Vínculo
11 Capítulo 10
O café onde Hermione resolveu se encontrar com Draco estava cheio, várias pessoas que terminavam o expediente àquela hora paravam pra tomar algo quente, principalmente considerando que estava muito frio do lado de fora.
Hermione adentrou apressada e logo encontrou Draco sentado a uma mesa nos fundos, mais afastada. Estranhou, já que eles sempre se sentavam perto da janela. Andou até lá rapidamente, desfazendo-se das luvas e da touca. Colocou a bolsa numa cadeira ao lado e sentou-se de frente para ele. – Pedi um expresso para você, ainda está quente. – Obrigada. – Disse, tomando um gole da bebida quente. Ele a olhava, esperando. Afinal, foi Hermione quem havia marcado aquele encontro. – Não vai considerar mesmo a possibilidade de chamar seus pais para a festa de Jean, não é?– É claro que não, Granger. – Ele a olhou como se estivesse louca e Hermione soltou um suspiro, aliviada. – Talvez nem eu vá nessa festa. – Que bom. – Draco levantou uma sobrancelha para ela. – Quer dizer, que bom que não vai levá-los. – Eu entendi. – Não me leve à mal, mas você sabe que seus pais me reconheceriam na hora se me encontrassem nessa festa. – Disse, gesticulando mais do que o necessário. – E você está com medo de quê, exatamente?– Eu não sei, seria… Mais uma humilhação em público.Então eles ficaram em silêncio por algum tempo, sem coragem para se encarar. Por que Draco sabia muito bem que seu pai, mesmo com o ego ferido como ainda estava por causa da guerra, ainda era capaz de humilhá-la com palavras. E Hermione por quase implorar que ele não levasse os pais apenas por que… Estava com medo. – Você vai todos os anos nessa festa? – Desde que comecei a trabalhar com Jean. Sempre foi uma tradição, mas, como ele disse, tornou-se uma obrigação devido ao cargo. O grau de importância das pessoas aqui é medido pelos convidados da festa. Quem não é convidado, não é digno de confiança. – Ela revirou os olhos e sorriu, brincando distraidamente com seu copo de expresso. – Mas acho que é uma má premissa. As pessoas não deviam ser julgadas como sendo boas ou ruins apenas por serem ou não convidadas de uma festa de Véspera de Natal. – Oh, uma festa para as elites, então. – Por que Draco Malfoy só frequenta as altas rodas do mundo bruxo francês. – Ela brincou, bebendo um gole de seu café e Draco se levantou. – Eu tenho que ir. – Ele enrolou o cachecol em volta do pescoço. – Vou comprar um smoking novo.– Mas… Disse que não ia na festa. – Disse Hermione, confusa, enquanto ele deixava algumas notas em cima da mesa. – Mudei de ideia, afinal… — Ele abaixou-se e Hermione pode sentir seu hálito quente em seu ouvido, fazendo seu corpo inteiro se arrepiar. – Você vai estar lá. No segundo seguinte, porém, ele não estava mais lá. Apertou o copo de café a sua frente. O que foi aquilo? Por que teve aquela reação ao senti-lo tão perto? Precisou de alguns segundos para normalizar a respiração. Não teve muito tempo para pensar a respeito, pois quando olhou para o lado percebeu que não eram os únicos bruxos que frequentavam àquele café. Lindsay Poplin, assistente pessoal do chefe do Departamento de Esporte, estava encarando-a com os olhos tão grandes que Hermione quase se encolheu. A amiga dela ainda não os tinha visto, mas Hermione sabia que também trabalhava no Ministério. Lindsay era nova no Departamento, mas acompanhava seu chefe em todos os eventos importantes e a festa de Jean era o evento do ano no mundo bruxo francês. Lá, ela teria tempo demais para espalhar o que viu. Então Hermione viraria alvo de fofocas das secretárias do Ministério. E graças a Draco Malfoy. Aquelas francesas já não gostavam muito de Hermione, depois de Lindsay contar o que viu ficaria difamada para o resto da vida no Ministério! Levantou-se, colocou as luvas e a touca, pegou a bolsa e cumprimentou-a com um gesto de cabeça, calma e educadamente. Como se não estivesse nada afetada pelo que Malfoy havia feito ou com o fato de Lindsay ter presenciado isso!Onde ele estava com a cabeça, afinal? Quando saiu do Café, Hermione ainda pensava na voz rouca e atraente em seu ouvido. Se a intenção dele era deixá-la atordoada havia conseguido. – Perfeito, Malfoy.Revirou os olhos e adentrou o beco, onde costumava aparatar. Ia ter uma conversa muito séria com ele sobre o que havia acontecido. De qualquer maneira, precisava preveni-lo sobre os futuros boatos. Ao chegar em casa, encontrou Sophie brincando no tapete da sala. Ela fazia diálogos entre suas bonecas e arrumava os cabelos das mesmas tão naturalmente que Hermione se perguntou por que nunca havia gostado de bonecas quanto as outras meninas de sua idade. Sempre preferira os livros a qualquer brinquedo pouco construtivo. Então foi para Hogwarts, aos 11 anos, e todas as suas amigas continuaram suas infâncias normalmente. Nas férias do primeiro ano, viu seus antigos amigos brincando de pique-esconde na rua e percebeu que não fazia parte daquele mundo. Pelo menos, não depois de tudo que havia acontecido em seu primeiro ano com Harry e Ron. Hermione havia passado por coisas que seus amigos jamais podiam imaginar e eles continuavam a serem apenas crianças despreocupadas com o futuro.
– Mamãe! – Sophie veio correndo abraçá-la. – Pensei que não chegaria cedo. – Eu não tive que ajudar Elise com os preparativos da festa este ano. – Pegou-a no colo, deixando seus pertences de lado. Marie veio da cozinha limpando as mãos num guardanapo. – Como essa mocinha se comportou, Marie? – Ótima, como sempre. Apesar da resposta positiva, Hermione percebeu que Marie estava inquieta. Enquanto a olhava, mexia no avental nervosamente.– Quem quer tomar banho com a mamãe hoje?– Eu! – Sophie gritou e pulou no chão subindo as escadas correndo. – Vou encher a banheira.Hermione riu e seguiu para a cozinha atrás de Marie. – Srta. Granger, aconteceu algo muito sério hoje. – Disse a mulher em seu francês rápido. – O que foi, Marie? É algo com Sophie. – Sim. – Hermione começou a se preocupar realmente. – Hoje quando ela chegou da escola foi para seu quarto brincar como sempre. Mas havia um livro que estava na parte mais alta do armário e nós duas sabemos que Sophie não consegue alcançar lá. Então quando eu entrei vi o livro sair diretamente da prateleira do armário e ir parar nas mãos dela… Voando!Quando terminou seu relato, Marie fez o sinal da cruz com um olhar assustado. Hermione não pode evitar um sorriso. Já sabia que Sophie era bruxa, o que era uma coincidência por que antes de ela começar a manifestar magia jamais desconfiara do fato, mas ela vinha fazendo magia involuntária há algum tempo. A diretora de sua escola havia lhe comunicado que alguns dos colegas de Sophie disseram que ela costumava falar com alguns animais como se o entendessem. A menina era muito sensível quando se tratava de bichos e sempre queria ajudar todos que via abandonados na rua, de gatos a passarinhos. Hermione já havia pesquisado na Biblioteca Bruxa de Paris, mas não havia encontrado nada sobre bruxos que se comunicavam com animais. Pelo menos enquanto não pudesse pesquisar mais à fundo, Sophie era um caso à parte. – Vou conversar com ela sobre isso. – Srta. Granger! – Exclamou Marie, parecendo assustada. – Eu acabei de falar que sua filha está fazendo objetos voarem por aí e a senhorita não está nem assustada! – Marie, eu juro que vou te explicar tudo um dia, mas… Eu não posso. – Estava na Constituição Bruxa, era proibido fazer magia em frente a qualquer trouxa, entretanto, casos de magia involuntária eram exceções. – Só me prometa que não contará para ninguém. – Então diga que vai dar um jeito nisso. Tem que fazê-la parar!– Pode deixar. – Sorriu para a mulher. – Não tem que se preocupar com isso, não é nada… Mau. Certo?– Eu espero, Srta. Granger, eu espero mesmo. – Ela desfez do avental e tirou um bolo de chocolate do forno. – A cobertura está sobre a pia. – Obrigada, Marie. – Ela viu a mulher pegar seu casaco sobre uma cadeira. – Amanhã pode vir buscar Sophie às seis. – É claro. – Eu passo para buscá-la quando sair da festa. – Certo, até amanhã. Marie saiu pela porta da frente, encolhendo-se com o vento frio, e Hermione tomou o caminho de seu quarto. Sophie já estava dentro da banheira cheia de espuma brincando com um pote vazio de sal de banho. Ela havia despejado todo ele. – Mamãe, você não vai acreditar no que eu fiz hoje!– Disse para não fazer isso em frente a outras pessoas, lembra? – Falou enquanto se desfazia das roupas. – Sim, mas é que demorou um pouco para eu conseguir fazer o livro flutuar até mim. – Ela levantou os braços. – Mamãe, foi tão legal!– Estou orgulhosa de você. – Entrou na banheira sentindo a água quente. – Apenas não assuste Marie, certo? Então, mãe e filha continuaram brincando na banheira cheia de espuma e conversando sobre seus respectivos dias.
Notas finais
Mais um capítulo pra vocês!! O que acharam da "despedida" de Draco? Hermione sendo alvo de fofocas, mas agora na França, é uma sina, vocês não acham? kkkkkkk E... Espero que quem tenha pedido a presença de Sophie e Hermione, efetivamente, sendo mãe tenha ficado feliz kkkkkkk O que acharam da sensibilidade dela com os animais? Será um dom de família? Muitas perguntas da minha parte, mas espero que vocês sejam legais, como sempre, e comentem bastante pra fazer minha felicidade, como no capítulo anterior kkkkkkk
Falando em comentários, obrigada novamente a gitoccillo pela recomendação maravilhosa!! Quem é autor sabe o quanto uma dessas significa, espero que venham muitas outras :))
Então, como sei que adoram um spoiler, vou deixar um pequeno pra vocês:
- Visto que ambos são ingleses e com histórico escolar de mesma data, vocês estavam tendo um encontro romântico?
- Não passava de um encontro profissional.
- Testemunhas que estavam no local nos disseram que vocês pareceram bem íntimos.
Bjão, até o próximo, gente!!!
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