Valentine's Day

1 Lebenslangerschicksalsschatz


Notas iniciais
Essa short fic fiz especialmente para o dia dos namorados, esperem que gostem. bjs.

Quais as opções de diversão para uma solteira no dia dos namorados? Ver aquela série que você já assistiu mais de 4 vezes, assistir o seu confort filme, esse mesmo que você chora sempre no final não importa se você já sabe as falas decoradas, rolar sua lista de contatos até achar alguma amiga que esteja solteira e queira sair pra dançar com você? Bem, no meu caso eu fui fazer um plantão de 24h na clínica veterinária onde eu trabalho, eu não deveria estar ali hoje, mas minha amiga queria muito sair com o marido e a encalhada aqui não tinha mesmo o que fazer, quer coisa melhor do que ocupar a mente com trabalho?

Já passava da meia noite, estava apenas algumas estagiárias observando os animais internados e os seguranças, então escuto um barulho na recepção, parecia um casal brigando e do seu lado um dálmata deitado no chão, eu quase pude ler no seu olhar “me tire de perto desses loucos, por favor”.

—Olá, posso ajudar?

Quando falei tudo ficou em silêncio e os dois olharam para mim, mas então começaram mais uma vez a discutir entre sim.

—Alguém pode me explicar o que está acontecendo aqui?

Falei subindo o tom da minha voz, na nossa profissão na maioria das vezes é mais difícil lidar com os donos dos animais do que com eles mesmo. A moça loira, com pose e cara de modelo começou falando.

—O cachorro do meu marido resolveu engolir meu colar CARÍSSIMO! Eu quero que vocês façam algo imediatamente! Pode abrir ele, eu autorizo.

—COMO?

O cara gritou.

—Você acha que vou deixar abrir o Barney por conta de seu capricho? Uma hora isso vai sair e você sabe, eu nem sei porque diabos estamos aqui!

—Senhores...

Tentei falar.

—EU QUERO O MEU COLAR AGORA! SE MEU COLAR NÃO ESTIVER INTEIRO EU MATO VOCÊ MAURÍCIO!

—CALADOS!

Tive que me alterar, odiava esse tipo de casais, o cachorro parecia não estar bem e eles só se preocupavam em inflar seus egos para ver quem iria ganhar essa discursão.

—Se ele engoliu seu colar precisamos fazer um raio-x para te certeza que ele não desviou do caminho, o cachorro pode estar sentindo dor, dependendo do material pode sofrer alguma reação. Eu recomendo ele ficar aqui, fazer todos os pré-exames e ficar em observação até o objeto sair.

—Eu não vou dormir em hospital, vamos logo para casa!

A moça saiu andando e o rapaz ficou parado.

—Pode ir, eu vou ficar aqui e seguir as recomendações da médica.

—Isso é sério?

Ela parecia não acreditar no que ele falava.

—É dia dos namorados, Maurício.

Ela falou um pouco mais baixo, para quem estava gritando até a pouco, de uma hora para outra não queria que as pessoas escutassem essa conversa.

—Flávia, é o Barney, ele pode não está bem.

—Foda-se o Barney, você que me pediu para tentarmos mais uma vez essa última semana antes dos papeis do divórcio chegar, por mim eu estava em Paris te esquecendo!

—Se é assim que você pensa, pode ir para Paris.

A moça saiu bufando, ele pegou o cão no colo e me perguntou.

—Pra onde eu levo ele? -Ele abaixou um pouco o olhar para ler o meu sobrenome no jaleco. — Dra. Lins?

—Milena, pode me chamar de Milena.

Fui andando até minha sala enquanto Maurício me seguia, parece que o dia dos namorados dele está sendo bem desagradável, e eu aqui reclamando do meu.

Fiz tudo que precisava, deixei Barney dormindo em um canil que o hospital tinha para os animais que ficam internados e fui falar com Maurício. Ele estava tomando café enquanto olhava para a tv da recepção, assistindo Friends passar pela milésima vez.

—Prefiro How i met your mother.

Falei me sentando ao seu lado. Ele até então não tinha percebido minha presença na sala.

—Sério? Eu comecei a assistir Friends por conta da Flávia, não sou muito fã de séries.

—Pois quando você chamou seu cão de Barney, foi a primeira coisa que me lembrei.

Falei rindo e ele me respondeu com uma gargalhada um pouco escandalosa.

—Eu coloquei esse nome nele para provocar Flávia. – Comentou pensativo. — Como ele está?

—Bem, ele estava com um pouco de dor, apliquei uma medicação e ele conseguiu dormiu, o colar está seguindo o seu rumo e daqui a algumas horas ele vai ser expelido, mas é melhor ele ficar aqui até isso acontecer, se demorar muito aplicamos uma medicação pra ajudar no processo.

—Preciso lavar bem esse colar antes de entregar para ela.

—Bastante!

Passamos a noite conversando, ele me contou que escrevia livros, mas estava um tempo sem inspiração, foi passar o final de semana na sua cidade natal para ver se algo surgia, mas o destino parecia estar contra ele, foi quando voltou para casa e conversou com a esposa, pediu essa semana para tentar fazer o casamento dá certo pois o divórcio estava para chegar e ele acreditava no amor eterno. O tempo passou rápido, já era de manhã e Barney estava liberado.

—Aqui, o colar da sua esposa.

—Ainda bem que você colocou num saco plástico.

Acompanhei ele até o carro, mas algo na minha cabeça martelava.

—Maurício?

—Sim?

Ele me respondeu enquanto colocava o cinto de segurança em Barney e eu alisava a cabeça dele.

—Sei que nós conhecemos a pouco tempo, mas posso fazer uma pergunta?

—Claro!

Ele se virou pra mim com um olhar curioso.

—Você realmente acredita no amor eterno?

—Bem, eu acredito, pode parecer um pouco “infantil”, mas se eu não acreditar nesse amor para que eu to nesse mundo?

—Em um certo episódio de How I met you mother, aparece duas palavras, Lebenslangerschicksalsschatz que significa o tesouro do destino ao longo da vida, e Beinaheleidenschaftsgegenstand, aquilo é quase aquilo que você quer, mas não completamente.

—Não entendi.

Ele me respondeu confuso.

—Bem, talvez Flávia não seja o seu tesouro do destino ao longo da vida, e sim aquilo que você quer mas não completamente. Entende? O seu tesouro está por aí.

—Sim, talvez eu esteja errado em persistir nesse casamento, no fundo eu sabia que nunca daria certo.

—Boa sorte.

Respondi sendo sincera, ele parecia aquele tipo de cara que não se encontra mais hoje em dia, o príncipe encantado, infelizmente eu já não acreditava em contos de fadas.

2 semanas depois

—Onde você tá? Filha não sei como você aguenta essa cidade, cidade barulhenta.

Minha mãe morava no interior, odiava viajar para cidades grandes e esse era um dos motivos para a gente se ver pouco, vim fazer minha vida um pouco longe, buscar novas oportunidades e no começo de carreira dinheiro é algo escasso.

—Eu estou passando em frente a uma livraria mãe, tem um monte de adolescente aqui na porta gritando, devem estar promovendo algum livro de escritor famoso.

—Pois minha filha, saiba que eu te amo, me ligue assim que puder. Beijos.

—Beijo mãe, te amo.

Desliguei a ligação e ia passar direto, mas reconheci alguém lá dentro da livraria.

Tentei passar pela multidão, mas parecia que não ia chegar nunca na porta, lembrei que ele tinha me passado seu número e liguei.

—Alô?

—Maurício? É Milena Lins!

—Oi Milena! Achei que nunca ia me ligar, desde que te dei meu número você nunca entrou em contato.

—Desculpa, estava em uma correria enorme. Mas olha para trás.

Vi quando ele se virou ainda com o celular no ouvido e me encarou, desligou e chamou alguém. Logo em seguida veio um segurança e disse que eu podia entrar, as adolescentes olhavam para mim furiosamente, sentia que meu corpo em qualquer momento entraria em combustão.

—Hey!

Ele me abraçou e parecíamos melhores amigos.

—É algum livro seu que estar em lançamento?

—Não! Quem me dera, é o meu amigo, olha ele ali.

Ele apontou para uma mesa onde tinha um cara bem charmoso assinando livros e tirando algumas fotos, parecia algo bem privado, tinha algumas pessoas importantes como o prefeito da cidade.

—Desculpa, mas eu não conheço.

Falei um pouco confusa, eu realmente não conhecia.

—Bem, estudamos juntos, ele tinha uma banda que bombou no exterior, escreveu um livro sobre sua vida e veio lançar ele aqui na cidade natal.

—Ah sim, não conheço muita gente daqui, deve ser isso. Como vai o Barney?

—Vai muito bem, está até mais feliz!

—Que bom! Ele é um cachorro muito bonzinho, pelo menos aparentou aquele dia.

Eu ri me lembrando o acontecimento e pareceu que ele leu minha mente, caiu na gargalhada, sua escandalosa gargalhada, chamando atenção de seu amigo que imediatamente olhou para mim. Ele me encarou por um tempo, olhei para o lado tentando desviar seu olhar, já estava envergonhada, Maurício percebeu.

—Vem, vamos no café no outro lado da rua.

Ele falou um pouco sério, parecia perturbado. Quando íamos saindo seu amigo apareceu.

—Está fugindo para onde Maurício?

—Que isso cara, vou só tomar um café do outro lado da rua, já volto.

Maurício ia continuar sua caminhada até a porta comigo ao seu lado e seu amigo chamou.

—Não vai apresentar essa moça ao seu lado?

—Hm, claro.

Ele parecia desconfortável com a situação, então tomei a frente.

—Milena Lins, prazer.

Falei estendendo a mão direita, ele veio e beijou minha bochecha.

—Nathan Araújo, a suas ordens.

Em seguida piscou para mim.

—Vamos indo?

Maurício falou encarando o chão.

—Vamos, preciso comer algo.

Me virei e dessa vez só segui o caminho não dando espaço para Nathan falar qualquer coisa, apesar dele ser maravilhoso eu sempre fico desconfortável com esse tipo de coisa.

Chegamos no café, fizemos nossos pedidos e ficamos nos olhando, parecia que nenhum dos dois iria se atrever a falar algo.

—Nathan gostou de você.

Maurício falou bebendo um pouco do café.

—Ele parece legal.

O líquido quente descia pela minha garganta, me trazendo uma sensação de conforto.

—Ele é.

Na minha cabeça de passou horas com nós dois calados, aquele clima pesado no ar e nenhum dos dois sabiam o porquê. Nossa conversa no hospital parecia a de dois melhores amigos que passaram muito tempo sem se ver e precisava botar o papo em dia, hoje éramos apenas dois estranhos, mas realmente éramos completos estranhos.

Terminamos o café e cada um foi para um lado, logo pensei, valeu a tentativa.

—Milena, espera!

Alguém gritava meu nome, ao olhar para trás era Nathan, a rua não tinha mais ninguém, o evento deveria ter acabado.

—Estamos indo para um pub, vamos?

—Bem, acho que melhor não.

—Vem, tenho certeza que Maurício vai gostar.

—Não sei, não somos amigos, sabe? Só conhecidos.

—Deixa de enrolação, vamos.

Ele segurou minha mão e atravessamos a rua, entrei em uma van onde tinha toda sua equipe e lá atrás Maurício estava sentado, ele olhou um pouco confuso e acenou, fui sentar ao seu lado.

—Quanto tempo. Falei.

—Bastante, exatos 5 min, pensei que ia morrer de saudades!

Talvez nem tudo estava perdido. Antes ele estava todo fechado, agora voltou ao Maurício brincalhão que eu conheci.

Conversamos até chegar no pub. Ele me contou que Flávia tinha viajado para Paris sem assinar os papeis, ele ainda estava oficialmente casado, porém se mudou, estava morando em uma chácara no começo da cidade que era longe das avenidas. Barney estava muito feliz com a nova casa e pensava em adotar um novo cachorro para ele não ficar tão sozinho, pois Barney gostava muito de um Chihuahua que Flávia tinha, que infelizmente ela não deixou ele levar. Chegamos no pub. Maurício não queria dançar, mas eu dancei muito na pista de dança, eu adorava esses surtos de loucuras de vez em quando, fazia bem para minha alma. Nathan por diversas vezes tentou ter algo comigo e eu enrolava, só queria lavar minha alma.

—Veeem, por favor!

Eu praticamente implorava a Maurício, já estava um pouco bêbada e minha meta era fazer ele dançar. Ele veio meio sem jeito, tentou me acompanhar e quando ele ia desistir começou a tocar uma música lenta.

—Nem invente, não tente fugir.

Falei segurando ele, forçando a ele colocar suas mãos em minha cintura e me conduzir na pista de dança, ele era realmente um príncipe. A muito tempo não me sentia tão bem nos braços de alguém, nesse momento eu percebi que eu não queria ficar com Nathan por um motivo, quem eu queria estava ali naquele momento dançando comigo e tecnicamente, era casado.

Estávamos quase nos beijando, mas ele viu algo me soltou. Nathan estava saindo do clube e Maurício correu atrás, eu corri atrás dele.

—O que houve?

—Droga, droga!

Maurício xingava até o vento.

—Mauricio?

—Olha, é melhor tu ir. — Ele falou bagunçando o cabelo com uma mão, e com a outra pegou o celular. —Ele não vai me atender. Falou baixinho.

—Você poderia me explicar o que está rolando? Acho que mereço alguma explicação para esse surto!

—Ok, vem.

Ele pegou minha mão e entramos na van que nos trouxe, não tinha ninguém nela.

—Nathan tá afim de você.

—Bem isso eu percebi, mas deixei bem claro que não quero nada.

—Na verdade ele me disse que você estava quase caindo no papo dele.

—Quê? Só porque eu dancei com ele?

—Enfim, ele deve tá me odiando.

—Mauricio, somos adultos, eu não quero ficar com ele. Você deve ter percebido quem eu quero no momento.

Falei encarando ele. Tomei um impulso e sentei em seu colo, estávamos no final da van, eu apenas beijei ele, sua mão passeava sobre meu corpo, desejo exalava de nossas peles, foi algo multo, recíproco. Mas quando as coisas estão subindo de nível ele me empurrou.

—Milena, calma.

—O que houve?

—Flávia era namorada de Nathan.

—Hm?

Não entendi o que ele estava tentando dizer. Ele me tirou do seu colo e sentei novamente ao seu lado, estava atordoada.

—Quando éramos adolescente tínhamos uma brincadeira de apostar quem pegava primeiro a garota, eu sempre ganhava. Um dia ele disse que estava ficando com a Flávia, eu achei que fazia parte dessa brincadeira, mas ele realmente gostava dela, porém eu acabei me envolvendo com ela antes de perceber isso e não consegui parar. Bem, ela largou ele e a gente namorou, depois se casou. Tecnicamente ainda estamos casados, outro motivo para isso não acontecer.

—Isso, a gente?

Bem, parece que no final príncipes realmente não existiam.

—Sim, ele deve ter pensando que eu estava sacaneando com ele. Não me leve a mal, eu quero te beijar desde a noite que passamos juntos no hospital, mas eu não posso até me resolver por inteiro.

—Ok.

Falei arrumando meu cabelo, ajeitando minha roupa no corpo e saindo da van.

—Posso te ligar depois? Quando tudo isso passar?

Eu já tinha descido da van quando ele me perguntou.

—Não sei, talvez. Cuidado para não ser tarde demais.

1 mês depois.

Nenhuma mensagem, nenhuma ligação.

Bem, talvez não era o certo.

Hoje aconteceria uma festa beneficente da clínica onde eu trabalho, estava arrecadando dinheiro dos caras importantes da cidade para abrir um abrigo para os animais, então eu precisava estar apresentável, quem sabe seguir com a vida e parar de esperar uma ligação que não vai vim? Logo a noite chegou, como a moça aqui não tinha acompanhante resolvi levar meu irmão comigo, ele sempre topa me acompanhar quando tem comida de graça.

—Boa noite Milena, sempre linda!

Falou meu chefe ao me encontrar no meio da festa.

—Boa noite Dr. Alberto, esse é meio irmão, Ricardo Lins.

—Prazer.

Ele respondeu apertando a mão do meu chefe.

—Médico veterinário também?

—Não senhor, eu sou engenheiro.

—Mesmo? Seria uma honra incluir mais um Lins em nossos projetos, me procure! Sua irmã sabe onde me achar.

—Muito obrigado.

Meu chefe saiu e ficamos conversando, meu irmão era uma das pessoas mais engraçadas que já conheci, morríamos de rir sempre que estávamos juntos.

—Eu vou no banheiro, volto já.

Fui andando em direção ao banheiro até ver ele, justamente ele.

—Oi.

Parei em sua frente, ele estava de terno, com a expressão fechada e olhava pra mim com cautela.

—Olá. Você falou bem sério quando mandou eu ter cuidado para não chegar tarde, seu tempo de espera é bem curto.

—Como?

Eu realmente não estava entendo o que ele estava tentando falar.

—Seu namoradinho ali, cuidado, ele parece estar bem interessada naquela moça.

Quando me virei ele estava apontando para o Ricardo, comecei a rir, dessa vez eu ria escandalosamente, não ele.

—Você está me achando com cara de palhaço?

—É meu irmão, seu idiota.

Logo meu sorriso desapareceu. Flávia chegou e segurou seu braço, parecia bem confortável se apoiando nele, nada que uma ex-esposa faria.

—Bem, essa não é sua irmã.

—Irmã?—Ela comentou confusa. — Espera você não é a veterinária?

—Eu mesma, desculpa atrapalhar, estou de saída.

—Espera, Milena!

Dessa vez eu não esperei. Me sentei em um jardim afastado o local que estava acontecendo as arrecadações. Escutei passos e já sabia quem era, nem me dei ao luxo e olhar.

—Por favor, vai embora.

—Desculpa, mas eu preciso falar com você.

Essa não era a voz que eu esperava.

—Flávia?

—Sim, a esposa traída.

—Olha, me desc...

—Calma, escuta. Eu assinei o divórcio, ele está apaixonado por ti. Não se preocupe.

—Como?

Era isso mesmo? A ex-esposa dando uma de cúpida para o seu ex-marido?

—Ele está escrevendo um livro, já está no final. Eu nunca vi nos meus 8 anos de namoro e casamento ele escrever um livro em tão pouco tempo. Um dia simplesmente cheguei de Paris, ele tinha se mudado, feito a barba, estava cantando e dançando pela casa nova, escrevendo um livro e dizendo que tinha achado o seu tesouro. Inclusive estava assistindo aquela bendita série que tanto odeio!

—How i met yout mother?

Eu ri, aquilo não podia ser real.

—Essa mesmo! Além de ter um cachorro chamado Barney, ele estava vendo isso e ainda por cima feliz, qual mulher não ficaria puta da vida ao ver seu ex dessa forma? Mas eu lembrei, foi por esse homem que eu me apaixonei, ele estava novamente lá. Ele estava feliz. Ele tem que continuar assim, mas ele não fica assim comigo, então assinei o divórcio e descobri por um passarinho chamado Nathan qual bicho tinha mordido ele. Antes de entregar os paeis eu fiz ele prometer que iria a esse evento comigo, hoje. Pois eu sou jornalista e não queria vim sozinha. E ele disse que tudo bem, mas não tinha tempo a perder e amanhã estaríamos oficialmente separados, pois ele tinha o mapa do tesouro, precisava pegar ele. Tecnicamente, já passou de meia noite. Se eu fosse você, eu ia lá.

Eu saí correndo, na verdade eu corri na mesma velocidade que uma tartaruga anda quando está com sono, pois minhas pernas estavam bambas, eu ainda não acreditava em tudo aquilo. Maurício estava com o telefone no ouvido, tentando ligar para alguém e na mesma hora meu telefone toca.

—Oi.

—Milena, onde você está?

—Calma, só me diz uma coisa.

—O que?

Ele não me via, mas eu estava vendo seu desespero do outro lado do salão.

—Como o livro termina?

Ele sorriu, começou a me buscar com o olhar até me achar, nossos olhares se conectaram, um frio subiu pela minha espinha.

—Ainda não sei, preciso de mais inspiração.

—Tudo bem, eu posso resolver isso.

Desliguei o telefone e atravessei o salão.

—Como você vai resolver meu problema senhorita?

—Assim.

Nossos lábios se tocaram, e eu senti que naquele momento que eu tinha encontrado o meu tesouro, meu Lebenslangerschicksalsschatz.

Notas finais
COMENTEM!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!