Vale à Pena Arriscar
4 Um Talvez É Tudo Que Preciso
Notas iniciais
̶ Por que o Minho não pode vir conosco? – pergunta Thomas virando mais um corredor, enquanto seguia Brenda para onde ela insistia que tinha algo a lhe mostrar.
̶ Por que já é difícil tirar uma pessoa daquela área, imagine duas. – responde ela sem parar de andar, seus passos eram rápidos, onde algumas vezes Thomas tinha que correr um pouco para não ficar para trás. – E depois você pode contar a ele.
Thomas concordou e seguiu em silencio, estava muito curioso com o que ela tinha de falar sobre Newt, estava com medo de que algo de ruim – retirando o fato dele ser um Crank – tivesse acontecido com ele.
Quando chegaram ao limite de um corredor onde existia apenas uma porta branca a frente e uma outra no lado esquerdo, Brenda para de andar fazendo um sinal para que Thomas a imitasse.
̶ Que foi? – pergunta Thomas.
Brenda abre a porta do lado esquerdo do corredor e pede para ele entrar.
̶ Espera ai que eu já venho te buscar. – diz ela e Thomas mesmo não entendendo o motivo daquilo, a obedece, entrando no pequeno cômodo que logo ele reconheceu ser uma dispensa, com várias prateleiras ocupadas por produtos de limpeza. – Não demoro. – então fecha a parta, o deixando na completa escuridão.
Dez minutos se passou e Thomas já estava se perguntando o porquê da demora de Brenda quando escuta o som de uma porta sendo aberta e depois barulho de passos que foram se distanciando gradualmente até que não era mais possível escutá-los.
No minuto seguinte, alguém abre a porta da dispensa dando para vê que era Brenda.
̶ Vem Tommy. – diz ela e Thomas faz uma careta de desagrado, só Newt o chamava assim.
̶ Não me chame assim, por favor. – fala enquanto saia do cômodo.
̶ Me desculpa, foi sem querer. – responde ficando sem jeito.
Thomas reconhece que foi um pouco rude, mais não se desculpou.
Brenda abre a segunda porta e adentra no local.
A sala onde entraram não era muito grande, lá existia vários monitores mostrando cenas de locais diferentes de uma mesma cidade ou talvez de várias, Thomas não saberia responder, logo a frente havia duas cadeiras giratórias onde encima de uma mesa preta possuía outro computador, pequeno e portátil.
̶ Se senta. – diz Brenda apontando para uma das cadeiras enquanto fechava a porta e logo em seguida se dirige até ele, se sentando no assento restante.
̶ Então Brenda, poderia dizer logo o porquê de ter me arrastado até aqui?
̶ Bem... – ela arrasta sua cadeira até chegar perto da mesa, pegando o computador e digitando por um instante até que as imagens dos outros monitores trocam para uma outra cidade. – O CRUEL está planejando algo nada bom.
̶ Como assim?
̶ A cura você deve imaginar que não será para todo mundo, né. – diz ela digitando outra vez e em um dos monitores a frente, aparece um mapa dos Estados Unidos marcados em pontos pretos todas as cidades do país, mas existiam algumas onde o ponto era vermelho que Thomas rapidamente contou, constatando que havia 35 delas. – O CRUEL nunca daria para todos os infectados, se não um velho problema retornaria que no qual foi o motivo dessa epidemia.
Thomas a encara demonstrando que não entendeu sobre o que ela se referia.
̶ Suprimentos, Thomas. – diz ela estralando a língua, como que fosse algo obvio.
̶ Assim. – Thomas arqueia as sobrancelhas, em sinal de compreensão. –... E o que o Newt tem a ver com isso?
Ela olha Thomas direto nos olhos, o estudando por um instante e então diz:
̶ Sei que você e ele se gostavam.
̶ O que? – o moreno arregala os olhos, lançando um olhar interrogativo a ela que responde com uma expressão insinuativa o qual fez Thomas revirar os olhos... Ele gostar do Newt?... Talvez não tivesse como negar, aquelas sensações estranhas e desejos que sentia pelo loiro quando estava perto do mesmo eram bem incriminadoras, mas o moreno nunca chegou uma conclusão certa onde poderia afirmar para si que realmente sentia algo por Newt além da forte amizade. – Você está imaginando coisas, isso sim.
Brenda sorri desconfiada mais balança a cabeça ao se lembrar do motivo que havia trazido Thomas até aquela sala.
̶ Mais voltando ao assunto. – retoma ficando séria. – Thomas o CRUEL vai exterminar aquelas cidades que foram tomadas pelos Cranks.
̶ Exterminar? – repete virando rapidamente o olhar para o mapa no monitor, Thomas procura com os olhos agitados até que encontra o nome que procurava, Denver, onde o ponto que marcava sua localização era na cor vermelha. – Eles vão destruir todas essas cidades? – pergunta atordoado, com os olhos fixados no nome Denver. – Denver é u-uma delas?
Brenda assente e depois murmura um Sinto Muito.
Thomas não sabia o que falar ou sentir, Newt estava em Denver, aquele que foi seu amigo dês do começo, a pessoa que ele mais se importava estava em uma das cidades que o CRUEL pretendia exterminar.
Por que sempre o CRUEL? Thomas se perguntou, ele estava ciente do que Janson era capaz, mais isso já era de mais... Qual seria o motivo de tudo que fizeram para conseguir a cura? Se no final eles pretendem destruir cidades inteiras cheias de pessoas doentes e essa desculpa de que faltariam suprimentos Thomas não acreditou...
***
Thomas fecha o registro do chuveiro e sai do Box parando enfrente ao balcão da pia enquanto enrola uma toalha branca na cintura, ele passa a mão sobre o espelho e o desembaça, encarando assim seu próprio reflexo, seu olhar era tristonho e de quem havia sido derrotado.
Depois de ter voltado da sala dos monitores, o moreno se sentou sozinho em uma das mesas do refeitório, não conseguiu falar com Minho, estava muito abatido para aquilo, queria apenas ficar sozinho.
Thomas aperta com força a beirada da pia baixando a cabeça, trocando o pé de apoio, estava inquieto e em um acesso de pura frustração derruba tudo que havia sobre o balcão, tendo seus sentimentos antes confusos agora concentrados na raiva.
Brenda falou que Denver seria a primeira cidade a ser destruída e já tinha a data marcada para daqui sete dias ao meio dia vários mísseis será direcionado a ela, era para não deixar ninguém vivo mesmo.
̶ Meu Deus, isso é muito desumano. – vociferou procurando qualquer coisa que havia sobrado inteira para que ele pudesse destruir e quando não encontrou nada, se jogou no chão frio e molhado, encostando as costas na porta de madeira.
Thomas mais uma vez se lembra daquele episódio horrível que passou quando Newt implorará por sua morte e ele não conseguiu atender ao pedido do loiro, mais agora o CRUEL tomará conta disso... Será que vai ser rápido? Será que ele vai sofrer? Será que vai ficar com medo?
Thomas fecha os olhos, queria parar de pensar naquilo antes que ficasse louco.
***
Minho toma o último gole de sua água quando finalmente vê Thomas entrando no refeitório e indo se sentar em uma mesa afastada sozinho, o asiático se levanta e vai até ele, se sentando no banco a sua frente.
̶ O que aconteceu Thomas? – pergunta debruçando sobre a mesa, preocupado com o amigo que estava com uma aparência péssima. – Sabe, fiquei pensando... O CRUEL fez a cura para os doentes né... – Minho sorri ao pensar na possibilidade. – Então provavelmente o Newt vai... – Minho para de falar quando vê Thomas balançando a cabeça em discordância. – O que foi?
̶ Minho a cura não é para todo mundo. – diz sem encará-lo. – O CRUEL não pretende dar a cura para todos, eles vão exterminar 35 cidades dos Estados Unidos e Denver está entre elas... O Newt... Ele não vai... Ficar bem.
̶ C-como?
***
Quatro dias se passaram e assim como Minho tinha falado, Ava Paige veio até a área dos prisioneiros anunciando que naquele dia eles seriam transportados em um Berg até o abrigo de New Jersy.
Ava reúne todos e ordena que a siga, todos os Clareanos e garotas do Grupo B a obedece sem nenhum questionamento, onde na verdade a maioria estava bem animada em ir para New Jersy, e não faltava motivos, finalmente todo o sofrimento deles havia acabado.
Thomas foi o último a sair pela porta dupla, se mantendo em silêncio o caminho todo.
Brenda estava entre eles e pelo estranho que pareça a Thomas, Minho se aproximou dela pronunciando algumas palavras, os dois conversaram e logo o asiático se afasta, com um sorriso nos lábios, Thomas olha Brenda e vê a mesmo sorriso, deixando o moreno intrigado.
Não demorou muito e todos estavam dentro do Berg, Brenda junto a Ava fica na porta automática da aeronave enquanto observava cada um entrar, Ava Paige não iria junto e como Thomas foi o ultimo a embarcar pode ver a ex-chanceler entregar um objeto retangular de tamanho médio a Brenda, as duas começaram a conversar, parecendo que Ava dava instruções a outra, mas não foi possível Thomas ouvir, pois um guarda o empurrou para que entrasse logo.
Thomas é guiado até um tipo de sala onde encontrava vários assentos, ele olha a sua volta atrás de Minho e logo avista o amigo sentado no meio de Caçarola e Aris, Thomas resmunga mentalmente se sentando ao lado de uma garota, queria conversar com o asiático sobre o que ele estava falando com Brenda mais agora teria que esperar.
Meia hora se passou e o Berg finalmente decolou, a maioria dos garotos e garotas conversava animadamente enquanto Thomas seguia em silencio, perdido em seus pensamentos, relembrando com grande agonia que faltava apenas três dias para o abatimento de Denver e cada dia que se passava era uma tortura psicológica, ele estava aflito, perturbado e desmotivado, parecendo que a paz insistia em fugir dele.
Depois de cinco horas de vôo a voz do piloto pode ser ouvida nos alto-falantes, alegando que iriam pousar em 20 minutos.
Assim que pousaram duas pessoas, um homem e uma mulher vieram recebê-los e depois de um discurso – o qual Thomas não fez questão de prestar atenção – eles começaram a desembarcar os novos moradores do abrigo e quando chegou sua vez, Minho o alcança, segurando seu braço para que não saísse.
̶ O que foi? – perguntou desentendido.
̶ Temos um outro plano. – responde Minho.
̶ Que plano?
̶ Calma que daqui a pouco você descobrirá.
Thomas ficou ainda mais curioso mais resolve ficar quieto, e depois de alguns minutos só ficou eles dois e Brenda no Berg o qual fechou a porta automática.
Brenda conduziu os dois para a sala do piloto onde estava apenas Jorge, a garota se senta na cadeira do co-piloto mandando os dois sentarem em outras duas cadeiras.
̶ Agora podem dizer o que está acontecendo? – pergunta Thomas encarando Minho e Brenda.
̶ Thomas a uma chance de conseguirmos salvar o Newt. – responde Minho deixando o amigo bastante interessado no assunto.
Brenda vira o corpo pegando a caixa retangular que Thomas tinha visto mais cedo encima de um espaço vazio ao lado de vários botões de comando do Berg e entrega a ele.
̶ O que é isso? – pergunta e ela manda abrir. Thomas a obedece apertando um pequeno botão ao lado esquerdo do objeto que emite um som de um clique e uma segunda caixa retangular sai de dentro da maior o qual estava aberta na frente e no interior dela existia um outro objeto do tamanho de uma caneta, metade vidro e metade metal dando para ver um liquido turvo na metade de vidro. – Isso é a...?
̶ Sim, a cura. – Brenda completa, sorrindo ao ver o brilho que surgirá nos olhos do amigo.
̶ Como você conseguiu?
̶ Ava Paige... Ela se sente realmente muito mal por tudo que o CRUEL fez vocês passarem e ela tem uma grande admiração por você Thomas. – Brenda pega a cura de sua mão e a guarda novamente. – Então ela resolveu ajudar.
Thomas estava boquiaberto, não sabia o que dizer para expressar o que sentia... Existia uma esperança ao Newt?
Porém Thomas se entristece logo em seguida quando se lembra de um fato.
̶ Mais Denver é enorme, como iremos encontrar Newt em meio a tanta gente?
Agora foi a vez de Minho responder.
̶ Está certo, só que Newt ainda possui aquele rastreador que o CRUEL implantou, não é? – Thomas confirma. – Ava nos ajudou com o programa, então vai ser fácil encontrá-lo.
̶ Mais o rastreador funciona apenas quando estiver em curta distância. – Thomas queria pensar em todos os contras antes de se permitir ter alguma esperança.
̶ Você não falou que encontrou com ele antes de vir para o CRUEL, acho que vai dá para começa por lá... Ainda temos três dias. – diz o asiático e então Thomas sorri, talvez aquilo poderia dar certo mesmo.
̶ Acho que você está certo... Mais por que não me falaram nada sobre isso?
̶ Você já estava muito mal e eu não queria te alarma para depois dizer que não teria como. – responde. – Agora é diferente, existe realmente uma chance de dar certo.
̶ Mais tenho que deixar claro, a doença de Newt já tem seis meses, a cura pode não dar efeito nele... Ou ele pode nem estar... Você sabe... Vivo. – fala Brenda com cautela, não queria estragar a esperança dele, mais tinha que ser sincera.
Thomas pensa por um instante, Brenda poderia estar certa, mais também poderia estar errada... Ele sabia que seria um tiro no escuro mais um talvez era tudo que ele precisava para poder se arriscar, por Newt valia a pena.
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