Vínculo
19 Capítulo 18
– Mas por que você simplesmente não contou à ele toda a verdade? — Perguntou Paola, como se tudo que Hermione contara fosse a coisa mais idiota que já ouvira.
Hermione suspirou emburrada, ninguém jamais entenderia suas razões. Era a segunda vez que repetia a mesma história, já que resolvera procurar Marc esperando que talvez ele pudesse lhe ajudar a chegar à uma conclusão sobre o desapontamento de Draco em relação a ela, mas tudo que ouvira, basicamente, foi: você pisou na bola, Hermione. – Eu sei que fui péssima, Paola, mas... Eu não sei, só não queria colocá-la no meio de nós. — Levantou uma sobrancelha para a mulher. — Também não é como se eu fosse soltar essa bomba no colo dele depois de termos acabado de transar.– Pelo menos, ele saberia no que estava entrando. Paola deu de ombros e se levantou para acender um cigarro. Era sábado, estavam num parque perto da casa da mulher, um bairro bruxo um tanto quanto nobre de Paris. Sophie brincava animada com outras crianças, os cabelos loiros esvoaçando atrás das costas e um sorriso enorme estampando o rosto. Encarando a menina correr para lá e pra cá aproveitando o sol do inverno, Hermione lembrou-se da conversa que ela tivera com Draco. "Eu também gosto dela". Faziam duas semanas, mas as palavras dele ainda não haviam saído de sua mente. O "gostar" de alguém poderia abranger tantas coisas. Hermione gostava de estar com Draco, gostava da companhia dele, gostava dos jogos de "quem dá a resposta mais esperta" que faziam, gostava (muito) do sexo que haviam tido. Entretanto, também gostava de um jeito mais além do que o simples gostar queria dizer. Estava apaixonada? Não saberia dizer, não poderia afirmar que havia se apaixonado novamente depois de Ron, mas o fato de a decepção de Malfoy machucá-la da maneira como havia feito certamente queria dizer algo. – Sempre fomos Malfoy e Granger demais, eu pensei que isso não fosse mudar, eu desejei que não mudasse, mas percebi que já havia acontecido quando decidi que... — Mordeu os lábios, insegura. — Contar sobre Sophie pudesse machucá-lo. Paola franziu o cenho, soltando a fumaça para o alto. Já havia pedido várias vezes para que ela parasse com o vício, mas não era como se a mulher estivesse preocupada com a saúde de seu corpo. – Você deve saber que Malfoy teve a filha recém-nascida sequestrada. Quando estávamos conversando sobre eu... Cheguei à conclusão de que contar sobre Sophie era como dizer "olha, eu tenho uma filha e você não, isso é a consequência de todas as escolhas erradas que fez quando tinha 16 anos". Só depois de tudo ter acabado daquela maneira dramática e exagerada, Hermione percebera que seu erro fora exatamente esse: não contar sobre Sophie, por medo. Tinha medo da reação dele. Draco continuaria a enxergá-la da mesma maneira? A pseudo-amizade que possuíam vingaria da mesma forma? Evoluiria para um quase relacionamento, como havia evoluído? Não tinha nenhuma dessas respostas, o que não era bom em nenhuma hipótese. O "se" em sua mente chamava atenção demais para ser considerando irrelevante. O silêncio tomou conta de onde estavam por alguns minutos, Paola possuía a eficiente mania de não gastar mais palavras do que o necessário para chegar ao ponto onde queria. Hermione deixou a cabeça pender para trás, apoiando-a no tronco da árvore grossa atrás de si, e fechou os olhos. Antes eram apenas Draco Malfoy, Hermione Granger, e seu passado obscuro para dividir. Agora havia Sophie, corações quebrados, Paris, novos defeitos e novas qualidades, novas vulnerabilidades... Novos sentimentos. E não haviam sabido lidar com tudo isso.– Se quiser tê-lo em sua vida, é você quem precisa dar o primeiro passo. – Acha que ele ainda me aceitará? — Quando abriu os olhos, Paola já estava recolhendo as garrafas térmicas de chocolate quente que haviam levado. – Bem, terá que pagar para ver. — Paola deu de ombros, limpando a terra da calça jeans que usava. — Pelo que eu percebi, vocês são bastante semelhantes na questão "orgulho", já se passaram duas semanas, e apesar de estar deprimida...– Não estou deprimida. — Os olhos azuis da mulher a encararam ceticamente.– Tudo bem, não vamos falar sobre isso, chegue sozinha à conclusão que eu cheguei há dias, você precisa passar por todo o processo de qualquer maneira. Nesse instante, Sophie apareceu correndo e abraçou as pernas de Hermione para conseguir parar. As maçãs do rosto da menina estavam vermelhas, embora o motivo não fosse o frio, e sua respiração se encontrava ofegante. Apesar disso tudo, possuía um sorriso de orelha no rosto. – Brincou bastante? – Muito, podemos vir sempre à casa de tia Paola! — Paola riu, divertida. – É mesmo? E imagino que isso seja exclusivamente por minha causa e não pelo garotinho de olhos azuis e cabelos negros. — A vermelhidão tomou conta do rosto de Sophie, coisa que raramente acontecia, fazendo Hermione e a outra rirem ainda mais.
– Não se preocupe, querida, podemos vir à casa de Paola quantas vezes quiser. Abaixou-se para a menina se pendurar em suas costas e rodear a perna em suas cinturas. Segurou firmemente as pernas dela e voltaram a andar, a conversa fluindo naturalmente sobre a vizinhança de Paola, os pais do tal menino moravam no andar abaixo de seu apartamento. Entretanto, quando o elevador que haviam pedido chegou, Hermione estacou em seu lugar. Sentiu o estômago afundar, a respiração ficar involuntariamente suspensa, a garganta apertar, os olhos se arregalar ao encarar o homem à sua frente, tudo ao mesmo tempo. – Draco. — Ele não parecia tão surpreso, mas suas feições rígidas denunciavam que não esperava vê-la ali. Seus olhos, porém, se voltaram para a figura imponente que se encontrava ao lado dele. Os mesmos traços aristocráticos, a mesma expressão de que sempre estavam insatisfeitos, que sempre esperavam mais dos outros, os mesmos olhos azuis, os mesmos cabelos lisos e platinados. Narcissa Malfoy estava ali, bem na sua frente, em toda sua postura de dama da alta sociedade: a coluna reta e as mãos juntas diante do corpo, segurando uma carteira negra, da mesma cor do casaco pesado e caro que ostentava. Os lábios finos da mulher se contraíram, tensos, mas presumiu que ela era tão boa quanto Draco em esconder as emoções então não detectou nenhum sinal de nervosismo além deste. – Você... É a Srta. Granger. Não era uma pergunta, embora ela ainda parecesse em dúvida. Seus olhos voaram para Draco, mas ele apenas observava as expressões da mãe com o cenho levemente franzido. Colocou Sophie no chão e estendeu a mão. – E você Narcissa Malfoy. — A mãe de Draco, surpreendentemente, aceitou a mão estendida de Hermione, segurando-a com leveza por alguns segundos. Seus olhos, porém, pousaram em Sophie. Era óbvio que estava curiosa quanto à menina que estava carregando nas costas até pouco segundos atrás. Pigarreou, suavemente, e voltou-se para a menina. — Querida, essa é a mãe de Draco.– Sou Sophie Granger. — Falou, sorrindo inocentemente para a mulher. – Não sabia que havia sido mãe, Srta. Granger. — Narcissa semicerrou os olhos para a menina, que se encolheu quase imperceptivelmente ao seu lado. – Poucos sabem. — Dessa vez, Draco falara olhando-a, acusando-a. – Não vi necessidade de alarde. — Ele ainda a encarou por alguns segundos antes de se virar para a mãe. – Podemos ir? Já estamos atrasados... – Chá das 5? — Perguntou Paola e Draco levantou uma sobrancelha, quase surpreso. — Ingleses são previsíveis, apenas. Narcissa olhou Hermione e abriu a boca para dizer algo, entretanto, nunca soube o quê, pois a mesma mudou de ideia e apenas acenou com a mão dizendo um "até mais" que todos sabiam ser apenas por educação. Não haveria "até mais" para elas, tinha certeza disso tanto quanto dois mais dois são quatro. Draco apenas acenou com a cabeça e todas entraram no elevador. Hermione, pouco antes da porta se fechar, ainda teve um vislumbre da Sra. Malfoy se virando com o cenho franzido e balançando a cabeça, como se quisesse espantar algo de sua mente. – Por que não me disse que Malfoy morava no seu prédio?– Não achei que fosse importante, ele quase nunca usa as dependências do edifício. — Resolveu não prolongar o assunto, pois obviamente certas coisas não deveriam ser compartilhadas com sua filha de 7 anos de idade. Quando chegaram em casa, mandara Sophie diretamente para o banho, mas, nas palavras da própria menina, já estava grande demais para ser supervisionada, então foi para o seu próprio quarto e deitou-se encarando o teto. As feições fechadas e duras de Draco não saíam de sua cabeça, elas eram marcantes demais para que simplesmente as esquecesse. Para Hermione estava claro que ele não queria falar com ela, talvez nem colocá-la em sua vida, e muito provavelmente estava alimentando esperanças sobre algo que nunca iria acontecer. Suspirou, fechando os olhos e colocando os braços sobre a cabeça. Apesar de tudo, de todas as deixas para que esquecesse Draco e seguisse em frente como sempre fazia, sentia falta dele, o queria por perto... O queria em sua vida. Tudo bem, talvez pudesse começar a considerar a hipótese de que estava apaixonada por Draco Malfoy, afinal todas aquelas sensações que sentia quando estava com ele certamente queriam dizer algo.
Notas finais
Oieeeee!!! Gente, fiquei muito feliz com o resultado desse capítulo. Eu basicamente reescrevi ele umas três vezes. Por que? Por que a linda Sra. Malfoy aparece e pra escrevê-la e descrevê-la é necessário atenção, certo?
Vocês gostaram dessa surpresa? Acho que ninguém esperava que ela fosse aparecer, né? kkkkkk Olha, pra quem gosta, não pretendo sumir com ela. Vou tentar explorá-la o máximo que a fic permitir, já tenho algumas ideias legais em mente!!
Então, e a justificativa de Hermione? Obviamente, a tentativa dela de tentar poupá-lo deu errado, mas foi certo mesmo assim? A cara dela? Draco entenderia se ela contasse sobre isso? Vamos dizer que ele é meio mole em relação a Hermione né? kkkkk
Enfim... Chegamos a parte que eu esperava. Gostaria de agradecer a todos os leitores que, mais uma vez, deram record de comentários no capítulo anterior. Vocês foram perfeitos, espero que este dê tanto ibope!! kkkkk
Entretanto, este capítulo é dedicado à linda Srta. Strappazzon, que me fez uma recomendação perfeita *-* Leiam, ficou maravilhosa!! Além disso, vai que alguém pega carona né... kkkk Mas não é só isso. A Srta. Strappazzon também terminou o trailer da fic (que estávamos idealizando há dois meses, segundo ela kkkkk) e ficou lindooooo, eu simplesmente não parava de sorrir ao assistir pela primeira vez. Então, corram no youtube, vejam e digam nos comentários o que acharam.
Aqui está o link do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=XZ_8b8bRYJw e, para quem quiser parabenizá-la ou simplesmente ler suas fics - que são ótimas, este é o link da página dela aqui no nyah: http://fanfiction.com.br/u/331546/
Tudo bem, já falei muito hoje, mas foi necessário kkkkk
Gente, bjão, até o próximo!!
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