O Zugspitze é uma montanha situada nos alpes bávaros, no sul do distrito de Garmisch-Partenkirchen. É o ponto mais alto da Alemanha, com os seus 2.962 metros de altitude. Ela situa-se sobre a fronteira com a Áustria, o que facilita a supervisão e controle de passagem e transição entre as nações.

O nome tem origem devido às avalanches, que deixam marcas bem características de pedras e seixos nas encostas. A neve que assola a área é constante e apaga qualquer rastro ou vestígio de interação humana ou de qualquer espécie. É o local perfeitamente discreto para uma base da HIDRA.

Deitada sob uma cama luxuosa coberta de edredons na cor vermelha Harriet acordou desnorteada. Procurou em sua memória quais foram os últimos acontecimentos que resultara sua chegada até ali e chorou ao perceber. Fora capturada.

E o que era pior.

Por uma das pessoas que ela mais confiava na vida.

Levantou-se agitada e procurou pelo quarto, igualmente luxuoso, qualquer indicio de saída que pudesse leva-la para longe daquele lugar.

Portas.

Trancadas.

Janelas.

Trancadas.

Nenhum outro indicio de passagem por entre as paredes ou mesmo no chão.

A jovem foi até a porta novamente e pousou uma das mãos sob a maçaneta de ferro. Antes que ela pudesse ao menos pensar em soltar algum tipo de energia que a destrancasse, a porta foi aberta e ela arremessada ao chão.

Quando essa subiu os olhos até a face do recém-chegado, e uniformizado com as cores e emblema da HIDRA, seu coração deu um salto que quase sai pela boca.

Em sua frente estava Schmidt.

Só não da forma como ela havia visto nas fotos dos arquivos da Divisão Estratégica.

Toda a sua pele havia sumido e os músculos estavam completamente expostos. Ele parecia uma caveira vermelha.

O coração de Harriet pulsou e saltou, nunca havia visto coisa como tal.

— Vim lhe prestar essa visita, srta. Stark, para garantir pessoalmente que estivesse sendo tratada da melhor forma possível. – Schmidt pronunciou em bom e alto tom. – Costumamos mimar nossos sócios para que nunca se sintam desmotivados a contribuir com nossos serviços.

— Não sou um deles, portanto não se dê ao trabalho. – Ela cuspiu ao se levantar.

— Não é você quem decide isso. – Ele sorriu inabalável.

— Acha mesmo, — pronunciou com os dentes rangendo – que eu vou me submeter a trabalhar com você em prol de mais mortes da minha nação?

— Oh não, — ele negou, rindo descontraidamente. – Não vai trabalhar para mim. Eu é quem vou trabalhar em você.

Harriet engoliu em seco e pensou duas vezes antes de jogar uma descarga elétrica no homem a sua frente.

Será que ele sabia?

— Quanto a Alex, como o enfeitiçou? – Ela decidiu indagar, tamanha era o sentimento de traição. – O Alex que eu conheço nunca pensaria na possibilidade de se juntar a você!

— Você não imagina as coisas que o desespero nos obriga a fazer.

Harriet engoliu em seco novamente, inconscientemente se afastando do homem.

— Apesar de querer ganhar o crédito quanto a isso, foi tudo ideia dele. O seu amigo. — Ele revelou.

— O que? – Questionou incrédula.

— Um pouco depois do acidente no laboratório, Alex percebeu a sua cura avançada e ficou maravilhado, além de aliviado. Afinal você não estava completamente morta e ainda tinha chances de viver.

"Com o passar dos dias ele percebeu uma retardação à sua regeneração e começou a entrar em desespero. Seu corpo estava intacto, mas a mente sucumbiria à morte. Portanto ele procurou os melhores e mais sábios médicos que pudessem ajudar. Contudo nenhum nunca havia visto coisa como tal. Erskine, quem poderia explicar, estava morto e Howard estava mais perdido que ele próprio. Sua única opção foi me contatar. "

— Não! – Ela soprou com lágrimas nos olhos.

— Ele veio até mim e perguntou o que eu poderia fazer para tornar a acelerar a cura, e desde que você voltasse a vida ele faria tudo o que eu quisesse.

— Mas Howard estava o tempo todo ao meu lado, ele não permitiria que chegasse até mim sem consulta-lo antes. – Refletiu sob os relatos do irmão.

— E é aí que a atuação de Alex me deixou mais impressionado. – Revelou sorrindo. – Ele incumbiu uma das enfermeiras fazer a aplicação da solução em suas veias em um momento que Howard não estivesse presente. Disse a ela que Howard não compreendia a grandeza do antídoto e era antiquado demais para perceber a possibilidade da dádiva da vida que tal antídoto podia oferecer só por causa de uma briga com Alex, que sequer existiu. – Ele revirou os olhos – Todos sabem quanto Howard é orgulhoso. A enfermeira, pensando no seu bem, concordou.

— O que você colocou em mim? – Indagou passando a mãos pelos braços quentes, de tanta energia que corria por seu interior.

— Eu te salvei. – Ele sorriu. – E como uma de minhas criações, pensei que ficaria mais grata por eu ter dado a você um poder de deuses.

— Vai para o inferno!

Dito isso a jovem não mais se conteve e soltou uma descarga elétrica poderosa na direção de Schmidt. Este foi arremessado para fora do quarto e bateu as costas contra a parede de pedras enquanto Harriet adiantava-se em correr para longe dali.

No final do corredor deu de cara com mais homens vestidos com uniforme da HIDRA e lançou neles raios que os prenderam no teto com mais de seis metros de altura.

À medida que avançava cada vez mais, mais homens apareciam, e ela não sabia se conseguiria enfrenta-los se eles se triplicassem. Não tinha noção da grandeza de seu poder.

Até que, quando virou em um determinado corredor procurando pela saída, se deparou com um homenzinho baixo com poucos fios de cabelo na cabeça, óculos de lentes grossas, com uma arma parecida com as que os soldados resgatados levaram para a divisão.

Uma arma diferente e com uma iluminação azulada.

Ela se mortificou.

— E este é o fim. – A voz de Schmidt pronunciou em suas costas, cercado de guardas igualmente armados com o objeto de núcleo poderoso. – Agora seja uma boa garota, volte até aqui com as mãos na cabeça e não me faça perder a paciência.

Harriet olhou de um lado ao outro.

Estava cercada.

Era tudo ou nada, poderia até morrer, mas ali como cobaia sujeita aos mais diversificados testes ela não ficaria.

Um passo de cada vez ela foi se aproximando do famoso Doutor Zola, qual afastava-se inconscientemente simultaneamente.

— Eu... eu... eu vou atirar, garota! – O homenzinho gaguejou, fazendo a arma em sua mão balançar pela tremedeira que não podia controlar.

— Vá em frente! – Anunciou ela aproximando-se cada vez mais.

— Eu... eu... Schmidt! – Esbravejou Zola à caveira vermelha, que assistia a cena atentamente.

Ele estava ansioso para o desfecho da cena.

Quando Harriet se aproximou o suficiente de Zola, a ponto de arrancar a arma de sua mão, Schmidt pegou a arma de um dos soldados ao seu lado e atirou na direção da garota.

Esta foi arremessada ao chão aos gritos.

Nunca sentira tamanha dor como aquela.

Harriet contorcia e gritava ao mesmo tempo, tentando expelir aquele material que parecia corroê-la de dentro para fora.

Depois de alguns minutos de pura agonia, Harriet se calou.

Sua respiração estava ofegante e todas as partes do seu corpo, sem exceção, doía.

Schmidt atirou mais uma vez em sua direção e ela tornou a gritar e a se contorcer.

A medida que o grito da jovem ia se alastrando pelo ambiente, o homem foi se aproximando com um sorriso diabólico no rosto.

— Está aí a nossa prova, Zola! – Anunciou ao parceiro. – Ela resiste à energia do Tesseract!

—x-

A base militar da divisão Estrategista estava uma confusão. Pessoas corriam para cima e para baixo ordenando e cumprindo ordens. Homens recolhiam seus pertences e os enfiava de qualquer jeito em uma bolsa qualquer.

A mesas foram arrastadas do lugar, assim como as cadeiras, e um mapa detalhado de toda a Alemanha fora posto ao centro da sala. Ao seu redor encontrava-se Steve Rogers, Bucky Barnes, Peggy Carter, Coronel Philips, Howard Stark e a equipe tática do Capitão América.

— Vamos fazer uma varredura em todos as bases da HIDRA que conseguirmos, — ordenou Rogers. – Seguiremos pelo Sul e tomaremos uma de cada vez.

— E se até lá já tiverem a matado? – Questionou Howard entre soluços, seu rosto estava coberto de lágrimas. – Ela não tem todo esse tempo.

— Se a sequestraram e ainda não nos chantagearam com disso é porque precisam dela. – O coronel explicou. – Se eles precisam dela não a matarão tão cedo. Pelo menos até arrancarem a informação que precisam.

— Quero todos os seus homens, Coronel. – Solicitou o Capitão. – Faremos uma busca incessante de grupos de trinta pessoas por todas as bases que localizamos e as demais.

— Não sei se estão preparados...

— Pois façam-nos estar! – Esbravejou Barnes com a voz entrecortada interrompendo o coronel.

— Não se preocupem, — anunciou Steve à Howard e Bucky. – Não vou descansar até encontrarmos Harriet. Eu dou minha palavra a vocês.

Notas finais
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