Vítima
1 Medusa
Notas iniciais
Você já deve me conhecer. Meu nome é Medusa.
Não se assuste. Não vou transformá-lo em pedra. Estou aqui apenas para contar a minha versão da história. Sei que não vai acreditar. Que seja, já estou acostumada, só espero que não tente cortar minha cabeça depois.
Bem, primeiramente, vamos esclarecer alguns fatos da minha história. Eu fui violentada no templo de Atena por Poseidon, e isso não foi culpa minha, portanto, até hoje me confunde o fato de que aquela idiota tenha me transformado em um monstro, e não o deus dos mares. Eu nunca “me peguei” com ele no templo da deusa por vontade própria, embora aquela menininha, Annabeth, se não me engano, tenha dito o contrário.
Pensem duas vezes antes de dizerem que amam Atena, que ela é perfeita e blablablá. Imaginem se tivesse sido vocês, e não eu, e se vocês iriam achá-la tão “incrível”, “diva”, “inteligente” ou “bonita”.
Eu fiquei aterrorizada quando fui transformada. Meus belos cabelos se tornaram serpentes, meu corpo ficou coberto por escamas, as pessoas ao meu redor começaram a virar estátuas, incluindo aqueles que eu amava... Fugi o mais rápido possível em um pequeno barquinho. Eu tinha acabado de ser estuprada, seria de esperar que a deusa a quem eu servia vigasse-me de Poseidon, mas, ao contrário, ela se virou contra mim. Chorei tanto, implorei, mas a maldição continuou.
Por fim, voltei a Atenas, depois de dias no mar, dias de terror em que eu esperava Poseidon saltar das águas e me encurralar em seu território, dias em que me senti um pequeno e insignificante animal encurralado pela ondas que, ao meu ver, eram maliciosas. Cobri meu corpo inteiro de modo que não desse para ver os olhos, e encarava o chão conforme andava. Chamei minhas duas e queridas irmãs, Euríale e Esteno. Após saberem o que havia acontecido comigo, se encheram de ódio, e prometeram ajudar-me.
Elas pediram a nossos pais para darem uma grande festa para o aniversário de Esteno, e explicaram que eu havia mandado notícias através de um mensageiro, lamentando não poder unir-me a família. Eles deixaram, e logo mais de mil convidados estavam na lista. No dia da festa, exatamente á meia-noite, minhas irmãs se trancaram dentro de casa com meus pais, dando uma desculpa qualquer.
Então eu descobri o manto de meu rosto. Ainda me lembro dos rostos cheios de horror ao me verem das pessoas virando estátuas, do pânico que se instalou. Sibilando, transformei multidões em pedra, ninguém conseguiu se opor a mim, ninguém escapou de meu terror. Crianças, mulheres, homens, idosos, bebês, grávidas, todos se foram. Saí da festa em seguida, e o horror se espalhou por quase toda a cidade, entretanto, tive de parar, pois já se organizavam para tentar me matar. Fugi novamente, com a ajuda de minhas irmãs, que se transformaram em criaturas como eu por me ajudarem.
Vou pular a parte de Perseu. Realmente não gosto quando cortam a minha cabeça, acho extremamente desagradável e descortês. Também não quero saber do outro Perseu, que também cortou minha cabeça!
Com o tempo, fui me aperfeiçoando, certa de que minha vingança final deveria ser realizada com cautela. Afinal, enquanto esses semideuses e deuses estão vidrados em sua luta de “vamos proteger o mundo”, o número de minhas vítimas aumenta estrondosamente, e não há ninguém para impedir. Meu jardim de estátuas irá crescer tanto que dominará o mundo inteiro, sem dar espaço para os livros de Atena ou os mares de Poseidon. Lindas estátuas, em vária posições, aonde quer que vá, terei a companhia delas.
Oh, sim, e que tal uma foto antes de ir embora? Prometo não demorar muito...
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