VINGATIVOS
6 Em Chamas
Não era meu costume acordar cedo no domingo, mas havia tantas coisas em minha cabeça, aquela mensagem que recebi no celular mais cedo me deixou intrigado. Não tinha certeza se eu ia ao encontro daquela pessoa misteriosa, isso poderia ser uma armadilha, enquanto eu pensava sentado na poltrona bem em frente a minha cama, observava Cody dormindo, o lençol estava apenas em suas pernas deixando seu corpo bem definido descoberto, iluminado pela luz que entrava pela janela. O quarto estava silencioso por isso ouvi quando bateram na porta do apartamento, caminhei até lá ainda de cueca e camisa como eu costumava ficar em casa.
— Não quer atender minhas chamadas? não responde minhas mensagens? -Disse Nolan assim que eu abri a porta, o rapaz já entrou no apartamento sem que eu o convidasse
— Eu não tinha o que dizer, na verdade ainda não tenho — Respondi fechando a porta
— Henry, você foi a melhor coisa que aconteceu comigo, sempre sonhei com o dia que te encontraria de novo, a Nana é...
— A Nana vai ser mãe do seu filho — Interrompi Nolan, dizendo isso alto
— Ela não significa nada, pra mim, entenda
— Nolan, eu também sempre sonhei com o dia que voltaria a te ver, nunca pensei que a gente ficaria junto mas aconteceu e eu fui feliz, mesmo. Mas foi você quem estragou tudo, você pode não sentir nada por ela, mas ela sente por você, e agora tá grávida. Você não foi capaz de evitar essa gravidez? Há tantos modos hoje em dia de se evitar isso, se aconteceu é porque no fundo você também quis e não coloque a culpa nela agora ou nesse bebê. Eu sinto muito Nolan, eu não posso ficar com alguém que vai ter um filho com outra pessoa, desculpa
— O que houve? — Disse Cody saindo do quarto, ele estava esfregando os olhos com o cabelo todo pro alto
— Entendi, então você já deu pra ele, ele é melhor? — Falou Nolan com a voz alterada
— Você só me decepciona cada vez mais, sei que você deve estar pensando isso, qualquer um pensaria, mas te digo com toda tranquilidade, Cody só dormiu aqui porque estava triste pelo que aconteceu na casa dos Di Laurentis ontem, eu não te devia essa explicação mas quero que saiba que eu não sou um puto que sai com qualquer pessoa — Respondi tirando o colar que por tantos anos eu usei
Nolan fez o mesmo com sua pulseira, ele a jogou no chão assim que tirou, depois deu as costas sem dar uma palavra, saiu pela porta e bateu bem forte quando saiu. Eu me sentei no sofá de cabeça baixa, senti que Cody se sentou do meu lado, ele segurou minha mão enquanto eu chorava.
— Desculpa por causar isso — Falou Cody me abraçando
— Não foi sua culpa, eu sonhava com o dia que voltaria e encontraria meu grande amigo, mas a vida passa e as pessoas mudam, Nolan não é mais aquele meu amigo de infância, ele agora é um homem e tem uma vida diferente, tenho que aceitar isso.
Cody permaneceu a meu lado até que eu parei de chorar. Depois o convidei para ir almoçar em um restaurante perto dali do prédio. Caminhamos um do lado do outro até chegar no restaurante, já eram onze da manhã, nos sentamos em uma mesa que ficava próximo a janela, Cody se sentou de frente pra mim.
— Porque você deixou que eu dormisse na sua cama? — Perguntou Cody segurando o cardápio na mão
— Bom, na verdade eu também queria uma companhia, estava triste com o Nolan e bom você é um ótimo amigo, eu adorei sua companhia — Respondi, em seguida fiz meu pedido a garçonete que estava parada ali perto da nossa mesa
Ficamos um tempo em silencio depois disso, quando a comida chegou, conversamos sobre outros assuntos, ele me contou sobre outros eventos que também ficaram marcados por um barraco. Pelo visto isso já acontecia mesmo antes de eu vir pra cidade. Eu contei sobre minha vida no interior, sobre as pescarias, o tempo que passei na universidade, logo tínhamos terminado de comer, eu insisti para pagar a conta pois eu tinha feito o convite.
Em seguida saímos do restaurante, Cody recebeu uma ligação de seu pai. então nos despedimos e ele voltou a sua casa, ele precisava conversar com sua mãe sobre a confusão de ontem. Eu voltei para meu apartamento caminhando, o sol de New York era ótimo essa hora do dia, assim que entrei no prédio e subi pelo elevador, notei que a porta do meu apartamento estava aberta. Eu corri até lá e entrei, alguém estava sentado no sofá admirando um envelope que estava ali em cima da mesinha de centro.
— Então você é o Henry Pierce? — Falou uma voz desconhecida
— Quem é você? — Perguntei
— Você não me conhece, mas eu conheço você. Seu passado, o passado de seus pais
— Foi você quem me mandou aquela mensagem?
— Sim, eu imaginei que você não teria coragem de me encontrar como eu pedi, então resolvi vir até você — Falou o homem se virando, ele usava uma blusa preta, seu rosto aparentava ter uns quarenta anos e ele também tinha uma cicatriz bem perto do olho até o queixo, isso era bem visível.
— Como você conseguiu meu número? como sabe de mim? — Perguntei em pé do lado do sofá onde ele estava sentado
— Ora, Henry eu já disse que conheço você. Há muitos anos atrás um amigo meu era contador da empresa dos amigos do seu pai, ele foi morto e acusaram seu pai de te lo matado. Eu sempre soube que era mentira, mas não podia provar, eu vi tudo o que fizeram a seus pais, depois fiquei investigando todos eles. Bom, aquelas fotos que você pegou com Hany na clínica, foi eu quem deu aquelas fotos a ela. Coitada não pode fazer nada, eles a internaram naquele lugar. então quando eu soube que as fotos finalmente vazaram, claro que teria que ser alguém que quisesse destruir a vida deles. Quem mais do que Henry Pierce?
— Quanto você quer? Você disse que queria uma quantia em dinheiro, quanto você quer pra me dar o que eu quero?
— Cem mil, e não quero cheque.
— Não tenho tudo isso em dinheiro aqui, tenho que pegar no banco e isso leva tempo
— Não tem problema, eu volto em uma semana, se tiver o dinheiro te entrego toda minha pesquisa e todas as coisas sujas dos seus inimigos.
— Então volte daqui uma semana
O homem saiu pela porta, ainda estava em dúvidas se acreditava mas ele não estava pedindo muito e se isso me ajudasse a derrubar aqueles que destruiram meus pais, isso seria muito gratificante.
Eu tomei um banho me vesti e pedi um táxi. Fui até uma das lojas de roupas mais prestigiadas de New York, a loja dos Victour. Eu fiz algumas compras, chamei a atenção da senhora Victour. Ela me recebeu e me mostrou toda a loja, depois me levou até seu escritório que ficava no segundo andar.
— É um prazer te lo aqui em nossa loja Henry — Ela disse entregando uma xícara,
— Obrigado, eu adorei sua loja, bom já comprei muitas roupas — Falei sorrindo de canto
— Então, você pretende ficar muito tempo na cidade?
— Com certeza, acho que já fiquei tempo demais fora — Respondi levando a xícara a boca
— Então sempre que quiser uma roupa, por favor, venha aqui
— Eu virei, pode apostar
O Telefone tocou, ela pediu desculpas e me deixou um momento sozinho no escritório. Eu aproveitei e fui até uma gaveta onde eu a vi guardando chaves, eu tirei o molde da chave principal, era a chave que abria a loja. Em seguida disfarçadamente voltei a tomar meu chá, ela voltou a mesa nós trocamos algumas palavras mas logo me despedi. Eu fui até um chaveiro que ficava no centro e pedi a ele que tirasse uma cópia da chave. Assim que ele tirou a cópia fui dar uma volta. Já eram nove da noite quando eu voltei a rua onde ficava a loja dos Victour, eu fui até um banheiro público e vesti uma roupa que estava em minha mochila, era uma calça preta, um tênis, uma jaqueta preta com uma touca que escondia meu rosto e uma luva preta. Aquela rua era deserta, ainda mais no Domingo a noite, a loja já estava fechada a muito tempo, era domingo e não ficava aberta o dia todo. Eu fui até a porta e consegui abrir com a cópia da chave. Meus estudos em tecnologia serviram muito, foi assim que eu consegui desligar o alarme. Eu joguei álcool na maioria das roupas que estavam nas vitrines e penduradas em cabides por toda loja. Depois acendi um fósforo e joguei. Sai da loja em seguida, as chamas já tomavam conta do local. Eu sorri de canto quando ouvi o som das roupas pegando fogo, não olhei pra trás, fui embora assim com aquele sentimento de dever cumprido.
Eu me livrei daquelas roupas e da mochila antes de voltar pra casa. Quando cheguei e entrei no meu apartamento, liguei a luz e quase tive um infarto, alguém estava em pé perto da porta do meu quarto. eu quase dei um grito mas respirei fundo e depois soltei uma risada.
— Que droga Nolan, quase me matou — Falei rindo
— Desculpa, não queria te matar — Nolan falou se aproximando de mim e me agarrando pela cintura
— Senti sua falta — Falei dando um selinho no rapaz
— E ai, Cody acreditou em tudo?
— Sim, acho que ele tá começando a gostar mesmo de mim
— Ótimo, continue assim. logo você vai ter a confiança completa dele, você vai poder entrar na casa dos Mikaelson, é como dizem, amigos perto inimigos mais perto ainda.
— Não quero falar sobre isso agora, ainda estou chateado com a gravidez da Nana
— Eu sei, não fique isso não vai impedir que a gente fique junto
— Assim espero
Nolan e eu começamos a nos beijar quando vi mensagens no meu celular de Cody, ele estava vindo para o meu apartamento. Eu pedi a Nolan que fosse embora, Cody ainda tinha de pensar que nós tínhamos brigado de verdade. Quando ele chegou, eu abri a porta e sem eu dizer uma palavra Cody me beijou.
Eu não resisti aos beijos de Cody, mesmo ainda apaixonado por Nolan,eu precisava ficar ao lado de Cody para me infiltrar em sua família, mas na verdade tinha esse desejo por ele des da primeira vez que o vi entrar em meu escritório para ser meu assistente. então me deixei levar por aquele momento, Cody me beijava com tanta intensidade, ele era carinhoso em tudo que fazia, até mesmo enquanto tirava minha roupa. Nos jogamos na cama pelados e ele deitou por cima de mim, ele não parava de me beijar nem se quer um minuto, na verdade eu estava gostando de ficar com ele.
Depois que o sexo terminou, eu já não sabia qual realmente era o motivo de minha aproximação com Cody. ele na verdade era uma boa pessoa e um ótimo amante. Carinhoso, mesmo depois do sexo continuou me dizendo coisas bonitas e me fazendo carícias. Ele continuou do meu lado, até que recebeu uma ligação desesperada de Deny.
— O que houve? — Perguntei
— É o Deny, a loja da família dele pegou fogo, destruiu tudo preciso ir lá ele está desesperado os pais dele investiram tudo o que tinham naquela loja
— Eu vou com você — falei
Enquanto me vestia, me lembrava do momento em que eu coloquei fogo na loja. Eu deveria sentir pena, fui ensinado assim mas depois de saber tudo o que houve com meus pais. Pena era uma palavra que não fazia sentido pra mim, eu estava disposto a ir a casa dos Victour e os apoiar, assim poder ver o sofrimento no rosto deles, assim como vi por anos no de meu pai..
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