Vínculo
7 Capítulo 6
Hermione encarou Draco silenciosamente assim que terminaram seus pratos. Ela optou por não pedir sobremesa. Já estava tarde e precisava ir embora, mas seria falta de educação sair antes que ele terminasse sua refeição.
Segundo o próprio Malfoy, a torta de morango era sua preferida e ele estava deliciando-se com aquela. – É sério que não está de regime? – Ele perguntou depois de engolir mais um pedaço e apenas acenou afirmativamente com a cabeça.Malfoy era tão diferente dos seus amigos. Ron era um mal educado à mesa, parecia que nunca tinha visto a comida, e não pensava antes de falar. Ou pensava, quem poderia saber? Harry era espontâneo, mas não falava de boca cheia. Malfoy não. Malfoy entendia todas as regras de etiqueta à mesa. Ele era tão… Formal. E nunca, jamais, falava algo sem pensar. Nesse ponto, então, poderia ser considerado mais calculista do que formal.Ela freou sua linha de raciocínio. Não devia compará-los. Harry e Ron haviam sido criados de forma muito diferente de Malfoy. Não estava defendendo nenhum deles. Ron era mal educado à mesa por que não ensinaram a ele boas maneiras, Harry era introvertido por que seus tios fizeram com que ele ficasse daquele jeito e Malfoy era frio e calculista por que havia sido criado para isso. O destino de Draco era ser um grande Comensal da Morte se os planos de Voldemort tivessem dado certo e Hermione tinha certeza que, se dependesse de sua criação, ele teria tido sucesso. Era nessas horas que ela dava graças a Merlin por Harry ter ganhado a guerra. Onde estaria agora se Voldemort tivesse triunfado? Ainda estaria viva? Provavelmente não. Fazia dez anos. Ninguém resistiria por tantos anos com toda aquela pressão em cima de si. Um arrepio percorreu suas costas, da base até a nuca. Ela poderia imaginar Draco como uma versão melhorada e mais cruel de Lucius e a perspectiva não era nada animadora. Isso também a fazia pensar: quando Malfoy havia mudado tanto para chegar ao ponto de convidá-la para jantar, quase, amigavelmente? – A França não é pequena demais para um grande fabricante de poções como você? – Na verdade, é exatamente por isso que é perfeita. Eu quero… Sossego para administrar esses negócios em paz. – Ele tomou um gole d’água quando terminou seu pedaço de torta. – Sem contar que aqui Lucius não pode meter o nariz onde não é chamado. – Malfoy… Você não havia se casado? Por que está aqui sozinho? – Astoria e eu nos separamos, há dois anos. Hermione levantou as sobrancelhas, supresa, mas ele apenas deu de ombros parecendo indiferente. Não era comum que membros da família Malfoy se separassem, estava em um dos muitos livros que lera sobre famílias de sangue puro ainda em Hogwarts. – Sinto muito. – Estava realmente desinformada do que acontecia em Londres. – Eu não fazia ideia.– Eu entendo. Apenas… Não gostávamos um do outro. Pelo menos não o suficiente para continuar com um casamento. – Ele sinalizou ao garçom que queria a conta e voltou-se para Hermione, parecendo intrigado. – Você nunca se casou?– Er… Não, eu… Nunca me interessei por ninguém a esse ponto. Na verdade, nunca quis realmente se casar. Todos os relacionamentos que teve desde que havia se mudado para a França haviam sido rápidos e passageiros. Não queria compromisso e sempre que um deles sugeria algo mais sério ela dava um jeito de terminar. Sophie era louca para que Hermione arranjasse um namorado. Ela e Marie viviam tramando para que encontrasse alguém na reunião de pais e mestres da escola. Havia dado certo algumas vezes, mas percebeu que algumas mães passaram a olhar torto para ela. – Compreendo. – Eles se levantaram e encaminharam-se para a porta quando Malfoy entregou o dinheiro ao garçom. – Sabe o que Jean me falou quando saiu da sala dele hoje de manhã?– O quê? – “Hermione é a garota mais disputada do Ministério. Aquele gênio difícil atrai qualquer um. Sem contar aquelas pernas.” – Disse ele num riso, enfiando as mãos no bolso da calça. – Eu vou matar Jean. Vou mesmo. – Ele parece mais um pai preocupado do que qualquer outra coisa. – Disse Malfoy balançando a cabeça negativamente. – Jean não teve filhos e trabalhamos juntos desde que cheguei aqui. – Ela concordou. – Ele é uma ótima pessoa. Eles caminharam em silêncio por meio quarteirão até chegarem a um beco de pedras encardidas, escuro e abandonado. Ambos precisavam aparatar dali, mas quando Hermione resolveu voltar-se para Draco e se despedir, ele estava mais perto do que imaginava. Podia sentir a respiração quente em seu rosto, que estava apenas parcialmente encoberto pelas sombras. – Hum.... Até semana que vem, Malfoy. – Até semana que vem, Granger.A voz dele saiu baixa e rouca, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiar. Ainda forçou um sorriso antes de aparatar na esquina de sua casa. Deus, havia perdido o fôlego apenas com a voz dele. Respirou fundo passando uma das mãos no peito. Malfoy definitivamente era companhia muito perigosa.
Notas finais
O que acharam da conversa deles??!!
Mais um capítulo de transição entre eles. Hermione fazendo umas análises sobre o Draco, descobrimos o que aconteceu entre ele e Astoria, mas obviamente ambos ainda têm problemas para falar um com o outro.
Deixem as opiniões de vocês, eu respondi só alguns comentários por quê estava sem tempo e postei por que não podia deixá-los sem capítulo por tanto tempo, né??
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- Eu te contei tudo que aconteceu comigo no passado. O que o fez mudar tanto, Draco?
- Eu tive uma filha.
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Bjobjo! ;D
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