VINGATIVOS
8 Loucuras
Pés, não me falhem agora, me levem até a linha de chegada. O meu coração, ele se parte a cada passo que dou, Andando pelas ruas da cidade É por engano ou planejado? Me sinto tão sozinho em uma segunda à noite, ele fez eu me sentir em casa quando disse que eu era dele. Não quero ficar triste, não quero chorar, ás vezes o amor não é o bastante e a estrada fica difícil, não sei o porquê. Vou tentar continuar a sorrir, vou ficar chapado, a estrada é longa, nós seguimos adiante, vou tentar me divertir nesse meio tempo. Escolhendo minhas últimas palavras é a última vez, porque eu sei que eu, nasci para morrer...
Cheguei em casa de madrugada, mal entrei no apartamento e me joguei na cama. Quando percebi o dia já estava amanhecendo, dormi até um pouco mais tarde, depois me arrumei para o trabalho. Peguei um táxi como de costume e cheguei rápido ao escritório, Cody estava em pé me esperando na porta do prédio, caminhamos um ao lado do outro como sempre até minha sala. Assim que chegamos, ele se sentou e começou a folear os papeis, eu liguei o computador para atender alguns clientes.
— Posso perguntar porque foi embora ontem? — Cody não tirou a atenção dos papeis enquanto perguntava
— Desculpa, mas preferi voltar pra casa e não quis te acordar — Respondi com a voz leve e suave
— Bom, vamos falar do trabalho, hoje a noite você tem um convite para um jantar na mansão dos Di Laurentis
— Ótimo, não vou precisar cozinhar, ainda estou sem empregada em casa. Então vocês também irão? — Perguntei
—Depois da confusão no evento de sábado? A Senhora Di Laurentis nem olha mais na cara da minha mãe, e tem razões pra isso
— Bom, então acho que não vou
— Não, vai sim. É bom para sua imagem e da sua empresa se você comparecer aos eventos dos Di Laurentis, eles são como celebridades, quanto mais você aparecer nos eventos deles, mais as pessoas dessa cidade vão comentar e confiar em você e na sua empresa. Confie em mim
— Está bem, então confirme minha presença — Falei e dei um meio sorriso, o telefone tocou nesse instante
— Vou fazer isso lá fora — Disse Cody pegando seu celular e saindo da sala, me deixando sozinho
Eu olhei para o número, era o mesmo cara que tinha me pedido dinheiro, eu prometi a ele a fortuna dos Mikaelson, mas pra isso ele teria um trabalho a fazer. Pelo visto o trabalho não estava indo muito bem, era estranho ele ligar assim tão rápido, essas coisas levam tempo.
— Alô — Falei atendendo a ligação
— Senhor Pierce, encontrei algo que você vai gostar muito — Disse a voz do outro lado
— Conseguiu o número da conta?
— Não, ainda não mas descobri algo sobre os Di Laurentis
— Anda logo mas que droga odeio suspense
— Você conhece a Clínica onde você visitou Hany? Aquela que te deu aquelas fotos que você fez questão de mostrar ao público
— Sei
— Quero que você vá a essa clínica, peça para visitar o paciente do quarto C
— Mas..
— Faça o que eu disse, você vai entender tudo
Ele disse isso depois desligou o celular. Eu fiquei confuso, mas como o dia no trabalho hoje não estava tão cheio, eu me daria essa folga, precisava saber o que de tão grave ele descobriu sobre os Di Laurentis. Pueguei meu celular e minha carteira que estava em cima da mesa e sai depressa, passei rápido pelo corredor até o elevador, Cody ao me ver saindo correu até mim.
— Henry onde vai com tanta pressa? aconteceu alguma coisa? — Perguntou Cody parado em pé segurando a porta do elevador
— Sim, mas não é nada grave é um assunto que eu tenho que resolver, mas fica tranquilo e segura as pontas ai pra mim — respondi
Cody concordou com a cabeça depois soltou a porta, eu desci o mais rápido possível e peguei o primeiro táxi que estava passando. Fui direto a clínica, ao chegar notei uma grande placa a qual eu nem tinha reparado a primeira vez que estive aqui. A maioria das pessoas ali eram enfermeiros, os pacientes desse local geralmente ficavam presos em quartos os menos psicóticos nó jardim. Parei em frente ao balcão de informações, uma moça de roupa branca e longos cabelos loiros veio até mim com um sorriso branco e lindo.
— Posso ajudar? — ela perguntou, sua voz era doce e meiga
— Olá, queria visitar o paciente do quarto C — Perguntei
— Poxa, há muitos anos ninguém faz uma visita a ele, você é da família?
— Sim — menti é claro, ou ela não me deixaria entrar — estive fora por muitos anos, agora que voltei quero vê lo, estou com muitas saudades
— Olha, temos uma regra aqui muito exigente para alguns pacientes, mas como você me pareceu uma boa pessoa e o paciente está sozinho há muito tempo, vou permitir que o veja, venha comigo
A moça seguiu para o corredor, eu fui caminhando atrás dela, paramos em frente a uma porta na qual realmente estava escrito ''Quarto C''. Ela tirou uma chave do bolso e abriu a fechadura. em seguida ela me olhou com meio sorriso e colocou a mão em meu ombro
— Fique o tempo que achar necessário — Ela disse
— Obrigado
Eu entrei no quarto, era como uma cela acolchoada mas bem grande. Tinha uma cama, estava desarrumada, as paredes, teto e chão brancos como leite, havia uma mesinha no outro lado do quarto próximo a janela que ficava alta quase encostada ao teto. Ali na mesinha alguém estava sentado, a pessoa vestia a roupa do hospital mas era mais como um pijama. O Garoto que estava ali era branco quase pálido, ele estava desenhando, quando me aproximei notei seu rosto mais de perto, ele era incrivelmente lindo, tinha os olhos castanhos claro, um lábio bem avermelhado, um cabelo preto liso e jogado nos olhos quase os escondendo. O rapaz era magro, mas mesmo assim tinha o corpo bonito, em seus olhos tinham marcas de olheiras. ele não parou de desenhar nenhum segundo, mesmo depois de eu ter entrado no quarto. Alguns de seus desenhos estavam pelo chão, peguei um que eu acabara de pisar.
Havia algo de familiar naquele desenho, todos os desenhos que ali estavam era de um menino segurando a mão de outro menino em frente a uma casinha. Essa mesma casinha era a casa que eu lembrava que era dos meus pais quando nós morávamos aqui, quando eu era aquela criança feliz. Voltei a olhar para o rapaz, ele estava com algo desenhado em seu pulso, algo que ele mesmo deve ter desenhado, era a pulseira que eu dei a Nolan quando eu fui embora. Agora tudo estava fazendo sentido, esse garoto na minha frente era Nolan o amigo que eu deixei quando fui embora com meus pais, eu sentia isso no meu coração.
— Nolan? — Falei, o rapaz continuou a desenhar
Eu me agachei perto da cadeira onde o rapaz estava e coloquei a mão em seu braço
— Nolan, sou eu... Henry — Quando eu disse isso, ele parou o desenho e foi virando o rosto devagar, assim que me olhou nos olhos me agarrou e deitou sua cabeça em meu peito
Eu sentia ele tremer, ao mesmo tempo olhei lágrimas escorrendo pelos seus olhos, mesmo sem ele dizer nada eu compreendi. Eu o abracei ainda mais forte, dei alguns beijos em sua cabeça enquanto ele estava deitado sob meu peito. Fiquei assim por alguns minutos, depois ele se levantou e eu segurei sua mão, ele me levou até sua cama e nós nos sentamos lado a lado. Nolan olhava para mim admirando cada parte do meu corpo, pegava meu cabelo e alisava meu rosto.
— O que fizerem com você — Falei meus olhos se encheram de lágrimas, depois o rapaz voltou a se deitar em meu peito. Eu não consegui segurar as lágrimas e chorei por alguns instantes.
— Henry não pode deixar Nolan... Nolan ama Henry — ele dizia isso toda hora
— Henry não vai te deixar, eu prometo — Respondi segurando o garoto entre meu peito
O cara misterioso que me pediu para vir aqui me ligou outra vez, pedi a ele para me ajudar a tirar Nolan dali. Ele foi até a clínica, Eu pedi a enfermeira para conversar com ela, disse que eu estava disposto a leva lo embora comigo, mas ela pediu muitas autorizações, e claro isso ficou por conta do meu ''amigo'' que realmente fez tudo o que eu pedi, eu consegui a autorização para leva lo embora. Eu o levei para meu apartamento, com a ajuda do rapaz misterioso, a propósito eu o chamava de Fred.
— Onde ele está? — Perguntou Fred assim que eu apareci na sala do meu apartamento
— Deixei ele descansando na cama — falei me sentando no sofá
— Bom, então ele está bem
— Porque ele estava naquele lugar Fred? Eu sei que você sabe
— Bom, quando seus pais foram embora e levaram você, Nolan ficou pedindo você o tempo todo, depois de um tempo começou a fazer desenhos, dizendo que te amava. Os pais dele não aceitaram muito bem ter um filho gay, então o internaram, diziam eles que para o bem dele. Com o passar dos anos com tantos medicamentos e preso, Nolan ficou realmente pirado, seus pais nunca mais o visitaram pelo que eu soube.
— E porque você não me contou isso antes?
— Pensei que você soubesse, até eu descobrir que você estava tendo um caso com aquele rapaz, aquele que dizia ser o Nolan
— Meu Deus, eu fiquei com ele, contei pra ele coisas, e ele não era quem dizia ser.. então que porra é ele?
— Aquele é Matt Di Laurentis, lembra que eu disse que era uma bomba sobre os Di Laurentis. Pois é, Matt foi um filho que a senhora Di Laurentis deu a adoção quando bebê. Eu investiguei a vida dele e descobri tudo, ele veio a cidade para se vingar dos pais, se vingar daqueles que o abandonaram. sabe porque ele não entrou na clínica aquele dia com você? Porque ele entrou lá uma vez para roubar a pulseira de Nolan, assim poderia se passar por ele. Lembra que ele não foi ao evento dos Di Laurentis quando você pediu? Ele não poderia aparecer lá, as pessoas saberiam que ele não é filho dos Haskel.
— Maldito, desgraçado, eu acreditei nele...
— Agora você entende porque ele está tão obcecado por vingança? Mas agora presta atenção, você não pode ir até ele e dizer tudo isso, tem que ser frio assim como ele, sei que você vai dar um jeito de risca lo de sua lista de alguma forma.
— Você tem razão, e eu já sei o que vou fazer. — Falei
Fred saiu, eu fui até minha gaveta e peguei o CD das fotos intimas da senhora Mikaelson com o senhor Di Laurentis. Fui até o quarto onde o falso Nolan conhecido como Matt disse que era de sua namorada, até eu conseguir abrir e descobrir que na verdade era o apartamento dele, seu esconderijo. Coloquei O CD em uma gaveta com um papel escrito vingança. depois sai o mais rápido possível. Voltei ao meu apartamento e liguei para os Di Laurentis, fiz isso sigilosamente, sem número e sem nome, mudando a voz. Disse para investigarem o apartamento de Matt Di Laurentis.
Logo algumas pessoas estavam ali vasculhando o apartamento, eu fiz de conta que não sabia de nada e fiquei espiando. Eles encontraram o CD, claro agora colocariam a culpa toda em Matt. Depois eu esperei a noite cair, me arrumei e fui a casa dos Di Laurentis para o jantar. Hanna minha secretária ficou cuidando de Nolan. Assim que cheguei, Kora me recebeu, depois os outros convidados. Me sentei a mesa, tudo parecia normal, até que o senhor Di Laurentis chamou Kora em particular. Eu disfarcei e os segui, eles foram até o escritório eu fiquei na porta ouvindo a conversa
— Então aquela denuncia era verdadeira? — Perguntou Kora
— Sim, realmente seu filho voltou, não sei como e da onde, estava disposto a se vingar, foi ele quem armou tudo, aqui está o CD — Falou Jhon
— E agora?
— Fica tranquila, mandei alguém ficar esperando ele no apartamento, quando ele apareceu nos o levamos a clínica e o internamos. assim que ficar comprovado que somos os pais dele, vamos poder deixar ele internado pro resto dos dias dele.
Eu sorri de canto e voltei depressa a sala de jantar. logo os Di Laurentis também voltaram. eu me despedi logo em seguida, disse que precisava passar em outro lugar, e na verdade eu fui. Peguei um táxi e fui direto a clínica.
— Você outra vez aqui — Disse a moça
— Vim ver um amigo agora
— Quem?
— Matt... Matt Di Laurentis
Eu fui até o quarto onde ele estava. Ao entrar ele correu e me abraçou. Eu não mostrei um pingo de sentimento. Assim que ele me soltou eu peguei sua pulseira e puxei de seu braço. ele ficou me encarando e depois tentou se aproximar outra vez
— Fica longe — Falei
— Pensei que você viria me ajudar? — ele disse com a voz decepcionada
— Ajudar? você me enganou, mentiu, disse que você era o Nolan, você é cruel
— Ah olha quem fala, o senhor que botou fogo em uma loja e que destruiu famílias, vai dar uma de santo agora?
— Não.. não vou, você está certo. Eu sou uma pessoa má, por isso vou garantir que você não saia daqui
Eu disse isso e começei a gritar, eu mesmo me bati e rasguei minha roupa. Matt ficou olhando assustado enquanto eu fazia isso, foi então que os médicos chegaram e foram para cima de Matt, eu fiquei no chão fingindo ter sido atacado por ele. Os médicos o colocaram na cama a força, ele gritava e os médicos aplicaram calmantes nele.
— Tudo bem? — a moça falou me ajudando a levantar
— Sim... mas cuida dele por favor, ele não tem culpa de estar nesse estado — Fingi uma emoção
Em seguida sai da clínica, eu olhei para o céu a lua estava linda. deu um sorriso de canto e entrei no táxi, voltei pra casa, para Nolan o verdadeiro, eu cuidaria dele agora, o protegeria, principalmente de seus pais que mesmo eu pensando serem boas pessoas, terem sido capazes de abandona lo naquele lugar horrível.
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