Vai Que...
25 Capítulo 25 Palavras do Pastor Young
Notas iniciais
Perdoem pelo erro,
vou ficar longe por algum tempo.
Complicações.
Beijos, até!
Caroline ainda estava distraída pensando no rápido vislumbre que tivera de Klaus e o modo como estava afetada. Ele era o homem de sua vida e não conseguia ver um futuro do qual ela não fazia parte. Só que ele tinha uma outra vida... ele seria pai...
–Caroline querida, você está bem? — perguntou a senhora que a acompanhava.
Caroline não percebera que caminhavam por calçadas que estavam forradas de folhas secas das arvores, era outono. Olhou novamente para a senhora e reconheceu que era a dona Margarida, a mulher um tanto quanto indiscreta.
–Sim senhora, é só que eu estou... — Caroline não queria se abrir para aquela mulher quase desconhecida, tudo bem que era gente boa, mas certos assuntos são muito pessoais.
–Ah querida, está em todos os jornais. Vocês vão se separar, certo? — perguntou a senhora docemente.
E a realidade atingiu Caroline. Eles estavam em um processo de separação e depois que estivesse concluído Klaus estaria livre para casar com Hayley e criar seu filho.
Lágrimas começaram a se acumular nos olhos de Caroline e sentiu como se todo o ar de seus pulmões houvessem sido roubados. Sentindo que poderia desmaiar a qualquer momento, sentou-se em um banco ao lado de uma árvore.
–Eu não consigo... — disse levando as mãos ao rosto. — É muito forte.
E sem que ela pudesse controlar as lágrimas jorraram de forma avassaladora. Margarida sentou-se ao seu lado e a puxou para seu colo. Os dedos velhos e frios da senhora tentavam acalmar Caroline.
–Querida, não precisa acabar assim.- consolava ela. — Ele pode ser pai, mas vai continuar a ser o homem da sua vida.
–Mas ele.. ele. — Caroline tentava se controlar. — Ele precisa disso, precisa ser pai. Eu sinto que ele quer.
Mais lágrimas surgiram. Caroline sentia que não havia espaço para ela na nova vida de Klaus.
–Ele vai amar o filho dele e ninguém poderá mudar isso, nem mesmo você Caroline. — disse Margarida, com aquela sabedoria de ancião que somente os velhos tem. — Mas ele também te ama, eu vejo isso nos olhos dele. E sei que você sabe disso também, quando seus corpos estão suados um em cima do outro, quando ele pene...
–Margarida. — interrompeu Caroline não querendo lembrar seus momentos com Klaus.
–O quê eu quero dizer é que vocês precisam um do outro, vocês não vivem um sem o outro. — ela continuou . — E acho que Klaus vai precisar de você mais do que nunca agora.
Caroline não entendeu a princípio.Secou as lágrimas e sentou ereta para encarar Margarida. Então sentiu que algo não estava bem, lembrava que David estava com aquele olhar de maníaco vencedor.
–O quê aconteceu? — perguntou a dona Margarida.
–Bem, meu marido de alguma maneira sórdida tem comprado ações da empresa a muito tempo.- começou ela. — Não sei se Klaus se descuidou ou foi um golpe de azar, mas hoje acordamos com o advogado do meu marido ligando falando que a soma de todas as nossas ações nos tornou sócios marjoritários da empresa.
Aquilo não fez muito sentido para Caroline no início, mas aos poucos as peças foram se encaixando e ela sentiu o coração apertar novamente.
–A senhora quer dizer que David será o sócio marjoritário da empresa?- repetiu Caroline. — Que Klaus terá que acatar as suas ordens?
Meu Deus, Klaus deveria estar puto da vida.
–Na verdade todos os títulos são meus. — declarou Margarida nitidamente incomodada. — E a verdade é que The Originals não pertencem aos Mikaelson.
Caroline sentiu um mal estar. Klaus dedicava todo o seu tempo aquela empresa, ele vivia em função dela. Vivia em função dela assim como seu pai havia morrido em função da mesa. Pelo que Caroline soubera, o pai de Klaus havia ficado louco devido ao alto grau de estresse que sofria. E agora, um patrimônio familiar de gerações estava nas mãos de um tirano?
Caroline não havia gostado de David e percebeu o modo como Klaus agia com ele. Era tudo tão nojento.
–David é de má índole, não pode administrar nada. — declarou antes de notar que estava falando do marido de Margarida.
–Ora Caroline, não é como se Klaus não fosse corrupto também. — declarou a senhora arrumando chapéu exagerado que usava. — No entanto, consigo entender porque você não o quer governando algo tão poderoso quanto a empresa de seu marido. Na verdade eu sou contra isso, mas David é obstinado...
–A senhora não pode deixar isso acontecer. — implorou Caroline. Então tentou de outro modo: — Klaus faz de tudo por essa empresa, ele sacrifica noites inteiras de sono para organizar tudo, é excruciante. E eu era boba, não entendia. Fazia greves a senhora sabe do que e acho que ele achoou consolo na Hayley porque ela era capaz de entendê-lo e acabou que tiveram um filho...
Os olhos de dona Margarida se arregalaram. Talvez ela percebesse que Klaus realmente amava a empresa...
–Uma empresa desse tamanho exige muita dedicação e noites em claro. — observou dona Margarida. — Noites inteiras que David passe na empresa.
Caroline concordou coma cabeça.Então reprimiu um palavrão devido a reação de dona Margarida.
–Meu Deus. Se já é difícil David e eu fudermos quando ele está em casa todas as noites,imagine só se ele começar a trabalhar. — ela disse numa explosão.
Fudermos, pensou Caroline. Que modo apropriado de colocar a questão.
–Não posso deixar isso acontecer. — continuou ela e um brilho assustador tomou conta de seus olhos enquanto encarava Caroline. — E você vai me ajudar.
****
Klaus sentia-se um lixo. Um total e completo fracasso. Caroline, Caroline. Ela estava tão perto e tão longe ao mesmo tempo, ele não queria perdê-la de modo algum.
Eles não haviam conversado ainda e tinha medo do que aconteceria, porque a única coisa que importava era estar perto de sua esposa, o resto era adicional.
Não sabia como se sentir em relação ao seu filho, estava feliz em saber que logo teria alguém para chama-lo de papai, mas também estava confuso porque queria que isso fosse com Caroline.
Todas essas questões o sufocavam havia três meses e a vida parecia ir perdendo um pouco de brilho desde que deixará de ver Caroline todos os dias.
Naquela manhã estava preparado para vê-la, tudo bem que seria de um modo ruim já que assinariam a separação, mas não deixava de ser um momento em que pudessem conversar.
Tudo isso foi estragado por David que estava intimidando sua secretário e queria a qualquer custo falar com o senhor Mikaelson.
Klaus não queria atendê-lo, pois logo Damon e Caroline estariam ali e chegaria o momento da decisão final.
David foi tão insistente que Klaus teve que abrir a porta e estava prestes a gritar alguns impropérios quando a viu.
Ela parecia confusa e deslocado, passava as mãos no vestido florido toda hora e paralisou quando o viu. Klaus conseguia sentir cada fibra do seu corpo recebendo energia que emanava de Caroline.
Ela era um anjo, com aqueles olhos claros e cabelos levemente enrolados, a boca se abriu um pouco e Klaus pensou que ela fosse rir. Contra gosto, assistiu Caroline ser empurrada para dentro do elevador e sentiu que a outra metade de seu coração que restava estava indo com ela.
Enquanto a porta do elevador se fechava Klaus teve vontade de correr até ela e prometer que nunca ficariam separados novamente, até ele perceber que essa era a vontade dela.
Os eventos a seguir ficaram nebulosos então. David falava sobre ações, balançava alguns papéis na cara de Klaus e trazia consigo aquele olhar vencedor.
Klaus demorou para reagir, mas quando reagiu quase botou o edifício abaixo. Chamou todos os advogados presentes, até mesmo Damon que havia fica para trás e queria saber se o quê aquele homem falava era legítimo.
Um por um os advogados foram concordando e Klaus sentia o mundo desmoronar. Sua Caroline primeiro, e agora a empresa que estava há sete gerações na família no mínimo. Seu pai havia dado a vida pela empresa e agora ele a perdia assim.
Pelo o quê os advogados conversavam Kol, o sacana do Kol, resolveu vender suas ações e Rebekah, a vingativa emotiva Rebekah, seguiu seu exemplo. Ambos não percebiam a traição que haviam cometido.
Klaus estava possesso quando ouviu a voz cínica de Damon se erguer acima do falar alterado dos presentes na sala:
–Klaus pode tornar a ser sócio marjoritário caso você morra.
Aquilo não era um brecha na lei, aquilo na verdade era um brecha na índole de Damon, mas Klaus não discutiria os méritos. Damon era excelente no que fazia.
–Isso é uma ameça? — ladrou David.
–É apenas uma possibilidade velho. — desdenhou Damon. — Ele pode comprar as ações de você também.
–Nunca. — declarou David vitorioso. — Essa empresa é minha.
Klaus não conseguia ouvir aquilo. Estava perdido.
Damon bufou.
–Pode até ser, mas Klaus tem nome reconhecido internacionalmente. Todas as suas empresas quebram se ele resolver usar as outras empresas contra você. Não vamos negar, esse jogo está equilibrado. Só que você está mais próximo da morte.
Houve outras discussões e Klaus não conseguia se concentrar. The Originals estava perdida, assim como Caroline.
Damon se aproximou e bateu em suas costas.
–Estou perdido. — declarou Klaus.
–Acredito que só quando estamos perdidos somos capazes de encontrar nossa verdadeira essência. — respondeu Damon e ganhou um olhar confuso de Klaus. O moreno levantou os ombros despreocupadamente. — Palavras do Patos Young.
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