Vínculo
12 Capítulo 11
Hermione aparatou diretamente de sua casa para a enorme mansão de Jean e Elise. Pelos portões de ferro retorcido, pode ver todas as luzes da casa acesas e algumas pessoas andando até a grande porta de duas folhas de carvalho que estava aberta.
Fez o mesmo trajeto que muitos casais, passando ao lado de uma fonte enorme com água cristalina e luzes instaladas ao fundo para dar um efeito mais sofisticado à mesma. Agradecia pelo caminho ser ladrilhado com pedras, pois não conseguiria nem andar com seus saltos enormes na terra. Segurando o vestido de gala subiu os degraus em direção à porta percebendo que não havia fila se formando por que todas as festas de Elise eram muito bem organizadas. Já havia ajudado a mulher muitas vezes em suas festas, mas por algum motivo Jean lhe dera uma folga esse ano. Talvez por que o Ministério estava precisando mais de seus serviços.Uma mulher usando vestido preto discreto conferia todos os nomes das pessoas que chegavam na extensa lista de convidados. Ela sorriu, educadamente quando Hermione parou à sua frente. – Hermione Granger. Enquanto esperava que a moça conferisse seu nome, Hermione viu seu reflexo no espelho que se encontrava acima do aparador da parede à sua esquerda. Havia escolhido um modelo verde escuro de mangas e sem decote, mas que possuía um decote profundo nas costas. A partir de seu quadril ele caía em camadas leves de um tecido fino da mesma cor. Os brincos dourados enormes ressaltavam ainda mais o modelo, assim como o par de sandálias da mesma cor. Mais cedo havia prendido o cabelo em um coque frouxo com a ajuda da varinha e feito uma maquiagem leve para contrastar com o batom vermelho. – Aqui está. — A mulher disse, chamando sua atenção novamente. — Pode encaminhar-se para a sala de imprensa ao lado? Hermione quase gemeu desanimada quando a mulher lhe disse isso. Odiava ter que falar com a imprensa e posar para fotos. Entretanto, seguiu para a sala de estar que havia se transformado em "sala de imprensa" e abrigava todos os repórteres de todos os jornais e revistas mais importantes da França. Havia homens e mulheres importantes do mundo bruxo dando entrevistas para os jornalistas, mas quando entrou a atenção dos fotógrafos foi imediatamente direcionada a ela. Já era conhecida como assistente de Jean e procurava repórteres mais vezes do que achava saudável durante o mês. Depois de um minuto resolveu que eles já tinham fotos suficientes dela e escolheu uma das jornalistas que lhe chamava com tanta avidez.– Hermione, ficamos sabendo que foi vista num café muito frequentado de Paris em companhia de Draco Malfoy, isso é verdade? — Não acreditava que havia escolhido justo uma repórter de revista de fofoca. Como Lindsay havia conseguido espalhar a fofoca tão rápido? – Acho que sim.– Visto que ambos são ingleses e com histórico escolar de mesma data, vocês estavam tendo um encontro romântico?– Não passava de um encontro profissional. – Testemunhas que estavam no local nos disseram que vocês pareceram bem íntimos. – As pessoas gostam de se promover às custas dos outros. — Iria matar Lindsay Poplin na primeira oportunidade. Sorriu, pronta para dar as costas à mulher, quando a mesma falou:– Podemos fazer as mesmas perguntas à ele?Os jornalistas pareceram entrar em êxtase quando Malfoy entrou na sala sozinho e Hermione quis enfiar sua cabeça no buraco mais próximo. Ele tinha que chegar justamente quando estava quase se livrando da repórter inconveniente. – É claro que sim. Tinha um sorriso no rosto, mas sua mandíbula estava tensa. Saiu pelo outro lado, tomando o corredor comprido em direção ao salão de festas. Havia pessoas paradas conversando durante todo o trajeto e teve que cumprimentar algumas delas, mas passou o mais rápido possível, pois não queria encarar Malfoy sem ter tomado pelo menos algumas taças de champanhe. – Hermione, que bom que chegou!Deu um abraço em Elise e Jean, embora este estivesse mais entretido em sua conversa com um dos chefes de departamento do Ministério. – Como vai, Elise? – Desculpe ocupá-la, mas juro que depois disso você poderá aproveitar a noite. Pode ir até a cozinha verificar se a entrada está pronta para ser servida, não quero nenhum atraso dessa vez? – Você não precisa nem pedir duas vezes, querida.Hermione atravessou o salão, todo decorado com temas natalinos e com uma árvore que ia até o teto logo atrás dos músicos, parando algumas vezes para não parecer mal educada, e chegou à uma porta lateral. Do outro lado, entrou na cozinha pela porta que ficava à sua esquerda. O cheiro estava tão bom que teve que se segurar para não beliscar em nada do que havia em cima de uma longa mesa logo à sua frente. – Hermione, veio nos visitar? — Disse o cheff, limpando uma das mãos num guardanapo enquanto aproximava-se dela cumprimentando-a com um beijo no rosto. – Essencialmente, sim. Como está, Marc? – Muito melhor agora que está aqui. – Não sabia que Elise havia lhe contratado para este ano. Uma garota de no máximo 20 anos abordou Marc para lhe perguntar algo relacionado a um prato que estava fazendo. Hermione esperou, pacientemente. Rodeada de toda aquela comida, percebeu que estava morrendo de fome.
Ela o observou explicar pacientemente à Danielle, Hermione leu no crachá, o necessário para deixar o prato no ponto e o admirou. Marc era um homem muito bonito. Era careca por opção, tinha os olhos verdes e pele negra. E ela não podia se distrair pensando demais em seus lábios carnudos e bem desenhados ou nos músculos escondidos por trás do uniforme. – É, você sabe como Elise é, ela me contratou há alguns meses. — Disse ele, terminando de atender Danielle. – Soube que reatou com a sua esposa.– Er... Sim, já faz um ano. — Marc olhou para os lados parecendo envergonhado. — Ela está aqui, eu até apresentaria vocês, mas...– Eu sei, é melhor não. — Hermione sorriu para Marc tranquilizando-o, não tinha nenhum interesse em conhecer a Sra. Valliere. Marc havia sido um caso de alguns anos atrás, quando ele acreditava que não havia salvação para seu casamento. Pelo menos, tinha ficado claro para ambos que não havia sentimento envolvido. — Elise mandou perguntar se a entrada está pronta para ser servida.– Ah sim, claro! Estamos esperando ela dar o sinal verde. – Nesse caso, então, vou avisá-la. — Hermione se despediu com um beijo no rosto. — Foi bom ver você de novo. – Ei... — Marc segurou sua mão fazendo-a se virar para ele, novamente. — Posso esperá-la no meu restaurante? – É claro, Marc. Adorava Marc e não era por que não queriam ter um relacionamento que não podiam ser amigos, estava claro que ambos nutriam um carinho saudável um pelo outro.Trocando sorrisos de despedida, Hermione tomou o caminho da saída e voltou para o salão de festas. Era incrível, mas Marc possuía o dom de deixá-la mais leve apenas com uma conversa e tinha a impressão de que poderiam conversar sobre tudo sem problema algum, como já haviam feito há mais de um ano atrás. Encontrou Elise conversando com alguns convidados sentados em uma mesa. Aquela era sem dúvida uma das mulheres que mais admirava em toda sua vida. Além de sensível, educada, delicada e ao mesmo tempo forte, Elise dedicava grande parte de sua vida à caridade. O fato de não poder ter tido filhos havia ajudado bastante em sua empreitada. Ela era a CEO de uma fundação para crianças desabrigadas e ajudava muitas outras entidades filantrópicas. Muitas vezes Hermione a acompanhava em eventos apenas pelo prazer que sentia em ajudar àquelas crianças e, às vezes, levava Sophie em seus passeios com Elise apenas para que a menina aprendesse a arte de doar e receber. Sua pequena adorava interagir com as outras crianças.– E então, Hermione? — Perguntou ela enquanto a acompanhava em direção ao pequeno púlpito que ficava ao lado dos músicos, onde Jean já a esperava. – Eles só estão esperando suas ordens. – Muito obrigada, querida. — Elise parou e virou-se para ela, olhando-a com seriedade. — Divirta-se essa noite, Hermione. – Obrigada, Elise. A mulher sorriu e lhe deu às costas caminhando sem pressa em direção ao púlpito e parando ao lado do marido. Hermione logo procurou uma mesa para se acomodar antes que eles começassem o tradicional discurso. Encontrou Irina Faucher, chefe do Departamento de Relações Exteriores, acenando para ela e se dirigiu para lá. Na mesa da mulher havia mais três chefes de Departamento com suas esposas e, para a infelicidade de Hermione, Lindsay Poplin ao lado da Sra. Raser, mulher do Chefe de Departamento de Esportes, Lonnie. Cumprimentou a todos educadamente e sentou-se tendo consciência de que a mesa do Ministro da Magia estava logo ao lado da sua. Ele não comparecia à muitas festas e Jean se tornava um exibido quando dizia com orgulho que o mesmo sempre estava em suas tradicionais comemorações.– Boa noite a todos, gostaria da atenção de vocês por alguns minutos. — Disse Jean. — Há 25 anos, o excelentíssimo Ministro Pierre Bonnet enfrentava uma crise na reta final de seu governo e me incumbiu de preparar uma festa de Natal tão fantástica que o mundo bruxo se lembraria da mesma por meses depois do acontecimento."Não era tarefa difícil no auge dos meus 30 anos, sempre fui bem festeiro para falar a verdade. Como o esperado, a festa foi um sucesso e no ano seguinte, o Ministro atual, Sr. Grégori Bertrand, me pediu para repetir o feito. Com o passar do tempo a festa se tornou a mais esperada de todos os anos e aqui estamos nós para comemorarmos o Natal juntos... Mais uma vez."O salão irrompeu em aplausos para Jean que sorriu orgulhoso. Hermione tinha a impressão de que ele queria pegar o lenço em seu bolso e enxugar o suor que escorria de sua testa, como sempre fazia quando estava nervoso. Foi então que percebeu que realmente o conhecia e o considerava muito mais do que a um chefe, assim como Elise. – Esta noite... — Elise tomou a palavra quando as palmas foram diminuindo. — Eu gostaria que vocês apreciassem o show das minhas filhas de coração da Fundação Jouffret. Houve uma nova onda de aplausos e as luzes do salão se apagaram concentrando-se apenas na pista de dança onde um grupo de sete meninas vestidas de branco começaram uma coreografia muito bem ensaiada ao som de um piano. Quando a apresentação terminou, Elise parecia ainda mais orgulhosa de suas "filhas de coração" e abraçou cada uma delas indicando onde poderiam se sentar, provavelmente com alguma diretora da Fundação. – Bem, o jantar será servido logo mais, mas agora vamos inaugurar a pista de dança! Logo que a música começou, Hermione sequer teve tempo de virar-se para conversar com Irina, que havia se tornado sua amiga assim que chegara no Ministério, Luc a puxou para cima enlaçando-a pela cintura e levando-a para a pista de dança. – Como você está nesta bela noite, Hermione? – Muito bem, Luc. — Respondeu, seguindo-o resignada pela pista de dança.– Devo dizer que esse ano você é a mais bela da festa, querida. — Ele a puxou para mais perto. — E a mais cheirosa também.– Luc, eu não quero ser chata com você...– Então não seja, vamos aproveitar a noite e talvez no fim podemos ir para casa juntos. — Hermione revirou os olhos.– Eu não quero ir para casa com você no fim da noite, entendeu? — Falou, como se estivesse explicando algo a uma criança. — Eu só quero que você entenda que não vai acontecer mais nada entre nós. – Por quê? — Ele sorriu malicioso, levando os lábios ao seu ouvido. — Eu sei que você não achou nada ruim nossa última noite. – Sabia que há um monte de outras assistentes por aí doidas para ir para casa com você? — Disse, farta de tanta insistência. — Encontre uma e se satisfaça com ela! – Você não precisa jogar esse jogo comigo, sabia? Se fazer de difícil não faz o seu tipo. Hermione parou a dança abruptamente, fazendo um casal que vinha logo atrás trombar em ambos. Não estava ligando, só queria dizer tudo que tinha vontade à Luc, se esquecer da boa educação que recebera.– Eu vou ao banheiro. Espumando de raiva, tomou o caminho da saída do salão antes que ele pudesse tentar impedi-la. Sabia que havia um banheiro no salão de festas, mas queria dar um tempo antes de voltar para a festa. Depois da abertura oficial do baile, nem mesmo a imprensa ocupava àquela parte da casa e ela agradeceu mentalmente por isso, não queria responder mais perguntas indiscretas daquelas revistas de fofocas. Atravessou a sala e tomou o corredor que levava à cozinha. Esta também estava vazia, supunha que todos os funcionários tinha sido mobilizados estritamente para a festa. Abriu a porta dando de cara com uma piscina enorme e iluminada e um jardim escuro e bem cuidado. Atravessou o mesmo até chegar embaixo de uma árvore alta onde havia um balanço, que servia para os sobrinhos de Jean e Elise. Apesar de tudo queria que Sophie estivesse ali, tinha certeza que ela conhecia as meninas do balé da Fundação e se comportaria. Ou então poderia se entreter com ela e ter uma desculpa para não dar atenção à Luc. Acomodou-se no balanço sentindo-se uma tola por estar ali enquanto a festa rolava lá dentro. Sempre havia gostado das festas de Jean, mas esse ano havia algo diferente, uma sensação que ela não sabia distinguir, mas que estava mexendo com seu psicológico. – Se escondendo, Granger?
Notas finais
Oi, gente!! Sei que muitos estavam esperando por essa cena, da festa e das respostas de Hermione para a revista de fofoca, então... O que acharam? E o que Hermione fez com Luc? Ele é um pouco abusado, né? kkkkkkk E o Marc? Pelo menos, nessa fic Hermione se diverte com os homens, essa Hermione é um pouco mais leve do que a da outra história, vamos combinar né?
Adorei responder os comentários de vocês todos, me diverto sempre lendo e fico na expectativa para saber o que acharam do capítulo novo (podem dizer mesmo quando estão odiando a história!!). Enfim, obrigada suas lindas!! ;)
Enfim, como eu adoro deixar spoiler e vocês sabem, aqui está o do próximo capítulo:
- Sabia que nunca fui questionado sobre esse tipo de coisa?
- A hipótese de você estar comigo nunca foi levantada.
- E ainda dizem que eu sou o convencido.
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É isso, bjão, até o próximo!!
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