18/02/2021

Quinta-feira

01:00

Mateus

Vomitei na calçada, Alan estava ali para me dar apoio moral e garantir que não ia morrer, o gosto que ficou na garganta era horrível, mas não era pior do que a data. Desde que entrei nos alcoólicos anônimos fiz a promessa de apenas beber no aniversário, o resto do ano ficava sóbrio, Alan não se importava com aquilo, acho que ele ficava feliz em poder me acompanhar a beber.

— Consegue chegar em casa? — Ele perguntou.

— Não é a primeira vez que bebo — Levantei e cuspi na calçada, vamos.

Durante o caminho não falamos nada, acho que nós dois estávamos decepcionados por beber, demorei uma semana para me decidir, mas as lembranças dolorosas venceram, ainda sonhava que estava morrendo na frente da escola.

— Ei, — Alan me tirou dos meus pensamentos — Não olhe para trás, acho que tem alguém seguindo a gente.

— O que? — Me virei.

— Merda! — Alan exclamou.

18/02/2021

Quinta-feira

00:30

Lucas

Meu celular vibrou com uma mensagem, era Marcelo.

"Como está hoje?"

Sabia o que ele queria dizer com aquilo e sabia que ele mandou a mesma mensagem para os outros.

"Desculpa, estou no set de um projeto novo, secreto, sábado eu apareço."

Respondi e desliguei o celular, não percebi que estava sendo observado de longe.

18/02/2021

Quinta-feira

00:00

Kauan

Cinco anos depois e eu ainda não conseguia dormir nesse dia, eu sabia que se algo fosse acontecer, o aniversário era a data mais provável e dessa vez eu estaria preparado.

18/02/2021

Quinta-feira

01:02

Alecsandra

Acordei com a notificação de mensagem, algumas eram clientes perguntando quando voltaria e no meio delas uma do Marcelo.

"Tudo bem?"

"Sim, volto segunda ou terça, conversamos pessoalmente?"

Estava na minha fazenda, ia para lá toda vez que estava terminando uma coleção nova, um lugar tranquilo fazia meu trabalho fluir melhor. Acabei dormindo na mesa de costura, peguei meu celular e comecei a andar em direção a casa, percebi que a porta lateral do ateliê estava aberta. Eu nunca abro aquela porta.

01:35

Mateus

Assim que me virei vi quem estava nos seguindo, um idiota fantasiado de máscara de porcelana, ele saiu das sombras, caminhou até o meio da rua e ficou parado.

— Sério? — Perguntei.

— Mateus, vamos embora. — Alan falou e segurou meu braço.

— Não. — Soltei o braço da mão dele — É só mais um idiota usando a data para tentar me assustar.

— Já parou para pensar na possibilidade de que pode não ser um idiota? Prefiro não arriscar.

— Vamos! — Gritei. — Vai ficar parado aí?

O mascarado colocou a mão dentro do sobretudo preto e tirou um facão, Giovane usava uma faca pequena, golpes próximos onde conseguia ver o sofrimento da vítima de perto. Se aquela pessoa estivesse levando a situação a sério, ele queria apenas machucar da maneira mais dolorosa possível.

— Corre. — Falei.

— Está falando sério? — Alan perguntou.

— Anda logo.

Começamos a correr e a pessoa começo a nos perseguir, viramos a primeira esquina, quando chegamos na metade da rua olhei para trás, ninguém ali. Continuamos correndo até chegar em casa.

00:37

Lucas

Estava tão focado no roteiro que não percebi ninguém se aproximando até o último segundo, por instinto tentei dar uma cotovelada, mas a pessoa desviou.

— Lucas, sou eu! — Victor gritou.

— Quantas vezes já falei para não se aproximar sorrateiramente.

— Eu te chamei várias vezes, você que não escutou.

Victor era o meu, nosso fã número um, sabia todos os detalhes do que aconteceu com a gente e como precisava de um assistente depois de começar a fazer adaptações, quem melhor do que alguém que conhece a história tão bem quanto eu?

— Desculpa, é que esse roteiro é muito bom, se outro assassino aparecer eu espero que seja tão bom quanto esse que acabei de ler.

— É hoje não é? — Ele perguntou.

— Sim, então já sabe. Apenas me informe sobre rede social se alguma celebridade falar que é minha fã. Meu celular já está desligado.

— Tudo bem.

01:05

Alecsandra

Tudo foi tão rápido, antes que pudesse correr alguma coisa prendeu no meu pescoço e senti alguém atrás de mim, coloquei a mão e percebi que estava sendo enforcada com um pedaço de pano, comecei a me contorcer, tentando puxar ar para meus pulmões, enquanto me contorcia devo ter acertado a pessoa porque ele soltou um pouco de cair no chão, comecei a engatinhar em direção a porta, ainda sem fôlego, olhei para trás e não conseguia acreditar no que estava vendo, era Alguém usando a máscara do Giovane, comecei a chorar, tentei me levantar, mas minhas pernas não me obedeciam. Olhei mais uma vez para trás e ele estava segurando uma das minhas tesouras para corte de tecido.

— Não, não, por favor. — implorei.

Ele correu na minha direção e senti a dor no braço onde a tesoura entrou, comecei a gritar por ajuda, mesmo sabendo que não havia ninguém em quilômetros, outro golpe, dessa vez no estômago, seguido de outro e outro até que desmaiei.

04:00

Marcelo

Acordei assustado por um pesadelo, nele Giovane vencia na escola, todos estavam mortos quando chegava lá. Fui beber um copo de água. Quando voltei peguei o celular, e vi a mensagem da Alcsandra.

"Sim, volto segunda ou terça, conversamos pessoalmente?"

"Combinado"

Ela respondeu na hora.

"Mal posso esperar :)"