Vício
1 Prólogo
Notas iniciais

Eu não sou tão difícil de entender.
Talvez você nunca tenha tentado entender.
Penso em dizer, mas não digo. Em vez disso, solto seus pulsos.
— Cansei desse jogo.
— Nunca foi um jogo se você sempre controlou as peças.
Sinto rancor em seu olhar, e isso me fere como cortes de papel. Já tinha sentido a raiva e o desespero em todas as suas cores, mas nunca um sentimento tão verdadeiramente rançoso. Eu poderia devolver a culpa, questionar todas as palavras não ditas, e eu ouviria o quanto eu não aceito escutar aquilo que não quero escutar. Eu já sei disso. Então solto o inesperado, o que provavelmente já deveria ter sido dito há muito tempo.
— Me desculpa. — faço uma pausa, e então completo: — Eu nunca quis controlar nada. Eu nem saberia como controlar qualquer coisa.
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