Oito anos depois

— Sophie, já pegou suas coisas? Estamos atrasados! – Ouviu Draco apressado enquanto descia as extensas escadas da casa abotoando as mangas da camisa clara ao passo que a gravata já se encontrava ao redor de seu pescoço.

— Sim, papai, estão junto à porta. Há meia-hora. – A menina retrucou calmamente.

— Quando sua mãe disse que vinha? – De relance, o viu estacar perante o espelho da parede que separava a sala da cozinha, logo aos pés da escada.

— Antes do horário em que vão sair. Pai, ninguém está atrasado.

Sophie utilizava todos os meios de expressão de Draco, inclusive a careta e o jeito de falar. Por um lado, ele ficava extremamente irritado com os modos da filha, era como ter suas próprias armas usadas contra si mesmo. Por outro, estava orgulhoso de a menina ser tão parecida com ele. Como se a aparência já não fosse semelhança o suficiente.

Hermione revirou os olhos com um sorriso e voltou-se ao prato de macarrão com legumes que tinha à sua frente. Estava completamente maquiada e com os cabelos já presos, mas nenhuma das crianças havia sido alimentada. Amassou parte dos legumes com uma colher e esfriou tudo eficientemente utilizando um feitiço.

Entretanto, não demorou a ter Draco às suas costas, depositando um beijo leve em seus ombros e aspirando seu perfume na curva do pescoço exposto penteado. Ele nunca se cansava de fazer isso. Às vezes, no meio da madrugada, era acordada por ele afundando o nariz em seus cabelos e nuca, consciente ou inconscientemente.

— Quer que eu termine para você?

— Não, apenas preciso que busque as crianças.

— Sophie, vá buscar as crianças. – Ele gritou para a sala.

— Eu nunca vou terminar este livro! – Ela gritou de volta, mas logo o ruído de seus passos na escada foi ouvido e Draco a virou pela cintura.

— Você parece um adolescente tentando encontrar brechas o tempo todo para agarrar-se escondido com a namorada. – Passou os braços ao redor de seus ombros.

— Sabe há quanto tempo àquele quarto lá em cima não é usado para algo, além de dormir? – Hermione riu pelo tom indignado. – Eu tenho um ponto aqui!

— Sim, acho que tem mesmo. – O beijou levemente. – Mas você vai borrar meu batom.

— Passe novamente.

O viu revirar os olhos e não se opôs a que ele a beijasse efetivamente, por que realmente estava com saudades, por que seu beijo ainda era o melhor que já provara e a reação de seu corpo àquele toque conhecido, mas sempre tão esperado, era exatamente a mesma de anos atrás.

— Francis, não corra na escada!

Sophie danou e Draco afastou-se com um sorriso satisfeito por ter Hermione pendurada contra ele. Suas pernas ainda ficavam bambas por poder beijar e ter aquele homem em sua cama todas as noites. Habilidosamente, ele limpou seus lábios com um feitiço e virou-se a tempo de ver uma menina de cachos dourados irromper pela porta da cozinha em sua direção. Então, ele abaixou-se para pegá-la e colocá-la sobre a bancada.

— Ei, obedeça sua irmã. – As broncas de Draco nunca surtiam efeito. Até mesmo Sophie, que acabava de adentrar o cômodo, revirou os olhos pelo tom suave que usara para educar a menina. – O que aconteceu?

Francis Granger-Malfoy era seu xodó. Draco a protegia de tudo e todos. Não era sua preferida, não havia uma preferida. Porém, representava a promessa cumprida de Hermione, aquela que lhe fizera anos atrás. Ele lhe pedira um filho ou filha, uma criança que pudesse acompanhar o crescimento e mimar de todas as formas possíveis.

À época, Hermione tinha em mente que o faria, que queria viver esse momento com Draco, pois ambos mereciam tê-lo e experimentá-lo depois de tudo. Seria a primeira vez de Hermione realmente grávida e de Draco sendo pai, apesar de Sophie. Mas esperou que seu relacionamento estivesse estabilizado, que sua vida na França voltasse à normalidade, apesar da constância de Astoria Greengrass, que tivesse certeza de que engravidaria por um desejo íntimo e não para substituir Sophie, afinal sentia que a estava perdendo naquele momento. Quatro anos depois, “Francie” veio ao mundo e viu Draco chorar de alegria pela primeira vez enquanto Hermione sentia que, então, tudo estava no lugar certo.

— Minha mãe disse que nos levaria para tomar sorvete de sobremesa, se comêssemos todo o jantar.

— Tia Astoria é uma péssima influência. – Disse em tom crítico enquanto pegava o pequeno e loiro bebê que Sophie tinha nos braços. – Espero que não seja tão facilmente comprável quando crescer, Lya.

Ao contrário de Francis, Lyarra fora uma surpresa. Não estava planejando engravidar novamente, ou não tão cedo, afinal gostava da diferença de idade entre suas duas meninas, pois lhes demandavam coisas completamente diferentes e sentia que poderia agradar uma sem desagradar a outra. Entretanto, a notícia fora aceita com muita festa por Draco. Ele parecia encarar a novidade como uma nova oportunidade para melhorar seu papel como pai. Além disso, visto que Sophie já frequentava a Academia Beauxbatons pela maior parte do ano, Draco vinha considerando a casa “vazia”.

Haviam se mudado para uma casa maior logo que voltaram para a França, nada muito ostentoso como era característico dos Malfoy, mas ainda assim confortável. Em um bairro trouxa do subúrbio francês, possuía cinco grandes quartos no segundo andar, enquanto o térreo era espaçoso, arejado e claro, como apreciava, além de manter um jardim bem cuidado do lado de fora.

Ocuparam-se, portanto, naquela tarefa durante algum tempo. Era costume que Francis já comesse sozinha, ela era muito independente para a idade. No entanto, Draco a estava ajudando para que o fizesse mais rápido, pois ainda tinham um compromisso a que comparecer naquela noite.

Jean Joffret, com toda sua pompa, fizera questão de que o aniversário de Elise fosse comemorado em uma grande festa naquele ano, como, aliás, era de seu costume. Ele ainda providenciava para que tudo de melhor estivesse à disposição da senhora. Ambos tratavam todas as suas filhas como da família e Hermione nunca teria coragem de cortar tal laço, apesar de já não trabalhar mais para ele ou o Ministério da Magia Francês há seis anos.

Draco insistira para que trabalhasse na empresa de sua família, ainda que nunca houvesse imaginado trabalhar com poções em toda sua vida. De qualquer maneira, sua responsabilidade era a parte administrativa, visto que seu ocupado marido gastava boa parte de seu tempo viajando. Além disso, tinha mais tempo para dedicar-se às meninas, principalmente após o nascimento de Lyarra, há oito meses.

Dessa forma, quando todas as garotas já estavam praticamente prontas e arranjadas, o ruído da campainha foi ouvido e Draco, pegando Lyarra da cadeira infantil próxima da bancada, anunciou que iria atender. Limpou o rosto e roupas de Francis com um feitiço enquanto Sophie colocava toda a louça suja na pia de lavar. Na maior parte das vezes, a menina não reclamava por ajudá-la com as mais novas, mas quando era interrompida em um de seus afazeres não se mostrava muito disposta. Segundo Draco, ela argumentava tão furiosamente quanto Hermione, mas isso era um absurdo, pois Hermione tinha a personalidade mais calma daquela casa, juntamente com Lya.

Não demorou, assim, a que a figura de Astoria Greengrass aparecesse sob o portal da cozinha. Ela continuava alta, esguia e bonita como sempre fora, embora seus cabelos estivessem cacheados e muito compridos. Seu relacionamento com Blásio Zabine terminara há alguns anos e desde então nunca havia conseguido engatar um romance com mais ninguém, embora parecesse estar satisfeita com os louros de sua carreira no quadribol.

— Como vai Astoria?

Havia sido difícil acostumar-se à sua presença no começo, divergiam em diversas coisas a respeito da melhor criação a dar a Sophie, da melhor escola até que ela estivesse pronta para frequentar uma com ensinamentos bruxos, das visitas e do período de tempo que cada uma ficaria com Sophie, dos mimos que ambas providenciavam à menina e não admitiam. Eram praticamente um casal disputando quem fazia melhor o seu papel, orgulhosas como eram.

Entretanto, com o tempo e com calma as coisas foram se acertando, embora Draco estivesse sempre no meio tentando equilibrar a disputa. Não iria negar, realmente haviam orquestrado uma competição. O resultado era sua impressão de que Sophie seria sempre a mais mimada de suas filhas, tendo tudo que queria na hora que requisitava. Haviam falhado em tal quesito, mas concordavam que sua educação foi a melhor que podiam dar.

— Eu vou muito bem, e você?

Ainda se tratavam mais formalmente do que seria o ideal, constatou depois de cumprimentá-la, mas não conseguia simplesmente estabelecer uma relação mais próxima. Sabia de suas qualidades, Sophie as comentava sempre, pois não havia tabu nenhum em relação a isso, mas era como se suas personalidades não batessem. Como se sempre fossem enxergar uma a outra como aquela que roubou seu espaço, o que não precisava ser dito em voz alta pelo bem todos.

Sophie, por sua vez, se adaptara surpreendentemente bem à situação. Ela gostava de ter duas casas para ficar, três pessoas a quem pedir presentes, assim como vários avós, além do fato de sua “outra mãe” ser muito famosa no mundo bruxo. Podia ver, assim, aspectos em que ambas eram semelhantes, inclusive na paixão da menina por quadribol, que dizia ter planos de seguir carreira quando terminasse Beauxbatons.

— Filha, espero que não esteja levando uma mala apenas para seus livros, novamente. – Disse Hermione quando todos estavam na sala se despedindo. – Serão só alguns dias.

Sophie iria viajar com a mãe na semana seguinte, visto que estava de férias, mas Astoria ficaria com as crianças por todo o final de semana para que Draco e Hermione pudessem desfrutar de um pouco de calmaria. Havia sido ideia de Sophie e Draco – que se tornara amigo da mulher – e não era um costume, apesar de ser sabido que ela as adorava. Draco garantiu que a mulher cuidaria bem de suas meninas e frisou isso ao indicar o modo como agia com Lyarra, já em seu colo. Ela encarava o pequeno bebê como se fosse uma pequena bonequinha, interagindo sem constrangimento algum, e a menina parecia apreciar a atenção.

— Mamãe, tenho certeza de que lerei todos e ainda terei que comprar mais.

A menina a abraçou antes que colocasse mais algum empecilho e Astoria garantiu que tudo ficaria bem até o dia seguinte, inclusive sua própria casa, como se quisesse mostrar a todos que poderia muito bem manter as três meninas seguras e em ordem. Por fim, após despedir-se das mais novas, a porta foi fechada e todo o alvoroço de risadas ficou do lado de fora.

— Enfim, sós! – Hermione apenas riu e lhe revirou os olhos.

— Você sabe que estamos atrasados, não é? – Ele deu de ombros, colocando-a lentamente contra a parede do hall.

— Diremos que um imprevisto aconteceu. – Ele beijou um lado de seu pescoço e voltou-se para o outro. – Imprevistos acontecem o tempo todo.

— Eu já estou praticamente pronta! – Argumentou, apesar de ter os olhos fechados enquanto Draco mordia sua mandíbula pacientemente. Ele já havia ganhado e sabia disso.

— Você não faz ideia de como estou com saudade. – O ouviu admitir em seu ouvido enquanto as mãos masculinas desciam de sua cintura à bunda, apertando-a indecentemente. Como gostava de ter aquelas mãos sobre seu corpo, daquela forma lenta e paciente. Ele subiu novamente, dessa vez por dentro de sua blusa fina, levando-a junto para que a tirasse. – Não faz ideia.

— Eu faço, faço sim, também estou com saudades. – Admitiu apressada, antes de puxá-lo para um beijo quando já se encontrava apenas de sutiã da cintura para cima. Ainda viu o sorriso malicioso surgir em seu rosto, mas estava mais ávida por ter a língua dele massageando a sua da forma gostosa como sabia. – Mas vai ter que ser rápido.

Draco apenas riu e a virou de costas, enquanto ela apoiava as mãos sobre o aparador pequeno que havia ali. Ele sabia todo o processo para que ela chegasse a seu ápice rapidamente, estavam juntos a tempo suficiente para que cada um soubesse as preferências um do outro. Não eram os movimentos bruscos ou a avidez com que se colocava dentro dela, mas o toque de suas mãos e lábios em cada local onde sabia que reagiria positivamente.

O sentiu beijar seu pescoço, lentamente, enquanto deslizava as mãos de sua barriga aos quadris, colocando-as sob o short e calcinha, abaixando-os lentamente enquanto acariciava suas coxas. Hermione sentiu todos os seus pelos arrepiarem ao ter a língua dele em suas costas e ofegou ao sentir o volume do membro masculino contra suas nádegas, pressionando-a a entender que ele estava realmente excitado.

Ansiosa, ela mesma buscou uma das mãos dele, distraído em massagear seus seios ainda sob o sutiã sem bojo e transparente, algo que sabia que o deixava louco, e colocou-a entre suas pernas, sentindo-se retrair ao ter os dedos experientemente contra aquela parte específica de seu corpo. Ela gemeu sem pudor e contorceu-se instintivamente contra ele, o que só fez com que a apertasse mais contra si.

Sentia-se molhada e pronta, mas os dedos dele não paravam de trabalhar dentro dela e em seu centro. Draco gostava de vê-la completamente à sua mercê daquela forma. Tinha os olhos fechados, a respiração completamente sôfrega e, com um olhar ao espelho, percebeu sua pele corada pelo prazer.

— Está brincando comigo.

— É claro que sim, amor.

A risada dele foi seguida por sua própria rendição. A partir deste momento, tudo ocorreu rápido, profundo e extremamente intenso. Hermione jamais se acostumaria à forma como suas pernas ficavam bambas após ter sexo com Draco. Poderia parecer superficial e desnecessário, ainda mais considerando que estavam atrasados, mas não o era. Não para ela. E jamais para ele. Ambos já haviam concordado que aquela era uma parte essencial para sua relação, pois os deixava conectados e em sintonia, além de relaxá-los eficientemente.

Ainda sentia-se um pouco tonta pelo prazer quando ele a ajudou a equilibrar-se, depositando um beijo casto em um sua bochecha e utilizando a varinha para organizar os pertences do aparador. Hermione sorriu, abaixando-se para vestir suas roupas e preparar-se para aprontar-se de novo, enquanto via três grandes porta-retratos com fotos dela e de Draco.

Anos atrás, Andy Collins os colocara em uma exposição, mas não tiveram tempo de pensar nisso até que tudo estivesse relativamente mais tranquilo em suas vidas. Em seu aniversário de um ano de compromisso – dizia assim, pois nunca haviam oficializado nada – descobrira que a exposição ainda estava disponível para amostra em uma galeria de arte e resolveram aparecer antes do jantar. Aqueles que os reconhecia, elogiavam, percebendo que aquele carinho retratado nas fotos em tamanho grande, iluminadas naturalmente pelas luzes de Paris, era real. Concordando, Hermione fizera questão de colocar as fotos em um local bem visível na nova casa deles, eram as que mais gostavam.

Suspirando, subiu ao quarto e, por fim, quase uma hora depois, via-se completamente arrumada, vestida e penteada no reflexo do grande espelho de seu quarto. Usava um vestido de cor creme com recortes em dourado, sem decote, mas particularmente justo. Percebera que suas curvas haviam ficado mais robustas com o passar do tempo e, especialmente, de duas gravidezes. Porém, estava satisfeita com o que via todos os dias no espelho e Draco nunca deixara de aparentar bastante entusiasmo com seu corpo.

Não demorou, dessa forma, a que finalmente chegassem à casa de Jean e Elise com uma desculpa pronta em suas faces mais do que contentes. Hermione suspeitou que ninguém houvesse acreditado no “imprevisto das crianças”, mas realmente não se importava. Conversou por boa parte da noite com a aniversariante, que a culpava por trabalhar demais e que queria passar mais tempo com ela, e respondeu às bajulações de Jean com bajulações em dobro. Eles eram como família.

Cumprimentou alguns conhecidos do Ministério, até mesmo Luc Borgne, o qual finalmente deixara de tentar conquistá-la quando voltou de Londres já completamente arranjada com Draco. Viu algumas mulheres sussurrando e apontando para Draco, compenetrado em uma possível conversa de negócios com um grupo de homens e mulheres do mundo bruxo francês, e apenas sorriu, balançando a cabeça e voltando à sua conversa com Marc. Sabia quando tinha de ser ciumenta e aquela não era uma dessas ocasiões. Além disso, Draco sequer lhe dava motivos.

Já no fim da noite, quando permaneciam apenas os mais íntimos na suntuosa casa de Jean e Elise, ele a encontrou próxima a uma janela sentindo a brisa calma do fim da primavera e enlaçou os braços tranquilamente ao redor de sua cintura, depositando um pequeno beijo na curva do seu pescoço antes que ela se acomodasse contra seu dorso. Confortável e seguro, sorriu satisfeita.

— Você não está louca para ir embora e terminar o que começamos antes de sair? – Perguntou casualmente, no que Hermione apenas riu.

— Você nunca fica saciado?

— De você? – Draco a apertou ainda mais contra si, como se temesse perdê-la. – Jamais.

Ainda dentro de seus braços, Hermione voltou-se a ele, entrelaçando os seus ao redor de seu pescoço e beijando-o calmamente antes de afastar-se e ajeitar alguns fios de seu cabelo extremamente claro que, àquela altura, já caíam desalinhados sobre a testa. Encantava-se ainda mais com esses pequenos detalhes que vinha descobrindo ao longo dos anos.

— Você está lindo hoje.

— E você está magnífica. – Ele a beijou enquanto deslizava as mãos por seus quadris. – Acha que não vi os olhares masculinos acompanhando-a? Indecentemente, diga-se de passagem!

— Apenas os masculinos? – Hermione questionou maliciosamente, ainda contra sua boca, no que ele protestou em um gemido baixo.

— Agora é que quero mesmo levá-la para casa.

Hermione apenas riu e o afastou levemente antes que as coisas começassem a realmente ficar sérias naquele ambiente. Por isso, o levou em direção ao Ministro Bertrand, o qual já parecia familiarizado com Draco e bastante indignado, por sua vez.

— Vocês dois não se cansam nunca de namorar e olhar um ao outro dessa forma melosa?

— Vivo dizendo o mesmo a eles. – Jean intrometeu-se e Hermione revirou os olhos com um sorriso quando o mesmo pegou sua mão esquerda. – Anos se passaram, mas não vejo uma aliança neste dedo. Eu disse a você que ela queria um marido, Draco!

— Somos pessoas ocupadas, Jean!

— Está vendo? Não é por falta de insistência minha, Jean. Já disse a ela, é só marcar o dia e estarei lá. – Draco deu de ombros, mantendo um dos braços ao redor de sua cintura. – Parece estar me usando.

— A meu ver, você parece gostar de estar sendo usado, querido. – Elise disse às suas costas, no que todos se viraram para concordar, até mesmo Draco.

Ele realmente já havia dito, ele realmente já havia pedido e se mostrado disposto a casar-se novamente, como exigia a etiqueta de sua família e a insistência de Narcissa. Entretanto, Hermione não via necessidade de assinar um papel que atestasse seu compromisso com Draco, pois o sentia e continuaria sentindo em seu coração e um contrato, mágico ou não, dificilmente mudaria isso. Restava apenas recorrer às brincadeiras para esquivar-se das perguntas a respeito, mas não via problemas maiores.

Por fim, não demorou a que decidissem, finalmente, ir para casa, embora não antes de prometer à Elise que levaria as crianças para que ela as visse e mimasse bastante, como era de seu costume. De mãos dadas, aparataram da sala requintada e preparada previamente para isso até o escritório que mantinha em sua própria casa. Não pode deixar de pensar em como suas meninas passaram a noite longe dela, enquanto desfazia o penteado com um feitiço, mas chegou à conclusão de que deveriam estar dormindo como anjos àquela hora. Além disso, Astoria era uma boa mãe para Sophie e não era uma pessoa má, de qualquer forma.

Dessa forma, resolveu deixar os pensamentos de lado quando Draco aproximou-se, já trajado apenas com a camisa e calça social, para abrir lentamente o zíper de seu vestido. Ele gostava de desnudá-la sem magia, parecia querer memorizar cada pedacinho de seu corpo – como se ainda não o tivesse feito em todos aqueles anos – ou apenas encontrar alguma novidade que antes não houvesse percebido. Fosse como fosse, Hermione apreciava.

— Sobre o que Jean disse hoje... – Ele entrelaçou as mãos às suas encarando-a pelo espelho de forma séria quando já se encontrava apenas de lingerie e acariciou o dedo anelar da mão esquerda. – Gostaria mesmo de ver uma aliança aqui.

Hermione sentiu o coração disparar e a respiração tornar-se levemente mais difícil, mas ainda assim o encarou com atenção, vendo-o apoiar o queixo em seu ombro e apenas esperar que digerisse o que dissera.

— Está me pedindo em casamento?

— Sim, estou.

— Enquanto estou toda descabelada e vestida com um lingerie bege sem graça? – Perguntou, acompanhando-o em seu sorriso.

— Meu amor, você não fica sem graça nem mesmo nesses trajes, apesar de preferi-la nua. – Ele se mostrou pensativo enquanto a avaliava. – E seus cabelos... Parece que acabou de sair de uma sessão de sexo selvagem, exceto que seu rosto não está corado e seus olhos não estão brilhando em êxtase.

— Oh, você me ama mesmo.

Não era uma pergunta e não precisava ter a resposta para aquele tipo de afirmação, pois apenas o olhar sério que Draco lhe lançava naquele instante já lhe bastava. E não apenas isso, mas todos os seus gestos diários que lhe demonstravam isso, até mesmo quando brigavam, o que não era raro.

— Amo. Como nunca amei outra pessoa... Romanticamente falando. – Hermione sorriu, sabendo que ele estava se referindo às filhas, sabendo que ele as amava tanto quanto ela. – E então?

— Eu aceito. – Disse ainda rindo e sentindo os olhos embargarem ao avistar seu sorriso mais sincero. Não sonhava em casar-se de branco e carregar uma aliança, assim como o sobrenome Malfoy, mas também não via razões para negá-lo. Draco era seu futuro, ele era o pai de suas filhas, o amor da sua vida, não tinha dúvidas disso. Apertou os dedos contra os dele. – Terei uma aliança bem aqui... Com seu nome.

— Hermione Malfoy soa bem. – Ela finalmente voltou-se a ele com um olhar divertido e analisador.

— Acho que arquitetou tudo isso para que, no fim, eu carregasse seu sobrenome, Malfoy.

— Nunca saberá.

Ele a beijou antes que pudesse replicar e Hermione deixou-se levar, surpreendendo-se com o pensamento súbito e agradável de que agora era uma noiva.

Notas finais
Oie!! Finalmente, gente, finalmente o capítulo final dessa história que me rendeu tantos frutos bons e tanto crescimento, tanto como pessoa quanto como escritora. Não achei que me emocionaria assim, pra falar a verdade, mas estamos falando da primeira história que postei em toda a MINHA história!!! Eu espero muito que tenham gostado dessa visão que tenho deles anos depois, bem resolvidos e com uma família estruturada e, sim, o que muitos me pediram: Hermione tendo seus próprios filhos, assim como Draco, por que eles realmente mereceram depois de tudo. Ela cumprindo sua promessa, entendendo-se como pessoa depois de tanta confusão sobre seu passado e convivendo em paz, pois harmonia é uma palavra muito forte, com Astoria. Enfim, gostaria de agradecer a todos que acompanharam a história até aqui, sofrendo e sorrindo, me contando suas expectativas, suas agonias, seus ódios por alguns personagens e me incentivaram a continuar desde o começo por que Vínculo valia e vale à pena. Muito obrigada pelo carinho, pelas recomendações daqueles que a consideram especial (as quais ainda aceito de bom grado;), pelos mais 1000 comentários e as milhares de visualizações, ainda que não tenham entrado em contato comigo. Obrigada por tudo isso e mais um pouco, espero vê-los novamente nos comentários do capítulo 46 me contando o que acharam do fim! Bom, é isso, para quem não sabe: vocês podem me encontrar agora em Neurótica e no meu Projeto de Song's. Aliás, a terceira parte de Black and Blue foi postada semana passada e o incentivo de vocês, sempre presentes, também será muito importante lá. Vou deixar o link aqui: https://fanfiction.com.br/historia/722379/Im_in_here/ Com um nó na garganta, para aqueles que não resolverem comentar, eu me despeço aqui. Até a próxima ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!