mais da cama. – Como está se sentindo?


–Um pouco melhor, mas tenho certeza de que vou ter problemas, para levantar daqui – Encarei o tapete macio no chão, enquanto pensava em uma forma de conseguir tomar banho.


–Quer ajuda? – Dimitri ergueu as mangas de sua camisa preta, enquanto me encarava com expectativa. Foi nesse momento, que tenho certeza que meu rosto se tornou um vermelho suicida. Lembrei-me que eu estava somente se roupas íntimas por debaixo das cobertas. Voltei a olhar para Dimitri e notei um pouco de confusão da parte dele. Ele não fazia idéia talvez, do meu estado quase nu.


–Eu...hum...- Desviei o olhar, enquanto pensava em uma forma mais segura de eu me mecher, mas era impossível. Em minha cabeça, imagens e mais imagens de Dimitri sem camisa me levando pela casa de calcinha e sutiã estavam tomando meus sentidos seriamente.


Como se estivesse entendendo meu receio, Dimitri olhou ao redor como se procurasse algo. Quando seus olhos pararam, segui seu olhar. Mas, não tão rápido quanto ele agiu. Dimitri pegou meu roupão branco, que estava em cima da cadeira da penteadeira e seguiu em minha direção. Fiquei um pouco espantada com aquilo. Com a conexão que tínhamos, mesmo tendo nos conhecido a tão pouco tempo. Ele parecia ler minha mente, como eu parecia ler a sua às vezes. Suas notas misteriosas, seu sorriso singelo e principalmente, seus olhares de advertência.


–Eu vou te dar alguns minutos para você colocar isso – Dimitri explicou enquanto me entregava o roupão. Suas feições eram ligeiramente tímidas e eu vi, um vislumbre de vermelho em suas bochechas. Dimitri virou de costas e eu comecei a tentar me mecher na cama. A dor, ainda era muito forte, mas graças ao poder vampiro e a facilidade como lidavam com ferimentos, eu já estava melhorando, mesmo que lentamente.


Passei um braço em uma das mangas e quando tentei forçar a segunda, mordi o lábio para não gritar de dor. Meu pequeno movimento, fez com que Dimitri enrijecesse suas costas em preocupação.


–Estou bem – Falei antes que ele tentasse se virar ou me acolher. – Apenas apanhando de um roupão – Minha voz saiu engasgada, quando finalmente, consegui colocar o outro braço. Para finalizar, fiz um laço mal feito e ajeitei um pouco meu cabelo. – Estou pronta.


Dimitri se virou e notou minha tentativa frustrada em tentar levantar dos cobertores com cuidado excessivo.

–Espere ai – Dimitri se abaixou, para que ficássemos quase no mesmo nível e colocou suas mãos embaixo das minhas pernas quase nuas, para me levantar.


–Eu odeio isso sabe – Murmurei para Dimitri, enquanto ele me levava para o banheiro.


–Odeia o que? – Ele me olhou curioso e eu não consegui disfarçar um sorriso.


–Odeio depender dos outros para fazer as coisas. Faz você parecer fraco. – Franzi o cenho enquanto me lembrava, da conversa com Abe.


–Não te faz parecer fraco – Dimitri disse, quando já havíamos entrado no banheiro – E não é sempre assim Rose. Às vezes nós precisamos dos outros.


–Você faz parecer ser fácil e como se você mesmo seguisse isso — Soltei sem perceber e notei sua surpresa.


–Você acha que eu sou auto suficiente? – Dimitri fez um som indignado e eu ri da sua tentativa mal feita.


–Eu tenho certeza Guardião Belikov – Pisquei para ele, que me enviou um sorriso quente, daqueles de parar multidões.


–Sabe de uma coisa? – Dimitri me depositou com cuidado no pequeno banco de madeira, próximo a banheira.


–O que? – O encarei esperançosa, enquanto tentava ignorar suas mãos quentes em volta de mim.


Dimitri soltou suas mãos do meu corpo e ficou ajoelhado na minha frente. Seus braços cruzados em minhas pernas.

–Você acertou em cheio. – Seus olhos estavam presos nos meus. Uma eletricidade desconhecida, passando por nós naquele instante.


–Quer dizer que você é extremamente alto suficiente? – Falei enquanto encarava aqueles olhos marrons tão lindos. Minha voz estava mais baixa, sem que eu tivesse controle.


–Quer dizer que eu gosto de resolver meus próprios problemas – Dimitri continuava a me encarar de uma forma, que se eu estivesse de pé teria caído.


–Eu também gosto de resolver meus próprios problemas, camarada – Disse enquanto desesperadamente depositava minhas mãos nas laterais do meu corpo, tentando disfarçar, a vontade de tocá-lo.


–Mas às vezes precisamos de outra pessoa e eu também, tenho que assumir isso. – A dupla interpretação era nítida, mas mesmo assim, eu preferi acreditar que era coisa da minha cabeça perturbada.


–Você vai precisar de muito mais do que esse argumento para me convencer, Guardião Belikov – Joguei com ele. Pelo seu sorriso presunçoso e pelo seu desconforto, ele havia entendido o recado.


–Roza...Roza.... – Dimitri soltou um longo suspiro e logo se levantou, para a minha total frustração. Seu rosto estava levemente ruborizado.


Dimitri se aproximou da banheira, abrindo a torneira. Vapor quente começou aos poucos a encher o cômodo. Ele em seguida, prendeu seu cabelo até então solto, em um rabo de cavalo curto. Algumas mechas teimavam em cair pelo seu rosto concentrado. Mechas, que ele rapidamente e com habilidade, colocou atrás de suas orelhas. Durante todo o processo, seu rosto estava pensativo, como se ele tivesse um dilema em sua cabeça. Seus olhos também, não procuraram os meus. Foi então, que resolvi agir.


–Pode me ajudar aqui? – Dei meu melhor sorriso inocente para ele, enquanto o encarava.


–Claro – Dimitri se aproximou e aguardou. Tentei me levantar com muito custo, dispensando suas mãos, quando ele as ergueu para mim. Mas, como previsto foi tudo em vão. Dimitri colocou suas mãos nas minhas costas e me levantou com cuidado. Ficamos frente a frente por um longo segundo apenas nos encarando. Levantei minha mão direita para tocar seu rosto e ele não recuou. Deslizei meus dedos com cuidado pela sua face, com medo de meu simples gesto, o espanta-lo. Dimitri fechou os olhos e se deleitou com o meu toque. – Sabe que não deveríamos estar fazendo isso – A voz de Dimitri era tão sem timbre que quase me fez rir.


–E por que não? – Insisti passando meus dedos gelados agora por seus lábios.


–Talvez por que você devesse estar recebendo cuidados – Dimitri abriu um dos olhos e eu ri de sua expressão sincera.


–Talvez eu não me importasse- Fui sincera enquanto levava minha outra mão para o seu rosto.


–Eu falo sério Roza...Você está machucada – Dimitri segurou meus pulsos com seus dedos firmes e quentes, contrastando com os meus frios. Sua voz era um pouco mais determinada e cheia de controle. Eu não brincava quando disse que Dimitri tinha algo que eu invejava mais que sua beleza de deus.


Aproximei-me mais dois passos dele, de forma de nossos corpos ficassem quase se tocando.

–E eu não brincava quando disse que realmente gostei de você – Tentei manter o mais firme que pude meu olhar no dele, mas era impossível com aqueles imensos olhos castanhos me encarando.


Dimitri soltou aos poucos meus punhos e levou suas duas mãos para os meus lábios recém-abertos. Foi ai que eu tive uma certeza. Dimitri queria me beijar. Queria me beijar tanto quanto eu o queria. Estava em seus olhos cheios de desejo e no simples toque de suas mãos quentes, passando eletricidade por todo meu corpo. Aos poucos, como se temêssemos, fomos nos aproximando um do outro. Nossos lábios estavam quase se tocando quando ouvimos uma batida insistente na porta. Dimitri me olhou por um milésimo de segundo, antes de me dar as costas e ir em direção à porta.


–Mas que merda, Rose – Suspirei frustrada e de olhos fechados, enquanto tentava entender, quem estaria na minha porta àquela hora da manhã. Quem quer que fosse, deveria ter sido jogado pela janela.


Não precisei pensar muito. Logo, vi uma figura bastante conhecida, usando um terno caqui e o gasto cachecol vermelho vivo parada na porta do banheiro, me encarando com um olhar que me dizia que eu estava seriamente encrencada.


–Bom dia pra você também Abe – Cruzei meus braços, ou ao menos tentei, enquanto observava o rosto de Abe. Não me entendam mal, mas desde que havia descoberto que ele havia sido amante de Janine, qualquer simpatia que uma vez tive por ele, havia morrido. Janine tinha todo o direito sim, de ter quem sabe até um namorado, mas isso, não queria dizer de forma alguma que ele, estaria de cão de guardas atrás de mim e rotulando meus horários ou as pessoas com que me envolvia.


–Vejo que já está mais rosada – Abe ergueu uma de suas sobrancelhas ironicamente. Sim, ele tinha uma maldita mania irônica de ser e estranhamente, lembrava-me um pouco de mim.


–Eu também estou sem paciência – quase cuspi enquanto desviava o olhar. – Apenas respire Rose... – A voz em minha cabeça estava quase me enlouquecendo, tanto quanto eu precisava admitir a dor em minhas costelas agora cobertas pelos meus braços.


–Você sempre está sem paciência....Não é novidade – Abe me ignorou totalmente e eu precisei reprimir meia dúzia de palavrões. – Te trouxe alguém para ajuda-la. – Abe gesticulou para alguém que eu ainda não tinha visto. Uma mulher um pouco mais baixa do que eu e de cabelos loiros escuros se aproximou. Ela era uma Dhampir de aproximadamente trinta anos.


–Está é Giulia e vai te ajudar, enquanto precisa de cuidados antes de ser transferida para o Campo de Concentração.


–Mas que legal – Lancei um olhar rápido para a mulher e olhei adiante. Dimitri não estava ali.


–Dispensei o Guardião Belikov – Abe confirmou meu receio depois de um pigarreio mal feito. – Ele precisava descansar e estavam procurando por ele.


–O que diabos você tem haver com meus assuntos? – Me enfureci. Por culpa dele, eu não havia beijado Dimitri e o pior, ele foi embora sem nem ao menos me dizer tchau. Eu definitivamente esperava, que Abe não tivesse falado alguma asneira para Dimitri. Desde que ele havia aparecido, só houve confusão e mais confusão entre eu e Dimitri e o pior de tudo, era que havíamos nos distanciado um pouco.


–Não vamos perder tempo discutindo – Abe ergueu sua mão pálida para me parar. – Eu preciso ir agora para resolver logo sua situação no Campo.


–Vai ao menos me esperar conseguir andar? – Disse ironicamente.


–Você está andando Rose, embora esteja precisando de repouso. Eu assumo isso – Abe gesticulou para que a mulher se aproximasse um pouco mais de nós. – Por isso, te trouxe Giulia que irá te fazer companhia e irá te ajudar a se recuperar. Ela e enfermeira – O sorriso convencido de Abe estava me cansando mais do que o habitual.