Vício M(eu)
13 Capítulo 12 - Mentalmente fodida.
Notas iniciais
Capítulo 12 – Mentalmente fodida.
Sinto algo enganchado em meu quadril e outro algo amparando meu seio esquerdo. Abro os olhos e quatro caixas de papelão de variados tamanhos invadem o meu campo de visão. Viro meu pescoço levemente para trás e me deparo com o rosto de Emi acomodado em me ombro. Noto então que o que se enrosca em meu quadril é uma de suas pernas, e a outra coisa que envolve meio seio é a palma de sua mão direita, o que resulta num quadro de nós duas dormindo aconchegadamente de conchinha. Percebo que estamos nuas e a conclusão mais óbvia que chego é que aconteceu de novo. Franzo as sobrancelhas e de repente lembro. Sim, aconteceu. Tenho cada segundo bem claro na minha mente e o mais curioso é que naquela terça-feira da segunda semana de aula, aquelas cenas não me traziam tanto desconforto, mas sim, um quentor no meio das pernas.
John arranha a porta de meu quarto e choraminga, pedindo para entrar. Confiro o horário em me celular que está de baixo de meu travesseiro. Ainda são 05:40 da manhã e a Lua comemora por saber que seu expediente está acabando, mas então se dá por conta que tem hora extra no hemisfério oriental e faz uma nota mental para ir ao Sindicato dos Corpos Celestes. Gostaria de avisar à Lua para ela não perder seu tempo, todos do Sindicato estão muito ocupados agora com essa onda de processos de parentes das estrelas que já são não mais que pó, mas ainda assim têm, sem sua autorização, suas emanações de luz sendo exploradas. Infelizmente, sei que Lua não irá me dar ouvidos e prevejo então que colocarão nuvens para cobrir o seu horário.
Sutilmente me desenrosco de Emi para não acordá-la e pé por pé abro a porta de meu quarto. O beagle entra abanando o rabo, com a língua de fora, num sorriso de cachorro. Vou para o banheiro e John me segue, ora com o rabo entre as pernas, cheirando cada canto da nova casa, ora num vapt-vupt rabanesco.
Ligo o chuveiro e uma queda d’água morna quebra em minha cabeça. Pego a barra rosa de sabonete que me cheira a importado, com perfume de ameixa e a deslizo pelo meu corpo, fazendo espuma enquanto simultaneamente a água a desfaz. Reparo no reflexo do meu corpo nu que pausa sobre o vidro do box. Noto as gotas percorrendo minha planice para depois se embrenharem na mata perigosa.
Com a ponta de meu dedo indicador da mão direita sigo umas das gotas. Ela passa pelo abismo entre meios seios, desvia de meu umbigo e se mistura aos pelos, indo se lá eu para onde. Assim como ela, desço. Meu dedo escorrega e vai para em minha virilha direita, o coloco mais para o lado e mal demoro um segundo para achar a entrada. Contorno a borda e instantaneamente sinto algo pulsar lá dentro. Tenho vontade de enfiar meu dedo no interior e sem ponderar, é o que faço, apenas porque o quero. Ainda sem ter explorado muita coisa, quando recém estava ali, logo depois da entrada, faço o dito cujo girar, mas não sinto nada de especial, o que dá até margem para o pulsar diminuir.
Por sei lá eu o que, de supetão, enfio meu dedo do meio, sem caricias na borda, sem nenhum aviso prévio. Apenas o enfio, rápida e bruscamente. O ato em faz acender.
Acesa, atenta e pronta para o prazer. Sei o que quero e quero enlouquecer. Mergulhar de cabeça na cabeça que não tenho e nem preciso ter. Ter em mim, ter em alguém que tenho... Ou que achei por aí. Apenas, por hora, agora, preciso me ter, me descobrir, me sentir, me caminhar, me rimar, e ah... É claro, me gozar.
Me gozar numa sequência de vai e vem, entra e sai, no meio da loucura escura, peluda e morna de minhas pernas.
Nessa transa só, sublime, plena e quase serena, meus gemidos e afagos, córregos e aconchegos de minha alma são minha trilha sonora.
Instintivamente, minha mão livre sobe e agarra meu pequeno seio direito. A água me beija sem esquecer de nenhuma parte de mim, e minha boca aberta, parte pelos meus gemidos, parte por minha respiração ofegante engole parte dela. Ela vem com o gosto claro do cloro, e sei que posso ir mais fundo com meus dedos.
Sem muita educação, eles não esperam a sua vez, aos trancos e barrancos me escalam, cutucam, socam, me prazeiam.
Minha sirene grita, incandescente, indecente, a ponto de se espatifar em milhões de pedacinhos escarlates. Minha alma é luxúria, vermelha sangue, movida a orgasmos.
Algo toca minha mão que acaricia meu seio. Abro meus olhos e me esqueço de respirar. É Zack. E ele está nu. Devagar, abaixo meu olhar, que para no meio de suas pernas, com sua genitália grande, altiva e ereta. Sinto vontade de chupá-lo, mas volto para seu rosto, seus olhos castanhos, agora são vermelhos, sedentos por mim. A coerência se fazia ausente, mas deparada com o que eu me deparava, quem iria fazer questão da presença do sentido? Quem iria fazer questão da presença de qualquer um? Eu queria apenas era ficar a sós com ele.
Um sorriso sacana me engole e me deixo ser comida, apenas porque depois, eu também iria comer.
Zack me empurra, prende e prensa contra a parede. Sinto a gelidez queimando num fervor que só, minhas costas. Meus dedos são retirados bruscamente e minha sirene se quebra. Suas mãos agarram meu rosto e sou beijada com urgência. Nossas línguas digladiam e ele ganha, me ganha.
Suas mãos correm para o meu quadril, sou levantada, tranço minhas pernas no seu quadril e não demoro muito para sentir algo meu adentrar. Prazer vem me dar oi novamente, mas tão logo quanto me deu a palavra, fecha a porta na minha cara.
Abro os olhos. Parede dá um passo para trás, me negando amparo. Sigo meu braço, que termina nas imediações de minha vagina. Tiro meus dedos de lá lentamente. No entanto, não sinto nada. Se fazendo de exceção, Culpa aparece para brincar com John.
Lavo minhas mãos. Sinto vontade de chorar, nojo, arrependimento. O banheiro gira em meio ao oceano lacrimejado de mim. Quer cair, bater a cabeça no chão e gargalhar de suspiros aliviantes. Já até me vejo em uma maca, ou numa camisa de força. Culpa uiva e John late histericamente. Lágrimas me abandonam, sinto meu nariz entupir e o Desespero me abraçar.
Nua e perdida.
Nua e mentalmente fodida.
Me enrolo na primeira toalha que vejo e corro. Passo pelo closet e chego em meu quarto. Emi me espera, já vestida com suas roupas provocantes e sua maquiagem de sempre.
–– Não vou nem perguntar o que houve. –– ela diz.
–– Como se você precisasse. –– falo ironicamente em meio a alguns soluços.
Duas batidas ecoam na minha porta.
–– Emily, você já tá pronta? –– era a voz de Zack, envergonhada, olho para baixo e minha outra eu me abraça. –– É que... Se a gente não sair agora, vamos nos atrasar e meu pai e a... Sheron –– amargura pesa na sua voz quando cita o nome de minha mãe. –– já saíram, então seria inteligente se você viesse comigo... Tipo... Agora... Emily? Você está aí?
–– Você está péssima, Emi. Diga a ele que está doente e que não vai a aula hoje. –– Emi fala e eu fico irritada por ela me chamar de Emi. Mas não digo nada. Nem a ela, nem a Zack, e acho que a mim também silenciei.
Minha outra eu tosse.
–– Zack... –– ouço tontura e cansaço na sua voz –– não estou muito bem a... –– tosse –– ...cho melhor eu ficar em casa hoje.
Estou prestes a rir quando Zack a responde.
–– Você quer que eu busque algo? Quer ir ao médico? –– ele fala do outro lado da porta.
–– Não precisa, só tenho que descansar. Obrigada pela preocupação. –– digo com a mesma voz engasgada que iniciei o fingimento e amaldiçoo Emi por ter se apoderado de meu corpo.
Zack ri.
–– Não se agrade preocupação, Emily. Se retribui. Bom, vou lá então! Até e melhoras.
Seus passos se distanciam de minha porta e eu suspiro de alívio. É bom ter Emi aqui.
Minhas lágrimas secaram e já não estou mais tão nervosa. Me jogo em minha cama, mas logo sou puxada por minha clone. Penso que ela vai tentar algo, mas sou surpreendida.
–– Nem pense que vai ficar dormindo, essa aulinha matada já estava planeja pela garota sexy aqui, desde ontem. –– levanto as sobrancelhas mostrando interesse. –– Nós vamos visitar nossa maninha mais velha.
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