O túnel pulsava como um coração. Tiberan avançava devagar, sentindo cada passo vibrar sob seus pés. As paredes vivas respiravam, cobertas de musgos que acendiam em tons verdes e dourados. Era como caminhar por dentro de um ser colossal. Logo percebeu: aquilo não era uma caverna, mas uma raiz — uma das infinitas ramificações da Yggdrasil.

O ar era pesado, quase líquido. Ele se apoiava nas paredes, e cada vez que encostava, sentia uma energia percorrer sua pele. As plantas reagiam à sua presença, florescendo, abrindo pétalas diante dele. Estava sendo guiado, chamado.

No final do túnel, encontrou uma clareira iluminada por uma luz que não vinha de tocha ou sol. Ali, repousava o Broto Sagrado: pequeno, dourado, cintilante como uma estrela caída.

Tiberan se ajoelhou, tocando-o com reverência. No instante em que seus dedos roçaram a folha, o broto pulsou, liberando uma onda de energia. Variações de poder explodiram dentro dele: raízes afiadas crescendo de sua vontade, flores com propriedades venenosas, a promessa de cura em um toque… e, acima de tudo, uma sensação de direção, como se o broto fosse uma bússola viva apontando para a árvore-mãe.

As lágrimas vieram sem controle.

— Eu não sou só um estudioso… eu sou o guia.

Mas antes que pudesse se erguer, uma voz grave ecoou pela raiz.

— Interessante… então foi você quem encontrou o fragmento.

Das trevas adiante, uma figura avançou. A armadura prateada refletia o brilho verde, mas sua superfície estava tomada por marcas negras, como se a própria Yggdrasil o rejeitasse. Os olhos do cavaleiro brilhavam em azul gélido.

— Eu sou Dorian, Cavaleiro de Phýton. — Ele ergueu a lança reluzente. — Este broto não pertence a você. Pertence aos deuses.

Tiberan engoliu seco. Nunca havia enfrentado um Cavaleiro Sagrado sozinho. Mas quando a lança desceu, seu corpo reagiu.

Do chão, raízes grossas se ergueram, interceptando o golpe. O choque foi tão forte que faíscas voaram. Tiberan gritou, e as raízes se contorceram como serpentes, tentando prender o inimigo.

Dorian saltou, cortando as plantas com a lâmina da lança.

— Valerion inútil. Botânicos não vencem cavaleiros.

Tiberan sentiu a raiva subir. O broto em sua mão brilhou, e ele concentrou sua energia. Do solo, brotaram flores vermelhas, que liberaram um pó espesso. Quando o cavaleiro inspirou, tossiu — o veneno o atingira.

— Eu não sou inútil. — Tiberan ergueu os braços, e do chão surgiu uma árvore de raízes torcidas, que golpeou Dorian, arremessando-o contra a parede viva.

O cavaleiro rugiu, erguendo-se cambaleante. O veneno enfraquecia seus movimentos. Tiberan fechou os olhos, deixando o broto guiar sua força. Uma pequena árvore dourada brotou de sua mão, e ao comando de sua vontade, lançou raízes luminosas que prenderam Dorian.

O Cavaleiro lutava para se soltar, mas as raízes apertavam mais e mais, queimando sua armadura com a energia sagrada.

— Este poder… não é seu… — ele sussurrou, antes de ser esmagado pelas plantas até o silêncio.

Tiberan caiu de joelhos, exausto, o broto ainda brilhando em sua mão. O túnel inteiro vibrava, como se a Yggdrasil tivesse aprovado sua vitória.

Ele respirou fundo e murmurou:

— Kaelvor, Nymira, Soraja… eu vou guiar todos até a árvore. Esse é o meu destino.

Notas finais
O "broto" é uma espécie de semente dourada rachada, de onde sai um pequeno ramo verde. Ele cabe em uma mão, mas Tiberan não precisa segurá-lo. Por ser uma planta e Tiberan conseguir controlá-las, o rapaz pode fundir o broto em sua mão, e retirá-lo de lá quando quiser.