Valerion - a Busca por Yggdrasil
53 As três raízes da Yggdrasil
O interior da Yggdrasil se abriu diante deles em um silêncio carregado. O ar era denso, cada respiração parecia pesar séculos. À frente, as três raízes colossais desciam como labirintos em direções distintas, cada uma pulsando com uma energia própria. Tiberan e Soraja seguiram juntos pela raiz verde, enquanto Nymira foi atraída pela raiz azulada. Kaelvor e Ephiron, lado a lado, avançaram pelo caminho vermelho.
A raiz verde parecia um mundo em convulsão. Árvores brotavam apenas para morrer em segundos, trepadeiras serpenteavam como serpentes vivas, e flores se abriam para logo apodrecer. O broto sagrado na mão de Tiberan ardia como se quisesse saltar, reconhecendo o solo, mas ao mesmo tempo alertando que não era seguro. Soraja observava assustada, portas pequenas se abrindo ao redor dela, mostrando flashes de lugares distantes, enquanto o colar com a fechadura em seu pescoço vibrava sem parar.
O chão tremeu e uma figura colossal emergiu das raízes. Um homem de manto escuro, olhos dourados, voz que fazia a madeira ranger. — Sammael, a Verdade. Guardião da memória da Yggdrasil. — Ele os olhou como se já soubesse o que carregavam. — Vocês não deveriam estar aqui. A árvore não é um lugar para hereges.
Tiberan deu um passo à frente, firme. — Eu não tenho escolha. Preciso dela para salvar meu irmão.
Sammael ergueu uma das mãos e as próprias raízes da árvore se ergueram como lanças afiadas, apontadas contra eles. — Então será sua morte.
No ramo azul, Nymira caminhava em silêncio, seus pés deixando rastros de água na madeira viva. A cada passo, pequenas correntes se formavam, e homúnculos translúcidos surgiam sem que ela percebesse. A mancha negra já cobria metade de seu corpo, mas a raiz parecia lhe devolver vigor. Do horizonte azul cristalino, uma presença se ergueu: uma mulher de longos cabelos prateados, olhos como oceanos revoltos, corpo moldado pela própria água. — Inês, a Criação. — Sua voz era calma e cortante como uma lâmina. — Você não deveria existir, criança doente. A água que você manipula é a mesma que eu concedi à vida. Sua fraqueza não merece chegar até aqui.
Nymira apertou os punhos. — Minha fraqueza é também minha força. Eu vim para mostrar que posso lutar, mesmo quando o mundo me diz para desistir.
No ramo vermelho, Kaelvor sentia as labaredas arderem por todos os lados. O calor era insuportável, mas as chamas de Benu dançavam em sintonia com a energia da raiz. Ephiron caminhava mais lento, desconfiado, até que uma coluna de fogo dourado se ergueu diante deles. Dela surgiu um guerreiro imenso, torso nu, músculos como ferro incandescente, punho cerrado envolto por fogo eterno. — Alenor, Ás da Chama Eterna. — A voz ressoou como trovão. — Vamos ver qual de vocês é o escolhido de Hyperion.
Kaelvor estreitou os olhos, raiva queimando no olhar. — Então chegou a hora. Se você é o maior guerreiro de Hyperion, eu serei aquele que vai provar que até os maiores podem cair.
Ephiron cerrou os punhos, dividido entre o ódio e o peso do sangue. — Pai…
Alenor ergueu a mão e o fogo se multiplicou, transformando todo o espaço num inferno.
Nos três ramos, os encontros haviam acontecido. Cada Valerion agora encarava um Ás. A batalha contra a própria essência do mundo havia começado.
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