Vagalumes
1 Capítulo 1 -O começo de um sonho bobo
Notas iniciais
Meu nome é Anna Julia, e eu moro em São Paulo, mas não por muito tempo: daqui a uma semana eu vou viajar para Londres com a minha amiga Renata (vocês acham que eu ia conseguir viver sem ela?) e ficaremos dois anos lá fazendo intercâmbio.
-Mãe! Acho que a mala já ta pronta!!!
-Filha, tem certeza?? Olha: pegou escova de dente, escova de cabelo, condicionador e shampoo, leite condensado?
- Peguei, peguei... JÁ PEGUEI TUDO O QUE VOCÊ VAI FALAR! Só acho que não peguei meus cadernos ainda...
-Nossa filha, o mais importante?!
-É mãe, o motivo da viagem, o essencial, o motivo da minha VIDA eu esqueci... – perceberam como eu sou pouco irônica... Pois é...
Minha mãe não tinha se tocado que o mais importante era o leite condensado. Por que ela realmente acha que eu e a gorda por chocolate da Renata iríamos aguentar dois longos anos sem comer a doce maravilha da natureza, chamada brigadeiro? Poxa, parece que nem me conhece mais...
Depois dessa conversa meio irritante eu fui correndo para o meu IPhone e fui ligar para a Renata:
-Ree, sua mala já ta pronta ou pelo menos ta quase??
-Não, sua surda. Eu falei que já estava pronta desde ontem porque eu sou uma jegue...
-Nossa grossa... Mas se sabe que eu te amo né fofa?
-Ok, não me precisa dizer o óbvio. – convencida! — Vou desligar serzinho apaixonado... Tenho que estudar inglês, você deveria fazer o mesmo...
-Que? A ligação ta cortando... Tchau
-Se for pra mentir, pelo menos faça direito TCHONGA! – nem deu tempo de responder, eu já havia desligado.
A semana seguinte passou voando. A outra lá não parava de me ligar, fazendo planos e mais planos, impossíveis de serem realizados. Mas, quando eu fui ver, já era a hora de ir ao aeroporto. Chegando lá, eu e a Ree fomos fazer o check-in, óbvio que nós estávamos loucas para ir ao free shop (ela só pensa em comprar, meldeulz!).
Fizemos o check-in, comemos Pizza Huth com nossas famílias, e ai chegou à parte mais triste... A despedida. Como em toda despedida nós e nossas famílias choramos muito! Juro nunca tinha visto minha vó (que me odeia, pelo menos é o que parece) chorar tanto por alguma pessoa. Muito menos soltar uma minúscula lagrima. E tudo isso por mim, sério, foi um MILAGRE!
Depois de derramar rios e rios de lagrimas eu e a Ree entramos, foi só nós darmos uns dez passos e vermos o free shop que abrimos um sorriso de orelha a orelha e fomos às compras! Meu deus, a Renata fez o maior estrago naquela loja, mas o vendedor ficou com aquele sorriso bobo... Gostou tanto dela (ou melhor, do dinheiro dela) que ficava chamando-a de querida e mostrando produtos novos a cada 10 segundos. Por dentro eu só me perguntava como ela iria ficar em Londres quando entrasse em alguma loja fabulosa que tem lá (pra quem tem o mínimo de conhecimento em matemática Renata + Londres = Vendedores Felizes + Família Falida).
Depois de ficarmos uma hora e meia (eu acho) no free shop fomos para o embarque. Cara, eu estava muito nervosa.
-Primeira chamada para o voo 69936969 com destino para Londres. Por favor, senhores passageiros, dirijam-se ao portão de embarque.
-Ree é o nosso!-Eu disse saindo correndo, saltitando. Sério, o que deu em mim?
-Vamos Ju!
Mostramos nossas passagens à aeromoça (que tinha um sorriso tão fixo no rosto que parecia eu alguém tinha derramado cola quente no rosto dela) riu e perguntou:
-Primeira viagem de vocês?
-Como sabe? – Respondemos, em um coro perfeito.
-Dá para ver pelas sacolas... – Apontou para as nossas compras... CARAMBA, ELA NÃO HAVIA PARADO DE SORRIR!
-A ta, explicado... — Eu fiz uma careta para a aeromoça, que me retribuiu com outra careta (amigável, eu acho...).
Nós entramos no avião, achamos nossos assentos e sentamos. Não sei como eu fiz para não dar um gigantesco berro de “TAMO INDO PRA LONDRES MALUCO!!”.Passaram-se uns vinte minutos, e já estavam todas as pessoas no avião:
-Nossa Ree, o avião ta vazio né?! Estranho...
-Ta sim, mas pelo menos vai dar para nós dormimos bem! – Como sempre, com um ar sarcástico. Sério, qual era o problema dessa menina?
Logo veio uma aeromoça nos dando uma balinha, um travesseiro e um edredom. Logo o piloto avisou:
-Senhores passageiros, por favor, apertem seus cintos. Já vamos decolar.
Um frio percorreu toda a minha espinha. Certo, eu já tinha viajado de avião, mas a experiência não foi tão boa. Além disso, eu estava sozinha com a minha amiga e, se depender dela, eu vou morrer com uma dieta a base de chocolate e pipoca (eu não quero morrer assim, eu ainda tenho 16 anos, tenho muito que viver ainda!).
-Ree, é agora! Estou com medo...
-Calma Ju! Vai ficar tudo bem...
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