Vínculo
4 Capítulo 3
– Você parece agitada, Srta. Granger. Está tudo bem?
– Só estou atrasada. – Respondeu enquanto fechava a bolsa e a colocava no ombro. Abaixou-se para despedir-se de Sophie, que estava brincando no tapete da sala com uma de suas bonecas. – Comporte-se na escola, nada de fazer aquelas brincadeiras das quais já falamos, okay?
– Mas não há nada de errado nas minhas brincadeiras. – Disse Sophie, emburrada.
– Não quero ser chamada pela diretora novamente para ouvir que está assustando seus colegas. – Deu um beijo no rosto da menina e levantou-se. – Eu amo você.
Assim, encaminhou-se para a porta e saiu rapidamente. Sabia que contratar uma babá bruxa para Sophie era mais prático, pois sair de casa e andar até a esquina para aparatar era um pouco arriscado, mas também sabia que sua babá trouxa era mais confiável do que qualquer outra.
Quando chegou ao Ministério, notou que o átrio estava lotado, como todos os dias. Havia gente andando apressada em todas as direções e grupinhos de conversas paralelas a cada dez passos, mas nada que pudesse ser considerado anormal. Enquanto o expediente não começava, eles adoravam fofocar sobre a vida alheia. Felizmente, ninguém nunca havia inventado nenhum boato sobre ela. Em sua opinião, eles tinham medo demais de Hermione Granger, a garota que havia ajudado Harry Potter a salvar o mundo.
Riu, debochada, e abriu a porta de número 5. O saguão do mesmo não era tão grande e quatro portas se estendiam de cada lado. No fim estava o grande balcão das secretárias sob uma enorme obra de arte abstrata na parede. Como odiava aqueles rabiscos que não faziam sentido.
Porém, assim que entrou em sua sala teve uma surpresa ao perceber quem se encontrava conversando animadamente com o chefe do Departamento de Cooperação Mágica Internacional.
– Malfoy.
– Hermione, chegou cedo! – Disse Jean, animado. Ele e Draco pareciam estar numa conversa animada.
– Cheguei no horário certo, Jean.
– Impressão minha ou acordou com o pé esquerdo? – Hermione dirigiu-se para sua pequena escrivaninha.
– Não, imagina. – Apenas Malfoy percebeu a ironia em seu sorriso.
– Adivinhe então o que acabei de descobrir? – Ela apenas o olhou enquanto se desfazia do casaco e o colocava sobre a cadeira. – Draco gosta tanto de corrida de cavalos quanto eu. Não é uma coincidência incrível?
– Aparentemente, esse esporte não aliena poucos. – Ambos a olharam em silêncio. Ela podia ver o divertimento nos olhos de Jean, seu chefe, mas sabia que Malfoy a estava analisando. – Qual o sentido em apostar em que cavalo irá ganhar a corrida dependendo apenas de sorte?
– Não depende apenas de sorte. – Disse Malfoy, arrastado. – O cavalo precisa estar em um bom dia, o cavaleiro tem que ser bom, o sangue do cavalo tem que ser apurado…
– Exatamente, depende de toda uma série de fatores.
– De qualquer maneira, ainda está perdendo dinheiro por nada. – Deu de ombros e começou a arranjar alguns papéis que ela sabia que Jean teria que assinar mais tarde.
– De qualquer maneira, vou convidá-la para o jóquei hoje à noite. – Jean insistiu.
– Não, obrigada, já tenho um programa para hoje à noite.
– Espero que seja um encontro. – Ela apenas forçou um sorriso para ele.
– Não vai ser dessa vez. Vou levar estes documentos ao Escritório Internacional de Direito.
Então saiu mais que apressada antes que Jean pudesse questionar por que não mandava por magia e dirigiu-se a saída do departamento. Porém, ouviu passos atrás de si. Apertou os passos e antes que pudesse fechar a porta de número 5 alguém a segurou pelo lado de dentro.
– Sabia que não é educado fechar a porta na cara das pessoas? – Ela apenas revirou os olhos e virou-se para Malfoy. Ele fechou a porta tranquilamente e Hermione encarou as pessoas ao redor. Aparentemente, nenhuma delas estava desocupada o suficiente para observá-los. – E você estava para fazer isso pela segunda vez.
– Não preciso de suas aulas de etiqueta.
– Alguém está mesmo de TPM. – Ele enfiou as mãos no bolso.
– Na verdade não, é o meu jeito naturalmente. – Sorriu como se estivesse falando de alguma casualidade.
– É, por um momento havia me esquecido que é uma completa mal educada desde os tempos de escola.
– O que você quer? – Perguntou de má vontade, abraçando os documentos que devia levar ao escritório de Direito Internacional.
– Apenas que aceite o convite de Jean. Ele é um cara legal e realmente gosta de você.
– Eu sei de tudo isso, especialmente por que o conheço há mais tempo que você. E não me diga o que fazer.
– A questão é que ele… Nós vamos ficar muito sentidos se não for.
– Ah, mesmo? Que peninha. – Ela fingiu sensibilidade e Draco revirou os olhos. Onde ele estava querendo chegar com isso? — Olha, eu não faço ideia do que quer com tudo isso, mas não vai conseguir nada dando em cima de mim.
– Dando em cima de você? – Ele disse, incrédulo, mas Hermione não se abalou, havia conhecido muitos homens como Malfoy. Só não odiava todos os homens que jogavam o mesmo jogo que ele. – Em seus sonhos, Granger.
– Não está enganando ninguém. – Ela suspirou, olhando para os lados. O que ainda estava fazendo ali?
– Se não for, descobrirei onde mora e então a buscarei lá e a conheço o suficiente para saber que não vai gostar disso.
– Talvez eu goste.
Hermione deu de ombros, se fazendo de interessada, mas quando o olhou soube que Draco não estava brincando quanto a descobrir onde ela morava. E tinha certeza que ele não podia nem sonhar em descobrir seu endereço.
– Você decide. Mas se não aparecer até as 20:00 estarei batendo na sua porta às 21:00 e talvez Jean não esteja comigo.
Então, ele simplesmente deu as costas a ela e tomou o caminho da sala do Ministro tranquilamente. Ela refez o diálogo em sua mente e percebeu que nunca havia pensado na possiblidade de Jean estar com ele, caso aparecesse em sua casa.
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