Valerion - a Busca por Yggdrasil
14 O Falcão que Renasce
A noite em Valerah foi quebrada pelo estrondo metálico de Drael, o Escaravelho Negro.
Cada passo do cavaleiro ecoava como martelo contra a terra, e suas garras de metal se arrastavam, deixando riscos no chão.
Sua presença era sufocante, como se o próprio ar tivesse ficado pesado demais.
Tiberan avançou primeiro, invocando vinhas espinhosas que se ergueram em muralhas verdes.
Ignara saltou ao lado, suas caudas flamejantes varrendo o ar como chicotes de fogo.
As chamas iluminaram o elmo escuro de Drael.
— Insetos — murmurou o cavaleiro, sua voz ecoando dentro da armadura. — É isso que vocês são.
Ele ergueu o braço.
Com um movimento, esmagou as vinhas de Tiberan como se fossem ramos secos.
Ignara lançou uma rajada de fogo, mas o cavaleiro simplesmente atravessou as chamas, sua carapaça negra fumegando sem sofrer arranhões.
O contra-ataque foi devastador.
Drael golpeou o chão com o punho, e uma onda de energia negra se espalhou em círculos, arremessando Tiberan e a raposa contra as paredes de pedra.
O botânico tossiu sangue, tentando se erguer. Ignara soltou um rosnado baixo, ferida.
— Vocês não são guerreiros — disse Drael. — São apenas fagulhas fracas.
Dentro da cabana, Nymira ajoelhava diante do pequeno poço luminoso que criara com suas lágrimas.
Kaelvor estava submerso até o peito, o corpo imerso naquela água prateada.
As veias escuras começaram a clarear, mas cada segundo custava a vida de Nymira.
Sua respiração era curta, cada tosse mais forte que a anterior.
Mesmo assim, ela mantinha as mãos sobre a água, mantendo o brilho.
— Só mais um pouco… — sussurrou, o corpo inteiro tremendo. — Aguente…
Quando as últimas manchas negras desapareceram da pele de Kaelvor, Nymira caiu para trás, exausta.
Seu corpo parecia mais frágil do que nunca, quase sem forças.
Do lado de fora, a destruição começava.
Drael avançou pelas ruas, esmagando casas com socos, derrubando paredes de madeira como se fossem brinquedos.
Os cidadãos de Valerah se ergueram em desespero.
Um ferreiro incandescente correu contra ele com uma espada flamejante. Drael quebrou a lâmina em dois com a mão nua.
Uma mulher ergueu ventos cortantes contra ele. O cavaleiro simplesmente ignorou, avançando como uma muralha viva.
As crianças foram empurradas para dentro das casas, enquanto os adultos caíam um a um.
Os irmãos de Nymira tentaram resistir.
A lança, a espada e as flechas bateram contra a armadura do Escaravelho Negro sem causar sequer um arranhão.
Um único golpe de Drael os lançou contra o chão, gemendo de dor.
— Esta vila acabou — declarou, erguendo os punhos cobertos de energia negra.
Foi então que Kaelvor abriu os olhos.
Sua respiração voltou com violência, como se tivesse saído das chamas da morte.
Seus olhos queimavam em brasas.
Ele ergueu a mão, vendo a própria pele clara de novo, a cicatriz no peito pulsando.
Ao lado, viu Nymira caída, ofegante, quase inconsciente.
O silêncio de um instante pesou sobre ele.
Ela havia dado tudo para salvá-lo.
Mais uma vez, alguém havia se sacrificado para que ele continuasse vivo.
Kaelvor se ergueu lentamente, cada músculo renovado pela centelha que agora ardia mais forte.
Seu cosmo queimava tão intenso que o ar dentro da cabana tremia.
— Chega de fugir — murmurou. — Se é para queimar o mundo, eu começo agora.
O teto da cabana explodiu em chamas quando ele saiu.
Seus passos deixavam brasas no chão.
Todos pararam: os irmãos feridos, os cidadãos caídos, até Drael ergueu o olhar para ele.
Kaelvor abriu os braços, e as chamas se moldaram em volta de seu corpo, formando asas de fogo.
O ar inteiro pareceu arder.
— Falcão Flamejante!
O golpe rugiu pelos céus, uma ave colossal feita de brasas puras, atravessando a noite e se lançando contra Drael.
O impacto fez a vila tremer.
A explosão de fogo iluminou Valerah inteira, como se o sol tivesse nascido no meio da noite.
Drael, pela primeira vez, recuou um passo.
Sua armadura negra estava chamuscada, a poeira subia do chão.
Kaelvor, os olhos ardendo, encarou-o de frente.
— Você quer destruir Valerah? Vai ter que passar por mim primeiro.
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