Vallen & Os filhos
1 Capítulo 1
Naquele dia ensolarado, Vallen julgou ser bom ensinar a arte da esgrima para seus filhos, por isso, entregou a cada um deles, uma pesada espada de madeira para que eles se acostumassem ao seu peso e equilíbrio.
Sendo assim, as crianças passaram a manhã inteira trocando golpes, sendo corrigidos e incentivados pelo pai, que se esforçava ao máximo para lhes treinar bem e os preparar para os perigos que porventura a vida colocaria na frente deles.
Assim que o sol chegou ao seu ápice, todos estavam suados, exaustos e com alguns hematomas pelo corpo, aonde os golpes acertaram. O moreno ficou com pena de ver os filhos naquela estado, mas se forçou a endurecer o coração, pois aquilo era necessário. Precisava deixa-los fortes, sábios e capazes para enfrentar o mundo.
Ele parabenizou a todos pelo esforço que estavam fazendo, e como recompensa, ele mesmo iria buscar o almoço deles na nova casa em que agora moravam. Deixou os pequenos naquela clareira ás margens do lago e subiu a colina para buscar a refeição dos pequenos os deixando a sós.
— Papai está pegando pesado... — Arya disse timidamente enquanto via o maior se afastar. Os cabelos dela estavam empapados em suor e colavam em seu delicado rosto alvo. Dos três, ela demonstrava ser a que mais estava cansada, por sua constituição frágil e delicada. — Eu prefiro quando ele dá aulas de magia. — Sorriu, pois gostava das artes arcanas, muito mais do que aulas de esgrima.
— Isso é verdade. Ele está sendo rígido durante os treinos, mas ele faz isso pelo nosso bem, sabe disso né? — Falou Anna, tirando uma mecha do cabelo de Arya da frente do rosto da irmã. Por ser a mais velha, Anna entendia mais sobre os motivos do pai e de sua mãe. Ela afagou o cabelo da irmã mais nova e completou. — Vamos dar nosso máximo também. Tenho certeza de que logo voltaremos a ter aulas de magia.
Arya deu um risinho abafado e tímido com o carinho da irmã mais velha. Então, olhou para Darren que estava de pé olhando para o horizonte. Parecia que ele estava se decidindo em fazer algo. A garota, por ser gêmea dele, ás vezes sentia em si mesmo o que se passava com o irmão, por isso, disse.
— Darren... Tudo bem?
O loiro olhou para as irmãs, desperto de seus pensamentos. Levou a destra ao cabo do punhal.
— Sim, estou bem sim. Só... Estive pensando no lugar que achei com Minerva outro dia.
Ao escutar o irmão falar de sua grande amiga, Anna que gostava de provoca-lo, deu um risinho abafado que foi imitado pela menor.
— Por que está pensado tanto nesse lugar... Era um lugar romântico? — Ao dizer isso as duas irmãs deram gargalhadas, Anna com vigor e Arya com tímidez, deixando o garoto nervoso e envergonahado ao mesmo tempo. Ele bufou e disse.
— Ela é minha amiga! E do que estão falando afinal? O que dizer do seus amigos, o lobo e o elfo, hm?
Á menção dos amigos, as duas pararam de rir imediatamente. Pois sabiam que o irmão se referia também ao fato de o pai deles ficar estranhos com a presença dos amigos perto deles. Os gêmeos, ficavam confusos com essa atitude do pai, principalmente porque Charlotte aprovava efusivamente tal amizade, mas Anna, já tinha uma ideia dos medos do vampiro.
Um silêncio recaiu sobre o trio, mas Anna decidiu rompe-lo.
— Então. Fale desse lugar. — Dessa vez não havia deboche ou provocação na pergunta.
Darren suspirou, mas disse.
— Eu e Minerva descobrimos uma cabana abandonada. — Ele apontou para a floresta. — Fica naquela direção, mas... nós só a vimos de longe. Ela parece assombrada.
— Ah não, meu forte irmão com medo de fantasmas. — Disse Anna colocando a palma na frente da boca para abafar o riso.
Á menção de uma cabana assombrada, Arya se encolheu um pouco, pois tinha medo de tais coisas.
— Quem está com medo!? — Darren encarou a irmã. — Estava tarde e decidimos voltar pra casa e explorar a cabana outro dia.
— E esse dia nunca vai chegar, aposto. — Anna sustentou o olhar do irmão. Ela amava seus irmãos, mas era orgulhosa e gostava de provoca-los vez ou outra.
— Quer saber. Eu vou lá agora. — Darren falou com firmeza.
— Tudo bem. Eu vou com você, só pra ter certeza de que vai mesmo pra lá. — Anna disse isso e Darren bufou. Apesar das provocações, a loirinha estava ansiosa para ver a tal cabana, pois adorava uma aventura.
— A... Acho melhor esperarmos o papai... — Disse Arya, com a voz baixa e trêmula, mas ninguém a ouviu.
Darren já estava se embrenhando na floresta e Anna estendia a mão para a irmã menor. Sem escolha, a pequena segurou na mão da loira com firmeza, pois não queria ficar ali sozinha. E assim, o trio foi explorar a tal cabana.
Mal suspeitavam eles, da figura que estava escondida e escutando a conversa deles.
Não demorou muito, e o trio chegou numa área fechada por árvores. Apesar de o sol brilhar forte, seus raios não iluminavam ali, pois a folhagem das árvores eram abundantes e espessas, e assim aquele lugar estava escuro, na penumbra.
Darren liderava o grupo, destemido e inconsequente. Anna vinha logo atrás, reclamando que estavam demorando e Arya segurava na barra da camisa da irmã, assustada com o minimo movimento na floresta e até com os pios das corujas, um medo herdado da mãe.
Por fim, avistaram a cabana. Ela estava rodeada de árvores e ficava apoiada numa pequena colina. Era de madeira com algumas partes faltando. As janelas estavam quebradas, a porta estava caída da dobradiça, e eles podiam ver o interior brevemente pois o local estava um breu total. A impressão que se tinha, era a de um lugar abandonado há tempos, e de fato, era apenas isso, uma cabana simples abandonada, mas a mente jovem das crianças, processou a imagem de outra maneira.
Para eles, cada sombra do lugar parecia se mover. O vento, parecia um sussuro de algum fantasma ou algo do tipo. Diante daquilo, até Anna parou de provocar o irmão.
— Pronto, já vimos, vamos embora — Disse Arya com os olhos marejados.
— Ela está certa. Vamos. — Anna disse.
— Está com medo agora? — Zombou Darren. Ele falava comn tranquilidade, ou pelo menos tentava, pois na verdade estava com medo assim como suas irmãs. — Eu vou pegar algo de dentro daquela cabana, vai ser meu troféu. — Apesar do pavor, era valente e queria ter uma prova de que enfrentara a terrível cabana do medo.
— Irmão, não. — Arya implorou, mas era tarde, o loiro subia os degraus que rangiam sob as botas dele. Anna pensou que era melhor não ter deixado as espadas de madeira para trás.
A figura que espreitou os jovens, era nada mais do que Vallen, que havia voltado pois tinha esquecisdo de perguntar o sabor do suco que eles queriam. Mas ao perceber que eles conversavam, se esconde por entre as árvores furtivamente e a tudo escutou.
Vendo que os filhos iriam desobedece-lo e explorar a tal cabana, ele decidiu ensinar uma lição para puni-los. Sendo assim, ele se encaminhou para a cabana que já conhecia, pois pensava em restaurá-la, e chegou antes de suas crias. Ele se escondeu no interior da mesma e aguardou.
Como estava ocultando sua aura, suas crias não o perceberam e assim que Darren entrou na cabana, o moreno, que enxergava perfeitamente no escuro, ficou com os olhos rubros e se colocou na frente do garoto, grunhindo para assusta-lo.
O pequeno, ficou paralisado ao ver a sinistra criatura diante de si, pois só enxergava os olhos dela e ouvia seus grunhidos. Suas irmãs, pressentiram o medo do irmão e viram os tais olhos rubros, elas gritaram e Darren saiu de seu torpor. Ele pegou um pedaço de madeira e jogou na criatura, que ao ser atingida, gritou um "ai!", mas Darren não parou para encarar aquele sinistro ser que gritava "ai".
Ele saiu em disparada da cabana, segurou nas mãos das irmãs e as guiou de volta para casa. A ofanim os veria chegar correndo e gritando, sujos e assustados, falando algo sobre o demônio da cabana.
FIM #1
ENQUANTO ISSO, NA CABANA.
Apesar de ter sido atingido pela madeira, Vallen estava gargalhando. Estava satisfeito com a lição que ensinara aos filhos. Assim eles não iriam mais desobedecer quando ele pedisse para que eles ficassem em um lugar o esperando.
Ele se ajeitou, conteu o riso e tirou a poeira do corpo. Era hora de voltar. Assim que deu o primeiro passo, ouviu ruidos vindos da cabana. Ele congelou. Lentamente olhou para trás, e na escuridão, avistou vários pequenos olhos vermelhos o fitando. Ficou com o rosto lívido e então ele mesmo saiu dali em disparada e gritando.
A Ofanim o veria chegar no mesmo estado dos filhos, só que ele diria que havia pequenos demômios dos olhos vermelhos na cabana.
Na verdade, eram apenas pequenos roedores, mas a lenda da cabana assombrada persisti até hoje. Os Allond não ousaram pisar mais ali, até que Charlotte pediu para Alfred e Shiro detetizarem o local.
FIM
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