19/02/2016

Sexta-Feira

07:06

Kauan

Marcelo e Mateus passaram por cirurgia, Giovane cortou um pedaço do estômago de Mateus e Marcelo danificou a cartilagem do ombro. Os dois iriam sobreviver, assim que saíram da cirurgia foram colocados no mesmo quarto, Lucas e Alecsandra não saíram do lado deles enquanto estavam dormindo.

18/02/2016

Quinta-Feira

03:01

Alecsandra

Cada minuto parecia uma hora, estava andando de um lado para o outro na sala de espera, o cirurgião falou que não era uma cirurgia de risco, mas enquanto não visse os dois bem, com meus próprios olhos, não iria acreditar. Depois da cirurgia eu pedi para que eles fossem colocados no mesmo quarto, Marcelo acordou primeiro, não consegui segurar as lágrimas, Lucas também começou a chorar, no fim nós três estávamos chorando. Tínhamos sobrevivido.

— Cadê o Guilherme? — Marcelo perguntou.

— Não sei, fui no quarto dele e não tinha ninguém lá, deve ter ido para casa. Amanhã ligamos para ele.

19/02/2016

Sexta-Feira

10:05

Mateus

A primeira coisa que vi quando acordei foi Lucas dormindo na poltrona, não sabia onde estava, a ultima coisa que me lembrava era do assassino fora da escola, o que aconteceu depois?

— Mateus! — Alecsandra entrou no quarto. — Que bom que está acordado.

— O que aconteceu? Só me lembro de levar a facada. Acabou?

— Sim. — A expressão dela ficou triste por um segundo. — Era o Giovane.

Comecei a rir, não sabia como reagir, mas de uma maneira estranha fazia sentido.

— E agora? — Perguntei.

— Não sei. — Ela respondeu.

18/02/2016

Quinta-Feira

08:09

Marcelo

Acordei, meu ombro estava doendo, Alecsandra e Lucas estavam do lado da cama, ela começou a chorar, eu sabia o porquê, perdemos nossos amigos, mas estávamos vivos e devíamos agradecer por isso.

Mateus só acordou na sexta-feira, estava dormindo, Alecsandra não queria me acordar, depois do almoço Detetive Kauan veio fazer uma visita, Lucas chegou junto com ele, Detetive falou que o corpo de Guilherme foi encontrado no meio dos escombros da escola, ficamos os cinco em silêncio, ninguém sabia o que falar, como reagir, só sabia que precisávamos voltar a rotinha normal em algum ponto. Normal não era mais uma palavra cotidiana para nenhum de nós, de alguma forma, em algum nível, estávamos todos quebrados, o assassino estava morto, mas nunca iriamos parar de olhar para trás enquanto caminhávamos.

27/02/2016

Sábado

09:15

Marcelo

Decidimos fazer um memorial para todos os amigos que perdemos, cada um deles teve ser velório particular, como algumas pessoa não conseguiram ir em todos achamos melhor fazer uma reunião para quem quisesse, não estávamos ali para ficar tristes e sim para lembrar dos momentos felizes que passamos juntos, muitos familiares das trinta pessoas que Daniel matou no começo apareceram para abraçar a mim e os outros falando que tudo ficaria bem, outros ex-colegas de classe vieram dar os pêsames, no fim do dia acabamos contando historias dos que se foram e rindo delas, Alecsandra estava sentada do meu lado esquerdo e Mateus do direito, segurei a mão dos dois enquanto escutávamos uma história sobre Guilherme.

UM ANO DEPOIS – KAUAN

Os 365 dias que seguiram foram tranquilos, nenhum ataque ou ligação suspeita, Marcelo e os outros seguiram com suas vidas normalmente, Lucas se mudou para cidade, Marcelo voltou para a faculdade de psicologia, Alecsandra continuou seu último ano de moda, Mateus foi o único que não voltou para a faculdade, decidiu trabalhar na empresa do pai. No aniversário de um ano da conclusão dos assassinatos nós estávamos esperando no mínimo alguns trotes e na pior das hipóteses outra sequência de assassinatos, mas nada aconteceu, me senti mal por ter mandado policiais vigiar os quatro durante o dia sem necessidade, depois de tudo o que aconteceu com Giovane, recebi uma medalha pelo meu serviço, nunca descobrimos se Giovane estava falando a verdade sobre Ingrid, depois de meses tentando desvendar isso, deixei de lado, talvez fosse um jeito dele mexer com as nossas cabeças mesmo depois de morto.

DEZOITO MESES DEPOIS – ALECSANDRA

Terminei minha faculdade no meio do ano. Por ser uma das sobreviventes do assassino, como as pessoas falavam, vários estilistas ofereceram emprego para mim, mas não queria trabalhar para ninguém, queria criar minha coleção, canalizar tudo o que senti durante aquele período horrível da minha vida e transformar em arte. Durante a criação de cada roupa pedia opinião dos outros, eles gostavam de tudo, acho que por entender o sentimento que queria passar. Minha coleção vendeu até a última peça quando foi lançada.

DOIS ANOS DEPOIS – MATEUS

Acordei, o cheiro de álcool era forte, levantei da cama, várias garrafas de bebidas no chão, todas vazias, fui até a geladeira e peguei uma cerveja, bebi um gole e já me senti melhor, não me lembrada da última vez que passei um dia inteiro sobreo, mas esse era o ponto, se estivesse sobreo significava que era capaz de lembrar tudo e só queria esqueci, bebi um pouco mais e voltei a esquecer.

TRÊS ANOS DEPOIS – LUCAS

Não esperava que os assassinatos fossem me seguir durante tanto tempo, cerca de quatro meses depois do ocorrido, algumas empresas de filmes mandaram e-mails falando sobre fazer um filme do nosso caso, convenci os outros a darem depoimentos para os roteiristas, no aniversário de dois anos lancei um livro do meu ponto de vista dos acontecimentos, agora no aniversário de três anos estava indo para uma reunião com executivos da Netflix discutir um possível documentário, mandei mensagem para os outros que, tirando Marcelo, pareciam animados com a notícia.

TRÊS ANOS DEPOIS – MARCELO

Estava na aula quando Lucas mandou a mensagem sobre o documentário, respondi que não daria mais entrevistas, três anos fazendo isso já era o suficiente, pessoas ainda me paravam na rua para tirar fotos ou pedir autógrafos, não com a mesma frequência de antes. Estava indo para o estacionamento, precisava ir para o estágio, quando cheguei no meu carro, notei uma garrafa de vidro, era veneno, nos outros aniversários recebi algum tipo de pacote, nunca contei para Detetive Kauan para não causar uma preocupação desnecessária, mas aquela era a primeira vez que recebia uma garrafa, joguei a garrafa no lixo e segui para o estágio. No carro recebi outra mensagem de Lucas, era um link de uma entrevista. Um psicólogo, Doutor Paulo estava comentando sobre o nosso caso. Lucas havia cortado a entrevista e mandando apenas o que nos interessava.

— Você acha que outro assassino pode aparecer? — O entrevistador perguntou.

— Sinceramente acho que não faz sentido outra pessoa começar a atacar depois de três anos, mas nada no primeiro caso foi normal então podemos esperar. — O Doutor respondeu.

— E você? — O entrevistador olhou para a câmera. — Acha que outro assassino pode surgir? Comente usando a hashtag do programa!

“Querendo ganhar dinheiro com nosso sofrimento” Alecsandra mandou na mensagem.

“Não sei porque vocês ainda insistem nisso.” Respondi.

“Pelo dinheiro, Marcelo, pelo dinheiro.” Lucas respondeu.

Coloquei o celular no porta luvas, liguei o carro e sai, olhando para trás, sempre olhando para trás.

Notas finais
Gostaria de agradecer a todos que leram e tiveram paciência comigo e aos envolvidos direta ou indiretamente no processo. Vítimas das circunstâncias está disponível para compra na Amazon, você pode comprar se quiser ajudar um autor brasileiro. https://www.amazon.com.br/dp/B07TWCVBTJ/ref=mp_s_a_1_1?keywords=Leonardo+Souza&qid=1562036637&s=digital-text&sr=1-1
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.