Notas iniciais
BECCA VOLTOU Não vou nem ficar enrolando aqui nas notas iniciais, vamos logo rever a Becca, galera *-* Apenas, PELO AMOR DE DEUS vejam as notas finais. Vocês não vão se arrepender!

Becca

Era como uma névoa, espessa e impenetrável. Era impossível enxergar qualquer coisa, não conseguia organizar meus pensamentos. Era como se eu estivesse à deriva no meio do oceano, o céu noturno refletindo na água, tornando difícil de diferenciar céu de mar, lá de cá. Estava perdida em uma imensidão imensurável.

Mas, como um milagre, consegui discernir certo aroma. Era caloroso e bastante convidativo. Fazia-me querer sair correndo ao seu encontro, de forma desesperadora. Levou-me alguns minutos para enfim conseguir identificar tal aroma: costela bovina.

Quase imediatamente após eu conseguir identificar o cheiro que estava me enlouquecendo, senti uma sensação agradável sobre minha pele. Suaves e ritmadas carícias percorriam minha face, eu sabia. Sentia-as percorrendo minhas bochechas, minhas têmporas, tirando meu cabelo de meu rosto… Mãos grandes e quentes davam-me tamanho carinho, fazendo meus sentimentos — sejam eles quais forem — voltarem a mim.

Enfim parecia que eu tinha o que precisava para deixar aquele mundo de escuridão e confusão e, usando uma força tremenda que outrora eu não tivera, abri meus olhos.

Deparei-me com vastas piscinas esverdeadas que me fitavam preocupadamente. Assim que se deu conta que eu também o olhava, Mathias perdeu a expressão preocupada para uma mistura de espanto e alívio. Examinei o rosto dele, antes tão familiar, que se ocupava em me analisar de forma incrédula. Sua barba que roçava meu rosto quando nos beijávamos; seus olhos verdes, sempre carregados de amor e aventura; seu sorriso maroto que fazia até mesmo eu sentir-me envergonhada; seus piercings e seus longos cabelos castanhos, uma simples demonstração de sua personalidade… para mim, parecia que havia se passado décadas desde a última vez em que eu o vira.

E então lembrei-me de fato da última vez em que o vira. Uma rede de prata caía sobre mim, queimando-me a cada toque. Eu uivava, mordia, tentava desesperadamente me soltar, até me dar conta de que meu parceiro de aventura corria para salvar a própria pele. A visão do lobo negro de Mathias, olhando para trás enquanto fugia daquela ruela em Las Vegas, estaria sempre cravada em minha memória. Era algo irreparável.

Eu conseguia ainda notar todos os fatores que me fizeram cair por Mathias, mas também conseguia afirmar que não era mais tão afetada por ele quanto antes. Mathias já não tinha mais um efeito tão cego sobre mim. Apesar de eu ainda me sentir atraída por ele, conseguia perceber que não era uma ligação tão forte quanto minha loba tinha sentido.

Minha… loba.

Como um trovão, a realização de que eu e minha loba — eu e Bexi — não estávamos juntas quase me fez regredir ao meu estado anterior. As lembranças do maldito cientista e médico vampiro, Francis Holland, sacudiram-me como um tornado. As imagens passavam vívidas pela minha cabeça. Eu enjaulada, sendo sempre que possível sedada ou atiçada com ferramentas de prata, até que finalmente fui levada para o centro cirúrgico, onde perdi minha consciência vendo o rosto do miserável Francis se aproximando de mim, triunfante. Bexi, em nossos últimos momentos juntas, recitava para mim o quanto me amava, o quanto havia apreciado nosso tempo juntas, e o quanto iria fazer sofrer todos os responsáveis caso sobrevivêssemos.

Sentei-me na cama num piscar de olhos, como uma múmia, assustando Mathias que ainda me admirava.

— Rebecca! V-você está bem? Tem certeza que está em condições de fazer movimentos tão bruscos? Está tonta? Quer que eu chame os médicos-

— Mathias — cortei. — Mathias, onde está minha loba? Ela… — Engoli em seco antes de conseguir terminar a pergunta. — ela está viva, está bem? Me diga, por que raios está tão quieto em minha mente?

Foi a vez dele engolir em seco, e percebi que não tinha forma fácil de me contar o que eu estaria prestes a ouvir.

— Becca, você sofreu uma cirurgia experimental de alto risco. Altíssimo risco. Tanto é que sua loba foi o primeiro espírito lupino a sobreviver. Aquele cara pirado, o vampiro, ele conseguiu, sabe-se lá como, separar sua alma e seu corpo, de sua loba.

— M-mas onde ela está? — indaguei, minha voz afinando como sempre fazia quando eu estava nervosa.

— Está com seus amigos, muito bem protegida e supervisionada. Ela está consciente desde o dia da cirurgia, mas você e seu corpo estiveram em um coma desde então. Eu estive aqui, todos os dias, aguardando você acordar.

Suas palavras fizeram-me sentir melhor, mas eu precisava saber mais sobre Bexi. E, honestamente, tinha outra pessoa que eu desesperadamente precisava saber a respeito.

— Aidan. Onde está Aidan. Ele está bem? — Eu sabia que, se eu estava sã e salva no velho quarto da casa do Alpha, então devia um agradecimento justamente a tal Alpha.

Mathias não soube esconder a decepção ao ouvir minhas indagações sobre Aidan Rucker. Também fora perceptível a tensão no ar que surgiu após isso. Mesmo assim, o lobo solitário acariciou meu braço e botou-me a par de tudo que acontecera em minha ausência. Contou-me sobre o grande confronto com os vampiros, capangas e lobos de Elizabeth Roman, como as alcateias de Columbus e Seattle se uniram — e também ele e seus amigos — para me salvar e me vingar. Contou-me sobre meus amigos: Corrie e Christian, forçados a voltar para sua alcateia; Luke, forçado a voltar para o Maine; e Scarlet, que estava com Aidan, Robert e alguns outros lobos no México, tentando achar um jeito de me unir com minha loba através de magia e espiritismo Selvagem.

Após toda essa enxurrada de informações, não consegui me conter. Algumas lágrimas escaparam de meu rosto. Era demais, eu havia passado por coisas demais. Bexi havia passado por muito mais ainda do que eu, pois estava acordada, lúcida, durante todo esse tempo. Se mal havia se passado meia hora que eu havia acordado e já não aguentava a dor que a falta dela me fazia, eu mal conseguia imaginar como ela estaria conseguindo sobreviver.

Mathias me envolveu em seus braços, apertando-me carinhosamente contra seu corpo quente. Entreguei-me ao abraço, apesar das lembranças que tinham me incomodado há pouco. Eu precisava de uma folga, precisava de apoio emocional nesse momento. Deixei que ele me acalmasse e falasse coisas doces em meu ouvido até que as lágrimas parassem de cair.

—x-

A única forma de descrever tamanho talento de Liam era dizer que sua costela era uma explosão de sabores em minha boca. Cada uma de minhas papilas gustativas estava fazendo a festa. Eu não sabia que Liam era tão bom cozinheiro, mas imediatamente duvidei da posição de Riley como sendo o melhor cozinheiro da alcateia.

Após os médicos que Robert havia designado terem me dado alta, apesar de muito surpresos por minha recuperação repentina do coma, eu e Mathias descemos a fim de almoçarmos com o resto de minha alcateia. Foi bom conversar com todos com calma, sem nenhuma ameaça vampírica iminente nos deixando nervosos. Mesmo sem a presença de Bexi e dos outros lobos que foram para o México, estava sendo um almoço muito agradável, não somente pela comida deliciosa do lobo ruivo. Fiquei aliviada ao ver Nate e Clayton novinhos em folha, pois da última vez que eu havia os visto ainda estavam se recuperando do confronto com Roman nas nossas florestas.

Estava tudo indo maravilhosamente bem, até mesmo Mathias estava bastante enturmado na alcateia, e eu já havia repetido a porção quatro vezes. Para a sorte de todos, Liam havia feito muita, mas muita costela. Entretanto, o encanto se quebrou quando a porta se abriu e um sujeito muitíssimo alto e musculoso adentrou a casa do Alpha.

— Ora, ora, ninguém nos convidou para o almoço. — Aquela voz arranhou meus ouvidos, de tanto que eu a desprezava.

O pedaço de costela que eu estava roendo caiu de minha mão para o prato, o som do osso contra a porcelana chamando a atenção de todos para mim.

— Puxa, Becca, sei que estava com saudades, mas não precisa ficar tão espantada assim com minha presença. — Maxwell Kenter falou, e ele e alguns amigos que entraram atrás dele trocaram sorrisos de escárnio.

Limpei minha boca e mãos com um guardanapo, ainda não conseguindo tirar meus olhos de Maxwell. Como era possível? O que diabos ele e seus amigos idiotas estavam fazendo em Columbus, em meu lar?

Percebi como o ar ficou tenso, todos na mesa me analisavam, certamente se perguntando se nos conhecíamos e o motivo pelo qual eu estava agindo daquela maneira. Desviei meu olhar para Mathias, que me encarava com uma sobrancelha arqueada, e depois o direcionei a Connor, o Alpha temporário da alcateia.

— Becca, — explicou Connor, percebendo minha súplica por um esclarecimento. — como nosso Alpha e alguns de nossos lobos saíram do território por tempo indefinido, e já que somos uma alcateia pequena, Joseph Beitman, seu antigo Alpha, generosamente nos forneceu uma ajuda. Maxwell e mais alguns lobos de Seattle estão aqui para ajudar a manter a ordem e proteger a alcateia de possíveis invasores.

Maxwell? Justo Maxwell?

Como se percebesse que eu ainda estava incomodada, acrescentou:

— Eles também ajudaram a tirar você das mãos da vampiresa.

Como se isso desse a Maxwell algum mérito. Sim, ele era um ótimo guerreiro, até entendia o motivo de Joe o mandar como ajuda para Aidan em Las Vegas, mas só porque ele ajudou a me trazer de volta pra casa não queria dizer que estava tudo ótimo entre a gente. Certamente não significava que eu ficaria feliz em revê-lo.

— Becca, tem alguma coisa errada? — Liam murmurou ao meu lado, mais por educação, pois mesmo com aquele tom de voz baixo qualquer lobisomem dentro da casa conseguiria ouvir.

Sem jeito, limpei minha garganta e neguei com a cabeça, mentindo para meus irmãos. Eu não estava com vontade de estragar o clima pacífico com histórias de quem Max realmente era ou o quanto não nos dávamos bem. Bexi certamente teria feito um escarcéu, mas eu mesma achei melhor deixar as coisas quietas por enquanto.

— Não, não é nada. — Sorri desajeitadamente para todos, inclusive Max. — Mathias, você gostaria de me acompanhar para uma corrida? — O solitário levantou os olhos para mim, puxou mais um osso da costela para ir comendo no caminho e levantou-se da cadeira.

—x-

Infelizmente, não bastava eu estar sem minha irmã loba Bexi, mas consequentemente não conseguia me transformar em loba, pois, de certa forma, eu não era mais lobisomem. Contudo, a corrida ainda estava sendo muito relaxante. Continuava a ser uma terapia, um jeito de eu focar na natureza e esquecer meus problemas ao menos por um tempo.

Eu havia convencido Mathias a se transformar e ir correndo como lobo na minha frente, mesmo ele tendo protestado. Eu não queria que ele deixasse de correr com seu lobo só por minha causa. Ao menos um de nós deveria experimentar por completo aquela experiência.

Vi-o se transformar no grande lobo negro de olhos dourados. Lembrei da cena em Las Vegas, mas logo tirei-a da cabeça. Eu estava viva. Sim, estava sem minha loba, mas tinha de confiar em meus amigos e confiar que eles dariam um jeito. Ao menos eu estava bem, já era motivo o suficiente para comemorar. Mathias fez um carinho com sua cabeça em minha perna, também um chamado para segui-lo e o observei se camuflar à escuridão das sombras das árvores.

De início comecei com uma caminhada rápida, queria primeiro observar a natureza em sua essência. Mathias uivava à frente, chamando-me, mas deveria esperar que eu me atrasasse. Também não me apressei muito, pois queria desfrutar de um tempo sozinha, sem meus amigos ou irmãos lobos. Depois de uns vinte minutos caminhando cada vez mais mata adentro, decidi que estava na hora de me exercitar de verdade. Quando fora a última vez que eu me exercitara até me fadigar? Anos atrás, quando eu ainda era humana.

Corri na direção que Mathias havia seguido. Ele já estava, sem dúvidas, alguns quilômetros a minha frente, mas não era preciso ele estar perto para eu saber para onde iria. Iria para o cume da montanha uivar, mesmo sendo de dia.

Meu suor já pingava e já sentia que meu rosto estava vermelho como um pimentão. Por eu estar morrendo de calor devido ao esforço, o frescor de estar debaixo da folhagem era algo que eu não trocaria por nada. Mesmo sem minha audição aguçada de lobo, conseguia ainda ouvir o canto dos pássaros e o eventual farfalhar de um arbusto por eu ter assustado algum inocente roedor. Todavia, para minha extrema infelicidade, não consegui ouvir o lobo gigantesco que se aproximava de mim até ser tarde demais.

Eu não tinha para onde fugir, tendo percebido o enorme lobo castanho claro apenas quando ele já estava a menos de cinco metros de mim. Era um lobo que eu certamente reconheceria até mesmo no fundo do oceano.

— Maxwell — gritei, tendo me assustado tanto por ter sido seguida, tanto por ter sido justo ele a me seguir.

Saber que ele certamente estaria sentindo o cheiro de minhas emoções me irritava tremendamente, mas eu não podia fazer nada. Não podia negar que estava assustada, ainda mais porque Mathias estaria muito longe já para pegar o cheiro do outro lobo ou sequer saber que ele estava aqui.

Max se transformou, deixando no lugar de seus pêlos castanhos sua pele bronzeada, seus cabelos loiro-escuros, olhos castanhos, e sorriso maléfico. Eu o conhecia muito bem, sabia que vinha encrenca para cima de mim.

— Beccinha, você por aqui? — debochou de mim, mas tentei não me intimidar. Ou pelo menos fingir que não estava intimidada, afinal de contas, estava sem minha loba e praticamente indefesa.

— Não comece com seus joguinhos, Max. Por que me seguiu? Não tem nada melhor para fazer, não?

— Estava com saudades! Que horror, você não sentiu minha falta, também, irmãzinha de alcateia? Poxa, faz tanto tempo que não nos vemos! — sua indignação forçada me fazia querer vomitar.

— Tempo esse que para mim foi uma dádiva — retruquei, mantendo meu olhar fixo em seus olhos. Era claro que ele queria me desconcentrar, baixar minha guarda. Estava à vontade, circulando-me, completamente nu. — Cadê seus amiguinhos? — perguntei. — Vocês já terminaram de fazer as unhas uns dos outros, por isso conseguiram se desgrudar?

Minha pífia tentativa de irritá-lo foi mal sucedida. Pelo contrário, parecia que ele estava contente que eu estava me esforçando para atingi-lo. Revirei meus olhos quando ele soltou uma risada.

— Estou vendo que sentiu sim minha falta. — Seus caninos brancos ainda estavam alongados como presas, o que demonstrava que ele ainda estava parcialmente transformado. Isso era um tanto perigoso, pois indicava que ele ainda estava sentindo a euforia da caça, em que, para meu desespero, eu era a presa. — Eu certamente senti muito a sua, assassina.

Assassina. Arrepiei-me ao ouvir, após tanto tempo, meu fatídico apelido. Ninguém havia me chamado por ele desde a minha primeira semana como loba, na Alcateia de Seattle. Max certamente deveria estar se sentindo livre para fazer comigo o que quisesse, já que estava na ausência de seu Alpha, Joseph e do meu próprio Alpha.

— Você é uma metida que faz falta, disso pode ter certeza.

Arfei quando ele jogou-se sobre mim e prensou meu corpo contra o seu em uma árvore. Segurava-me pelo pescoço com uma das mãos, apenas forte o suficiente para me alertar a não me mexer. Caso ele quisesse, poderia esmagar meus ossos em pedacinhos.

— O q-que q-quer? — perguntei com dificuldade, encarando-o com um misto de espanto e o que eu desejaria que fosse intimidação, mas não tinha tanta certeza de que estava conseguindo ser tão intimidadora quanto queria naquele momento.

— Aí é que está a raiz do problema, Becca. Eu não sei. Por isso estou aqui, para descobrir. Você é quem vai tirar minha dúvida, assassina. Estive perambulando por aqui, pela sua nova “casa”, justamente esperando você acordar. Quero saber se você continua tão interessante quanto antes.

Quanto com sua loba. Eu sabia que ele queria dizer isso e isso me enfureceu mais do que ele estar me prensando, seu corpo contra o meu, mais do que ele ter me seguido em um momento que era para ser especial, e mais do que ele estar no meu território, ainda me infernizando.

— Diga-me, Beccinha, você humana é sem sal? Ou ainda é tão irascível e valente quanto como lobisomem? — Cerrei meus punhos, contando até dez mentalmente pois, de fato, não sabia se conseguia me livrar dele sozinha. — Você acha que ainda tem potencial para ser atraente aos meus olhos?

E esse foi o pingo d’agua. Como ele ousava achar que minha existência revolvia em torno dele? Como ele ousava achar que eu tinha a obrigação de ser interessante para ele, para qualquer um, por sinal?

Com um grito de esforço, consegui flexionar meu joelho com força contra seu corpo, acertando em cheio justamente o lugar onde eu havia mirado. Senti sua mão se afrouzar de minha garganta, ele se ajoelhar no chão da floresta e aproveitei para dar um soco em seu rosto, nem que fosse apenas para lembrá-lo por algum tempo de que, mesmo humana, ele não podia me tratar daquele jeito. O sangue escorria de seu nariz quebrado e ele grunhiu de dor.

Saí correndo com a esperança de, ao menos, chegar ao alcance dos ouvidos de Mathias. Berrava por ele, pedindo socorro, tentando ajudá-lo a me localizar. Contudo, não demorou para Maxwell me alcançar ao invés de Mathias.

— Porra, Becca, confesso que não esperava por essa.

Dessa vez manteve sua distância e eu mesma estava tomando mais cuidado para não dar as costas a ele ou deixá-lo chegar muito perto.

— Mas não estou bravo contigo, fique tranquila. Foi divertido, deveria ter antecipado que eu estava me expondo a esse risco, mesmo você tão frágil quanto está.

Deu as costas para mim, dando alguns passos em direção à cidade.

— Para sua alegria, assassina, você gabaritou o teste.

Suas palavras ficaram ecoando em minha mente muito tempo depois de ele já ter partido. Continuei a correr e a gritar, tentando encontrar-me com Math. Depois do que pareciam ter sido séculos, voltei a ouvir seus latidos preocupados e o encontrei à beira do rio que cortava a floresta em duas.

— Rebecca! — exclamou, transformando-se imediatamente ao me ver. — O que houve, por que está tão assustada? Você se perdeu?

Eu ia respondê-lo, mas vi como sua expressão mudou ao captar o cheiro de Max que certamente estava me impregnando.

— Esse cheiro… — Franziu o cenho. — Você está cheirando aquele cara, aquele lobo de Seattle. — Encarou-me — Becca, o que houve?

E eu sentei na grama, lavei meu rosto suado e contei. Contei o que aconteceu na floresta e contei todo meu passado conturbado com Maxwell. Mathias apenas me ouviu, deixando-me contar tudo antes de reagir. Ocasionalmente ele suspirava ou franzia mais o cenho, demonstrando de forma calma seu desgosto.

Quanto terminei, nem percebi que tremia. Não sabia se era por medo ou por raiva. Eu nunca tivera medo de Maxwell Kentner, mas, como ele mesmo havia demonstrado, eu não era a mesma que fora quando o conhecera. Até Bexi voltar para mim eu teria que tomar muito cuidado, até porque ele não estava sozinho em Columbus.

Mathias pegou meu rosto em suas mão quentes, um toque que definitivamente não me fazia recuar em repulsa como o de Maxwell. Aproximou meu rosto do dele até estarmos há apenas poucos centímetros de distância um do outro e sussurrou, olhar colado ao meu:

— Daqui para frente você vai ficar ao meu lado, vinte e quatro horas por dia, entendeu? Eu não quero que você passe por algo assim de novo. Ele é mais dominante do que eu, não posso enfrentá-lo de cara, nem sozinho, mas posso servir de interferência. E é justamente isso que planejo fazer.

Suspirei aliviada, nem sabendo que eu queria tanto ouvir alguém dizer que queria me proteger. Mathias me envolveu, abraçando-me por longos minutos. Lembrei-me de Aidan, aquele que já provara que queria me proteger, sendo por palavras ditas ou por puras ações, grandes e pequenas. Entretanto, ele estava longe, não poderia me proteger agora.

Mas Mathias podia, e tinha certeza de que iria. Portanto, quando o lobo dos olhos verdes foi se aproximando devagar, eu não recuei. Quando colocou suas mãos em minha cintura, eu não protestei. Quando estava quase colando seu lábios nos meus, eu o derrubei, colando nossos corpos na grama úmida.

Notas finais
Mataram as saudades? Gostaram da volta da Becca e do Mathias? Da volta dos dois juntos? Não me apedrejem por favor kkk Pessoal, pra quem não curte a página de Dominante no facebook ainda, vou deixar aqui o link do trailer MARAVILHOSO que a Juliana Bohaienko fez pra Dominante. Vão dar uma conferida, curtam o vídeo dela, pessoal. Ficou daora ♥ https://www.youtube.com/watch?v=HOResg3_56g Até o próximo, gente. Obrigada pela leitura!