23:00

Giovane

Precisei mandar mensagens para o meu celular, caso alguém pedisse para ver, a chave abria o portão de acesso da escada, entrei pelo portão dos fundos por não ter nenhuma casa ali, não corria o risco de alguém me ver de capa, quando estacionei vi que o carro do Mateus já estava ali, ainda bem que esse bêbado conseguiu fazer alguma coisa certa. A escola era cheia de arvores, nenhuma luz estava acesa o que deixa tudo mais assustador, o que me agradava muito, fui até a primeira sala da direita, mais próxima do portão, e esperei.

23:20

Giovane

Assim que matei o Mike corri para as salas inferiores, Mateus não estava no local onde mandei esperar, Guilherme deveria estar chegando também, decidi olhar no carro dele, assim que cheguei no portão lá estava ele cambaleando para fora do carro, claramente bêbado, fui até ele para acabar com isso, mas ele ia cair e o segurei para impedir, por um segundo senti pena dele só que o sentimento foi rapidamente substituído por nojo, dei uma facada nele e deixei para sangrar até a morte.

23:41

Giovane

Não esperava que Fernanda fosse reagir daquele jeito, se ela tivesse mostrado aquela determinação antes, teria incluído ela em mais partes do plano, sai pela janela da cozinha, havia colocado uma escada no muro, ia voltar para a sala, tirar a capa, explodir o prédio e aparecer falando que estava escondido até agora e então matar quem tivesse sobrado.

A explosão pareceu ter feito a sala tremer, nunca usei aquela quantidade de explosivos e acabou sendo mais poderosa do que esperava, por instinto me joguei no chão quando escutei o barulho, não podia mais ficar enrolando ali, precisava verificar quem tinha morrido na explosão, assim que sai da sala a nuvem de poeira e fumaça era visível, era linda, os andares estavam no chão, corri até lá e encontrei todos caídos próximo aos escombros. Nenhum morto, a não ser por Guilherme. Porra.

23:44

Giovane

Todos estavam respirando, nenhum escombro grande o bastante acertou nenhum deles, droga, droga, droga, precisava pensar em algo. Rápido. Fui em direção a Marcelo.

— Marcelo! O que aconteceu? — Fingi desespero.

— O prédio. — Ele respondeu. — Isso eu percebi, imbecil. Pensei.

— Temos que sair daqui. — Pensa. Pensa.

— Os outros, temos que ajudar.

— Tudo bem, não se levante, só por precaução. — Fui em direção aos outros, considerando a opção de cortar a garganta deles. Então me lembrei da sala em frente a que me escondi, aquela era a solução.

— Temos que ir. — Lucas falou, pelo menos ele tinha um corte no rosto causado pela explosão.

— Onde? — Marcelo perguntou.

— Giovane falou do segundo portão na parte de baixo da escola.

— Tudo bem. — Ele se levantou, a camisa com uma mancha enorme de sangue. Era um corte grande, me segurei para não comemorar.

— Marcelo! — Alecsandra resolveu se importar com os outros.

— Eu vi algum tipo de kit médico na sala, vamos. — Menti.

— Onde você estava até agora? — Lucas perguntou de repente.

— Ele me mandou esperar na sala, só sai depois que escutei a explosão. — Estava preparado para isso.

Fomos até a salas fiquei próximo a Marcelo que julgando pelo rosto não estava nada bem, Lucas estava ajudando Alecsandra a andar, chegamos a escada de acesso a sala.

— Ali dentro. — Falei.

— O que é aquilo? — Lucas perguntou.

Mateus estava caído próximo ao portão. Porque tudo de ruim tem que acontecer comigo? Kauan correu até ele, aquele era o momento perfeito. Empurrei Marcelo para dentro do corredor. Thainara percebeu o que estava acontecendo e veio em minha direção. Peguei a arma que estava na minha cintura e disparei. Um tiro do rosto. Alecsandra se virou na hora e começou a gritar. Tranquei o portão se fechando, Marcelo estava me olhando com uma cara de cachorro perdido, como eu odiava esse filho da puta. Ainda bem que tudo iria acabar ali.

23:49

Marcelo

— O que está acontecendo? — Perguntei.

— Meu Deus, você é tão idiota assim?

— É você? Todo esse tempo?

— Parabéns! Finalmente! — Ele começou a rir.

— Solta ele! — Lucas estava gritando na grade, Detetive Kauan ao lado dele, Alecsandra estava agachada ao lado do corpo de Thainara.

— Ela está... — Não consegui terminar a pergunta.

— Sim, desculpa. — Ele continuou rindo.

— Porque? Porque eu, eles.

— Sério? Ainda não entendeu, Daniel estava certo. Você é mesmo um imbecil que só pensa no próprio umbigo. Todos vocês!

— Como? Lucas perguntou.

— Sabe o que é mais engraçado? — Giovane parecia estar falando com ele mesmo. — Em alguns momentos achei que vocês iriam descobrir, porque as vezes escorreguei.

— O fato de o assassino usar uma mistura das vozes. — Detetive Kauan falou. — Era por isso que você sabia, seu conhecimento em informática estava na nossa frente esse tempo todo.

— Exato, seus idiotas! — Ele não parava de rir. — Se vocês soubessem quantas vezes eu quis rir na cara de você, quantas vezes eu senti nojo enquanto vocês tentavam salvar um dos seus amigos, Gustavo foi o mais difícil de manter a expressão preocupada.

— Você sabia que era uma bomba quando viu. — Falei. — Por que foi você que colocou ali.

— Mesmo tendo planejado tudo, preciso parabenizar vocês por um acontecimento que não estava esperando. Lucas encontrar a máscara antiga de Daniel e todos os segredos serem revelados.

— Bia. — Alecsandra que estava paralisada até agora começou a falar. — Você matou uma mulher gravida! — Ela gritou, estava chorando.

— Você acha que eu ligo? — Ele respondeu no mesmo tom e logo em seguida começou a rir. — Não planejei a explosão também, mas foi um bom golpe do destino, três por um, quero dizer, quatro por um.

— Desgraçado! — Ela se jogou contra a grade e Lucas teve que segurar ela.

— O que mais? — Giovane começou a falar. — Oh! Rebeca, eu fui até a casa dela apenas para pegar os documentos que Daniel deixou jogado na fazenda, só que ela me viu e com o susto tropeçou, infelizmente, nos meus planos ela estaria viva até agora, uma mulher forte para a audiência?

— É assim que você nos vê? — Me levantei apoiando na parede. Minha visão estava ficando embaçada — Personagens na sua história?

— Sim, e para meus fãs. — Mais risos.

— E Ingrid? — Detetive Kauan perguntou. — Ela não se encaixava nos seus métodos.

— Bem, vocês vão adorar essa. — Ele fez uma pausa dramática. — Não fui eu que matei ela.

— Você está mentindo. — Falei.

— Posso estar mentindo, mas se não estiver, isso significa que existe outro assassino a solta, quer dizer, se não matei ele sem querer.

— Vamos acreditar na palavra dele? — Lucas perguntou.

— O veneno sempre me pareceu estranho, então talvez... — Detetive respondeu.

— Pensem um pouco. — Giovane voltou a falar. — Eu mudei minha tática em uma pessoa para confundir vocês ou outra pessoa matou Ingrid, será que sou tão louco?

— Não importa mais. — Alecsandra falou. — Acabou para você, olha o tamanho da explosão que você causou, alguém ligou para os Bombeiros, ou para Polícia.

— Acho que os policiais estão ocupados. — Giovane respondeu. — Mas é isso o que eu quero, que eles saibam que fui eu!

— O que? — Lucas perguntou. — Você é mesmo louco.

— Depois que Daniel morreu, esse virou meu plano, não cometer os assassinatos e escapar como inocente, decidi que iria inspirar outras pessoas a punirem quem fez mal para eles, os pecadores.

— E você já conseguiu. — Falei.

— Sim! E a sensação é maravilhosa! Depois de hoje, com o final da nossa pequena história eu vou ficar mundialmente famoso, imagine quantas pessoas vou inspirar.

— Não acho que vai inspirar seus companheiros de cela. — Detetive respondeu.

— Nunca disse que não iria morrer, só disse que eles saberiam que fui eu, falando nisso, vamos ao que interessa. — Ele correu na minha direção.

23:56

Lucas

Toda aquela situação era loucura, meu cérebro não conseguia processar tudo o que havia acontecido naquela noite mais a confissão de Giovane, não tinha certeza se escutei tudo, mas o que escutei foi o suficiente para revirar meu estomago. Enquanto tentava não vomitar, Kauan e Alecsandra começaram a gritar. Giovane estava indo em direção a Marcelo.

23:56

Alecsandra

Queria gritar, queria chorar, por um tempo achei que se soubesse quem estava matando meus amigos sentiria algum alivio em saber que pessoa deveria odiar, mas só me sentia pior, não parava de lembrar dos momentos que ri ao lado do Giovane, mas principalmente não parava de pensar na Bia, Ingrid e Thainara que agora estavam mortas, pelas mãos dele. Minha cabeça estava girando, precisava me sentar e então ele foi em direção a Marcelo, fiz a única coisa que podia, gritei.

23:56

Kauan

Estava irritado, depois de Giovane explicar, tudo fazia sentido e tudo estava na minha frente, se tivesse prestado um pouco mais de atenção os outros estariam vivos, o período de terror e medo teria acabado antes, agora ele iria durar para sempre, já vi em primeira mão como uma pessoa desequilibrada pode influenciar outras.

— Nunca disse que não iria morrer, só disse que eles saberiam que fui eu, falando nisso, vamos ao que interessa. — Ele correu na direção de Marcelo.

23:56

Marcelo

— Não! — Só entendi Alecsandra gritando.

A próxima coisa que me dei conta foi ele, muito próximo e então uma dor no ombro, ele tinha me esfaqueado, acho que meu corpo não tinha mais adrenalina, gritei de dor, mas segurei o pulso dele, não ia deixar ele tirar a faca dali, ele levou a mão livre para o bolso, outra faca? Era um blefe, soltei um pouco o pulso e ele tentou retirar a faca, por instinto empurrei ele que foi até perto do portão, ele tentou correr até mim outra vez, mas Kauan segurou o pulso dele e começou a puxa-lo em direção ao portão. Giovane colocou a mão no bolso outra vez e tirou a arma, desajeitado disparou contra Kauan, errou e Lucas usou a oportunidade para passar o braço pelas grades e bater na arma, que caiu no chão.

— Pega a arma! — Lucas gritou.

— Pega! — Alecsandra gritou.

Giovane ainda tentava se soltar de Kauan, que continuava com muito esforço segurando.

— Marcelo! — Lucas não parava de gritar.

Dei o primeiro passo em direção a arma e tudo rodou, cai, posso ter desmaiado por alguns segundos, não tinha certeza, me apoiei na parede e tentei outra vez, sem muito sucesso.

— Por favor, Marcelo! — Alecsandra estava chorando.

— Ele perdeu muito sangue. — Lucas falou desesperado.

— Pega você! — Detetive gritou.

Lucas se deitou e começou a tentar pegar a arma, seus dedos estavam a centímetros de distância.

— Consegui! — Ele gritou.

Usando aquele momento, Giovane se livrou antes que ele pudesse correr para dentro da sala, Lucas deu a arma para Kauan que disparou, acertando Giovane na perna, ele caiu, mas o segundo disparo não aconteceu, olhei para eles e os três estavam com expressões aterrorizadas, Detetive apertou o gatilho outra vez, mas apenas o som da arma descarregada, estava acabado, não iria sair dali, Giovane provavelmente iria sobreviver e ir parar na cadeia. Meus amigos estavam mortos e o culpado estava rindo, ou chorando, não conseguia distinguir. Uma onda de raiva tomou conta do meu cérebro, queria que ele calasse a boca, queria que ele pagasse, queria que tudo estivesse acabado. Não lembro de ter tirado a faca do meu ombro, não lembro de ter atacado Giovane, só me dei conta quando estava em cima dele e a faca enfiada em seu pescoço, sua expressão era de orgulho.

18/02/2016

Quinta-Feira

00:01

Kauan

A arma só tinha uma bala, não esperava por isso, devia ter mirado em alguma parte vital, mas na pressa atirei na perna, precisava imobilizar Giovane. Droga.

— E agora? — Lucas perguntou.

Não respondi, fui interrompido pelo grito de Marcelo, ele estava tirando a faca do ombro, nós três gritamos que ele não devia fazer aquilo, mas não parecia que ele estava nos ouvindo, não parecia que ele estava ali, Marcelo se jogou em cima de Giovane e cravou a faca na garganta dele. Os dois não se moveram por alguns segundos.

00:02

Lucas

Marcelo! Procure a chave do cadeado, Marcelo!

Ele pareceu sair do transe e nos olhos como se tivesse acabado de correr uma maratona, de certa forma, ele correu. A chave estava no bolso da calça, ele jogou a chave perto do portão, eu e Kauan ajudamos ele a andar.

— Mateus? — Marcelo perguntou.

— Não sabemos. — Respondi.

Fomos até Mateus que estava na mesma posição, Kauan checou mais uma vez e confirmou um pulso, fraco, mas estava vivo, Giovane tinha um celular no bolso, Alecsandra chamou a ambulância, Marcelo falou que queria se deitar, depois de trocarmos olhares preocupados decidimos colocar ele no chão, Alecsandra não parava de falar que tudo ficaria bem. Ficamos os cinco lá, Marcelo e Mateus no chão, eu, Alecsandra e kauan ao lado deles, o silêncio e o escuro foram quebrados pelo som e luzes da ambulância.

O Site

A explosão do prédio acabou destruindo o roteador que Giovane configurou, os usuários só descobriram como tudo terminou na manhã seguinte.

A Cidade

Os ataques perderam intensidade com o passar do tempo, por volta da meia noite os policiais só recebiam chamadas de pessoas vandalizando casas, ou pessoas gritando na rua.

Notas finais
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