Vítimas Das Circunstâncias
12 Perdas
Notas iniciais
Sinto muito pela demora. aproveitem.
15/10/2014
Segunda-Feira00:18AnaNão conseguia dormir, Detetive Kauan me explicou o que tinha acontecido, achei que depois de descobrir a verdade ficaria aliviada, mas só consegui ficar frustrada, Marcelo sabia de tudo e não contou para ninguém, para mim. Meu celular vibrou, era uma mensagem:“Você pode salvar uma família quebrada.”O numero era desconhecido, o que significava duas coisas, trote, recebi varias mensagens falsas depois de me envolver com os assassinatos, ou era realmente ele, nesse caso resolvi acreditar, aquela frase, já tinha escutado em alguém lugar só não me lembrava onde, liguei para o Detetive.00:21KauanEstava na minha sala revendo todo o caso, com o que descobri hoje, tudo precisava ser revisto, meu celular tocou, era Ana.— Alô, aconteceu alguma coisa? — Perguntei.— Não, quer dizer, ainda não.— Como assim ainda não?— Recebi uma mensagem escrita “você pode salvar uma família quebrada” e já escutei isso em algum lugar.— Acha que é ele?— Não sei, porque ele mandaria para mim?— Marcelo está preso, no dia que ele foi atacado você tomou o controle da situação, talvez ele te veja como uma substituta.— Ótimo. O que vamos fazer?— Ligue para os outros, vou falar com Marcelo.00:27MarceloDetetive Kauan parou na frente da minha cela, ele parecia preocupado.— Você pode salvar uma família quebrada. — Ele falou.— O quê? — Levantei e fui até as grades.— Já escutou isso em algum lugar?Aquela frase me parecia familiar.— Não me é estranha, aconteceu alguma coisa?— Ana recebeu uma mensagem com essa frase, achamos que ele vai atacar.— Mas eu estou aqui, como iria até cena? Todas às vezes ele me fez ir até a cena.— Talvez fosse Daniel que te fazia ir até as cenas.Ficamos em silencio durante alguns segundos.—Se lembrar de qualquer coisa, avise o policial que está na porta que ele me passa o recado. — Ele começou a andar.— Tudo bem. — Respondi, voltando para a cama.— Ah. — Ele voltou — Uma coisa que me esqueci de perguntar, não consigo encontrar o tal de Ademir da sua historia em nenhum lugar, ele se mudou?— Sofreu um acidente enquanto fazia escalada, mais ou menos há um ano.— Meus pêsames.— Tudo bem, só fiquei triste pela mãe dele, nunca encontraram o corpo.— O que? — Kauan saiu praticamente correndo.Será que ele estava considerando a possibilidade de Ademir ter fingido a própria morte? Isso é louca, mas considerando tudo o que aconteceu loucura é meu novo normal.00:27GuilhermeEncontrar a casa da garota foi fácil, conhecia a vizinhança, quando perguntei o que tinha acontecido ela falou sobre a festa de três dias, Mateus de algum jeito conhecia alguém ali e ficou todo o tempo bêbado, ele podia negar, mas o que aconteceu na balada mexeu com a cabeça dele e ele estava descontando na bebida. Tinha alguns caras ajudando a garota a limpar a casa e com a ajuda deles coloquei Mateus no banco traseiro do carro, quando estava estacionando o telefone tocou, era Ana.— O que está acontecendo agora? — Perguntei.— Está tudo bem? Está em lugar seguro? — Ela parecia preocupada.— Estou, encontrei o Mateus, caso se importe.— Ótimo. Preciso que tranque tudo, o assassino mandou uma mensagem para mim.— Droga, Marcelo ainda está na delegacia?— Sim, alias. “Você pode salvar uma família quebrada.” Significa alguma coisa para você?— Desculpa, nunca ouvi isso, agora preciso levar Mateus para dentro d casa antes que ele vomite no meu carro.— Tchau. — Ela desligou.00:43Marcelo— É isso! — Me levantei da cama e fui até as barras da cela — Alguém ai?— O que foi? —Policial Ferreira entrou no meu campo de visão.— Precisa ligar para o Detetive, a frase, é a Ingrid, ela falou para mim anos atrás que tinha uma família quebrada, ela não pode morrer. Os irmãos não têm ninguém.— Fique calmo, ninguém vai morrer.— Vocês já falaram isso e pessoas morreram. Ele saiu correndo atrás de um celular e eu me sentei na cama pensando na possibilidade dos irmãos dela serem separados e colocados em casa de adoção.01:08IngridAcordei os dois e pedi para que ficassem quietos.— Vamos brincar. Ok? — Falei segurando o choro — Vocês vão entrar no guarda-roupa e não vão sair até que eu mande tudo bem? — Tudo bem. — Luis, o mais velho, dez anos, respondeu e quase chorei.— Ótimo. — Os dois entraram.Não estava prestando atenção lá fora, não sei se ele já entrou, minha casa tem seis cômodos, aquele desgraçado vai começar a procurar no meu quarto, com sorte consigo chegar à cozinha e pegar uma faca, se for meu dia de morrer, esse filho da puta vai comigo, abro a porta do quarto bem devagar e não vejo ninguém, vou andando até a cozinha, quando chego à gaveta com as facas, escuto um barulho na sala, pode ser minha imaginação, ou pode ser ele, abro e pego a maior faca ali.00:50KauanFerreira me ligou informando que existia a possibilidade do próximo alvo ser Ingrid, até agora ela nunca esteve em nenhuma cena, para falar a verdade não se encaixava no padrão das vitimas, Ana estava sentada no Baco do passageiro, ela tentou ligar para os outros, mas ninguém atendeu, talvez estivessem dormindo ou talvez estivessem matando pessoas, Guilherme me mandou uma mensagem falando que tinha encontrado Mateus, Vinicius estava na delegacia, mas ainda ficavam muitas pessoas sobrando.
— Não pode ir mais rápido? — Ana perguntou.— Estou indo o mais rápido possível. — Respondi.— Quanto tempo até chegarmos lá?— Quinze minutos. Mudando de assunto, já escutou falar de um Ademir?— Ele era amigo do Marcelo, mas morreu faz algum tempo.— Só que nunca acharam o corpo.— Espera, você acha que ele pode ter fingido a morte para atacar pessoas?— É uma hipótese.— Essa situação fica mais doida a cada dia.00:11IngridSegurar uma faca não é nada fácil quando suas mãos estão tremendo, fui andando lentamente em direção a sala, quando cheguei vi que a porta estava aberta, olhei para todos os lados procurando por ele, corri até o meu quarto, nada, banheiro, nada, fui até o quarto dos meus irmãos, mas parei na porta, só de imaginar que alguma coisa tenha acontecido com eles é o suficiente para minhas pernas ficarem fracas, respirei fundo e abri a porta. Nada, respirei aliviada, então onde ele estava. Escutei um barulho alto e deixei a faca cair, logo em seguida alguém gritou meu nome, era o detetive.00:12KauanMe perdi durante o caminho e acabamos demorando um pouco mais do que o esperado, antes de para o carro, Ana já abriu a porta e estava saindo, parei no meio da rua, corremos até a frente da casa, Ana bateu no portão varias vezes e eu chamei por Ingrid.— Precisamos entrar! — Ela estava quase chorando.— E vamos, vá para o lado. — Me afastei para conseguir subir no muro, mas antes de correr o portão se abriu. Era Ingrid.— Está tudo bem? — Perguntei.— Ele estava aqui.— Viu se ele foi embora?— Só vi uma vez, não onde foi parar.— Tudo bem, vou verificar e trazer seus irmãos.Realmente não havia mais ninguém na casa, alem das duas crianças, será que nossa chegada o assustou? Não fazia sentido, até agora ele sempre teve tempo de matar e a policia só chegava muito tempo depois, mas por outro lado a ajuda de Daniel não esta mais na mesa.— Preciso que vocês quatro entrem na casa e tranquem tudo. — Falei me afastando deles.— Onde está indo? — Ana perguntou.— Existe a possibilidade dele ainda estar por perto, preciso verificar.— Tudo bem.00:18AnaSó de pensar nas crianças sem a Irmã me dava um aperto no coração, felizmente hoje nós impedimos algo ruim de acontecer, estávamos todos senados nos sofás da sala, os dois abraçados com ela.— Vou buscar um pode de água para você. — Falei me levantando.— Obrigado, os copos estão no armário.Uma garrafa de água já estava em cima da mesa, achei um copo facilmente, notei uma gaveta cheia de facas aberta, não conseguia imaginar o terror que ela passou, no dia que fui perseguida quase desisti, mas ela não podia, os irmãos precisavam dela, quando estava voltando encontrei Ingrid fechando a porta do quarto.— Já voltaram a dormir? — Perguntei baixo.— Sim — ela deu uma risada. — Queria conseguir apagar como eles em uma situação dessas.— E quem não? — Entreguei o copo e ela bebeu um pouco.— Vamos voltar para a sala. — Ela começou a andar, mas caiu três passos depois.— Tudo bem? — Corri até ela, Ingrid começou a convulsionar, a boca se encheu de espuma rapidamente e seus olhos começaram a sangrar — Ingrid? — Depois de quase um minuto ela parou e sabia que estava morta. Levantei e fui em direção a rua, quando cheguei à porta Kauan estava entrando pelo portão.— Ela está morta. — Falei, as palavras ainda não se ligavam com o que tinha acabado de acontecer.— O que? — Ele correu para dentro da casa — Como?— Não sei, ela caiu do nada.Ele foi até o corpo e verificou o pulso procurando batimentos.— Conte exatamente o que aconteceu.— Estávamos na sala, fui buscar um copo de água, ela levou os irmãos para o quarto, bebeu e caiu logo em seguida.— Você bebeu?— Não.— Acho que foi algum tipo de veneno na água.— Como ele sabia que iria oferecer para ela?— Acho que não foi focado nela e sim na primeira pessoa que bebesse.— Os irmãos?— Sim...— Desgraçado, e agora?— Chamamos as pessoas qualificadas para isso.— E os meninos?— Vamos procurar parentes próximos.— Ingrid é. Era a única pessoa que sobrou para cuidar deles.— Então eles vão para adoção.— Não, eles não podem se separar.— Desculpe, mas não posso me intrometer em orfanatos.— Preciso contar para Marcelo.— Não, eu conto, vai ser melhor, você precisa ir para casa descansar.— Mas.— Mas nada, você acabou de ver uma pessoa morrendo, seu cérebro ainda não processou isso, e quando acontecer é melhor estar na sua casa e na sua cama.— Tudo bem. 01:07MarceloNão consegui dormir, nenhum policial apareceu desde que falei com Ferreira, estava sentado na cama quando Detetive Kauan entrou no meu campo de visão, a expressão dele era de tristeza.— Ela morreu? — Perguntei enquanto me levantada.Silencio.— Ela morreu? — Gritei.— Sim. — Ele respondeu.— Como? E os irmãos dela?— Tudo aponta para envenenamento na água e sobre os dois irmãos eu já tomei as primeiras providencias.— Veneno na água? Como ele sabia que ela iria beber?— Minha teoria é que não foi um ataque focado nela, mas em qualquer um que bebesse, até as crianças.— Desgraçado, elas não tem nada a ver com isso.— Acho que ele ficou irritado com a morte de Daniel e está nos fazendo pagar.— Preciso sair daqui. — Fui até a grade.— E fazer o que? — Não sei, só preciso sair você sabe que não matei ninguém.— Não diretamente.— Serio? Vá se foder!— Amanhã nós conversamos. — Ele saiu.Sentei na cama e comecei a chorar.00:39AnaNão precisei chegar a minha casa para a ficha, durante o caminho percebi que meu pulso estava sujo de sangue da Ingrid. Parei no acostamento e chorei.00:42GustavoAcabei dormindo no sofá, quando me levantei para ir até meu quarto, pela janela vi um carro estacionado na frente da minha casa.02:30Giovane— Acho que isso é o suficiente.Desliguei o Notebook, peguei meu celular e tinha uma mensagem da Ana.“Ingrid morreu”Era tudo o que dizia ninguém respondeu, talvez tenha sido o primeiro que visualizei, ou talvez os outros não soubessem o que responder.
Notas finais
Vítimas das circunstâncias está disponível para compra na Amazon, você pode comprar se quiser ajudar um autor brasileiro.
https://www.amazon.com.br/dp/B07TWCVBTJ/ref=mp_s_a_1_1?keywords=Leonardo+Souza&qid=1562036637&s=digital-text&sr=1-1
Fale com o autor