Valavë The spirit of dragons
17 Elfos e todas as suas curiosidades.
Notas iniciais

Os elfos e todas as suas curiosidades.
Eu e Leg não tardamos a entrar na biblioteca e eu ainda me sentia boquiaberta com o tamanho daquela biblioteca, tão grande e cheia de livros...parecia uma coleção digna de mago!! Não não...acho que nem um mago leria tantos livros assim!! Legolas riu com meus pensamentos.
— Minha mãe costumava me ler aqui todos os dias antes de dormir, sempre lendo um livro diferente pra mim...as vezes até livros de adultos sobre medicina ou outra coisa...o importante não era a leitura e sim...
— A voz dela...é...eu entendo o quanto isso é reconfortante...muitos anos da minha vida eu desejei que minha mãe estivesse ali...e falasse...apenas falasse algo, qualquer coisa...me deixaria alegre até mesmo se fosse uma ofensa...você fica...dependente dela por algum tempo.
— Acha que tudo vai desabar na sua cabeça se ela não estiver te segurando...- Disse Legolas me complementando.
— É...
Por um tempo ficamos parados, absortos na mente um do outro, ele me mostrava imagens de sua mãe, ela era tão linda...cabelos dourados e pele branca, como os elfos eram...simplesmente esplêndida, eu mostrava a ele minha mãe...uma elfa escura de Rivendell...nada demais, mas pra mim...era como a coisa mais preciosa que eu tinha...até ser tirado de mim...mas...a vida tinha que seguir de qualquer forma, o silencio foi quebrado quando nós encerramos nossas memórias decadentes, eram tristes mas traziam algo dentro de nós...um calor em Legolas que o fazia se aproximar mais de mim...por termos algo tão delicado em comum.
— Ela era linda...
— A sua também era...aposto que foi uma ótima mãe.
— Pra a mãe de um dragão...foi sim...- Eu ri levemente, queria aquela tensão triste fora do nosso alcance, deu certo.
— Aposto que você era encrenqueira.
— Você também era...é um príncipe e também um guerreiro...isso prova que era travesso.
— Eu não poderia dizer o contrário...você saberia se mentisse.
— Isso quer dizer que mente mal.
— Depende pra quem minto.
Nós sorrimos cúmplices e eu logo peguei um acento em uma poltrona mais que confortável, eu coloquei meus pés ali em uma posição de índio, pernas cruzadas e o livro que peguem antes em mãos...anatomia elfica...não pode ser tão difícil afinal, claro que eu não decoraria nem um nome especifico...apenas queria ver como eles funcionavam...como nós funcionávamos, isso é claro se eu não for de uma anatomia diferente...mas certamente não poderia ser tão diferente quanto a deles...afinal...eu ainda era uma elfa...
— Você parece muito imponente sentada lendo, ainda bem que não é um livro tão velho...Caliel me disse que não sabe Sindarin.
— Ah...eu só aprendi Quenya quando pequena...não sou tão velha quanto você.- Eu ri.
— Eu também não sou um vovô ok??- Ele riu com vontade, tomando um acento ao meu lado e pegando seu livro sobre a anatomia, magias e curiosidades sobre dragões, quem o escreveu deveria ser uma pessoa muito corajosa em se meter na frente de um...quem dirá admirá-los.
Nós começamos a ler silenciosamente, apenas em palavras já que eu e ele conseguíamos pegar um ou outro pensamento um do outro...geralmente sobre o livro.
— “ Fascinante...”
Legolas parecia realmente interessado nos dragões, isso me fez corar um pouco...eu era a grande inspiração de sua cede por ler sobre isso, mas por outro lado, qualquer um ficaria curioso ao ter uma melhor amiga dragão.
— “ Então você se considera minha melhor amiga??”.
Eu corei furiosamente com o pensamento, permitindo apenas um olhar sobre as páginas do livro, vislumbrando o olhar imponente sobre a minha figura, um olhar indecifrável.
— “ Claro...depois de tudo o que fez por mim...era o mínimo...e ainda não o retribui a altura...algum dia talvez possa salvar sua vida...e assim o retribuirei dignamente”.
— “ Você...sempre querendo se redimir, realmente se sente em divida comigo...isso é...interessante”.
Eu senti um calor subir nele quando proferiu a última parte, eu resolvi apenas me concentrar no meu livro, estava ficando quente e eu não queria ter o risco de me descontrolar e queimar a biblioteca inteira, suspirei tomando uma boa quantidade de ar, então soltei calmamente olhando meu livro, folheei para algo mais interessante, apenas coisas que já sabia...dizia que os elfos claros de Loren tinham mais facilidade em adquirir a clarividência e a telepatia, que os elfos cinzentos...ou verdes, da floresta das trevas tinham mais afinidade com a natureza em sua forma mais bruta e chamavam os animais para si...
Agora eu entendo por que o rei tem um servo como montaria...ou seria por que sua coroa parece uma galhada??
— “ Muito provavelmente o segundo”.
Riu Legolas mentalmente, calmo em sua cadeira e sem olhar para mim, eu ri levemente daquilo, o próprio príncipe caçoava de seu pai, de qualquer forma...
Dizia que os elfos negros de Rivendell eram mais aproximados com as línguas e a certo ponto de suas vidas eles podiam decifrar qualquer enigma em outra língua, eles também tinham muita relação ao fogo...embora não desenvolvessem tais habilidades, mas vi que tais elfos podiam controlar a temperatura de seus corpos...isso era algo realmente útil.
Folhando mais as páginas, que se mostravam teimosas ao nunca acabarem eu repousei em algo que deveria ser simples pra mim, mas que de alguma forma me fez corar...
Era sobre o sistema reprodutor, que era quase igual ao dos humanos pelo pouco que me foi ensinado, digamos que minha mãe não seja a mais santa das santas, ela dormiu com alguns homens humanos...
Não entendia o que em uma imagem tão simples me fez corar, talvez seja por que nunca tenha visto isso antes ou por que talvez aquilo fosse ainda algo estranho pra mim...algo a ser desmistificado, infelizmente eu não pensei muito em controlar meus pensamentos e Legolas estava ouvindo tudo pelo jeito, coisa que foi confirmada quando comecei a controlar-me.
— “ Não se acanhe, continue...juro que não ouvirei sem querer seus pensamentos” pensava sarcástico.
— “L-Leg!! Isso é meio pessoal...”.
— “ Eu sei...e não serei um bom amigo se não lhe oferecer...”
Legolas então fechou seu livro e sorriu de uma forma intrigante, via uma maldade misturada com perversão em seu olhar e com uma voz suave, baixa e que me fez com certeza sentir calores onde não deveria, disse:
— Ajuda em aprender sobre todas essas coisas...
Eu tinha que admitir que ele era cativante quando fazia isso, mas eu estava ficando quente e meus poderes...eu não queria machucá-lo.
— Confia em mim...não vai me machucar...
Eu não tinha certeza e ele estava tirando minhas opções a cada passo que ele dava ao meu encontro, não sabia se corria...não sabia se ficava, como aquela frase humana...se ficar o bicho pega se correr o bicho come, eu agora entendia o significado disso...
Ele estava na minha frente na poltrona, ele era alto e eu dava literalmente em sua cintura quando estava sentada...não sabia por que mais me deixava mais corada e quente, ele não precisa sentir meu calor para ver isso e se inclinou, sorriu gentilmente e eu o dei um olhar misto de confusão e um pouco de medo do que poderia acontecer...
— Eu posso lhe propor uma experiência??
— B-Bom...n-não vejo por que não...
Um rubor maior se instalava no meu rosto e eu não tinha saída agora, por que não disse que não?? De alguma forma...eu estava curiosa para ver o que ele faria, eu ainda estava sentada na poltrona vendo ele se abaixar lentamente na minha altura...ele suspirou, não conseguia saber no que ele estava pensando.
— Você vai ter que ficar paradinha.
— C-Certo...
Eu fiz o que pude pra me manter parada, era difícil...tão difícil quanto era controlar meus poderes, eu não queria estragar uma poltrona tão bonita, mesmo assim ali estavam começando a surgir marcas visíveis de queimadura, meu poder subia em caminhos espirais pelo tecido, não danificando nada além de seus caminhos...isso era tão estranho...eu estava tão quente apenas com sua presença e minha cabeça girava em mil pensamentos enquanto ele se aproximava com aquele olhar enigmático e antes que eu pudesse pensar no quão perto estava ele soltou um sorriso desconhecido e disse.
— Val...cala a boca.
Mesmo sendo da minha mente que ele estava falando eu não pude pensar na possibilidade pois em segundos ele tirou todo o espaço que nos restava e colou seus lábios nos meus, isso era um beijo...daquele tipo de beijo que eu nunca tive, ele movia seus lábios suavemente sobre os meus e eu não fazia a menor ideia do que eu tinha que fazer, os braços dele estavam um em cada braço da poltrona e ele estava bem inclinado pra mim, ele sorrir com toda a minha inexperiência e resolveu que brincaria um pouco com isso pelo jeito, invadindo meus lábios com sua língua e sugando levemente o meu lábio inferior, aquela altura eu conseguia ouvir meus batimentos cardíacos na minha orelha...pensei que meu coração sairia pela boca quando ele finalmente parou, me deixando totalmente boba...ele sorriu envergonhado assim como eu e limpou a garganta.
— B-Bom...eu espero que você pense sobre minha proposta de lhe ensinar...b-boa noite Val...Valavë.
Ele parecia tão desconcertado quanto eu e com passos largos e uma pequena risada que não sabia identificar ele saiu da biblioteca, eu fiquei ali...totalmente boba sobre aquela ação inesperada...céus!! Ele é o príncipe!! Nunca que o pai dele iria nos aceitar...mas...eu acho que há algo crescendo em mim...isso com certeza não é como a amizade que tenho com Tauriel...nossa...isso foi...
Não sei quanto tempo passou desde que eu senti seus lábios, mas tocava nos meus como se tivesse sido apenas segundos atrás. De tanto pensar naquela sensação deliciosa eu acabei por adormecer naquela poltrona mesmo...confortável onde tive um sonho mais desconcertante do que tal ato...
Continua...
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