Valdelair - Nicolas
2 Alex - Na sombra
Notas iniciais
Hohoho segundo cap em, ansiosos leitores fantasmas? Eu não.
PVO da Alex...
Olhei o sebo as mocas ansiando por algum movimento ou barulho, mas o único que eu ouvia era a risada débil de Clarisse sentada no chão lendo alguns gibis. Ela parecia mais desligada do que o normal aquela tarde.
Meu rosto caia das mãos de tempos em tempos. A rua sempre tão movimentada parecia estar morta. A porta tão barulhenta devido a sineta estava silenciada. Deixei um bocejo escapar. A sineta da porta finalmente tocou. Poderia ser um cliente ou minha imaginação querendo alguma emoção em uma cidade tão pequena e monótona. Meu coração disparou quando vi quem era ali na porta. Sim, é Arthur sempre tão lindo e minha irmã sempre tão estúpida. Se não fosse por ela talvez eu estivesse no céu agora. Ah como eu tenho vontade de esgana-la com as minhas próprias mãos.Arthur entrou primeiro e segurou a porta para que Isabella entrasse, depois arrumou os cabelos curtos e escuros como se estivesse fazendo uma propaganda de xampu anti caspa. — Veja só quem é. — Clarisse gritou sentada na passagem do balcão com um gibi na cabeça como um chapéu. A cena estava cômica e ela não se importou com os risinhos baixos de Isabella que a olhava desde a porta até o balcão. — Olá Arthur e sua namoradinha sempre magra. Coloquei a mão na cabeça e sorri para Clarisse que emitiu um "que!?". Quando percebeu o gibi, levantou rapidamente ficando tonta depois e derrubando a pilha de gibis do seu lado. Arthur fez menção de ir ajuda-la mas a garota o interrompeu.— Eu estou bem. — Ela disse irritada se apoiando na estante do lado. — Porque não me disse que tinhamos celebridades na loja Alex? Escute modelo, vendemos livros. Está vendo aqui alguma calcinha comestível ou consoles? Não? Então cai fora. — Um dia essa sua inveja lhe deixará cega! — Minha irmã arrumou os cabelos lindos e sedosos de salão fazendo um cheiro gostoso chegar ate meu nariz. — Quanto veneno!Olhei para Arthur e notei como ele parecia estar se divertindo com a situação. Assim como ele, eu sentia o cheiro de briga no ar. Clarisse e Isabella sempre se odiaram desde o maternal. O ódio entre as duas era mútuo e parecia não ter fim. Eu só queria saber o motivo de tamanha rivalidade. — Arthur porque trouxe essa coisa aqui? — Agora você está sendo infantil Clarisse. — A garota lançou um olhar repreendedor para ele e torceu o nariz — A Isa só quer uns livros da faculdade. Não é como se ela estivesse aqui para te afrontar. — Até porque eu nunca viria nesse castelo de horrores imundo. — Isabella olhou em volta como se fosse a rainha da Inglaterra. Clarisse segurou o riso. — Do que está rindo garota?— Só sinto sua falta. — Todos olharam para ela com um olhar de "você ficou maluca?" Clarisse aumentou o sorriso a medida que todos olhavam para ela- Um castelo precisa de um dragao. Você é um ótimo dragao Isabella. Isabella deu dois passos rápidos para cima de Clarisse com o intuito de quebrar a garota ao meio mas foi impedida por Arthur que aparentemente era um lorde inglês e era o único homem que impediria a briga de duas garotas. Talvez ele só não quisesse que Isabella se machucasse muito o que era evidente ja que Clarisse tinha uma péssima fama sobre o assunto. — Você realmente não tem amor a vida, não é mesmo? — Você que não usa camisinha e eu que não tenho amor a vida? Me poupe vadia. Decidi intervir antes que alguem perdesse os dentes ali. — Calma vocês duas. Arthur tira a Lessie raivosa daqui e Isabella venha aqui do meu lado. — Clarisse largou o gibi ruidosamente no balcão e seguiu andando para fora procurando os cigarros e reclamando algo como mediadora do inferno. — Eu ouvi isso garota! Isabella olhou com nojo para Clarisse que abria a porta e chamava Arthur para fora com o cigarro na boca. Olhei as duas sombras do outro lado da vitrine escura discutindo. Arthur, o mais alto estava de braços cruzados enquanto Clarisse balançava os braços em arcos. — Escuta Isa, não tem ciumes da Clarisse? — Olhei a lista de livros que ela me entregou. Parecia pequena e insignificante perto dos tantos livros daquele lugar. — Digo isso porque eles são amigos a bastante tempo e Arthur meio que já gostou dela.Isabella gargalhou e arrumou o cabelo de novo. Decidi procurar os livros no sistema ao invés de ficar atiçando a ciumeira doida da garota mais bonita da cidade. — Daquilo? — O desdém na voz dela era irritante, principalmente porque eu sabia quem Clarisse era e o que tinha passado. — Desculpe irmã mas pode repetir a pergunta depois de fazer uma rápida comparação entre nós duas. Então eu meio que fiz essa comparação automaticamente.Clarisse vestia uma saia preta até o meio das coxas como uma colegial japonesa. O sobretudo preto e enorme que estava vestindo por cima não era dela e exalava um perfume masculino bem forte. Não vou nem comentar sobre o cabelo que parecia ter sido cortado por uma criança. Basicamente, Clarisse se resumia ao momento em feder bebida barata.Já Isabella vestia uma calça jeans clara de cintura alta que destacava seu corpo de modelo. A regata branca que vestia destacava seus peitos e a jaqueta de couro preta não a deixava perder o estilo. O cabelo loiro claro, com mechas brancas feitas no salão descia até o meio das costas.
Vendo as duas daquele modo eu conclui que Isabella nao tinha mesmo motivos para preocupações. — Entendi o que quer dizer.Ela sorriu vitoriosa. — Agora anda logo com esses livros que esse lugar está irritando meu nariz de gosto refinado. — Isabella balançou a mão perto do nariz em uma atitude desnecessária já que todos sabem como um lugar cheio de livros velhos cheira. — Como aguenta trabalhar aqui? Alias como aguenta trabalhar? Eu morreria se Carlos não me sustentasse.Carlos é o namorado rico da capital que era corneado por Isabella e Arthur, uma situação agradável a todos ao que parece. — Sei que não quer ficar aqui então levo os livros para você hoje a noite. Eles estão no depósito e eu nem me atrevo a entrar lá sem uma armadura e facas. — Obrigada fofa! Você é a melhor. — Isabella sorriu e jogou 200 reais no balcão mais do que suficientes para levar metade da loja. — Pode ficar com o troco viu?Fiquei olhando as duas notas e conclui que o crime compensava. Isabella saiu para fora e imediatamente Clarisse entrou para dentro. A garota veio saltitando como se o que ouviu fossem promessas milagrosas. Arthur era mesmo o tipo que fazia promessas milagrosas. As notas fizeram os olhos de Clarisse pararem. Assim que ela levou a mão a uma das notas eu a segurei com força. — Sua irmã não tem ciumes de mim, com uma razão falha convenhamos, mas o que ela diria de você? Da própria irmã estar afim do amor da vida dela? — Larguei a mão indignada e com raiva. Como diabos... O que? Clarisse fede mesmo a bebida barata, talvez incensos e cigaros. Doce e enjoativo. O que? Maldita! — Acha que eu não vi o jeito que você olha pra ele e como desvia o olhar toda envergonhada? Seria um inferno se Isabella soubesse. Um inferno. — Esta me ameaçando? Isso nem é verdade.— É preciso apenas da desconfiança para deixar uma garota maluca. — Ela puxou a nota como uma gata furtiva e colocou na saia. Isso confirmava minhas suspeitas de que o sobretudo nao era dela. — Estou te fazendo um alerta Alex. Se não vai brigar por ele não dê motivos para que Isabella transforme sua vida em um inferno. Sabe que enquanto a puta estiver viva você sempre ficará na sombra dela. Vivendo de migalhas.Nisso a cigana bêbada dos incensos tinha razão. Eu me deprimia em função daquilo as vezes. Mas o que eu poderia fazer? Matar minha irmã e transar na cama dela?— Você nunca viveu na sombra da Melissa? — Perguntei interessada já que ela nunca tocava na irmã falecida. Clarisse pegou um café na garrafa térmica nas minhas costas e sorriu. — Melissa sempre foi a queridinha da cidade. Todos a amavam e sentiram profundamente a morte dela. — Ela tomou um longo gole di café frio e sem açúcar. Estremeci só de pensar no gosto ruim. — Eramos diferentes demais para que alguem vivesse a sombra. Agora você e Isabella? Alexia, eu te amo e sabe disso só que você é igualzinha a sua irmã. Com a diferençade que qualquer um teria sorte em te conhecer melhor. Não desperdice sua vida na sombra de uma patricinha inútil. — Você bebeu? Bebeu sim! — Clarisse sorriu e largou o copo — São três da tarde!— Longa história... Ela olhou para fora como se procurasse alguem. Fiquei grata pelo silêncio que se fez. Eu não aguentava as lições de moral daquela fracassada. Hoje, quando cheguei para trabalhar o sebo estava fechado. Clarisse estava sumida e não atendia minhas ligações. Chegou depois das duas e se sentou no chão com uma pilha de gibis do Batman. As vezes murmurava " Selina, ah Selina ".— Você é muito irresponsável. — E você não fez o café. Acho que vou demitir você. Esse aquu ta uma droga. — De repente ela deu uma volta procurando algo. — Você viu onde larguei meu cigarro? Acho que ele está na vitrine... se os mendigos virem... Clarisse me deixou sozinha e foi procurar na vitrine. Uma felicidade genuína estava estampada no seu rosto quando ela voltou. Bom, se eu estivesse afim de um garoto e estivesse ficando com ele dificilmente eu teria um ataque de ciúmes por causa dela. Clarisse era estúpida e uma piada ridícula a maior parte do tempo. Talvez seja só por isso que eu ainda a aguente. Olhei para a pilha de gibis e para a unica nota de 100 reais em cima do balcão. O que será que havia acontecido com ela naquela manhã nublada de agosto? Eu tinha até medo de perguntar. Mas quando ela queria dinheiro era porque precisava matar algo afogado.
Notas finais
O próximo é da Clarisse e ela vai finalmente contar o que aconteceu naquela manhã nublada de agosto depois daquele pesadelo que teve noite passada. Então aguardem.
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