Vamos Pular Essa Etapa
1 Capítulo único
Notas iniciais
Espero que gostem :$
–- Ela é chata, irritante, desligada, não presta atenção em mim... Eu não sei como eu a aguento! Ela só faz besteira, parece que me irrita de proposito! – Esbravejou Amanda, minha melhor amiga. Estavamos em uma cafeteria.
–- Ai Amanda! Você também não é fácil, não é? Não tem paciência nenhuma com a Luciana.
–- Mas poxa Julia, ela não facilita em nada... Eu tinha que arrumar uma namorada tão sem noção?
–- Pelo amor de Deus Amanda, relaxa. Além do que, não importa o quanto “sem noção” ela seja as vezes, você não vive sem essa mulher! – Falei o obvio.
–- Não vivo mesmo... Eu a amo demais...
–- E eu não sei? Metade das nossas conversas são sobre ela. – Comentei rindo. – Mas não ouse magoá-la, certo? Eu te adoro, eu te amo... Mas se você magoar a Luciana, vai se ver comigo. Afinal, ela também é louca por você... Realmente, ela é muito sem noção. – Brinquei.
–- HA-HA! Você está muito engraçadinha dona Julia... E que amiga, hein? Ela que faz birra e você ameaça a mim.
–- É porque eu conheço você, Amanda... Sei o quanto você é impaciente.
–- Tá, tá. Mas mudando de assunto, a gente tá pensando em ir morar juntas... – Comentou, feliz. – O que você acha?
–- Que vocês são loucas, morando separadas vocês já vivem brigando. Imagina sobre o mesmo teto. – Gargalhei.
–- Aí, não dá pra ser mais positiva, não?
–- Tá certo... Talvez, vocês sobrevivam a primeira semana então.
–- Aff Julia, deixa de ser chata! – Reclamou Amanda, mas rindo. – Mas sério, o que você acha?
–- Acho que já tava na hora, vocês se amam...
–- Bom, espero que sim, mas eu com certeza a amo demais... Não sei viver sem aquela louca. – Riu, feliz.
–- Eu sei como é... – Falei, meio triste, lembrando da minha garota louca... Ou pelo menos era minha.
–- Pensando na Jéssica, não é? – Falou Amanda, quebrando o silêncio que parecia ter durado alguns minutos.
–- É... Eu vou resolver isso, e é agora. – Avisei, levantando e pegando meu celular.
–- Até que enfim! – Disse Amanda, quando eu já estava indo pra porta.
Disquei o número da Jéssica no celular, chamou qutro vezes antes dela atender. Eu estava extremamente nervosa.
–- Ju? – Falou Jéssica do outro lado da linha. – Não posso falar agora, eu tô no cursinho.
–- Oi Jess, eu sei... Mas é rápido. Quero saber se posso encontrar você mais tarde. – Pedi, insegura.
–- Hum... Pode, eu saio em 30 minutos. A gente pode ir tomar um sorvete, o que acha?
–- Ótimo. – Olhei no relógio e completei – Ás 17h vou buscar você então, pode ser?
–- Pode sim. Até mais tarde então, beijos.
–- Certo, beijos.
Eram 16h e 30min. Segui para o cursinho de Jéssica, como não era longe e eu estava de carro, cheguei e ainda faltavam dez minutos pra ela sair. Fiquei selecionando umas músicas no celular enquanto esperava, quando terminei, conectei o celular ao som do carro. Vi que alguns alunos já estavam saindo. Saí do carro pra esperar Jéssica, vi quando ela saiu acompanhada de algumas amigas, ela me viu e sorriu vindo na minha direção.
–- Oi Ju. – Sorriu e me deu um beijo no rosto.
–- Oi Jess, como foi a aula?
–- Ah, chata, pra variar. – Ela sempre reclamava, mas amava estudar.
–- Aham, tá certo birrenta. – Falei rindo. – Vamos?
–- Claro. – Sorriu e eu abri a porta do carro pra ela.
–- Obrigada.
Entrei no carro e coloquei as músicas pra tocar. A primeira foi “O que eu também não entendo” do Jota Quest. Começamos a cantar.
“Essa não é mais uma carta de amor
São pensamentos soltos
Traduzidos em palavras
Pra que você possa entender
O que eu também não entendo
Amar não é ter que ter
Sempre certeza
É aceitar que ninguém
É perfeito pra ninguém
É poder ser você mesmo
E não precisar fingir
É tentar esquecer
E não conseguir fugir, fugir
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender
Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer
Eu também não sei
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Tô aprendendo também
Já pensei em te largar
Já olhei tantas vezes pro lado
Mas quando penso em alguém
É por você que fecho os olhos
Sei que nunca fui perfeito
Mas com você eu posso ser
Até eu mesmo
Que você vai entender”
Aproveitei o sinal vermelho pra cantar o final olhando pra ela.
“Posso brincar de descobrir
Desenho em nuvens
Posso contar meus pesadelos
E até minhas coisas fúteis
Posso tirar a tua roupa
Posso fazer o que eu quiser
Posso perder o juízo
Mas com você
Eu tô tranquilo, tranquilo
Agora o que vamos fazer?
Eu também não sei!
Afinal, será que amar
É mesmo tudo?
Se isso não é amor
O que mais pode ser?
Estou aprendendo também”
Quando acabou a música, ela sorriu, corada. Ficamos em silêncio escutando as músicas até que chegamos a sorveteria. Escolhemos uma mesa mais afastada e eu fui comprar os sorvetes. Brigadeiro pra mim e chiclete com pistache pra ela, nunca entendi essa mistura que ela faz. Voltei pra mesa e entreguei o sorvete a ela. Depois de alguns minutos resolvi quebrar o silêncio.
–- A Amanda e a Luciana vão morar juntas.
–- Amanda vai expulsar você do ape ou vai morar no da Lu? – Brincou.
–- Vai morar no da Luciana, é claro, palhaça.
–- E você vai ficar sozinha?
–- Talvez...
–- Já tá pensando em alguém pra dividir o ape, não é?
–- Uhum...
–- Deve ser bem alguma das suas “amiguinhas”. – Comentou, meio irritada.
–- Na verdade, não...
–- Dúvido muito.
–- Ai Jess, já disse que não.
–- Mas eu não acredito. – Falou, completamente irritada.
–- Quer saber quem eu quero chamar pra morar comigo?
–- Quem Julia? – Perguntou, indiferente.
–- A garota mais ciumenta, mais birrenta e mais brava que eu conheço. A minha ex namorada louca, que de “ex” não tem quase nada. Porque eu ainda penso nela todos os dias, ainda quero vê-la todos os dias. Porque eu ainda a amo, e quero saber se essa birrenta linda, quer ir morar comigo.
–- Não sei não, você não pensa em pedí-la em namoro primeiro? – Retrucou, mas estava sorrindo.
–- Não. – Falei simplesmente, deixando-a confusa. – Cansei de tentar namorar com ela, a gente sempre acaba terminando. Eu quero pular essa etapa, e to aqui pra perguntar se ela quer CASAR comigo. – Disse, tirando uma caixinha do bolso. Dentro tinha um par de alianças, eu pretendia dar pra ela quando ainda namoravamos, mas terminamos antes de eu ter a chance. Ajoelhei ao lado dela, ela estava muito surpresa. Comecei a falar:
–- Olha, eu sei que fiz muita besteira quando estavamos juntas, que não foi nada fácil lidar com esse meu medo de relacionamentos. Sei que você aturou até onde pode, até não aguentar mais. Mas eu to aqui, e quero mudar, por você, por nós e, principalmente, por mim. Porque eu não sei ser feliz sem você. Sem essa sua mania chata de achar que toda amiga minha quer algo mais comigo, esse ciúmes bobo de todos que chegam perto, essa carinha birrenta quando eu não faço o que você quer, esse jeito manhoso que me convence a sempre faltar a faculdade pra ficar um pouco mais com você, esse sorriso lindo que sempre melhora meu dia e esse olhar, que tem um brilho lindo e me da uma paz incrivel. Eu sei que sou chata, complicada, meio estupida as vezes... Mas tudo que eu quero é fazer você feliz... E aí, aceita casar comigo? – Pedi por fim, abrindo a caixinha e mostrando as alianças que tinha dentro.
–- Hm... Não sei... Aiai... Será que eu devo fazer o sacrificio de aturar você o resto da minha vida? – Brincou, emocionada. – Eu te amo Julia. Amo mais que tudo, e o que mais quero é casar com você. – Respondeu finalmente, pra minha felicidade e nos beijamos. Daquele momento em diante, nada mais nos separaria.
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