Era estranho estar voltando pra minha antiga cidade, há quinze anos meus pais me levaram para o interior, vivemos com minha avó em um sítio. Eu amava tudo ali, os passeios de cavalo que fazia com meu pai, os doces que minha vó e minha mãe preparavam para nós, as pescarias junto de meu avô. Se eu pudesse descrever seria como a época mais feliz de toda minha vida. Tinha dez anos quando nos mudamos, nunca entendi porque tivemos de sair correndo da cidade, depois que meus avós morreram meu pai recebeu uma pequena fortuna de herança. O dinheiro não nos trouxe alegria ainda sentiamos falta deles. Foi quando meu pai me colocou naquele colégio interno em uma cidade vizinha, ao contrário do que pensei foi um lugar ótimo, fiz muitas amizades. Quando fiz dezoito anos meu pai deu uma grande festa, talvez esse foi o pior erro que ele cometeu. Algumas pessoas se embebedaram, meus pais se ofereçeram para os levar pra casa. Eles morreram em um acidente nesse mesmo dia. Demorei para superar a morte de meus pais, mas como prometi a minha mãe fui para a faculdade, investi o dinheiro que meus pais haviam me deixado e me tornei sócio de uma grande empresa de tecnologia. Quando decidi finalmente vender o sítio dos meus avós, fui até lá depois de anos, pegar algumas coisas e lembranças deles e de meus pais. Foi quando encontrei uma carta, era de um amigo de meu pai de New York onde moramos quando eu era pequeno. Na carta ele pedia a meu pai que fugisse o mais rápido possível, eu nunca entendi porque fomos morar com meus avós de um dia pro outro, na época eu era uma criança, meus pais também nunca comentaram nada, mas isso me deixou curioso, era um passado dos meus pais que eu não conhecia e precisava descobrir.

Então aqui estou eu, quinze anos depois, tenho vinte e cinco anos hoje, estou voltando para New York, uma das empresas de que eu sou sócio fica lá, nunca tive um bom motivo para voltar aquela cidade, até agora. O tempo está chuvoso, meu carro esta com os vidros todos molhados, o som no rádio está baixo, meu celular está no banco do carona, estou focado na estrada viajar com esse tempo pode ser muito perigoso.

Meu celular acendeu, eu dei uma espiada, vi que alguém estava ligando. Eu atendi e coloquei no viva voz, deixei ele ali mesmo em cima do banco para não me atrapalhar no volante

— Henry? — Falou uma voz feminina no celular

— Oi Candy — Respondi imediatamente

— O Apartamento que você comprou já está tudo certo, assim que chegar aqui em New York peça sua chave na recepção, vou deixar o endereço do seu edifício por mensagem — Falou Candy, ela era uma das minhas melhores funcionárias, mandei ela para lá antes de mim para conseguir um apartamento.

— Tudo bem Candy, obrigado — Respondi

Depois desliguei o celular e voltei a atenção na estrada, eu já estava bem perto. Assim que eu entrei na cidade, o GPS me mostrou o caminho, o edifício era muito grande, em volta haviam outros prédios, alguns comerciais outros domiciliares. Assim que desci do carro alguém veio para pegar minhas malas, era um rapaz vestido com um uniforme do prédio. A chuva estava calma agora, eu entrei e fui até a recepção como Candy havia me dito mais cedo, uma moça estava no balcão, me aproximei e a cumprimentei.

— O que você deseja senhor? — Ela disse com a voz calma e serena, ela também usava um uniforme e o cabelo preso.

— Sou Henry Pierce — Falei

— Senhor Pierce, é um prazer te-lo como nosso mais novo morador. Aqui está a sua chave, seu apartamento fica no décimo andar.

— Obrigado

Eu segui para o elevador, subi até meu novo apartamento, era impecável Candy sabia tudo o que me agradava. Assim que o rapaz entregou as malas, pedi a ele que levasse o carro que era alugado de volta. Ele fez isso em seguida. Depois que todas as minhas roupas já estavam guardadas, fui em direção ao banheiro, tirei minha calça jeans, minha cueca e minha camiseta, entrei embaixo do chuveiro, fiquei alguns minutos de olhos fechados. Assim que terminei o banho me vesti outra vez, coloquei uma roupa mais formal agora pois estava indo para a empresa. Cabelo bem penteado, calça jeans preta apertada, tênis, uma camisa social. Era assim que eu me vestia socialmente.

Eu sai e peguei um táxi, a empresa não ficava muito longe dali, fiquei admirando a paisagem, eu era muito pequeno quando sai de New York, não me lembrava de nenhuma desses lugares maravilhosos. Quando cheguei a empresa, Candy estava na porta me esperando, ela segurava uma maleta e uma prancheta de anotações.

— Como foi o vôo do senhor — Perguntou Candy me entregando a maleta assim que eu sai do carro

— Foi bem, obrigado Candy mas outra vez eu peço me chame de Henry, senhor eu me sinto velho — Falei sorrindo caminhando ao lado de Candy para dentro da empresa

— Desculpe senh.... Henry — ela engasgou

— O que tem pra mim hoje?

— Bom, você vai ter uma recepção de boas vindas com outros sócios, depois uma reunião com um acionista e a noite um jantar com a família Haskel

— Bom, muita coisa pra um dia só como sempre

— Bom primeiro venha conhecer seu escritório

Eu acompanhei Candy, nós pegamos o elevador e chegamos até uma sala enorme bem iluminada, tinha uma porta que levava a um escritório. Era meu novo local de trabalho. Eu gostei do lugar, a janela era enorme dava pra ver os carros nas ruas e todos os outros prédios em volta.

— Bom, Henry você já tem uma visita — Disse Candy olhando em seu tablet

— Quem é? — Perguntei me sentando na cadeira

— É um rapaz, ele está aqui para a vaga de assistente

— Mas você é minha assistente — Falei

— Desculpe Henry, preciso voltar a minha cidadezinha, posso continuar trabalhando para o senhor, mas não posso viver em New York, aqui não é pra mim, e tenho saudades da minha família e amigos

— Com certeza do namorado também — Brinquei

— Sim, dele também

— Tudo bem Candy, vai ser muito difícil encontrar alguém assim como você, eficiente, leal, carismática, mas podemos tentar

— Obrigado, isso não é uma despedida Henry, eu vou continuar trabalhando para você, mas um pouco longe — Candy sorriu e saiu da sala

Assim que ela saiu, um rapaz entrou, fiquei paralisado quando o vi, ele era lindo como um sonho, fiquei imaginando ele caminhando em camera lenta até minha mesa, ele sorriu e aquela boca vermelha com aquele sorriso lindo me deixou tonto.

— Oi — Disse o rapaz estendendo a mão

— Olá, sente se — Falei aceitando o cumprimento

— Então é você que está querendo a vaga de assistente? — Perguntei

— Sim, eu estudei muito para conseguir um dia ter um trabalho assim, eu trouxe minhas notas e diplomas para você ver, espero muito mesmo por uma oportunidade.

— Bom eu vejo aqui que você estudou nas melhores faculdades, e mais caras também

— Meu pai é sócio de uma empresa, ele queria que eu trabalhasse com ele, mas depois que eu terminei os estudos resolvi que seguiria meu próprio caminho

— Entendo, bom gostei do seu curriculum, você também me parece muito eficiente e pontual. Qual é seu nome?

— Cody Mikaelson

Por um momento fiquei surpreso, por ironia do destino ou não acho que minha oportunidade de saber sobre o passado de meus pais estava mais perto o possível de mim. Bob Mikaelson era o amigo de meu pai, aquela carta que eu encontrei estava com essa assinatura, será coincidência demais? Não sei, mas sei que eu vou me aproximar de Cody, por dois motivos, ele é um gatinho e seu sobrenome me interessa demais.