Vai, Malandra
1 One Shot
Notas iniciais
Lá vinha Dorinha, descendo as ruas do Morro do Amor, onde morava desde pequena. Vestia uma camiseta tomara que caia rosa, short jeans e no pé uma sandália plataforma de salto descomunal.
— Olha lá, lá vem a meretriz! – Comentou uma das vizinhas de Dorinha.
— Aposto que já está indo atrás de homem – Cochichou a outra. – Bom dia, Dorinha! – Aumentou o tom de voz para que fosse ouvida.
— Bom dia, Dona Conceição. Indo para o culto tão cedo?
— É. É uma nova campanha de oração, menina. Uma benção. Não quer ir com a gente hoje?
— Ai, Dona Conceição, hoje não vai dar. Estou aproveitando que a feira acabou de abrir para comprar as frutas mais bonitas.
— Não deixe o Senhor em segundo plano, Dorinha. De qualquer forma, a casa de Deus sempre estará de portas abertas para você.
— Obrigada!
Dorinha era muito bonita, alta, tinha uma pele morena e um cabelo ondulado e volumoso. Nos peitos ostentava um belo par de silicones, presente de um de seus casos amorosos do passado. Tinha um longo histórico de envolvimento amoroso, pois se tinha uma coisa que Dorinha gostava era homem. Homem, funk e dinheiro, sempre recebia mimos e joias caras de seus parceiros.
Sexta-feira era dia de baile funk lá no Morro do Amor e claro que Dorinha não ia perder. Quem não gostou muito da ideia foi Mário, o gringo que Dorinha tinha conhecido nas praias do Leblon.
Mário veio recentemente de Apiaí, um subúrbio ao Sul de Ohio, no Estados Unidos. Recebera uma proposta para dar aulas de filosofia na Rio International School. Então, apoiado por sua recente esposa, pegou tudo que tinha e veio para o sul do continente.
Todas as quartas-feiras Mário ia correr na praia do Leblon. Isso era o que dizia para si mesmo, mas a verdade era que ele acendia seu baseado e caminhava lentamente na areia molhada enquanto fumava.
Foi em uma dessas quartas que ele conheceu a morena. Naquele dia, Dorinha, tinha ido tomar um pouco de sol e, distraidamente, esbarrou no estrangeiro quando saía da água. Foram os olhinhos apertados e o jeito tranquilo de falar que fizeram ela se interessar, aí não foi muito difícil conquistá-lo.
- Eu já falei que eu vou sim e não me importa o que você pensa. — Dorinha falava ao telefone ao mesmo tempo que escolhia os melhores tomates da feira.
- Mas Dorinha, vai estar cheio de homem cobiçando passar o resto da noite com você. — Disse Mário do outro lado da linha.
- Graças a Deus! Você não tem o direito de se importar, já é casado. Eu vou e ponto — Falou ríspida e desligou na cara dele.
Dito e feito. Quando os ponteiros do relógio se alinharam com o número dez pela segunda vez aquele dia, Dorinha estava pronta para sair de casa. Com o seu shortinho mais curto e a camiseta mais brilhosa com estampa do Brasil, lá ia ela subindo as ruas do morro.
Devido a conquista do hexa do Brasil na copa no último domingo, a festa aquele dia ia ser temática. Estava toda decorada com bandeiras e adereços verde e amarelo e o traje deveria ser a caráter.
Logo que Dorinha chegou, foi de encontro ao segurança que a passou na frente e permitiu sua entrada sem enfrentar fila. Como ela estava lá toda semana, então já conhecia e era amiga de todos. O baile já estava cheio, pessoas dançando com toda energia. Energia que contagiou Dorinha imediatamente.
Quando Mário conseguiu avistar Dorinha na multidão, a morena estava dançando no meio de dois homens. O primeiro era alto, o dobro de tamanho de Mário, moreno com o corpo muito bem definido e com a cabeça raspada. O segundo era de pele mais clara, igualmente alto, tatuagens pelo braço e peitoral e careca.
O primeiro: Vai, malandra, an an
Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an
O segundo: Vai, malandra, an an
Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an
Não demorou muito para que Dorinha percebesse que o estrangeiro estava alí. A atitude do rapaz não surpreendeu em nada a garota e foi aí então que começou a dançar mais ainda, dessa vez olhando direto para ele.
Dorinha: Tá pedindo, an, an
Se prepara, vou dançar, presta atenção
An, an tutudum an, an
'Cê aguenta an, an
Se eu te olhar
Descer, quicar até o chão
Mário, que nunca tinha ido ao um baile funk na vida, tentava passar pela multidão dançante. Ora desviando de uma bunda rebolante, ora de alguém que tentava sarrar com ele.
Primeiro e Segundo: Desce, rebola gostoso
Empina me olhando
Te pego de jeito
Se eu começar embrazando contigo
É taca, taca, taca, taca
Dorinha: Desço, rebolo gostoso
Empino te olhando
Te pego de jeito
Se começar embrazando contigo, é
Ao se aproximar, Dorinha deixou os dois homens dançando juntos e começou a dançar com Mário, que a princípio estava meio duro, sério, mas logo se deixou envolver pelo ritmo da morena e, ainda meio duro, se soltou mais.
Não vou mais parar
'Cê vai aguentar
Não vou mais parar
'Cê vai aguentar
O rapaz estava completamente envolto na morena. Desde o dia em que esbarrou nela na praia, não conseguia tirar ela do pensamento. Totalmente apaixonado e disposto a tudo por ela.
Mário: Vai, malandra
Show me somethin’
Brazilian baby, you know I want ya
Booty big, sit a glass on it
See my zipper put that ass on it
Hypnotized by the way you shake it
I can't lie I'm tryna see you naked
Dorinha, baby, I'm tryna spank it
I can give it to you, can you take it?
Já ‘tá louca, bebendo
Tão solta, envolvendo, eu ‘tô vendo
Não para, não
Vai, malandra, an an
Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an
Dorinha: Vem, malandra, an an
Eu 'tô louca, 'tô brincando com o bumbum
An an
Mário: Vai, malandra
Turn around and put it down on me, baby
Ambos: Vai, malandra, an an
Mário: Ê, tá louca,
Dorinha: tô brincando com o bumbum
An an, baby
Depois de algumas bebidas e de tanto dançar os dois decidiram sair dalí. Tamanho era a tensão sexual entre os dois que já não cabia mais no ambiente com todas aquelas pessoas. Descendo a rua procurando pela moto que Mário estacionara mais cedo.
Mário: Desce, rebola gostoso
Embina me olhando
Te pego de jeito
Se eu começar embrazando contigo
É taca, taca, taca, taca
Dorinha: Desço, rebolo gostoso
Empino te olhando
Te pego de jeito
Se começar embrazando contigo, é
Em movimento com a moto, Dorinha, segura bem rente e firme em Mário. Ele, com um sorriso no rosto, dirigia com certa pressa, mas ainda com cautela.
Não vou mais parar
'Cê vai aguentar
Não vou mais parar
'Cê vai aguentar
Mário: Throw it back on me and Zaac
Make it clap, yeah, I'm into that
Pullin' tracks, yeah, I'm into that
From the back, yeah, I'm into that
Big dog to the kitty cat
Young boss where the millis at
In favela where it's litty at
And the whole Brazil is feelin' that
Quando chegaram ao apartamento de Mário, na Barra, tão grande era o desejo de ambos que os amassos começaram ainda no elevador.
Já 'tá louca, bebendo
Tão solta, envolvendo, eu 'tô vendo
Não para, não
Vai, malandra, an an
Ê, 'tá louca, tu brincando com o bumbum
An an, tutudum, an an
Dorinha: Vai, malandra, an an
Ê, 'tá louca, 'tô brincando com o bumbum
An an, baby
Chegando ao apartamento ainda aos beijos, Dorinha pendurou o aviso de “Não perturbe” na porta e depois fechou.
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